Três dias se passaram e eu não tinha encontrado nada. Eu passava o dia inteiro pela cidade, procurando possíveis esconderijos e até algumas compras, já estava aqui mesmo, vamos aproveitar. Clary, a recepcionista do hotel, se mostrou uma companhia interessante, ela tinha 23 anos e era estudante de turismo, me levando para os melhores lugares de Seattle quando não estava trabalhando.

No quarto dia já estava cansada de andar e voltava para o hotel, não estava muito longe, eram seis quadras no máximo. Parei para tomar um chá em uma cafeteria no caminho, a área era mais industrial, prédios por todo lado e com um ar abandonado. Fiquei analisando o local, olhando em volta.

Um prédio me chamou a atenção, ele ficava a 7 metros da cafeteria, estava mais para um galpão do que para um prédio mesmo, tinha apenas dois andares e era bem grande, mas o que prendeu minha atenção era que as janelas estavam todas pintadas de preto. Ahhh, esse era o esconderijo dos Strigois, apostaria quantas rosquinhas fossem necessárias.

Terminei meu chá rapidamente e aproveitei que o sol ainda demoraria um pouco para se por, para dar uma olhada no galpão. Não me aproximei muito, porque se houvessem Strigois lá sentiriam meu cheiro e meu plano iria água a baixo. Tinha pouca movimentação e por causa das janelas pintadas não conseguia ver o que tinha por dentro, resolvi voltar para o hotel e amanhã voltaria no começo do dia para observar mais um pouco.

- Rose! – Chamou Clary assim que entrei no hotel. – Que bom que chegou, uns amigos me chamaram para um bar hoje à noite, gostaria que você fosse comigo. O que acha?

- Parece uma boa ideia, você me chama quando estiver saindo? – Perguntei tentando parecer o mais animada possível.

- Claro!

Subi para meu quarto e fui tomar um banho, estava empolgada por ter achado o esconderijo e louca para correr pra lá e matar todos aqueles malditos. Sabia que era loucura, e por mais que apaixonada por planos loucos, estar aqui já era suficiente. Terminei o banho, coloquei uma camiseta do Mark que eu usava para dormir e deitei me perdendo em pensamentos.

Nesses últimos dias evitei entra na cabeça da Lissa, não queria me sentir pior do que já estava e ficar com ainda mais saudade de todos aqueles que eu amava. Mas sempre que sentia a escuridão do espírito ameaçando sua sanidade eu a tomava para mim.

Ele estava apoiado pelo cotovelo ao meu lado, sua cabeça apoiada na mão e seu sorriso iluminava o quarto.

- Bom dia Roza. – Sua voz carregada de sotaque me dava arrepios lá embaixo. – Dormiu bem?

- Sim, e você? – Perguntei enquanto me espreguiçava.

- Eu sempre durmo bem quando estou com você. – Ele abaixou a cabeça, colocando seus lábios aos meus, um beijo cheio de amor e desejo. Ouvimos um barulho de algo quebrando e nos afastamos.

Tasha estava parada na beirada da cama, seus olhos vermelhos e sorriso frio mostravam que ela já não era mais uma Moroi. Ela puxou meu pé, me tirando da cama e antes que eu pudesse reagir me jogou contra a porta.

Dimitri se levantou em um pulo e deu um soco em seu rosto, mas Tasha era mais rápida e mais forte, o imobilizou em segundos e cravou suas presas no pescoço dele. Eu estava paralisada, por mais que tentasse me levantar e lutar, não conseguia. Via a vida de Dimitri sendo sugada aos poucos e quando ela lhe deu seu sangue e o jogou para perto de mim, um grito estridente saiu pela minha garganta.

Os olhos de Dimitri se abriram lentamente revelando sua íris agora vermelha.

- Culpa do nosso amor estúpido e egoísta.

Acordei suada e ofegante, lágrimas escorriam pelo meu rosto e eu forçava minha mente a entender que aquilo foi só um sonho. Aqueles pesadelos me seguiam pela última semana, terminando sempre com aquelas palavras que destruíram meu coração.

Batidas leves na porta afastou aqueles pensamentos, sequei rapidamente meu rosto e fui abrir. Clary estava bem arrumada em uma calça jeans e uma blusa roxa de seda, seu cabelo ruivo estava solto e ela estava bem maquiada.

- Você ainda não está pronta? – Perguntou irritada.

- Desculpa, acabei dormindo. – Disse me afastando da porta para que ela pudesse entrar.- Entre, me dê dez minutos.

Peguei uma calça jeans preta, uma manga longa com decote em V nude e uma jaqueta vermelha, prendi meu cabelo e me maquiei, focando meus olhos e passando apenas um gloss transparente na boca.

- Estou pronta, podemos ir.

O bar era muito agradável, era grande e uma banda de rock indie estava tocando ao vivo.

- Rose, esses são Patrick, Gabe, Joe e Carol. – Apresentou Clary. Eles pareciam todos muito legais, mas não consegui reparar muito em nenhum, as imagens do meu pesadelo ainda me incomodava. Os meninos me olhavam de cima a baixo e Carol sorria simpaticamente.

- Está gostando de Seattle? – Perguntou um deles.

- Sim, a cidade é bem bonita. – Respondi dando meu melhor sorriso.

- Você é da onde? – Outro perguntou se não me engano Joe.

- Montana, mas moro na Pensilvânia agora.

A conversa fluiu animadamente, todos me faziam perguntas e contavam um pouco de suas vidas, eles bebiam e eu fiquei só na coca cola, não podia arriscar sabendo que tinha Strigois na cidade.

- Dança comigo? – Esse era Patrick, era um pouco mais alto que eu, cabelos e olhos castanhos, seu cabelo caia na altura do nariz, mas estava penteados para trás com os dedos. Aceitei, ele era muito bonito e a música que estava tocando era ótima.

Três músicas depois Clary veio me chamar.

- Eu já vou embora, amanha trabalho cedo.

- Se quiser ficar, adoraria te fazer companhia. – Ofereceu Patrick com um lindo sorriso com covinhas.

- Agradeço a oferta, mas prefiro ir com a Clary mesmo. Quem sabe outro dia. – Disse com meu sorriso comedor de homens e vi seus olhos perderem o foco por um segundo.

- Outro dia está ótimo.

Nos despedimos de todos e quando cheguei no hotel me joguei na cama feliz.

Eu já estava a quase uma hora sentada na cafeteria, escolhi a mesma mesa de ontem, que me dava uma visão de quem entrava e saia do galpão e me deixava afastada do resto dos clientes. Comprei um livro no caminho, para que não ficasse tão estranho uma garota sentada sozinha o dia inteiro olhando ao redor.

Pedi um chocolate quente e umas rosquinhas, enquanto fingia que lia, nunca tive interesse em livros até conhecer Dimitri, e depois disso era mais curiosidade do motivo que ele gostava tanto dos seus romances de faroeste do que vontade de ler mesmo. Lembranças dele sentado lendo enquanto eu treinava me deu um aberto no peito, ele ficava tão lindo quando lia, sereno e distante.

Algum tempo depois vi duas pessoas entrando no galpão, se eram humanos ou Strigois eu não sei, mesmo com a minha visão melhorada de Dhampir a distancia não ajudava. Duas horas depois um deles saiu, e quase no fim da tarde, mais três entraram. Não sabia quantos tinham lá dentro, mas se conseguisse entrar silenciosamente e pegar eles separados, teria uma vantagem. Era isso, o plano estava pronto, pegaria Tasha e quem se metesse em meu caminho, eu mataria e fugiríamos para a luz do sol, por isso iria só amanha. Vi outra pessoa chegando, o mesmo que tinha saído horas mais cedo e fui embora.

No caminho, passei em uma padaria e comprei algumas coisas. Cheguei ao hotel e Clary já tinha ido embora, então subi direto para meu quarto, tomei um banho longe e quente. Coloquei a camiseta do Mark, sequei meu cabelo e me sentei no sofá.

Peguei a sacola de compras tirando de lá um cupcake de chocolate com cobertura e recheio de chocolate, meu favorito, coloquei uma pequena vela em cima e acendi com o isqueiro.

- Feliz vinte anos Rose. – Assoprei a vela.