Sklr.w
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Eu vivo numa constante duvida sobre o que eu devo fazer com a porra da minha vida, e acredito que vá demorar muito para as respostas surgirem. Mas enquanto eu não sei se tomo suco de uva ou uma dose de vodca, eu me deixo levar pelo momento.
E nesse momento, eu escolho a morte.
Acordar todos os dias às 6h e desejar o fim do mundo devido a uma explosão do sol era a minha rotina, depois eu escovava os dentes e vestia uma roupa, nada demais.
Meu pai sempre estava sentado no mesmo lugar, na mesma cadeira, lendo as mesmas piadas de merda e sem criatividade do jornal, bebendo já cedo uma cerveja. Do lado dele ficava o meu irmão, um coitado inocente de 10 anos. Mas não se deixe levar pelos meus comentários cruéis, eles são boas pessoas.
"Bom dia", meu pai sempre dizia sem tirar os olhos, desta vez, das páginas cheias de desenhos mal feitos ou artigos sobre câncer na próstata, na verdade, eu não ligo. Mas sei que, bom dia não é.
Pai: Você não vai comer, Sky?
Ele faz sempre a mesma pergunta, sabendo que eu nunca como pelas manhãs, na verdade, eu praticamente nunca como nada.
Meu pai é o cara mais previsível do mundo. Agora ele vai olhar para o relógio, se levantar, pegar as chaves e dizer que estamos atrasados.
Dito e feito.
No carro geralmente escutamos rock, pelo menos em música o meu pai tem bom gosto. Eles nos levava nos dias que estava em casa pelas manhãs, caso o contrario, meu irmão ia de carona para sua escola, e eu arranjava um jeito de ir para a minha.
Meu irmão jogava o mesmo jogo de guerra no celular, como todos os dias antes da aula.
Eu não me importo dele jogar o maldito joguinho dele, mas ele estava se jogando de um lado pro outro no banco do carro, e mesmo que ele estivesse atrás, aquilo estava me incomodando. Eu me virei e dei um tapa na sua perna, obviamente meu pai brigou comigo. Mas eu sabia que ele só não havia batido nele também por a)ele não usa força física com a gente; b)ele esta dirigindo; e c)ele é um policial bonzinho com os filhos;
Na escola, eu já conseguia ver a Evie conversando com o professor de inglês no estacionamento dos professores, ela era uma boa aluna, melhor do que eu pelo menos. Aqui se alguém falar com professores, é considerado um bosta antissocial. Mas essa vaca conseguia informações de provas surpresas só conversando com os professores sobre plantas.
Me sentei em um dos bancos e peguei meu celular, tinha uma mensagem.
BabyCass: Você vai hoje a noite né?
Droga. Eu tinha esquecido de hoje a noite.
Evie: Tem prova de inglês semana que vem, estude.
Ela disse e então continuou andando. Garota esperta.
Eu me levantei para ir para a minha sala, mas fui abordada pela Sra. Grimes, professora de literatura, falando sobre o meu trabalho extra. Que merda, tem mais isso agora.
Sra. Grimes era uma mulher engraçada, ela era baixinha e obesa, era bem velha e tinha cabelo preto tingido. Ela falava de um jeito engraçado, e ainda tinha sotaque britânico. Geralmente ela era uma pessoa calma, porém conseguia ser uma vaca quando queria.
E, de acordo com ela, se eu não fizer meu trabalho extra, eu vou me foder.
A primeira aula do dia seria matemática, na qual eu não estou tão mal assim, dá para dormir. Coloquei os braços sobre a mesa e me deitei, escutando música com os fones de ouvido.
Eu tenho um carinho de mais ou menos 0,0000000000000000001% pela escola, como grande parte das estudantes daqui. Não sou do tipo de pessoa que acredita que escola é importante, bom, talvez a parte de aprender a ler e escrever sim, e até a contar os números, mas depois disso? Não, nada importante.
Minha alegria de ouvir uma boa música se acabou quando senti dedos cutucando o meu ombro, me virei para trás tirando um dos fones, quem quer que seja, espero que seja importante.
Era a Lizzie, uma das minhas "amigas" da turma.
Ela me disse bom dia, eu jurava que não ia conseguir me segurar e enfiar o seu lápis preto, que estava em cima da mesa, no seu olho, mas eu consegui. Respondi com a boa e velha "olhada" receptiva, apenas. Me recuso a ter conversas sociais pela manhã. Não vou ser uma boa ouvinte, e muito menos falar alguma coisa útil. Então voltei a olhar para frente, o professor já estava na sala
As aulas de matemática eram tão fáceis que nem pareciam reais, o professor não fazia porra nenhuma, ele era uma piada, passava todas as respostas e o máximo que ele exigia era silêncio. O que não era muito difícil por que todas estavam nos seus celulares, até mesmo ele. Mas uma hora a "palhaçada", iria acabar, com o próprio diretor entrando na sala.
Diretor: Bom dia alunas — tomara que o carro dele sofra uma leve explosão enquanto ele esta aqui — como sabem, nos teremos o baile de finalização do ano. Segunda-feira, no primeiro período, compareçam no auditório para os detalhes dessa noite espetacular!
O diretor era o perfeito esteriótipo de cuzão, sempre sorrindo e fingindo ser legal, mas na primeira oportunidade ele simplesmente TE FERRA.
Ele em si tinha cara de diretor, altura mediana, gordo e careca. Usando um terno comum e segurando uma pasta que podia apoiar na sua pança gorda. Não me entendam mal, eu não sou uma vaca sem coração, esse cara é um babaca inútil, ele merece sofrer.
Minhas manhãs e almoços eram feitos de rotinas, todos os dias me suicidando mentalmente durante os primeiros períodos. Almoçando com a Evie e a Lizz, que particularmente falando, são garotas adoráveis, mas elas só falam de garotos e de como suas vidas são terríveis por não terem namorados ou pais radicais...
Acho que por essa maldita escola ser só para garotas, as mesmas ficam cada dia mais entediadas e acabam falando só sobre meninos, que no caso elas nunca tiveram contato físico e coisas fúteis.
E depois do almoço, vinham as aulas extras, no meu caso, artes e "literatura".
Artes: sente na porta da cadeira e pinte algo que vem do seu coração frágil de uma moça delicada.
Literatura: leia esses romances e poemas iludiríeis e sinta-se amada uma vez na vida.
Eu geralmente não comparecia nas aulas de literatura, nada contra romances do Nicholas Sparks, mas eu preciso ler livros que me tragam coisas "úteis" para a vida, tipo como sobreviver a um apocalipse zumbi. Brincadeira. Talvez não.
A melhor hora do dia era quando eu finalmente chegava em casa, eu tinha umas 5h livre para ficar sozinha diariamente, já que o Patrick ficava na casa do amigo até a noite, quando meu pai o trazia depois do trabalho.
Eu estava de férias do meu mini emprego na cafeteria da minha tia, até na próxima quarta-feita. Ela foi viajar por duas semanas. Eu trabalho lá durante as tardes. Só para não ficar sem nada para fazer.
Ok, admito que sou obrigada.
Minhas tardes, durante essas férias se consistiam em:
Dormir
Escutar música
Dormir
Assistir filme
Dormir
Navegar na grandiosa internet
Dormir
Conversar com alguém pelo bate papo
Dormir
Dormir
E quando chegava à noite, mais precisamente 20h, meu pai chegava em casa com uma bela pizza na qual eu comia apenas um pedaço. De propósito, eu não como, eu não falo e eu com certeza não me importo com isso.
Eu recebi outra mensagem, mas dessa vez do Hayden. Eu precisava resolver isso, mas de um jeito discreto.
Pai: E aí, nossa sessão de filmes vai rolar hoje à noite?
Merda. Merda. Merda.
Pensei rápido.
Coloquei a mão um pouco abaixo da bexiga e fiz a pior cara possível. Ele entendeu.
Pai: aqueles dias?
Fiz que sim. Essas horas eu agradeço por só ter um pai e ele não perceber que falta 2 semanas pra realmente serem aqueles dias. Subi para o meu quarto e tomei um banho.
E então, mais tarde naquela noite, eu estava deitada, ouvindo músicas com o fone. Eu encarava o teto, pensando no que eu iria fazer, estava nervosa.
Me levantei e comecei a andar pelo quarto, desliguei a música e me sentei na ponta da cama. Então meu celular apitou.
BabyCass: Estamos aqui.
sklr.w: Estou indo.
Eu abri a porta com cuidado para não fazer nenhum barulho, andei pelo corredor onde haviam os outros quartos e banheiros, no silêncio absoluto. Quando cheguei no inicio da escada, eu desci de vagar, na metade eu pude ver que a TV da sala estava ligada, e meu pai estava deitado no sofá, provavelmente dormindo...
Merda.
Voltei até o fim do corredor, e abri a janela, ela dava para uma árvore que ficava perto do telhado, eu sai e me segurei firme no telhado, fechei a janela. Fui aos poucos até a árvore e agarrei o galho. Desci, foi meio complicado, mas poderia ser pior, eu poderia ser dessas que usam saia e salto.
A rua estava meio escura, a iluminação dos postes estava muito fraca, estava uma merda, no caso. Eu fui correndo até a esquina oposta, que ficava a uns segundos se eu andasse rápido. De longe eu já pude ver a velha caminhonete do padrasto do Hayden, e ele e a Cassie me esperando dentro.
Cassie: Achei que tinha desistido.
Hayden: Vamos, estamos atrasados — ele liga o carro e olha para mim — que bom que decidiu vir
Cassie: Hoje vai ser legal
Ela me entrega uma cerveja.
Hayden: Fiquei sabendo que o Henrique vai estar la — ele diz para Cassie e ela sorri e começa a rir, bem boba.
Cassie era meio exagerada quando se tratava de garotos, ela queria amar de novo.
Ela tinha um namorado e eles se amavam, pelo menos ela o amava. Ela pegou ele a traindo com uma de suas amigas, ela ficou muito mal. Eles eram o casal perfeição da sua escola.
Ela, baixinha, loira e de olho azul, usando roupas delicadas que a faz ficar maravilhosa, era disputada pela sua escola inteira, mas ela gosta justo do menino que não liga para ela, típico.
Hayden sempre tira sarro disso, mas é coisa de irmãos, certo?! Os dois são irmãos de pais diferentes, por isso eles acabam sendo bem diferentes um do outro também.
Hayden é alto, cabelo e olhos castanhos, e é gay. O que para muitas meninas é uma decepção, já que ele é super gato.
Eu o conheço dês dos meus 9 anos anos, e eu sempre soube que era diferente ele querer ser a barbie do relacionamento, já cedo ele sabia que gostava de meninos, ele até beijou o primo no seu aniversário de 10 anos. Eu não tinha problema nenhum com isso, já o seu pai, odiou tanto a situação que batia nele todos os dias, até que sua mãe o expulsou de casa. Dois anos depois ela se casou com o pai da Cassie. E nos três sempre ficávamos juntos. Sempre.
Hayden: Bem vinda ao paraíso Sky.
Ele estaciona o carro do lado de muitos outros.
O paraíso. Eu só tinha vindo aqui uma vez, mas faz anos, e ele mudou muito. Antigamente esse local era usado para acampamentos e férias de verão, mas um dia ele foi considerado ultrapassado e foi abandonado pelos pais e escolas que o frequentavam. Então a alguns meses uma galera tornou esse lugar completamente diferente, é um lugar para os jovens chaparem, beberem, curtirem shows de bandas desconhecidas e obviamente, se divertirem sem adultos.
Era um campo grande, cercado por árvores, e algumas dentro dele. Tinha algumas mesas nas laterais, e uma fogueira grande com bancos de madeira em volta no centro. No fundo, tinha um palco, onde bandas da cidade tocavam de vez em quando.
Era sempre a mesma galera que frequentava esse lugar, não era um lugar tão conhecido, eu soube que a maior quantidade de gente que já veio aqui na mesma noite foi 100 pessoas.
Encontramos alguns amigos parados perto dos carros estacionados.
Cassie: Oi Sasha! Você viu o Henrique por ai?
Cassie pergunta para uma garota parada em frente a um carro azul, sim, um carro azul. Acho que elas eram amigas.
Sasha: Ainda não, mas eu soube que a banda deles vão tocar hoje.
Pausa para a crise extérica da Cassie nesse momento.
Hayden: Cade o Natan?
Sasha: Ele foi pegar umas bebidas.
Hayden foi atrás dele, ótimo, fiquei sozinha.
Sasha: quem é ela?
Ela basicamente enfiou o dedo na minha cara enquanto questionava o meu ser à Cassie.
Cassie: Sky, uma amiga de infância nossa, ela não é la da escola.
Sasha me olhou dos pés a cabeça. Ela era negra, tinha um cabelo muito diferente, mas era lindo, ela em si era linda, meu deus, muito linda. Ela tinha cara de ser aquelas líderes de torcida esnobes e briguentas dos filmes clichês. Mas acho que não.
Sasha: Prazer, Sky. Seja bem vinda ao clube dos deslocados
Eu não respondi, apenas dei um mini sorriso e voltei a observar o local.
Cassie: Sky não fala muito, você se acostuma
Ela disse, explicando para a Sasha a minha falta de emoções humanas. Ela me zoava me chamando de robô, pois falava apenas o necessário e não expressava tantas emoções, besteira.
Logo Hayden e um garoto, que aposto que seja o tal Natan, voltaram com alguns copos. Eles entregaram um para cada um. Natan beijou Sasha. Ele era bem alto, era negro também e usava uma jaqueta do time de basquete da escola deles, pensando bem, acho que já tinha visto ele em um jogo que eu fui ver, o único jogo que eu fui ver, na verdade.
Natan: Quem é essa?
Tal namorada, tal namorado.
Hayden: Uma órfã, ela precisava de amigos...
Garotinho maldito, eu apenas o olhei, séria. O Natan pareceu acreditar, sorriu envergonhado, então todos começaram a rir.
Natan: Não entendi, qual é?
Sasha: Ai amor, como você é lento.
Ela o beijou e riu.
Cassie: Ela é uma amiga, a Sky.
Natan: Muito engraçado, idiotas.
Nos cumprimentamos com o olhar e ele bebeu quase o copo todo em um gole.
Eles pareciam legais. Bêbados, mas legais.
Depois de uns minutos chegou mais um garoto no grupo, e foi toda aquela cerimônia de apresentação novamente, seu nome era Tyler, ele parecia legal, divertido.
Desconhecido: Atenção!
Um retardado mental gritou no microfone, assustou todo mundo, babaca, é pra isso que servem os microfones, para não precisar gritar
Retardado: preparem-se para o melhor show da vida de vocês!
Fomos mais perto do palco, como todo mundo, eu não gostava de estar em um local com muita gente em volta, mas a Cassie praticamente me arrastou até colarmos no palco para ver a tal paixão dela de perto, o Henrique.
Eles entraram. Um garoto loiro com o cabelo enorme tocava a bateria, o Henrique tocava guitarra, um garoto moreno cantava e outro tocava teclado.
Eles começaram a tocar, era um rock meio alternativo, era bom. A galera estava pulando um lado para o outro, os meninos cuidavam para ninguém esmagar a gente, mas chegou a um ponto que eles já estavam muito loucos, chegou um cara com um saco cheio de pílulas. Todos eles pegaram uma.
Desconhecido: Você quer?
Eu neguei, com a cabeça.
Cassie: Você nem tenta, Sky.
Revirei os olhos. Não sou obrigada a isso, pelo menos não aqui. Eu já tinha visto a Cassie bêbada e chapada, ela faz tanta merda, eu não quero fazer igual. E pílulas não são confiáveis, pelo menos não essas.
Depois de algumas longas músicas, e muitos, muitos gritos, eu estava ficando sufocada, de verdade. Precisava sair dali, a música tava ótima, mas eu não conseguia respirar.
Fui aos poucos me afastando, e quando consegui perder eles de vista, fui esbarrando em um monte de gente até sair da multidão, me sentei em uma das mesas que tinham lá, olhei no meu relógio, 3h. Puta merda, como passou rápido.
Fiquei ali por alguns minutos, tendo devaneios e curtindo a música no escuro, até ouvir um barulho nas árvores, eu pensei que talvez fosse o vento, até que foi ficando mais alto. Olha, eu assisto filmes de terror o suficiente para saber que eu tinha que dar o fora dali.
Quando eu me levantei para sair, eu ouvi uma voz familiar.
Voz familiar: Calma, não precisa ter medo, eu só estava... mijando.
E então ele apareceu, era o Tyler, não sei se fico aliviada ou ainda me preocupo.
Eu apenas voltei a me sentar, lentamente. Ele riu, minha cara devia estar péssima.
Tyler: E ai, o que ta fazendo aqui sozinha?
Eu apenas o olhei, e então voltei a olhar para as minhas mãos, em cima da mesa
Tyler: ok, se não se importa, vou me sentar aqui também.
Ele se sentou de frente para mim.
Ele ficou me encarando, eu o encarei de volta, aquilo estava ficando estranho. Não gosto de pessoas me encarando, eu não falo com elas, quem diria olhar para elas.
Tyler: Por que você não fala nada?
Ele fazia uma cara estranha, ele estava confuso, porém eu não respondi
Tyler: ok, eu vou pegar uma bebida, se quiser vir junto, não é bom ficar aqui sozinha.
Eu iria ficar, mas eu pensei no que ele disse, tava escuro e por mais que eu gostasse dessa adrenalina de ficar correndo perigo no meio de uma floresta à noite, eu não queria morrer sem antes beber outra cerveja. Porém eu odeio cerveja.
Quando ele já estava a alguns metros longe, ele olhou para trás, então eu me levantei e comecei a andar até ele, ele sorriu, eu não enxergava seu rosto direito, estava escuro ali.
Fomos até uma mesa gigante perto dos carros, lá tinha uns caras colocando bebidas em vários copos para as pessoas, ele pegou dois copos, e me entregou um.
Tyler: Então... Sky, a garota que nunca fala, esta gostando daqui?
Eu fiz que sim enquanto tomava um gole, aquela merda era forte, mas era bom, e dava uma sensação boa.
Depois de alguns minutos parados em frente a caminhonete Betsy Possuída do padrasto do Hayden, bebendo e apreciando a música, o show havia acabado, eles terminaram com um cover de The Strokes. Legal.
Tyler: E lá vem eles.
Diz ele olhando para a galera que vinha até a gente.
Cassie: Mas que merda, Sky, onde você estava?
Ela parecia estar brava, mas ela mal conseguia andar, então dane-se
Hayden: Não suma sem avisar.
Ele disse com as mãos no meu rosto, Hayden nunca ficava bêbado, então eu sempre ouvia ele.
Cassie: vamos no banheiro!
Então ela me puxou pela mão, e eu a acompanhei. Ela tropeçando por causa das suas botas com mini saltos.
Fomos até uma cabana que tinha antes mesmo da entrada do Paraíso, era onde as meninas usavam o banheiro, ou melhor, onde as meninas inteligentes usavam...
Cassie: Então... você ficou com o Tyler?
MAS QUE PORRA.
Eu revirei o olhos e fiz uma cara de merda pra ela. Então ela levantou os braços como se estivesse se rendendo.
Cassie: eu só perguntei... vai saber.
Me olhei no espelho, eu estava meio acabada, meus olhos estavam se fechando aos poucos, comecei a ver algumas coisas embassadas, acho que a bebida estava fazendo efeito, joguei água no rosto, Cassie percebeu.
Cassie: AHAM, VOCÊ TA BÊBADA! SABIA! Agora Hayden me deve 5 pratas.
A única coisa que eu fiz foi rir, eles apostaram se eu ficaria bêbada ou não, mas que merda.
Começamos a andar a caminho dos carros pra voltar, onde o resto da galera estava, até que misteriosamente o Henrique e o garoto do teclado apareceram na nossa frente.
Henrique: Oi, Cass.
Ele disse e soltou um sorriso "sedutor" para ela. Acho que vou vomitar, e nem é pela bebida.
Cassie: Oi! O show foi demais, né Sky?
Eu não fiz questão de expressar nem mesmo um sorriso, então ela bateu no meu braço, e eu concordei com a cabeça, sorrindo. Óbvio que o show foi bom, mas pelo histórico dele, ele era um babaca, não queria fazer ele se achar. Cassie é burra por querer ficar com ele.
Henrique: Valeu, quer dar um volta? Ham... Só nos dois?
Cassie: Claro.
Ela sorriu e deu um passo a frente, eu peguei no seu pulso, ela me olhou "5 minutos" ela disse só com o movimento dos lábios, eu sabia que não conseguiria impedir ela, quando ela quer algo, ela é capaz de me jogar no chão pra isso, então eu a soltei. QUE MERDA CASSIE, QUE MERDA. E então eles saíram
Ficou apenas eu e o cara do teclado ali, parados, ele me olhando e eu olhando para o chão.
Cara do teclado: Oi.
Ele disse olhando para meus braços, que estavam cruzados. Eu respondi com um sorrisinho tímido, mas na verdade eu queria sair correndo e me enterrar.
Cara do teclado: Meu nome é Will, você deve ser a Sky, né?
Concordei. Logo aquilo ficou ridículo, então ambos nos despedimos com um olhar é um sorriso, falso, obviamente... e cada um foi para o seu lado.
Voltei para onde estava as pessoas, Cassie ainda não tinha voltado, obviamente, mas eu me preocuparia assim que completasse 1h de desaparecimento.
Encontrei o Natan bebendo um copo de cerveja com uns caras, Sasha conversava com umas garotas, alguns metros longe, e o Hayden estava ficando com um garoto, atrás da Betsy Possuída. Então eu só fiquei lá parada, sozinha, peguei meu celular, passou das 4h e 24min. A hora passava e eu nem percebia, meu pai acorda as 6h.
Meus pensamentos de filha preocupada que esta fazendo a primeira merda da vida foram interrompidos com uma frase surpreendente
Tyler: Novo namorado? — eu o olhei confusa — aquele garoto, que você conversava e que não para de te olhar, é seu novo namoradinho?
Eu fiz que não, o procurei discretamente. Realmente, ele me olhava, parado do lado de uma mesa, onde tinha os outros caras da banda e umas garotas.
Tyler: que bom.
Ele sorriu, e bebeu um gole da sua bebida. Eu não entendi direito, mas eu sorri timidamente. Ok, aquilo não podia ser uma paquera, podia?
Tyler: Tá afim de ir lá na fogueira? Eles estão fumando. Você fuma?
Eu até abri a boca para tentar alguma expressão fácil que dissesse "Meu pai é policial, é a primeira vez que eu saio à noite tão tarde e eu quero fumar, mas com certeza vou engasgar no primeiro trago" mas antes que eu pudesse começar a pensar em alguma, ele disse.
Tyler: To zoando, óbvio que você não fuma, mas vamos, vai ser divertido.
Ele começou a andar, fui atrás. Logo chegamos na fogueira, tinha uns garotos sentados no chão, ele falou com eles e pegou algo. E então se sentou em um banco mais distante, onde o fogo iluminava menos, me sentei ao seu lado.
Tyler: Bem vinda a vida rebelde, Sky.
Ele disse e colocou, o que era de se reconhecer um belo baseado, na boca e tragou fortemente. Então ele me entregou, aquilo parecia uma loucura, uma puta loucura. Eu gostei.
Depois de alguns minutos estávamos rindo muito, ele contava piadas, até que por um minuto de descuido eu me joguei para trás e cai, burra idiota.
Ele me ajudou a levantar e ficamos cara a cara, então acabamos rindo da minha desgraça.
E dessa vez quem fez besteira foi ele, enquanto nos encarávamos rindo, ele deixou o baseado cair e acertou seu outro braço, idiota. Acabou queimando a ponto dele levantar e gemer de dor.
Eu me levantei e segurei o seu braço, olhei onde o baseado havia atingido e não era nada demais, então olhei para sua cara e ele me olhava fixamente nos olhos. Ele sorriu, puta merda, o sorriso dele era bonito.
Ele se aproximou de mim, e colocou a mão no meu rosto. Então ele me beijou. Foi um beijo calmo, e doce.
Eu não sou dessas que conhece o cara é já sai beijando, eu só fiquei com uns três caras até meus atuais 16 anos. E em minha defesa... Ah foda-se.
Eu parei o beijo dê alguns meros segundos.
Tyler: O que foi?
Ele parecia confuso. Eu peguei meu celular, olhei o horário, sorri e sai de lá, sem olhar para trás.
Quando voltei Hayden estava me esperando com a Cassie do lado.
Hayden: Sky, acabei de pegar um cara gostoso demais, você tinha que ver. Onde você tava? E que horas são?
Peguei meu celular novamente e o coloquei na sua cara.
Hayden: Merda, vamos indo.
Natan: Qual é, nem é de manhã ainda.
Ele surgiu com mais bebidas, eu já estava tonta e queria dormir, mais uma bebida e eu caia dura no chão.
Cassie: Pai da Sky não sabe que ela ta aqui, e o cara é policial, se ela não estiver em casa em 15 minutos, a gente ta morto.
Natan me olhou fingindo estar decepcionado, e eu abri os braços como se aquilo não fosse culpa minha. Mas sabemos que é, a Sky, sendo uma criancinha perante aos olhos do pai, precisava estar em casa antes dele acordar.
Hayden: fora que, eu tenho entrevista da faculdade às 9h, preciso de umas duas horas para dormir.
Resumindo toda essa história: Hayden é um idiota que ta cagando para sua vida acadêmica, não que todos aqui não estejam, porque estamos, mas ele esta mais.
Nos despedimos de todos, inclusive do Tyler que apareceu como se nada tivesse acontecido, e nada aconteceu mesmo. Então entramos no carro.
Foi mais rápido para voltar, por que o Hayden estava meio alterado, então ele andava rápido demais. Tudo bem que eu deitei no colo da Cassie e nem percebi quanto tempo ficamos na estrada.
Cassie: alguém teve uma boa noite hoje, né.
Ela disse passando a mão no meu cabelo
Hayden: todos tivemos.
Então nós três rimos, foi mesmo uma boa noite.
Quado cheguei, eu peguei minha chave e abri a porta da frente como se nada tivesse acontecido, eu estava tão cansada que ate tinha me esquecido que tinha fugido, qualquer coisa eu mentiria que tinha ido buscar o jornal cedo, ia ser uma mentira horrível, mas é a minha palavra contra a dele.
Consegui subir as escadas e entrar no quarto sem fazer barulho, tirei minha calça e minha jaqueta, me joguei na cama só de camiseta e apaguei na hora.Eram 5h e 53min.
Meu despertador tocaria daqui a 3h e 7min e meu irmão viria pedir café da manhã, mas eu poderia dizer que estou passando mal e dormir mais.
Notas finais
Elogios e críticas são bem vindos.
Valeu e adeus.
Música do capítulo: The Strokes - Under C0ver Of Darkness.
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