Skip Beat - enquanto o Amor Durar
9 Capítulo 9 - O Beijo parte 1
Notas iniciais
Enjoy ^^
Durante o fim-de-semana, Kyoko trancara-se no seu quarto a pensar no sonho que tinha tido e a castigar-se mentalmente por o teu tido.
Com certeza, tinha sido por causa do encontro de sexta. Tinha-a confundido e, como ela não podia controlar o seu subconsciente...
Desculpas! Desculpas!!!
Ela pôs as mãos na cabeça e suprimiu o grito que queria dar. Tinha que pedir desculpa a Tsuruga-san! Mas como? O que é que diria?
"Tsuruga-san, desculpe! Eu sonhei que estavamos..."
Ela pôs uma mão nos lábios sem conseguir continuar o pensamento. O pior era que no sonho tinha chamado o senpai que tanto respeitava de R...Re...Ren!!!
O maior de todos os desrespeitos!!! Como é que ele a podia perdoar depois disso!?
(Estão a imaginar a Kyoko a passar-se? >_
E o pior era que já era domingo! Teria de enfrentar a fera dali a algumas horas! O que é que ia fazer!?
Com um arrepio, a mulher do chefe do Darumaya ouviu um grito vindo do quarto de Kyoko. — Querido, a Kyoko-chan está a gritar outra vez. Ela está assim desde que acordou, no sábado.
Bastou o chefe sorrir para a mulher perceber no que ele estava a pensar e ela ficava contente por Kyoko.
Estar mais de trinta minutos em frente a um armário para escolher roupa para um encontro e desesperar por um rapaz eram coisas que qualquer rapariga da idade dela devia fazer.
E uma coisa que Kyoko nunca tinha feito.
Eles estavam contentes por ela, mesmo que ela estivesse trancada há dois dias...
- Pelo menos ainda come. — disse a mulher referindo-se às refeições que ela punha à beira do quarto da Kyoko todas as noites — O prato aparece sempre vazio.
- Ela está a esforçar-se. — disse o chefe surpreendendo os clientes que jantavam sossegados — O que foi? Não posso falar de vez em quando?
Kyoko estava deitada na cama a ouvir toda a gente a rir e sentiu um vazio no peito. Como uma grande actriz que ela tencionava ser, dali a nada já não poderia trabalhar com o chefe. Nem sequer viver ali.
E ali estava ela, a desperdiçar tempo em coisas insignificantes.
Se Tsuruga-san tinha perdoado o beijo entre ela e o Sho e decidira tolerar o que eles iam dar no filme, com certeza não ia ficar chateado por ela ter sonhado que o estava a beijar.
Kyoko levantou-se, determinada a não corar, mas corando na mesma.
Era só um beijo! Um pequeno toque de lábios. Tsuruga-san tinha-o feito milhares de vezes em filme e até na vida real!
Não era nada de mais!!!
Enquanto a noite caia e o dia que Kyoko temia tanto se aproximava, os clientes no Darumay riram-se outra vez quando a ouviram gritar novamente.
...
Kyoko não tinha bem a certeza de como Ren conseguia, mas estar às seis da manhã no Darumaya à espera dela, com um ar tão fresco e um sorriso na cara, era uma coisa que uma pessoa normal não conseguiria fazer.
- Mogami-san, já estás pronta? — perguntou Ren inúltilmente, ao vê-la de pijama. Parecia não ter dormido bem.
- Tsuruga-san, ainda são só seis da manhã. — lembrou Kyoko, um pouco chateada — E as gravações só começam às nove e meia.
- Pensei que podiamos comer alguma coisa antes de irmos para estúdio. — justificou Ren — Afinal, ainda não comi nada e acho que também não jantei, ontem.
- Está bem! — gritou Kyoko virando costas — Dê-me quinze minutos.
Ren sorriu, vitorioso. Ao ouvir a porta do restaurante a abrir-se atrás de si, ele olhou para trás, observando a mulher de cabelo preto e fato de executiva.
- Lamento, mas está fechado. — informou Ren, um pouco confuso por a mulher não estar a fazer um alarido ao ver uma celebridade — Acho que só abre por volta das onze.
- Ah, não faz mal. — respondeu a mulher, docemente — Eu volto mais tarde. Desculpe o incomodo.
Ren viu-a sair e encolheu os ombros. A sua noção das pessoas tinha mudado completamente, num instante.
- Quem era? — perguntou Kyoko ao voltar à sala.
- Acho que era uma cliente. — respondeu Ren — Mas enganou-se e veio mais cedo. Ela disse que voltava mais tarde...
- Eh? Mas não ouvi nenhum grito. Ela não o reconheceu, Tsuruga-san? — perguntou Kyoko, suspirando ao vê-lo abanar a cabeça lentamente — Temos que começar a tratar melhor dessa popularidade, senpai.
- Eu tenho o Yashiro-san para tratar disso. — lembrou Ren enquanto a acompanhava até à saida.
- Bem, parece que ele não está a fazer um bom trabalho.
...
Yumiko estava escondida atrás de um poste, enquanto observava o agente de Ren Tsuruga a sair do carro só para cumprimentar Kyoko, mas a surpresa maior veio ao ver Ren a abrir a porta à filha.
Afinal parecia que os rumores não eram apenas rumores.
Ver Ren no restaurante tinha-a paralisado por isso ela desistira do seu plano original e recuara. Um homem daqueles devia saber proteger bem as pessoas que amava e Yumiko não queria ter uma discussão com a filha à frente de um homem assim.
Quem imaginaria que aquela fedelha que só sabia chorar quano era pequena, cairía nas boas graças de Tsuruga Ren?
Ao ver arrancar o carro, Yumiko perguntou-se onde é que estava a sua parte por ter criado a rapariga.
...
- Prontos? Acção! — gritou o director sentado ao lado de Ren.
Miya olhou para o pai com cara feia e sentou-se no luxuoso sofá branco, à frente do homem que a salvara do orfanato.
- Se isto é uma reunião de familia, porque é que a Naomi e o Masaki não estão aqui? — perguntou Myia cruzando os braços.
- Não te adianta fazeres essa cara, menina! — avisou o pai — Ouvi dizer que queres deixar a escola e quero saber porquê.
- Ninguém gosta de mim, lá! — gritou Myia desviando o olhar do pai — E eu não gosto de ninguém. — Myia saltou do sofá branco e ajoelhou-se à frente do pai — Por favor, pai! Eu já aprendi tudo o que tinha a aprender! Toda a gente sabe que eu sou adoptada e que foi apenas por pena!
- Isso não é verdade, Myia.
- Por favor, pai. — pediu Myia começando a chorar no colo do pai — Por favor...
- Corta!!! Mágnifico! — elogiou o director — Nem precisou de gotas para chorar, Mogami-san! Parabéns!
Kyoko limpou as lágrimas e sorriu.
As lágrimas tinham sido a parte fácil. O que tinha sido dificil fora aguentar-se para não se desfazer em soluços para cima do pobre actor que estava a fazer de seu pai.
Aquela história era demasiado parecida com o seu passado. Inocentemente, pensara que não ia fazer muita diferença...mas estava enganada. O peso do seu passado ainda era muito grande.
- Muito bem, pessoal! — gritou o director outra vez — Mais três cenas e estamos fora daqui! Famos fazer o nosso melhor para ir cheirar a natureza! Mogami-san e Amamiya-san! É a vossa vez! Prontas? Acção!
Myia tinha chamado a amiga ao seu quarto para desabafar mas, em vez disso, só preocupou Aimi.
- Não podes desistir da escola! — disse Aimi agarrando as mãos de Myia — E depois, como é que eu fico!?
- Eu não consigo aguentar mais, Aimi. — confessou Myia — A minha própria irmã odeia-me! Entre isto e o orfanato, não há muita diferença!
- E o Masaki. — disse Aimi, vendo Myia pôr as mãos na cara — Não estás a aprender música com ele? Não é divertido?
- É horrivel!!! — gritou Myia deixando-se cair na cama — Quanto mais me tento afastar, mais ele se aproxima! E mais a Naomi me odeia! Para que é que somos uma familia se temos estes sentimentos confusos entre nós?
- Myia... — murmurou Aimi sem saber o que dizer.
- Corta! Está pronto! — gritou o director vendo Chiori e Kyoko a abraçarem-se — Isso sim! É camaradagem entre colegas! Muito bem, meninas!
Era o primeiro dia de filmagens e Ren já estava com uma dor de cabeça. Como é que aquele director conseguia gritar tão alto? Meu Deus! Ele nunca tinha visto nada igual!
- Vê, afinal não tinha nada com que se preocupar. — disse o director dando uma cotovelada amigável a Ren — A sua kohai está a sair-se muito bem. Devia ter orgulho como seu senpai.
- E tenho. — confirmou Ren pondo o sorriso falso para aquele homem com pilhas na garganta e microfones na lingua — Ela é incrivel.
- Sim, incrível! — gritou o director virando-se para Kyoko que ainda estava em cena a esperar indicações — Mogami-san, agora é a cena de familia!
Kyoko mudou de cenário e sentou-se no tapete vermelho que cobria o chão frio à beira dos sofás onde a familia Shijo se costumava reunir.
Kyoko fechou os olhos, focando-se na personagem.
Era a primeira cena em que tinha que actuar com Shotaro e não queria deixar que nenhuma da raiva que sentia passasse para o filme.
Myia amava Masaki!
Myia tinha sido adoptada pela familia Shijo mas não se sentia como uma parte insdispensável, como os seus pais adoptivos queriam que ela se sentisse.
Naomi não gostava dela porque Myia passava demasiado tempo com Masaki e estava constantemente a tentar separá-los.
Foi aí que Kyoko percebeu o titulo.
"Enquanto o amor durar" queria dizer que, enquanto Myia e Masaki se amassem, podiam ultrapassar todos aqueles obstáculos e, enquanto os seus pais adoptivos os amassem, eles teriam sempre um lugar para onde voltar. Mesmo depois de terem viajado.
Finalmente! Ela era Myia, de corpo e alma!
- Tudo bem, Mogami-san!? — perguntou o director ao vê-la com os olhos fechados.
- Oh, ela já não é a Mogami-san que nós conhecemos, director. — corrigiu Ren, sorrindo quando ela abriu os olhos cheios de dor e mágoa — Apresento-lhe Minase Myia.
- Eh?
- É melhor começar já. — aconselhou Ren, vendo o homem perdido — Ela está pronta.
- Muito bem! — gritou o director — Sho-kun, Mimori-chan, para os lugares! Acção!
- Onde é que estão os pais? — perguntou Masaki sentando-se pesadamente no sofá — Convocam uma reunião e depois não aparecem?
- Estámos aqui, Masaki. — disse a mãe entrando na sala com Naomi por baixo do braço — A tua irmã disse-me coisas muito feias sobre ti, Myia. É verdade?
- O que é que ela disse? — perguntou Myia sem muita curiosidade para saber.
- Ela disse-me que a magoas quando chegas à escola. — disse a mãe, cruzando os braço depois de Naomi se sentar ao lado de Masaki — É verdade?
- Não é verdade. — começou Masaki — Ela...
- Não vale a pena! — gritou Myia, interrompendo a defesa do irmão — A mãe fica sempre do lado da Naomi e a Naomi protege-te sempre a ti, Masaki! — Myia olhou para a familia, com as lágrimas prestes a cair dos olhos — Eu não pertenço aqui! É o que a mãe sempre me quis dizer, desde que cheguei do orfanato, não é? O meu coração estragado não pertence a uma familia feliz! Não é o que está a pensar, mãe!? — Myia levantou-se, pondo-se em frente à mãe e depois sussurrou — Faço-lhe lembrar alguma coisa que quer esquecer...mãe?
Com a força do estalo, Myia tropeçou e caiu no chão.
- Criança ingrata! — gritou a mãe, fechando a mão com que lhe tinha batido e escondendo-a atrás das costas — Nós tentámos dar-te uma familia e o que é que tu fazes!? Magoas a minha filha e enganas o meu filho! A única coisa que sabes fazer é queixares-te e chorares!
Myia levantou-se com a face vermelha e inchada, e sorriu para a mãe.
- Quem é que estás a chorar agora, mãe?
- C-corta! — o director olhou para os colegas — Ficou bem? De onde é que vieram as lágrimas da mãe? E porque é que a fala do Shotaro foi cortada a meio?
- Não acha que ficou bem? — perguntou Ren assustando o directo que tinha-se esquecido que ele estava ali — A Myia só estava a proteger o Masaki, que ama do fundo do coração. E também mostrou o lado traumatizado da Myia que não consegue confiar em mulheres.
- Certo, certo! — concordou o directo, virando-se para os actores que esperavam a resposta — Está óptimo! Vamos à última cena! Sho-kun e Mogami-san! Passem para o quarto da Myia!
E eis, que a cena decisiva tinha chegado.
...
Myia estava no quarto a chorar quando Masaki entrou.
- Queres tocar alguma coisa, Myia? — perguntou Masaki sentando-se aos pés da cama de Myia — Já afinei o violino?
- Deixa-me em paz, Masaki. — murmurou Myia com a cara para a almofada — A reunião ainda não acabou, pois não? Porque é que não voltas para a sala?
- Myia, eu amo-te. — disse Masaki com as bochechas vermelhas.
- O quê? — em choque Myia virou a cara para olhar para Masaki.
- Vem cá. — pediu Masaki.
Ao ver que ela não ia, Masaki puxou-a pelo braço até ela estar no seu colo e as suas caras estarem bem próximas e depois começou a fechar os olhos e...
- Corta! — gritou o director antes que eles se podessem beijar. Virou-se para o assistente dele — Acho que podemos usar o que está antes disto, não? — ao obter resposta positiva, o director sorriu — Ok, da cena do beijo! Deixem-se estar onde estão! É só juntar lábios, agora e depois a cena acaba!
- Take 2! — gritou um homem a segurar a plaqueta com o número da cena e do take — Acção!
- Corta.
- Take 3!
- Corta!
- Take 5!
- Corta!!
- Take 10!
- Corta!!! — gritou o directo — Mogami-san, o que é que o Sho-kun está a fazer mal?
- Eh? Porquê eu? — perguntou Shotaro, ainda com Kyoko no seu colo.
- Tu és o único que não é actor, aqui, Sho. Por isso cala-te e ajuda a Mogami-san! — ordenou o director — Ela está tão chateada que até lhe saltam veias da testa quando te aproximas! E vocês estão tão afastados que dá para enfiar uma terceira pessoa no vosso meio!
- A culpa não é dele. — disse Kyoko, chocando toda a gente — A culpa é minha. Acho que não consigo filmar esta cena.
Ouvindo murmurios à sua volta, Kyoko saiu do colo de Shotaro e dirigiu-se a Ren que estava em silêncio. — Eu sei que acha a mesma coisa, Tsuruga-san. Vamos embora e eu...
- Mogami-san. — interrompeu Ren, levantando-se — Anda comigo.
E dito isto, ele começou a empurrá-la pelo corredor de camarins, sob os olhares intrigados de quem assistia, até encontrar uma porta com o nome "Mogami-sama".
- Eu sei que não devia desistir. — disse Kyoko entrando no seu camarim seguida de Ren que fechou a porta atrás de si — Mas de cada vez que ele se aproxima, eu lembro-me do dia de S. Valentim. Nem mesmo o amor da Myia e do Masaki supera isso.
- Mogami-san, hoje... — disse Ren trancando a porta — ...vou-te ensinar a beijar.
Eh?
Notas finais
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