Notas iniciais
Vocês são incríveis, serio! Por mais que a chantagem tenha dado certo, vocês estão sempre comentando e por isso eu não poderia deixar de postar, obrigada por isso meninas *-*

- Dimitri, Dimitri abra os olhos, por favor! – Eu chacoalhava seus ombros, mas ele continuava de olhos fechados, a única coisa que me mantinha estável era seus fracos batimentos cardíacos.

Eddie parou o carro nos portões da Corte e um guardião colocou a cabeça dentro da janela para ver quem estava lá, assim que viu o estado do Dimitri nos deixou passar e Eddie acelerou em direção à enfermaria.

- Vamos, eu te ajudo a leva-lo para dentro. – Eddie disse segurando meu braço, fazendo com que eu largasse Dimitri por um momento e saísse do carro. Vi dois guardiões em frente à enfermaria e gritei para que eles ajudassem.

- O que aconteceu com o Guardião Belikov? – Perguntou um deles tirando Dimitri do carro.

- Sofremos um ataque. – Disse simplesmente, acompanhando eles para dentro. Peguei meu celular e liguei para Mark, que atendeu no primeiro toque.

- Onde você está? – Ele gritou do outro lado da linha.

- Na enfermaria com Dimitri. – Minha voz falhou e não esperei para saber se ele diria mais alguma coisa e desliguei o telefone.

Duas enfermeiras vieram com uma maca e os guardiões deitaram Dimitri nela, que foi arrastada para dentro de um quarto. Eu sabia que não me deixariam entrar, então fiquei parada na sala de espera, andava de um lado pro outro e não processava nada que acontecia ao meu redor.

Vi Mark entrando com Lissa, Christian, Ana, Tasha, que agora tinha voltado a sua cor natural, e Mia, que correu para os braços de Eddie.

- Como ele está? – Ouvi alguém me perguntando, mas não achava minha voz, e nem tinha forças para responder.

- Rose? – Agora era Mark, senti ele me puxar para seus braços e apoiei minha cabeça em seu peito. – Você está bem? Está machucada?

Apenas balancei negativamente minha cabeça, não sentia dor nenhuma, na verdade, não sentia nada. Só o sangue de Dimitri em minhas mãos e manchando meu vestido.

- Ele foi mordido, mas estava consciente no caminho. – Eddie respondeu, fazendo com que todos dessem um suspiro aliviado.

Uma enfermeira saiu do quarto e nos olhou atentamente, respirou fundo e disse:

- Ele não tem muito tempo, vocês gostariam de se despedir?

Eu fui em direção ao quarto, mas senti alguém segurar meu braço e me puxar.

- Eu vou Rose. Ele é meu namorado. – Tasha me olhava firmemente e eu não tinha o que fazer, podia bater nela ou xinga-la e sair correndo, mas eu não tinha forças, eu esperaria.

Ela entrou no quarto e saiu minutos depois, com os olhos azuis inchados e vermelhos. Sentou em uma cadeira e enterrou o rosto entre as mãos, chorando desesperadamente.

Entrei no quarto sem olhar para trás, eu não iria permitir que isso acontecesse. O corpo de Dimitri estava deitado ainda na maca que foi colocado antes, seu peito subia e descia lentamente e ele estava ligado a uns aparelhos e tubos. Sua pele estava mais pálida e quando me aproximei senti que também estava fria.

- Você não pode fazer isso comigo Dimitri. Você disse que nunca me deixaria, então cumpra sua promessa. – Eu chorava e dei um soco em seu braço. – Vamos lá camarada, acorde!

Senti alguém se aproximando atrás de mim, mas não me preocupei em olhar, nada mais importava. Vi uma mão pálida segurar a minha, que estava no peito do Dimitri, sentindo seu batimento ficar cada vez mais fraco. Então eu senti a magia me dominar.

Todos os melhores sentimentos do mundo transbordavam da mente de Lissa para minha, uma luz dourada invadiu minha mente e eu me senti viva como nunca antes. O tempo pareceu parar e do mesmo jeito que tudo começou, acabou. Mas algo estava diferente, senti algo batendo forte em minha mão, um bip constante veio de alguma máquina e Lissa me olhou sorrindo, e muito, muito pálida.

- Você. Você curou Dimitri.

- Sim. – Lissa disse e pude sentir uma tontura vinda dela, a peguei pelos braços e a sentei na cadeira que tinha próximo a maca.

- Obrigada Lissa, muito obrigada. Eu nunca vou poder te agradecer o suficiente.

- Não precisa Rose. Eu gosto muito de Dimitri e jamais permitiria que você o perdesse dessa maneira. – Ela deu um sorriso fraco, e eu a abracei.

- Vai cuidar dele, eu estou bem.

Me levantei e me coloquei ao lado da maca novamente, Dimitri dormia tranquilamente, sua respiração e batimentos agora estavam em um ritmo normal, sua pele havia retomado a cor e o calor emanava dele. Passei minha mão em seu rosto, em seus cabelos.

- Pode deixar que eu cuido dele agora. – Tasha entrou no quarto com o rosto ainda inchado e molhado pelas lágrimas. Lissa deveria ter dado a noticia.

Eu continuei parada, sem tirar as mãos dele. Minha vontade era ignora-la, mas ela tinha razão, ela era a namorada dele, eu não tinha nenhum direito em estar ali, Dimitri mesmo tinha tomado a decisão dele em nos separar. Dei uma ultima olhada nele e me afastei.

- Cuide bem dele. – Disse para ela saindo do quarto.

- Vamos Rose, você precisa descansar também. – Mark me arrastou para fora da enfermaria e Ana nos acompanhou.

- Você o ama não é mesmo? – Ela perguntou quando já estávamos perto dos dormitórios.

- Até mais do que deveria.

- E porque vocês não estão juntos? Está na cara que ele também te ama.

- Porque não é o suficiente. – Dei um sorriso triste e entrei no meu dormitório.

Tomei um banho longo e fiquei encarando o chão do banheiro que ficou todo sujo com o sangue que saia do meu corpo. Eu tinha muita coisa para processar, mas ainda assim, não consegui pensar em nada, eu via Dimitri contra a parede sendo mordido pelo Strigoi, ele dizendo que nunca me deixaria antes de fechar os olhos, seu corpo quase sem vida e então seus batimentos fortes em minha mão, e então tudo se repetia, e tantas outras vezes. Só sai de lá quando percebi que já estava toda enrugada. Me sequei e coloquei uma camiseta e me joguei na cama, as imagens ainda rondando minha cabeça, até que o sono me levasse para a escuridão.

Batidas ritmadas me tirou da cama, abri a porta e paralisei ao ver Dimitri ali.

- Você não deveria estar na enfermaria?

- Acabei de receber alta, acho que foi você que dormiu demais. – Ele deu um pequeno sorriso me olhando de cima a baixo.

- Dormi quanto? – Perguntei assustada.

- Já se passaram 30 horas desde o ataque. – O sorriso dele se alargou com a minha expressão surpresa.

- Sono pós-traumático. – Dei de ombros e abri espaço para que ele entrasse.

- Eu gostaria de agradecer. Eu não lembro de muita coisa, só de ver você matando um strigoi e depois chorando em um carro, mas a enfermeira me disse que foi você que me levou para enfermaria. Então, muito obrigada.

- Não tem que agradecer Dimitri.

- Claro que tenho, você ariscou sua vida por mim e conseguiu me salvar. Se não fosse por você eu estaria morto. – Estremeci com as palavras.

- Lissa te curou.

- Mas eu nunca teria chegado até ela se não fosse por você. Obrigado Roza. Você não deveria ter feito aquilo, mas mesmo assim muito obrigado.

- Eu me certifiquei que todos estivessem a salvo, antes que você comece com as suas lições de vida. Mark já tinha ido embora com todos os Morois antes de eu voltar para pegar você.

- Fez bem. Mas mesmo assim não deveria ter se arriscado, você poderia ter morrido junto.

- Mas eu não poderia te deixar lá, não poderia ir embora sem ao menos tentar.- Nossos olhos se encontraram e uma intensidade tomou conta do ar, era difícil até de respirar. – Não importa o que você diga Dimitri, não importa se nós estamos ou não juntos. Todos estavam a salvo, e eu me certificaria de que você estivesse também.

- Eu teria feito o mesmo. – Sua voz estava rouca e carregada de sotaque, seus olhos brilham com de uma maneira que fez meu coração perder uma batida. – Você é melhor que eu Roza, você consegue colocar a vida dos outros a sua frente, mas eu não consigo colocar a sua vida na frente de ninguém. Você cuidou de todos antes de voltar por mim, mas eu não conseguiria ser forte o bastante, por isso eu tento nos manter separados, porque eu não seria capaz de te perder.

- Nem eu. – Sussurrei. – E nunca mais faça isso comigo de novo. Você não tem ideia de como eu me senti.

- Eu não posso prometer, mas eu vou tentar.

- E eu vou estar lá para garantir. – Senti um sorriso triste se formar em meu rosto e Dimitri deu um passo à frente, pegou meu rosto em suas mãos e olhou no fundo dos meus olhos.

- Sempre. – Senti ele se inclinando em minha direção, os pensamentos começaram a ficar embaralhados em minha cabeça e antes que eu perdesse a razão, segurei suas mãos e o afastei.

- Sua namorada deve estar preocupada. – Disse olhando para o chão, não estava com a intenção de provocar ou por ciúmes, só fazer o que era certo, o que ele achava certo.

- Roza. – Ele implorou.

- Você escolheu assim Dimitri. – Fui em direção à porta e abri, esperando ele passar.

- Eu vou concertar as coisas Roza, eu prometo. – Passou a mão lentamente em meu rosto e se foi.