Skip Beat - enquanto o Amor Durar

16 Capítulo 16 - Uma semana parte 1


Notas iniciais
Uma semana
Enjoy ^^

Kyoko tinha acordado extremamente bem-disposta por ter sonhado com uma certa pessoa. Mas essa boa disposição não demorou muito tempo ao receber uma chamada de Shotaro.

“Temos um problema” dissera ele e pedira a Kyoko para ir a casa dele.

Ela tinha negado, era claro. Mas ao ouvir a palavra “mãe” decidira fazer o que Shotaro dizia e dar uma desculpa a Ren para só se encontrarem no restaurante.

Agora estava sentada ao lado de Shotaro a olhar para a mãe que sorria de uma maneira estranhamente assustadora.

- O que é que se passa agora, mãe? – perguntou Kyoko no grande sofá branco da casa da agente de Shotaro – Já está a morrer?

- Magoas-me, quando falas assim, Kyoko. – disse Yumiko com as lágrimas nos olhos. Lágrimas falsas que sempre tinham resultado.

- Oh, por favor. – Shotaro revirou os olhos, atirando a cabeça para trás – Ninguém vai cair nisso, senhora! Agora, pode dizer o que quer? Eu tenho um trabalho, à tarde.

- E eu tenho um encontro ao meio-dia. – informou Kyoko olhando para o relógio de parede que marcava onze horas – Não posso chegar atrasada.

- Ah, certo. – disse Yumiko maliciosamente – O teu namorado.

Shotaro olhou para Kyoko. – Namorado?

- Não é nada. – disse Kyoko descartando o assunto rapidamente – Mais importante…o que é que tu queres, mãe?

- Quero que me recompenses por te ter criado. – respondeu Yumiko, sem vergonha – Estás bem na vida, não estás? Se não fosse eu, nunca tinhas chegado até aqui.

- Queres dinheiro? – perguntou Kyoko com a boca aberta.

- Exactamente. – confirmou Yumiko – Tenho muitos trunfos para usar contra ti, filhinha. É claro que não quero usá-los, mas se não me ouvires, vou ter que fazê-lo.

- Está a falar a sério? – perguntou Shotaro indignado.

- É claro! – disse a mãe como se tivesse toda a razão do mundo – Ela é rica e famosa, agora. Pode pagar a quantia que eu pedir. Só más filhas é que ignoram os pais quando eles precisam.

- Eu não estou a receber nada! – gritou Kyoko – Aliás, ainda trabalho no Darumaya.

- O quê!? – perguntaram Sho e Yumiko ao mesmo tempo.

- É verdade! Enquanto While Love Last não sair e for um sucesso, é a LME que fica com os lucros que eu faço. – disse Kyoko encolhendo os ombros.

- Não importa. – continuou a mãe – Não podes pedir ao teu namorado? Ele é uma grande estrela, não é? A ele, pagam-lhe.

- Eu não posso pedir ao Tsuruga-san. – disse Kyoko ofendida. Se dissesse, tinha a certeza que Ren quereria falar com a sua mãe, pessoalmente.

- E porque é que ela chamou o Tsuruga Ren de teu namorado? – perguntou Shotaro, virando a conversa para Kyoko.

- Não, já chega. – decidiu Kyoko, levantando-se – Não pode fazer nada contra mim.

- Não? – Yumiko levantou-se também – Estás a dizer que, se eu fosse agora à LME e dissesse que não te autorizo a continuares a representar, eles vão ignorar-me?

De repente, Kyoko ficou sem palavras. Sabia que o presidente a ajudaria, mas nem ele fazia milagres e a sua vida como Mogami Kyoko, a actriz, acabaria aí.

- Eu pago-lhe. – disse Shotaro, chocando as duas – Mas tem que se manter afastada da Kyoko.

- Muito bem. – concordou Yumiko – Mas não podes impedir-me de ver a minha filha. Não te esqueças que também tenho alguns segredos que posso usar contra ti, Shotaro.

Shotaro sorriu. – O que quer que seja, está muito enganada se pensa que pode atingir-me.

- Veremos. – disse Yumiko vestindo o casaco, olhando depois para a filha – Vemo-nos por aí.

Com um arrepio, Kyoko viu-a a sair. Tinha sido inocente ao pensar que nunca mais veria a mãe? Que ela se esqueceria e finalmente poderia ter um bocado de paz?

- Porque é que fizeste isto? – murmurou Kyoko.

- A sério que não sabes, Kyoko? – perguntou Shotaro – Ou queres fingir que não sabes?

- Shotaro… — Kyoko virou os olhos para o chão. O que é que devia dizer numa ocasião daquelas? – Obrigada, um dia eu pago-te.

Sho deu um passo em direcção a ela e levantou o braço para lhe tocar, parando apenas, por ouvir o telemóvel dela tocar.

- Estou? – disse Kyoko ao atender o telemóvel – O quê!? – ela olhou para o relógio e viu 12:30. Como é que tinha passado tanto tempo? – Oh, desculpa! Estava completamente distraída! Vou já para aí! – Kyoko calou-se durante instantes, ouvindo o que Ren dizia, depois ficou branca – Onde é que eu estou? Porquê? – Kyoko começou a suar – Não, não preciso de boleia. Só preciso de dez minutos para chegar aí.

Enquanto Kyoko continuava a falar ao telemóvel, Shotaro foi atender a porta, franzindo as sobrancelhas ao ver quem era.

- Não, não. – continuou Kyoko – A sério que não preciso de boleia!

- Umm, Kyoko… — chamou Sho.

Pouco interessada, ela olhou para Sho e deixou cair o telemóvel quando viu Ren à porta.

- Não precisas mesmo de boleia? – perguntou Ren, encostado à soleira da porta – É que um passarinho disse-me que estavas a trinta minutos do restaurante

Depois de se despedir de Shotaro e agradecer novamente, com um sorriso, Kyoko tinha “aceitado” a boleia de Ren e estava, naquele preciso momento, amuada.

- Andavas-me a seguir, Ren? – perguntou ela, ainda um pouco envergonhada por lhe chamar Ren – Ou mandaste alguém por ti?

Ren olhou para a cara dela rapidamente e decidiu que aquela semana não estava a correr como o esperado.

- Já não sabes como é o Yashiro-san? – perguntou Ren, tentando mudar o humor dela – Ele descobriu que nós tínhamos um encontro e decidiu ver onde estavas, quando me deixaste sozinho.

Kyoko suspirou, sabendo que ele tinha virado a conversa. Agora era ela a má da fita por tê-lo deixado à espera no restaurante…sozinho…onde podia ser fotografado…

- Oh, desculpa, Ren! – pediu ela, agora totalmente arrependida – É que aconteceram umas coisas que eu não podia ignorar! E agora perdemos a reserva que fizeste e eu…

- Não te preocupes. – disse Ren, com medo que ela começasse a chorar – Não é nada demais. E eu pedi para eles nos guardarem a mesa, está bem?

Ren estacionou em frente ao restaurante e olhou para ela com um sorriso “Está tudo bem”, fazendo-a corar.

- Vamos aproveitar esta semana, está bem? – perguntou Ren saindo do carro para dar a volta e abrir a porta dela – Fizeste ciúmes ao teu namorado, sabias?

Kyoko saiu com a ajuda de Ren e entraram no restaurante, juntos. Ela nunca tinha visto um restaurante assim!

Tinha um ar tão íntimo e acolhedor que parecia ser quase intocável. As pessoas conversavam num tom baixo que adicionava mistério à sala. Era, sem dúvida nenhuma, um restaurante para estrelas.

- Ninguém nos incomoda, aqui. – disse Ren, puxando a cadeira para Kyoko se sentar – Pede o que quiseres. Hoje, pago eu.

O coração de Kyoko parecia não querer acalmar-se. A sensação de amar já não era nova para ela, mas nunca tinha sido verdadeiramente amada, antes e não sabia bem o que fazer.

Quando o empregado veio, com um smoking vestido, uma bandeja numa mão, a ementa na outra e um pano pendurado no braço, Kyoko sentiu-se uma princesa.

- Bom dia, Tsuruga-sama. Menina… — cumprimentou o empregado — O que é que vão comer hoje?

Os pedidos vieram em pouco mais de cinco minutos, espantando Kyoko, que estava habituada ao Darumaya.

- Então, Kyoko. – começou Ren – Não te vou fazer falar do que se passou hoje, na casa do Fuwa porque quero que aproveites esta semana como minha namorada, por isso…como é que está a comida?

- Excelente. – respondeu Kyoko com um grande sorriso na cara – Oh, meu Deus, esta é a melhor refeição da minha vida!

- Ainda bem. – disse Ren olhando para o empregado que vinha-lhes entregar as bebidas – Pode mandar os nossos cumprimentos ao chefe.

- Com todo os prazer, senhor. – o empregado fez uma pequena vénia e afastou-se silenciosamente.

Ren não estava muito interessado em comer mas, ao vê-la gemer de prazer enquanto comia, ele pensou que o seu objectivo estava completo.

- Gostas mesmo desta comida. – comentou Ren – Espero que a companhia também seja boa.

Kyoko quase se engasgou. – Claro! A companhia é maravilhosa!

- Estás a dizer isso só porque sou teu namorado? – murmurou Ren.

Kyoko deixou cair o garfo. A palavra “namorado” ainda era recebida com choque na sua mente mas era o que ele era. Tsuruga Ren era o seu namorado.

Ren viu-a viajar e sorrir. Ela era demasiado adorável…

- Onde queres ir a seguir? – perguntou Ren, acordando-a da sua imaginação – À praia, ao cinema, fazer um piquenique…?

Kyoko olhou para Ren com um sorriso abatido. Ele estava a ser o mais amoroso que se podia ser e ela continuava a mentir.

- A minha mãe apareceu, outra vez. Desta vez foi ter com o Shotaro. – confessou ela – Era por isso que estava na casa dele.

- O que é que ela queria?

- Dinheiro. – disse Kyoko, simplesmente. Mas foi o suficiente para irritar Ren.

No entanto, ele decidiu não dizer nada. Trataria do assunto com lhe chegasse às mãos. E, agora que sabia o que aquela mulher queria, tinha a certeza que iria chegar às mãos dele.

- Já foste à torre de Tokio? – perguntou Ren, mudando de assunto – Vamos lá. E depois vamos até à praia até o sol se pôr. Este é o nosso primeiro encontro. Deixa-me fazer com que tudo seja perfeito.

E, enquanto se aproximava da janela para vez a vista, Kyoko acreditou plenamente nas capacidades de Ren.

Apesar de estarem ridiculamente vestidos, para que ninguém os pudesse reconhecer ali, ao ver o céu de tão perto e as casas minúsculas, ela estava verdadeiramente contente.

Com o olhar de uma menina inocente, Kyoko virou-se para Ren e sorriu.

- Isto é lindo. – Kyoko sentiu o braço de Ren a passar por cima dos seus ombros mas, pela primeira vez, em vez de ficar envergonhada, achou o gesto extremamente doce – Tenho muita sorte em ser tua namorada.

Ren beijou-lhe o topo da cabeça, satisfeito com aquele momento e, mesmo sem se aperceberem, ficaram ali até anoitecer.

- Deixamos a praia escapar. – disse Kyoko, sentindo a cabeça de Ren encostada à dela.

- Não importa. – murmurou Ren com os olhos fechados – Vão haver outras oportunidades.

Kyoko suspirou profundamente e afastou-se. – Está na hora de ir para casa. Não quero deixar ninguém preocupado por minha causa.

- Tenho uma surpresa para o último dia. – disse Ren antes de ela se afastar – Algo muito precioso para nós os dois.

- Vou estar à espera. – Kyoko sorriu e entrelaçou o braço no dele – Vamos para casa, Ren?

- Vamos para casa. – concordou Ren.

...

- Amanhã podemos ir à praia, podemos nadar, até! Sei que ainda não é Verão, mas está calor suficiente para um mergulho – Kyoko estava a ficar realmente entusiasmada com o namoro de uma semana. E Ren apreciava o seu entusiasmo, enquanto conduzia em direcção ao Darumaya – Depois podemos ir ao Circo! Ouvi dizer que ele está na cidade, esta semana!

- Porque é que não fazemos assim. – propôs Ren ao parar o carro em frente ao Darumaya – Amanhã escolhes tu onde vamos, mas primeiro tenho um trabalho de manhã. Queres vir comigo?

- Sim! – respondeu Kyoko, com energia.

- Muito bem. Venho buscar-te às oito. – Ren agarrou-a antes de ela poder sair do carro – E o meu beijo de boa noite?

-O quê? – perguntou Kyoko olhando para ele com os olhos esbugalhados.

- Somos namorados. – relembrou Ren, adorando aquela palavra, de cada vez que a dizia – Como minha namorada, tens o dever de dar ao teu namorado, um beijo de boa noite.

Kyoko hesitou durante alguns momentos, mas depois acabou por gaguejar. – Está bem. Mas tens que fechar os olhos!

Como pedido, ele fechou os olhos e ficou à espera com um sorriso na cara.

A tremer, ela pôs uma mão no ombro dele e aproximou-se vagarosamente, forçando-se para não recuar.

- O quê!? – perguntou Ren, pondo uma mão na face quando ela se afastou – Só um beijo na bochecha.

- Bem, talvez amanhã tenha mais coragem. – respondeu Kyoko, correndo porta fora.

Mas ele não estava desiludido. Aliás, já tinha mais, do que algum dia pensara ter.

Apesar de ter sido um bom dia, Ren estava cansado. Aquela semana tinha que ser perfeita.

Se fosse, e ele tivesse a certeza que ela sentia o mesmo que ele, no último dia ia levá-la a Kyoto e contar-lhe o segredo mais importante da sua vida.

Ao chegar à porta do seu apartamento, Ren suspirou, mas não estava surpreendido por ela estar à espera dele. Estava apenas cansado demais para lidar com aquele assunto.

Mesmo assim, sorriu e encarou-a. – Então, Yumiko Mogami, vamos falar?

Notas finais
Que acharam do primeiro dia?
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