Skip Beat - enquanto o Amor Durar

8 Capítulo 8 - O encontro


Notas iniciais
Fiquei um bocado desiludida por a história só ter quatro estrelas e meia mas vou continuar a esforçar-me.
Enjoy ^^

Quando Kyoko entrou no local de gravações do filme "While Love Last" ela decidiu que não estava mesmo à espera daquela.

- Maria-chan. — disse Kyoko para a menina que ia agarrada à sua mão com um enorme sorriso na cara — O que é que estamos aqui a fazer?

- Eu vou fazer o papel da one-sama! — desvendou Maria com estrelinhas nos olhos — Não é demais!?

Kyoko ficou de boca aberta sem saber o que dizer mas baixou-se para que Maria a pudesse abraçar.

- Depois de ver a one-sama a representar o papel de Mio em Dark Moon eu decidi que também queria ser como tu. — explicou Maria como se soubesse o que Kyoko estava a pensar — E pedi ao avô para começar a ter aulas de representação! Não ficaste contente, one-sama?

- Foi definitivamente uma surpresa. — concordou Kyoko afastando-se de Maria — Estou contente por seres tu a fazer o meu papel

- Então vens ver-me a actuar? — pediu Maria com os olhos de um cãozinho abandonado — Assim ia-me sentir mais segura.

- Hoje fico. — disse Kyoko vendo-a sorrir — Mas amanhã tenho um compromisso, Maria-chan.

- Um compromisso?

- Sim. — confirmou Kyoko um pouco embarassada — Ficou combinado ontem e eu não posso desmarcar.

- Porquê? — perguntou Maria chateada — O que é? Com quem é? Onde é que é?

- Maria-chan. — suspirou Kyoko — Tenho a certeza que vais ficar bem sem mim e assim eu vou ter uma surpresa quando vir a tua actuação no filme. Não queres ver a tua one-sama surpreendida e orgulhosa?

- Sim. — murmurou Maria um pouco amuada.

- Vá lá, Maria-chan. — pediu Kyoko — Olha, o director está a pedir aos actores para irem. Eu fico aqui a ver.

Kyoko sentou-se, vendo a sua querida irmã a fazer uma vênia à frente do director e a preparar-se para a cena no orfanato. Mas, ao ouvir alguém a sentar-se ao seu lado, não demorou muito para suspirar.

- O que é que queres, Shotaro? É bom que não te aproximes muito. — avisou ela — Já que vou sofrer consequências se tentares alguma coisa outra vez (referindo-se ao que Ren lhe disse depois de Sho a beijar) estou preparada para defender a minha castidade até ao meu último suspiro.

- Castidade? O que é isso? — perguntou Sho fazendo pouco dela — Não quero ofender, mas eu só fiz aquilo para provar o chocolate que te tinha dado.

- São todos iguais. — comentou Kyoko lembrando-se de como Ren lhe agradecera pela gelatina.

- O que é que queres dizer com isso? — perguntou Sho com as sobrancelhas franzidas.

- Shotaro, tenho a certeza que sabes o quanto te odeio, não sabes? — perguntou Kyoko — Se o sabes, porque é que não dizes o que queres e vais-te embora?

- Porquê? — perguntou Sho — Não ficas descançada sem o teu sempai aqui?

- Vá lá, Shotaro. — insistiu Kyoko chateada por ele estar a falar de Ren — O que é que tu queres?

- Só ia comentar que tu não eras tão bonita quanto ela quando eras pequena. — disse Sho referindo-se a Maria — Tens sorte por eu te ter trazido para Tokio.

- Não me faças rir, Shotaro. — pediu Kyoko sem se dar ao trabalho de olhar para ele — Trouxeste-me para Tokio. E depois? Descartaste-me como um lenço usado. Foi o Tsuruga-san que ajudou-me verdadeiramente e mostrou-me que não é tudo sobre vingança. Mas apesar disso... — disse Kyoko olhando agora para ele — ...não quer dizer que não te possa humilhar. Eu vou ser a estrela deste filme e vou-te ofuscar, Shotaro, até não conseguires ver nada a não ser o quanto és patético.

- Tsuruga-san, Tsuruga-san. O que é que ele tem assim tão especial? — perguntou Shotaro chateado.

Kyoko pensou durante alguns segundos até se começar a rir. — Bem, para começar, toda a gente o conhece. Até tu, Shotaro. — disse ela sorrindo — Mas sabias que ele não conhecia a ti?

- O quê?

- A sério! — confirmou ela começando-se a rir outra vez ao ver a cara de Sho — Ele até teve que procurar no telemóvel, acreditas? E ele fez pouco de mim por querer vingar-me de uma pessoa tão insignificante. Ele é uma pessoa especial...

Mas a expressão dela mudou, apesar de ter dito isso. Estava ansiosa pelo dia seguinte mas, por outro lado, sabia que ele só ia com ela porque não conseguia convidar a colegial por quem estava apaixonado.

- Kyoko? — Sho pensou que ela ia chorar — Estás bem?

- Estou óptima. — respondeu Kyoko, levantando-se ao ver Maria a correr para ela. Depois de abraçá-la, olhou para Shotaro — Então, Sho? Não achas que a Myia é tão bonita quanto a Maria-chan quando era pequena?

...

Shotaro pensava na expressão de Kyoko ao falar de Ren. Felicidade, mas depois tinha mudado para dor. Sho tinha visto aquela mesma expressão quando a mãe dela tinha partido pela primeira vez (ver "O Rei das Fadas").

Olhou para Kyoko ao vê-la brincar com a tal Maria-chan e, irracionalmente, pensou que ela daria uma boa mãe, um dia.

Durante um período de tempo na sua infância, Kyoko tinha parado de chorar e ele pensava que na altura ela tinha sido realmente feliz mas descobrira que ela apenas encontrara outro sitio para chorar e isso deixara-o zangado.

Era verdade que ele nunca sabia o que fazer com as lágrimas dela mas ele sentia-se melhor quando ela confiava nele.

Agora a única maneira de ter a atenção de Kyoko era através do ódio que ele a fizera sentir. Talvez aquele filme os aproximasse mais.

Esperava que sim.

...

A noite tinha chegado rapidamente e, depois de levar Maria a casa, Kyoko estava em frente ao seu armário tentando decidir o que havia de levar no dia seguinte.

Pensara no fato de macaco da Secção Love Me mas estava de folga e achava que podia vestir algo mais feminino. Mas também não queria que as pessoas pensassem que ela era namorada dele por isso talvez vestisse alguma coisa mais confortável...como se fosse irmã dele.

Afinal, já tinha fingido ser irmã dele e não tinha sido muito complicado. Por outro lado, Setsu não era uma irmã normal e, se ela a tomasse como exemplo, com certeza que as raparigas iriam afastar-se.

Tinha que ser algo entre a antiga Kyoko e a Setsu.

Suspirando, ela sentou-se no chão e pegou no pequeno boneco do Ren numa mão e num boneco do Shotaro na outra.

- Não importa o que vestires. — disse Kyoko imitando a voz de Shotaro — Vais continuar aborrecida....Ah, ah, ah, ah!

- Não lhe ligues, Mogami-san. — disse o pequeno Ren — Afinal, só vamos às compras, não vamos a nenhuma passagem de modelos.

- Cala-te, Tsuruga. — resmungou o boneco do Sho.

- És patético, Fuwa. — ripostou Ren.

- Kapow, Traz, Pum! — disse Kyoko imitando sons de luta enquanto os dois bonecos se debatiam — Pow! — exclamou ela quando o boneco de Ren deu um pontapé a Sho, deitando-o ao chão.

- Têm os dois razão. — suspirou Kyoko caindo sobre a cama — Não importa o que vista, não vai fazer diferença. Devia pelo menos dormir bem para não parecer uma zombie amanhã. Não quero assustar as raparigas...

Dito isto, pôs-se por baixo dos cobertores, com o boneco de Sho no chão e o do Ren ao seu lado, e adormeceu.

...

Ren estava realmente miserável.

Não era pelo facto de ela vestir uma mini-saia que parecia um cinto ou dos olhares dos rapazes acabarem por voltar sempre para ela.

Não, ele podia aguentar bem com isso mas, enquanto caminhavam pelo shopping, ela apontava para cada mulher minimimante bonita e sussurrava "Olhe! Olhe, Tsuruga-san! Aquela mulher é bonita, não é?"

O que é que ele tinha feito para merecer aquilo? Agora que tinha conseguido convidá-la para um encontro, ela pedia-lhe para olhar para outras mulheres.

No que é que ela estava a pensar?

- Mogami-san, tens fome? — perguntou Ren fazendo-a parar — Temos caminhado durante a manhã toda e eu não comi nada demanhã.

Ren não se importava se o seu estômago estava a implorar que ele não dissesse isso. Logo que ela parasse de falar de outras mulheres, ele nem se importava de engordar. Sempre podia fazer exercício depois mas aquela podia ser a única oportunidade para sair com ela.

- Tem a certeza? — perguntou Kyoko — O seu disfarce não é assim lá muito bom e deve estar muita gente no restaurante.

- Por mim tanto faz, Mogami-san. Também não estou com muita fome. — disse Ren encolhendo os ombros — Podemos comprar uns bolinhos de arroz e continuar a passear.

- Tsuruga-san. — disse Kyoko começando a arrastar Ren até ao restaurante mais próximo — Vamos comer!

Era exactamente isso que Ren queria. Manipulá-la era fácil, monopolizá-la é que era dificil.

- Ora bem. Para o senhor é: um prato de tofu com carne, uma salada de soja, Missoshiru com udon e um cozido de nabo com lula. Ah! Tem sake? Ele quer sake. — pediu Kyoko vendo a empregada atarefada para anotar aquilo tudo — E para mim é uma feijoada e chá.

- Isso não é justo, Mogami-san. — protestou Ren mas calou-se imediatamente ao ver a cara dela.

- Depois de ele acabar o que pedi, traga-lhe Banana caramelada. — vendo a empregada a afastar-se, Kyoko voltou-se para Ren — Agora, vai comer aquilo tudo e vai rezar para que eu não peça mais porque, se não acabar de comer, eu vou pedir mais.

Ele riu-se sem vontade de o fazer mas pelo menos agora estavam só os dois.

- Então, Mogami-san. — começou Ren — Onde é que foste com a Maria-chan?

- Hm... — Kyoko hesitou, mas decidiu contar-lhe — A Maria-chan vai representar a Myia quando era pequena. Ela queria que eu fosse ver o primeiro dia de gravações.

- Ela adora a one-sama. — disse Ren rindo um pouco — E então, como é que ela é?

- Bem, é nova. — Kyoko olhou para a comida que era posta à frente deles — Mas tenho a certeza que vai ser bastante boa com um bocadinho de treino.

- Tenho a certeza que sim. — comentou Ren sem saber que prato escolher para começar — Ouvi dizer que a maior parte do filme não vai ser filmado no estúdio.

- É verdade. — confirmou Kyoko — No máximo, vai ser mais uma semana em estúdio e depois são tudo cenas em ambientes exteriores. Acho que eu só vou fazer duas ou três cenas no estúdio.

- A sério? Eu sempre gostei mais de actuar no estúdio. Cá fora as gravações dependem muito do tempo. — disse Ren — Quais são as cenas que vais fazer no estúdio?

- Uma com os meus pais. — respondeu ela contando pelos dedos — Uma em familia, uma só com a minha irmã e...e depois...depois...a cena do beijo com o Masaki.

Ren não estava surpreendido. Já tinha lido a história do principio ao fim e a imaginação de que ele tanto se orgulhava, tinha-o traído ao mostrar-lhe imagens de Kyoko e Sho a abraçarem-se e a...

- Tsuruga-san? — chamou Kyoko ao ver o copo, onde ele mantinha a mão, a estalar — Está tudo bem?

- Está tudo óptimo. — respondeu Ren com um sorriso falso atraindo os demónios de Kyoko — Não faz mal. Eu vou estar lá. Se tiveres algum problema basta dares alguns passos para falar comigo, está bem?

- Isso é bom. — disse Kyoko, honestamente — Assim, vou sentir-me mais segura. — ao ouvir Ren a deixar cair o garfo, ela olhou para ele e corrigiu imediatamente — Porque você é o meu senpai.

- Sim, claro. — Ren riu-se tentando não parecer desajeitado ao pegar no garfo outra vez — É a minha obrigação como senpai estar lá para a minha adorável kouhai.

Kyoko concentrou-se na comida à sua frente.

Ela achava que era uma boa actriz e tinha confiança nas suas habilidades mas, talvez fosse por estar a actuar com o Sho desta vez, não queria estar lá sem alguém para apoiá-la quando ela explodísse.

Sabia que Ren seria a pessoa ideal para ouvir os seus lamentos, convencê-la a continuar e, de alguma maneira, afastar o Shotaro que não suportava Tsuruga-san.

Kyoko olhou para Ren que tentava engolir o segundo prato e sorriu. Ia ser melhor com ele ao seu lado.

...

Depois do almoço tinham ido ao parque da cidade para descançar, já que Ren não se sentia muito bem depois de comer aqueles pratos todos e tinham ficado a conversar até o sol se começar a pôr no horizonte.

- Em Kyoto, quando era pequena, costumava ter um refúgio à beira do rio. — disse Kyoko recordando o passado — Eu e o Corn ficavamos a falar até o sol se pôr. Era engraçado como o tempo passava tão depressa.

Ren sorriu, lembrando-se desses momentos felizes. Tinham sido aquelas tardes que tinham melhorado a sua visita a Kyoto.

- Vamos embora, Kyoko. — disse Ren chamando o nome dela sem se aperceber. Só quando olhou para ela e viu a cara completamente vermelha, percebeu o que tinha feito — Ah, desculpa.

- Não faz mal. — Kyoko levantou-se e espreguiçou-se — Estámos os dois cansados. Vamos para casa, Tsuruga-san.

E foi o que fizeram.

Ren deixou-a à frente do Darumaya e prometeu-lhe ir buscá-la na segunda, para irem juntos para o estúdio.

Ao entrar no restaurante, Kyoko viu a mulher do Taichou à sua espera com um ar preocupado.

- Esteve aqui uma mulher à tua procura, Kyoko-chan. — disse a mulher — Mas como não estavas disse que voltava noutro dia.

- Deixou alguma mensagem? — perguntou Kyoko, achando estranho alguém ter ido procurá-la ali.

- Nada de mensagens. — respondeu a mulher — Parecia ter acabado de chegar. Tinha duas malas com ela e o cabelo estava despenteado. Ela levou alguns bolinhos de arroz e disse que voltava depois.

- Bem, se voltarem eu vou estar aqui. — disse Kyoko, demasiado contente para se preocupar com aquilo — Agora vou para o meu quarto. Boa noite.

- A rapariga está feliz. — comentou o chefe que estava ao fogão a preparar o jantar para os cliente.

- Parece que sim. — concordou a mulher — O encontro deve ter corrido bem.

Sim, porque, por muito que ela tentasse negar, aquilo tinha sido um encontro.

Kyoko fechou os olhos adormecendo quase instantâneamente, abrindo-os novamente, trinta minutos com a cara da cor de um tomate.

- Oh, meu Deus! — gritou Kyoko — Que tipo de sonho foi este!?

Notas finais
E por hoje acabou. Querem saber qual é o nome do próximo capitulo? "O Beijo parte 1"
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