Skip Beat - enquanto o Amor Durar

19 Capítulo 19 - Uma noite para recordar


Notas iniciais
Estava aqui a imaginar como é que esta fic devia acabar e tive uma ideia ao escrever este capitulo.
Enjoy ^^

Kyoko estava em frente a Lori com uma expressão preocupada na cara mas o presidente sorria.

- Afinal parece que não é só o Ren que não sabe cuidar do corpo dele. – comentou Lori, achando graça àquilo tudo – O que é que aconteceu?

Kyoko tentou falar mas Kanae parou-a.

- Ela estava a tentar cantar a nova música e ficou sem voz. – explicou Kanae – Apesar de já lhe terem dito para cuidar melhor da voz.

- Então achas que não consegues ir gravar amanhã? – perguntou Lori com um fato “disco” à anos sessenta.

- Ela não sabe. – respondeu Kanae, impedindo Kyoko de falar novamente – Mas vai fazer os possíveis para recuperar até lá.

- Já chega. – disse Lori finalmente, levantando-se – Sabia que isto ia acontecer, eventualmente. Mas nunca esperava que fosse tão cedo.

- O quê? – sussurrou Kyoko pondo uma mão na garganta.

- Vou-te arranjar um agente. – respondeu Lori surpreendendo ambas – O Ren era igualzinho a ti, antes de eu contratar o Yashiro-san. Ele ia morrendo. Se tiver sorte, amanhã já tens alguém para cuidar de ti.

Kyoko abriu a boca para falar mas Lori abanou a cabeça.

- Vais imediatamente para casa. – ordenou Lori – Vou telefonar para o Ren para ele voltar directamente para casa depois de acabar o trabalho.

- Não, mas…

- Não fales mais. – pediu Lori – Agora vai. Vou telefonar para casa do Ren daqui a meia hora. Se não estiveres lá, estás oficialmente despedida.

Kyoko levantou-se e saiu porta fora a correr, esquecendo-se completamente de Kanae.

- Está a tramar alguma coisa, presidente? – perguntou Kanae com ar desconfiado.

- Eu? – Lori sentou-se, fingindo-se ultrajado – O que poderia eu fazer, agora que o Ren é o guardião da Kyoko?

- Não sei, não. – insistiu Kanae – Ninguém vê o que se passa dentro de portas fechadas.

- O que é que estás a insinuar?

Kanae retribuiu o sorriso do presidente e saiu.

Kyoko estava a transpirar, a ofegar e a pensar que era uma idiota por ter chamado um táxi, mas o importante era que tinha chegado a tempo.

- Estou em casa! – gritou ela, atendendo o telefone, esquecendo-se que estava proibida de esforçar a voz.

- Eu sei. – Ren ria-se do outro lado – O presidente pediu para telefonar. Estou a sair do estúdio, agora. Dentro de quinze minutos estou em casa.

Kyoko sorriu e pousou o telefone quando Ren desligou. Quinze minutos dava tempo para sair e alugar um filme?

Não.

Ren não devia gostar de ver filmes e, com certeza, não gostaria que ela saísse de casa sozinha.

Ah! Podia ir ao supermercado, no andar de baixo. Não ficava muito longe e não precisava de sair do edifício. Podia fazer bolinhos de chocolate ou bolachas com pepitas…

A ideia fê-la sorrir e, quando deu por si, já estava a sair.

Não ia haver problema. Aquele era um mercado privado, onde só era permitido que os inquilinos fizessem compras e a segurança era muito apertada.

Ao entrar na loja, fez uma pequena vénia à empregada na caixa e dirigiu-se ao corredor dos doces começando a escolher os ingredientes para fazer bolachas.

De repente, hesitou.

Tsuruga-san gostava de coisas doces? No último dia de S. Valentim, Kyoko tinha-lhe dado a gelatina por ter medo que ele recusasse os chocolates, certo?

Kyoko pousou as pepitas de chocolate que tinha escolhido e pegou em nozes.

Contente por se ter lembrado disso antes de cometer um erro, Kyoko dirigiu-se até à caixa com um sorriso.

Depois de mostrar a identificação que comprovava que ela morava ali, a empregada ensacou os produtos e desejou uma boa noite a Kyoko que saiu depois de outra vénia.

- Tsuruga-san. – mesmo rouca, Kyoko não pôde deixar de o cumprimentar. Ao vê-lo aproximar-se do elevador, ela fez uma vénia – Bem-vindo.

- Não fales. – pediu Ren entrando no elevador com ela – Pensei que já te tinham dito para não esforçares a tua voz. No entanto, gritaste ao telefone e, em vez de estares em casa a beber chocolate quente, estás aqui.

Ren abanou a cabeça, tirando um caderno e um marcador preto da saca plástica que trazia na mão.

- Toma. – Ren esticou-lhe o caderno – Escreve em vez de falares, por hoje.

Kyoko concordou com a cabeça, escrevendo imediatamente: Obrigado.

- Não tens de quê. – retribuiu Ren quando a porta do elevador se abriu – Agora vamos chegar a casa e eu vou-te preparar uma caneca de chocolate quente. – ele piscou-lhe o olho – Gostaste da última vez que eu te fiz, certo?

Kyoko anuiu energeticamente com a cabeça, fazendo-o sorrir.

O sol já se tinha posto quando eles se sentaram os dois no sofá, com duas canecas de chocolate quente nas mãos e um prato de bolachas acabadas de fazer no colo de Kyoko.

- É estranho, não é? – comentou Ren – Ser tão normal…

Mesmo sem acabar a frase, Kyoko sabia o que Ren queria dizer.

- Hei, ouvi dizer que vais gravar a canção amanhã. – disse Ren olhando para ela – Posso ir contigo?

Kyoko entrou em pânico.

Se ele sabia disso, também saberia que tinha sido o Sho a entregar-lhe a letra?

Tentando não tremer, Kyoko pegou no marcador preto e escreveu “Quem?” no caderno, mostrando-o depois a Ren.

- Oh, já sabes como é o Yashiro-san. – respondeu Ren – Ele arranja sempre maneira de estar actualizado.

Com o súbito alívio, Kyoko esqueceu-se das bolachas e pousou o caderno nas suas pernas, com força, deitando o prato ao chão.

- Oh, não! – gritou Kyoko atirando o caderno para o lado, para se poder ajoelhar. Ao ouvir um ronco, ela olhou para Ren que estava a tentar conter as gargalhadas, com dificuldade – Bem, não vens ajudar?

- O quê? A regra dos oito segundos aplica-se aqui? – ao vê-la fazer beicinho, Ren não aguentou mais e desfez-se em gargalhadas.

- Não estou a ver qual é a piada. – murmurou Kyoko cruzando os braços – Não devíamos desperdiçar comida.

- E tu não devias estar a falar. – ripostou Ren, ajoelhando-se à frente dela, para a ajudar – Vais ter que ser castigada.

- Mas a culpa foi…

- Na, na, na. – Ren pousou o prato de bolachas no sofá e aproximou-se dela – Agora, que castigo é que te vou dar por me teres desobedecido? Ideias?

Kyoko pegou no caderno e escreveu com letras grandes “BAKA”.

- Oooohhh, alguém quer mesmo ser castigada. – Ren aproximou-se mais – Será que esse alguém tem cócegas?

Ao ouvir isso, Kyoko levantou-se e desatou a correr. Infelizmente, Ren era mais rápido e ela foi apanhada num piscar de olhos.

- E agora? – perguntou Ren com os braços à volta da cintura dela – Que castigo é que queres?

Kyoko não conseguia parar de rir.

- Já chega. – implorou ela tentando controlar as gargalhadas – Já chega.

- E ela atreve-se a falar outra vez. – Ren abanou a cabeça, com a prisioneira nos seus braços – O que farei eu para calá-la?

Por fim, ele soltou-a e olhou para ela, com a cara corada por ter rido até não poder mais. Ren deu por si a sussurrar. – Eu amo-te tanto.

Kyoko olhou para ele, sem saber o que dizer e, quando finalmente tinha juntado uma frase, ele antecipou-se.

- Não vamos deixar que isto impeça-nos de continuar, Kyoko. – disse Ren – Podemos continuar a ser…namorados. Eu prometo que vou esperar até fazeres dezoito anos para fazer alguma coisa mas, até lá, isso não quer dizer que tenhamos que desistir. – ele pegou gentilmente na mão dela – Basta dizeres duas palavras.

O silêncio instalou-se e, apesar do sorriso dele continuar lá, Kyoko sabia que o tinha magoado e desiludido.

- Eu…

- Não. – interrompeu Ren desviando o olhar do dela – Eu é que tenho-te forçado muito. Não quero que te sintas desconfortável, aqui. Por favor, esquece o que eu acabei de dizer. – ele virou costas – Vou para a cama. Amanhã levo-te ao estúdio de gravações. Dorme bem.

Kyoko ficou ali a olhar para o chão durante algum tempo. Depois dirigiu-se ao caderno mas as palavras que escreveu, foram as erradas.

“Desculpa.”

Entretanto, Sho olhava fixamente para a fotografia do rapaz chamado Kuon, à sua frente.

- Tem a certeza? – perguntou Sho, olhando para James.

- É ele. – confirmou James – Mas não o aconselho a libertar essa informação na imprensa. Para não falar na influência de Ren, o pai dele tem muito poder. Você pode ser atirado para fora do mundo da fama mesmo sem dar por isso.

- Não se preocupe com nada. – disse Sho, passando um dedo pela fotografia – A pessoa a quem vou entregar isto não vai fazer nada contra mim, nem tem poder para isso.

- Está a falar da menina Kyoko Mogami? – perguntou James – Também não acho que seja bom entregar-lhe a ela. A menina Kyoko tem uma ligação muito forte com o senhor Tsuruga e vai ficar bastante magoada se descobrir que foi tudo baseado numa mentira.

- O que eu faço ou deixo de fazer com estas informações é problema meu. – Sho pegou numa mala que tinha ao seu lado e atirou-a para cima da mesa – Juntei um extra por ter feito um trabalho tão bom. Agora vá.

James hesitou mas não teve outra opção a não ser deixar Sho sozinho.

Com um sorriso de desprezo na cara, Sho olhou para o ficheiro.

Aquele era o anjo negro de Ren.

O que é que poderia fazer com ele?

Notas finais
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