Skinny Love
3 You're okay?
Notas iniciais
Droga! O que eu fiz? Acertei meu melhor amigo com um vaso de plantas e ele estava caído no chão com a cabeça sangrando!
Minha primeira reação foi ficar apavorado. E depois de processar o que havia acontecido, pegá-lo no colo e levá-lo à enfermaria. Por mais que ele tivesse alguns músculos e fosse quase do meu tamanho, ele conseguia ser mais leve que a Annabeth.
Ao chegar lá, coloquei-o em uma maca e fiquei esperando alguma notícia na porta da enfermaria. Enquanto aguardava acabei percebendo o quão magro estava. Meus ossos das costelas já estavam completamente à mostra, assim como minha clavícula e minha coluna. E já estava completamente sem forças. A pequena caminhada do chalé três até ali me deixou ofegante e esgotado.
Também percebi outra coisa, não havia dado nenhuma notícia para minha mãe. Ela poderia ter achado que eu tinha falecido depois da batalha ou até mesmo me matado. Ela, que entrava em pânico se eu demorasse meia hora na padaria quando mais novo, deveria até estar até internada.
A vontade de chorar cresceu. Mas não, eu simplesmente não podia. Tinha que me mostrar forte, embora não fosse o que estava fazendo no último ano.
Deveria ter se passado uma hora desde o ocorrido quando resolveram falar alguma coisa. Ele estava bem, com a cabeça enfaixada e acordado. Ou seja, já poderia me desculpar.
Entrei na enfermaria e fui caminhando até ele. Não pude evitar sorrir, afinal, ele estava bem. Parei de frente para ele, o fitando.
"Olha, foi mal..." Comecei meu discurso de desculpas. "Não foi minha intenção te acertar, eu apenas surtei. Não consigo aceitar que ela se foi e nunca mais irá voltar e..." fui interrompido.
"Está tudo bem." Ele disse com a voz um pouco fraca. "Foi um acidente. Acidentes acontecem."
Ditas as palavras dele me senti como se tivessem sido retirados 40 tijolos dos meus ombros. Sorri de lado.
"Se não se incomoda eu gostaria de tirar um cochilo." Disse ele já bocejando.
"Ah. Claro. Sem problemas." E essas foram minhas últimas palavras antes de me retirar e ir para meu chalé. Ao passar da porta, caí com tudo na cama e apaguei. Estava exausto novamente.
Em meu sonho estava no Elísio. Eu e ela. Sentados a beira da água. Ela estava igual a quando ela se foi. O corte na bochecha tinha se transformado em uma cicatriz quase igual à de Luke. Os cabelos loiros enrolados estavam presos em um rabo-de-cavalo bagunçado. A camisa, os shorts e os sapatos meio chamuscados e sujos de sangue. Os seios destacados por um corte perto da gola. E o machucado impossível de passar despercebido. O que levou sua vida. Uma cicatriz feita por uma faca em sua testa.
No sonho ela me dizia que tudo ia ficar bem e que eu tinha de voltar a viver minha vida. Praticamente as mesmas palavras que Nico tinha me dito noite anterior. Talvez ele tenha sonhado com Annabeth e ela tenha dito para ele me dizer aquilo.
Acordei de madrugada novamente. Um dos principais motivos pelo qual tenho dormido mal são meus cochilos no meio da tarde que se estendem até quase o amanhecer.
Diferente de ontem, hoje eu não tenho para onde ir. Refiz toda a guerra contra Gaia em minha cabeça. Nada passou despercebido. Quando terminei, senti uma pontada de culpa por não ter salvado Annabeth. Ela estava a apenas um metro de distância de mim e não fiz nada para salvá-la. Talvez, a culpa realmente fosse minha e eu tenha demorado um ano para perceber.
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