Skg - Sweet Killer Girls

1 Hes a Vampire plus Orquídeas


Notas iniciais
primeiro capítulo ligeiramente grande .-. não se assustem, q

As ruas movimentadas de Baiki Bay estavam totalmente contra sua moda naquela sexta. As alamedas vazias, a iluminação esvaía sobre o asfalto de maneira pacata e fluente. A única pessoa que se via era o grande corredor de lojas e o gari, tendo um pouco de paz para fazer seu serviço.

Uma música ensurdecedora invadia o quarto de Luara. Ela vivia num apartamento de classe média alta, na orla da praia de Hakiki. Seu quarto dava para uma sacada-varanda. A brisa levantava leve e docemente as cortinas liláses.

— And nobody will change for you! - Luara cantava sobre o som. — Because you hurted me and broke my feelings, just, to plaay! - Ela sabia a letra inteira de cor e salteado. Também, fazia parte da banda que a tocava.

— Luh, Luara! — a voz de sua mãe, Sarah, tentava ficar mais alta que a música do stereo e a cantoria da loirinha de cabelos compridos. — Suas amigas.

— Tá, mãe! — recolhendo as inúmeras roupas no chão e abaixando o volume, a garota abriu a porta para que suas amigas adentrassem.

— Oi, Luh — fizeram coro Aika, Sayumi e Kira. As quatro se cumprimentaram, sentando na cama de casal. Ela ficava ao lado da porta de vidro, esta com suas cortinas balançando. Do outro lado do quarto retangular, oposto à cama, havia uma escrivaninha entulhada de livros, papéis de carta, partituras e uma computador preto. A frente da cama, quase ao lado da porta, havia uma estante. O stereo estava lá, com pilhas e pilhas de CDs. Porta-retrato, revistas, desenhos e telefone completavam a cena. Tudo que uma garota normal de 15 anos precisa para sobreviver.

Único detalhe: elas não eram apenas três garotas normais.

Junto das amigas vieram mochilas, partituras, letras de músicas, uma guitarram um baixo e iPods coloridos com memórias lotadésimas.

Sem falar uma palavra, as quatro adentraram o closet da loirinha, jogando roupas loucamente dentro de uma mochila. Blusas, saias, shorts, calças, suspensórios, sapatos. Até o que elas tinham certeza absoluta que jamais usariam entrava na jogada. Tão rápido quanto chegaram foram embora do apartamento, apressadas. Mas claro que sempre achavam uns segundos para dar risadas. Sempre achavam.

Aika: Esse lugar tá meio vazio, né ? — falou a ruivinha, enquanto elas andavam pela alameda.

Kira: É. Tá todo mundo dentro de casa, tomando chocolate quente e assistindo o gostoso do Billy Greymond rebolar em Paradise Beach Seven Club... #delirando#

Sayumi deu um peteleco em Kira, que ria.

Sayu: Que nada! Eles estão é no Boulevard Rock, pra nosso show, dãã.

Luara: Falando no show, falta apenas 3 horas. E a gente ainda tem que se arrumar, corre!

Correram entre as sombras da árvores, rindo, cantando. Era uma noite mágica para o grupo. Seria o primeiro show depois de dois anos de ensaios.

O nome da banda vem de como elas se conheceram. Seu primeiro encontro foi a frente da loja Guess, no centro da cidade. Nenhuma nem sonhava da existência da outra, e foi de um modo nada clichê. Marcando-as desde o início.

Era apenas mais um dia típico. Vento, sol, praia e primavera. O chapéu de palha de Sayumi Getbackker saiu voando, caindo no rosto de Luara McPheel. Esta levava sacolas de compras para a mãe, e a mãe enfiada numa loja de roupas. Luara caiu, fazendo Aika Imeka tropeçar e segurar-se em Kira Maybine.

Sayu: Desculpa! — a japonesa corria até elas, mas acabou tropeçando e caindo no caminho. — Ouch, que porra.

Luara: Aaaaai. Onde estou, quem sou eu? #olha em volta# Quem são vocês?

Kira: Caralho, vadias! Vê se aprende a cair direito!

Aika: D-desculpa. É que eu tropecei nela e...

Luara: Mal mal mal. Um chapéu voou na minha cara e me cegou momentaneamente.

Sayu: Ahn, er, esse chapéu é meu.

As três se levantaram do chão, encarando a coitada oriental corada.

Kira: É teu?

Sayu: Aham.

Kira: Então engole.

Sayu: Aaaah, foi mal aí, valentona do caralho!

Kira: Você sabe o quanto minha bunda tá doendo?!

Aika: Gente, gente, calmae.

Luara: É, olha, podemos ser grandes amigas!, não? Er...

Kira: Calma nada! Eu poderia, ter ficado paraplégica!

Aika: Oi meu nome é Aika. #suando frio#

Kira, Sayu e Luara a encararam, com uma sobrancelha levantada.

Luara: E... e eu sou Luara, prazer!

As duas morenas restantes continuavam estáticas, calculando quais seriam seus próximos passos. As duas aquarianas tinham um orgulho imensurável, e aquele encontro nada simpático seria difícil de se engolir.

Sayu: Sayumi. Sayumi Getbackker.

Kira: Aff. Kira, Kira Maybine. Satisfeitas?

E foi assim, sem mais nem menos.

Três meses depois, uma nova banda se formava na cena rock de Baiki Bay.

Air Guess.

Liberdade, escolha, vida, delicadeza e estilo. Era isso que sentiam ao ouvi-lo, e sabiam que o nome que Sayu inventara era perfeito. Air Guess.

Lembranças de dois anos atrás, quando apenas eram meras garotas de 13 anos que sonhavam em ser uma banda de rock famosa. Ensaios, letras, notas. Finalmente podiam visualizar um pouco do retorno que aquilo lhes traria.

Chegaram à casa de Kira. Ok, casa não. Mansão. Os Maybine eram a terceira família mais rica daquela cidade Havaiana, e sua propriedade fora construída sobre um morro, apresentando uma estrutura em degraus e levações. Uma mega piscina cobria metade do terreno, com cachoeiras e correntezas e bar aquático e... muitas coisas. Infelizmente, era meio vazia, pois o pai dela se separara cinco anos atrás, quando Kira tinha apenas 10 anos. Foram brigas e mais brigas, a morena conseguindo consolo apenas nos braços de seu irmão, dois anos mais velho.

K: Vamos tomar banho, gente.

Largaram as mochilas na extensa sala, sobre os sofás de linho.

Entraram no quarto de Ki. Era predominantemente vermelho e preto. O closet se enfiava na parede oposta, monumental. Uma porta dentro dele dava para o banheiro. E que banheiro: banheira, chuveiro, um enorme espelho com luzes amarelas circundando-o. Cremes, shampoos, condicionadores, esfoliantes e óleos bifásicos estavam espalhados pelo chão, denotando a (caham) maravilhosa arrumação da dona.

Tiraram as roupas, ficando apenas de biquíni. Adentraram o banheiro.

Luara abriu a torneira, deixando a água cálida encher a banheira. A loira abriu um potinho de sais de morango e frutas silvestres. Derramou-o, fazendo o cheiro embalar o ambiente.

S: Mano, eu AMO seu banheiro, só pra constar.

K: É? E eu?

S: Lógico que te amo né, vadia! #abraça#

L, A: E a gente?

S, K: #pulam em cima#

Todas caíram no chão, rindo e se abraçando.

L: Gente, acho que a banheiro tá transbordando.

A:... E?

L: E vai molhar tudo?

A:... E?

K: DÁ PRA FECHAR A PORRA DA TORNEIRA?

A: Aaaaah tá. Prontinho, hehe.

As meninas entraram na banheira, mergulhando até o pescoço. Aika continuou em pé, encarando seu reflexo no espelho. Seus cabelos vermelho-fogo chegavam até sua cintura fina. Do lado do rosto havia uma mecha negra. Sua pele era pálida, como a de todas. Mesmo morando numa cidade litorânea, elas gostavam mais de seus corpos alvos. Após alguns minutos analisando-se no espelho, a ruiva se sentou.

S: Como é que vão ser as apresentações?

K: Você é sempre a última a saber das coisas, né?

S: Eu sou?

K:... É, se pá. Olha... vai ser assim.

A apresentação seria em Boulevard Rock, um café que possuía um palquinho. Muitas bandas amadoras se apresentavam naquele lugar, muitas que conseguiram sucesso em proporções nacionais.

Todas as bandas deveriam chegar com meia hora de antecedência, trazendo suas próprias guitarras, baixos e baquetas, já que a bateria e o teclado eram fornecidos pelo café. Cada um teria direita a três músicas, para o show não ficar demasiadamente extenso. Teriam, no máximo, umas 15 bandas.

K: Entendeu?

S: Aham.

A: E qual vai ser a ordem?

L: Hm... Boa pergunta.

S: A ordem eu tenho, pelo menos. Tá na minha mochila, vou lá pegar.

Sayumi saiu da banheiro, pegou uma toalha e saiu pela casa gigantesca de Kira.

Seu cabelo se confundia com a negritude da noite. Entrou na sala, procurando sua mochila grafitada.

Ouviu o barulho da porta se abrindo discretamente. Gelou. A mãe de Ki estava viajando e o irmão dela não deveria chegar até a hora de levá-las para o show.

\"Puta que o pariu, caralho, porra. Será que dois dobermans, cerca elétrica e trinca digital não conseguiam deixar longe bandidos?\" pensou, desesperada.

Alguém ligou a luz.

— Oi, Sayumi.

Uma voz masculina irrompeu o silêncio mórbido, deixando um leve clima no ar.

Exalando seus 17 anos recém completados, ela viu seu corpo malhado sob a camisa listrada aberta. Contemplou seu abdômen definido, seus estonteantes olhos verdes e seus cabelos compridinhos e bagunçados que chegavam até a altura dos ombros, num misto de chocolate e dourado.

S: Ahn, oi, Eric.

Eric: É hoje a apresentação, não é?

S: É lógico que é hoje. Dãã.

Eric: Tsk, calada.

S: Você é a simpatia em pessoa, não é mesmo?

Eric: Tsk, calada.

Ele chegou perto dela, o cheiro de sal impregnado naquela pele bronzeada. Passou a mão pelo cabelo de Sayu, fazendo um cafuné.

Eric: Eu nunca iria esquecer. Baixinha.

Com aquela frase misteriosa e totalmente dopante, Eric Edward entrou no quarto, ligando o som numa faixa de New Found Glory.

S: \"Baixinha...\"

Pegou o papel e rumou para o banheiro, pensativa.

S: \"É lógico que ele não ia esquecer, é a porra do show da irmã dele. Caralho\".

K: Tá tudo bem, Sayu? — A oriental chegara no banheiro calada, bem diferente da sua atitude hiperativa e faladeira.

S: Ham... Nada Ki. Só que... ah, nada.

K: Xiii, nervosismo pré show?

S: Ah, se pá. Seu irmão chegou, Ki. Só pra avisar.

K: Hmm... Vocês dois sozinhos?

S: Ham? Puta que pariu, nada a ver. Doida.

K: Que foi? Ele tá na seca há... 2 meses, é. Depois que terminou com a Britney só pegou uma e outra... não é mais ele mesmo, tsk tsk.

S: Orr. Tá pegando essa mania de \'tsk\' dele?

L: Ele terminou com a Britney?

K: Olha, Sayu. Você nem sempre é a última a saber das coisas, heim? É Luh. Há 6 meses já.

A: Mas por quê?

K: Ela chifrou o coitado numa festa. Agora meu maninho é corninho, oh dó.

A garota de cabelos negros recomeçou a andar em direção a banheira, segurando o esquecido papel com a ordem dos shows. Iria entrar na água e esquecer aquele cafuné inesperado. Mas não sem antes escorregar num sabonete e cair num baque no chão.

S: AAAI, CARALHO!

Elas riram.

Luara tinha cabelos loiros acabando no meio das costas. Possuía algumas mechas vermelhas, combinando exóticamente com seus olhos azul-céu. Sua pele era a mais clara do grupo, seu sorriso sincero e cativante, como sua personalidade. Era doce, ingênua e totalmente amável.

Sayumi era oriental, então possuía olhos e cabelos negros como a noite. Sua cabeleira era repicada, um pouco mais curtos que os de Luh, com mechas roxas na nuca. Sua personalidade era direta e meio grossa, bem sarcástica e explosiva. O total contrário de Luh.

Depois, Aika. Com seus cabelos flamejantes e sua mecha negra, tudo isso se juntava com seus olhos cristalinos como duas poças de água, azuis. Era marota, meio infantil, e brincalhona.

Por fim, Kira, a vocalista. Cabelos ondulados como as ondas que banhavam as praias, tinha discretas luzes, o comprimento chegando até o meio das costas. Tinha olhos esmeraldas. Era a mais alta do grupo. A mais barraqueira, mais explosiva e com um leve senso de liderança.

E: Hm, garotas — A voz de Eric reboou pelas paredes. Ele não estava no lugar, porque logicamente ele não era louco o suficiente para aparecer num banheiro feminino. — Já são sete horas.

K: PUTA MERDA, CORRE NEGADA.

Saíram correndo para o closet, tirando dos armários todos os tipo de roupas possíveis. Seguiram para o quarto, ligaram as luzes. Luara e Aika foram pegar as mochilas.

K: Vai, Sayu! Me ajuda!

S: Ai ai ai ai ai. To tensa, to tensa.

L, A: Chegamos! #joga no chão 5 mochilas#

S: Como é que tinha tanta mochila assim?

K: Fodam-se as mochilas, eu preciso de um stylist A-GO-RA!

O relógio não perdoava-as. Andava sem dó nem piedade, mandando a adrenalina à flor da pele. Meia hora depois, quatro meninas se postavam a frente de um garoto moreno, com os semblantes cheio de dúvida e apreensão.

K:... Então...?

Ele não sabia o que dizer. Sua irmã? Maravilhosa. E suas amigas idem. Kira vestia uma pequena coroinha, ajeitada de lado. Seus olhos estavam cor de mel, com uma fenda de gato. Vestia uma blusa cavada nas costas, branca, e uma calça jeans escura cheia de costuras. Uma bota All Star de salto preta. Seus cabelos exibiam tons azuis...

Aika prendera os cabelos num rabo, com uma peruca loura platinada. Vestia um top preto e uma minissaia e uma bota de couro que chegava acima dos joelhos, com um pequenino salto. Seus olhos tinham um tom ácido verde.

Sayumi trajava uma blusa branca larga e shorts de cintura alta, com um All Star branco e uma cartola preta. Ela prendeu o cabelo, usando uma peruca roxa. Seus orbes negros deram lugar a um azul escuro, cor de oceano quando está atormentado.

Luara usava lentes vermelhas, um top roxo embaixo de uma camisa branca. Também tinha uma saia preta, alguma correntes pendendo de lado. Seus cabelo loiros estavam agora vermelhos, e presos de lado.

E: U-uau... — foi tudo que conseguiu dizer.

A: Fizemos até nomes fictícios, saca só: Eu sou a Akemi, a Sayu, a Akira e a Luna!

E: Imaginação zero, né? AAAAI! Ok, calei a boca. Tsk.

S: Como você é chato, viu.

E: Cala a boca, baixinha.

A: Ei ei ei ei ei. Menos briga agora, beleza?

E: Tsk. Ela que começou, caralho. #resmungando# Mas enfim, vamos partir então? Já tá na hora.

L: Pois é... #suspiro# Hey ho.

S, K, A: Let\'s go!

***

Levando o carro sob uma eminente pressão, Eric dirigia rápido nas ruas desertas de Baiki Bay, enquanto quatro garotas quicavam incessantemente. Ele estacionou na porta do backstage do BRock, e elas saíram da Captiva negra.

S: Você vai assistir? — sua voz tremeu mais do que queria. — \"Merda\"

E: E iria perder vocês pagando mico?

K: CALA A BOCA. Vamos meninas?

E: QUEBREM A PERNA! Digo, palheta — Ele gritou de dentro do carro, sorrindo de canto de boca. Elas ouviram sua voz abafada, e sorriram também, enquanto entravam no Boulevard Rock pela porta do backstage.

Exatamente às 8:30pm, a banda Air Guess penetrava no ambiente escuro do Backstage. Pessoas com baquetas, partituras, palhetas, guitarras, baixos e microfones andavam de um lado para o outro, eufóricas e extasiadas.

— Oi! De que banda vocês são? — uma mulher com vários crachás nas mãos perguntou, forçando para que sua voz se sobressaísse à baderna.

K: Air Guess.

— Aqui os crachás. Fiquem com isso até a hora da apresentação. Depois pode curtir. Camarim 13, Ala B. — Desaparecendo como um encanto, a mulher saiu.

A: 13, heim? Que sorte.

K: Simbora, cambada. Esquerda!

Desviando loucamente, conseguiram chegar à porta de madeira, onde um papel sulfite tinha os dizeres \"Air Guess\".

Não era mais que um cubículo. Um pequeno espelho, cabideiro, um mínimo banheiro e luzes, muitas luzes.

Verificando no papel, Sayumi -ou Sayu, para os desavisados- falou para si mesma.

S: Quarta banda, depois da Sweet Sugar...

A: A gente já sabe, Sayu. Não precisa repetir isso a cada segundo.

S: Eu... to nervosa. Porra.

L: Relaxa, Sayumi. Logo logo vamos entrar naquele palco e arrebentar, você vai ver.

Tiraram seus instrumentos, afinados. Colocaram as correias em volta do pescoço, rodaram baquetas e apertaram as palhetas na mão.

K: Forever friends...

Colocou a mão no meio da roda.

A: Forever dream...

A ruiva sobrepunha a mão.

L: Forever band...

Só faltava uma.

S: Forever love!

Era inexplicável a emoção carregada naquele cubículo. Cada retina brilhava a esperança, o companheirismo, a coragem, a amizade. Cada uma respirava a existência da outra, sem elas... Elas não seriam a Air Guess. Simplesmente.

Uma campainha soou longe, despertando-as.

L: Merda!

A: Pra você também, merda!

S: Merda, merda, merda..

K: MERDA PRA TODO MUNDO!

Abraçaram-se fraternalmente. Isso era mais que uma amizade mesmo. Era uma irmandade, uma banda. E sabe que em banda, todo mundo é brother.

Mais uma vez, a campainha.

— Mais um ano galera, e a gente segue junto com o Baiki Festival! Como abertura, uma banda das antigas aqui no Blvd. Rock. Com vocês... PASSPORT TO HELL! — O apresentador deixou o palco para cinco caras. Todos vestiam um acessório vermelho. O som era irado, os caras deitavam muito, e o público delirou.

L: Puuuts...

Sete minutos se passaram. A próxima banda tinha garotos e garotas, e estavam uma pilha de nervos.

E para as quatro, o tempo passou voando.

— E agora, com vocês... — o apresentador, Kevin, fez um pequeno suspense que quase as matou. — Akira, Luna, Sayu e... Akemi! Boas vindas para as novatas, a Air Guess!

Entrando na ordem que o apresentador falou, as quatro se postaram devidamente. Akira na centro-esquerda, Sayu na direita, Luna com o teclado, atrás de Akira e Akemi na bancada, onde estava a bateria.

Batendo quatro vezes as baquetas, a ruiva -que no momento se encontrava loura quase albina- deu início ao show. Uma guitarra ácida, a melodia do teclado de Luara e um baixo vermelho e branco logo entraram também.

Usando o microfone que seu pai comprara, daqueles que não precisam de apoio, Akira começou a cantar a composição \"He\'s a Vampire\".

K: He\'s a vampire

He appears in moonlight

He\'s a vampire

I\'m under his sight

He\'s a vampire

He smells like rose

He\'s a vampire

He\'s SO hansome.

A melodia estranha e a letra provocante contagiaram o público. Algum fanático jogou no palco uma orquídea azul, parado nos pés de Kira.

A morena sorriu. Parou de tocar um pouco e pegou rapidamente a flor, colocando-a no bolso traseiro.

K: Don\'t be afraid

He wants me

He wants my blood

He\'ll hunt me

Everywhere, every place

His lips are cold

Have you ever tasted it?

Kira procurava com os olhos quem poderia ter feito aquela cordialidade. Eram tantas faces, tantos corpos esmagados. Como achar uma agulha num palheiro.

K: He\'ll have me

He\'ll bite me

I\'m his dessert

My blood will feed him.

Repetiu esse refrão duas vezes. A energia da platéia contagiava. Pulou e chamou Sayu, as duas ficando de costas uma para outra. Achou seu irmão perto do palco. Será que fora ele quem jogara a flor?

K: He\'s a vampire

He\'s hungry now

He\'s hunting me

He\'s tracking me down.

He\'ll kill me now...

Duas músicas após, as Air Guess saíram completamente ovacionadas. Ki levava a orquídea, cheirando-a de vez em quando.

Chegando no camarim, tiraram todos os apetrechos -lentes, perucas, instrumentos, coroas, cartolas- e voltaram a ser apenas colegiais normais: Aika, Luara, Kira e Sayumi.

A: E ai, Ki? Quem é o pretendente?

K: Bem que eu queria saber, poxa. Bem que eu queria...

Trocaram as roupas também, por coisas mais aceitáveis. Não queria sair por ai e serem vistas como a Air Guess. Queriam também ter sua privacidade, e iriam apostar nisso desde o começo.

Saíram, e, logicamente, foram ao bar. Onde mais ir?

K: Oi, batida de morango.

Barman: Oi, como vai você, tudo bem? O que deseja?

K: Hahaha, engraçadinho.

O barman sorriu para a menina, indo ao seu trabalho. Chacoalhava a bebida ao ritmo da música da banda Eclipsed. Deixou a batida dela no balcão, indo atender outra pessoa.

Um garoto loiro, de aproximadamente 17 anos, pegou a batida da morena na cara dura, andando normalmente para o lado oposto.

K: Ei! #agarra o braço dele# Essa batida é minha.

Ele sorriu de canto de boca. Seu sorriso era tão encantador quanto o do seu irmão. Talvez ainda mais, porque ele não compartilhava o mesmo sangue que ela. Mas o filho da puta estava indo embora com a batida de morango que lhe pertencia, e um simples sorriso não iria deixá-la feliz com isso.

— Não é mais — ele disse, tentando se esquivar, ainda sorrindo.

K: DEVOLVE MINHA BATIDA AGO-

— Sua voz não me é estranha, nem sua face... — Com aquelas palavras, Kira cambaleou para trás. Merda.

K: Ham, pode ficar com a batida, viu? Tchau! #vira as costas#

— De onde conseguiu essa orquídea? #sorri#

K: Eu... — ela se virou para ele também, tentando achar uma boa desculpa. — Achei no chão, é.

— É? — O sorriso dele se alargou, chegando até a assustar. — Pois eu não me lembro de ter deixado cair nenhuma orquídea... Na verdade, só trouxe uma. Que joguei para uma tal de Akira... Já ouviu falar?

K: Olha aqui — ela olhou para sua batida na mão dele, cobiçando-a com vigor. — Devolve minha batida e nunca mais olha pra minha cara, ok?

— Prefiro ficar com ela e poder olhar seu rosto lindo, gata.

Ela tinha de admitir, a lábia daquele rapaz era muito boa. Agradeceu a escuridão, que escondia sua face corada.

K: Engole então essa batida, idiota #vira as costas e sai andando#.

— Meu nome é Philip, gata — a voz dele soava longe, mas mais parecia que ele sussurrava em seu ouvido.

S: Ei, onde você estava?

K: Comprando batida.

L: Sem álcool, né?

K: Dãã, não né Luh!

L: Kira...

S: Mas então, cadê a batida?

K: Aff, um idiota aí pegou.

S: Vish, que tenso viu.

L: Melhor assim, aí a Ki não toma coisas alcoolicas. Ouviu?

K: Ouviii. Mas era um puta idiota, aquele muleque. Enfim, to estressada. Cadê a Aika?

L: Conversando com o povo da Sweet Sugar.

K: Conhecendo a concorrência? Sempre bom.

A: Quando vocês começaram a tocar, assim, como banda?

Jake: Ahn... acho que há 8 meses.

A: Só?

Fred: Por isso só tocamos duas músicas. Vocês viram aquela Air Guess? Elas deitam demais, cara!

A: Elas tocaram tão bem assim?

Matthew: Lógico. Soube que elas tem essa banda há dois anos, mas só agora começaram a fazer shows.

De relance, viu suas amigas indo para a pista de dança. Despediu-se e foi juntar-se a elas. O som bombava. Era a voz de Anotherband, a 7ª concorrente.

E: Ei! Garotas! — Ele vinha abrindo espaço entre o pessoal, com um sorriso monumental no rosto.

K: Eric!

A menina deu um abraço apertado no irmão, que retribuiu com toda força.

K: O que achou?

E: Vocês... deitaram, velho. Sem zuera, vocês acabaram com qualquer um aqui. A Air Guess vai ser uma banda de muito sucesso!

L: Shhhhh!

E: Que foi?

L: Não queremos que as pessoas saibam que somos a Air Guess!

E: Aff, frescuras.

***

Uma semana depois, Kira, Luara, Aika e Sayumi se encontraram numa sala, no colégio Saint Patrick. Elas se encontravam no fundo da sala, no canto direito.

O uniforme era simples: camisa branca, saia xadrez pregueada e um grande laço no lugar da gravata. Os garotos usavam um terninho, uma camisa branca e uma gravata vermelha. Parecia aqueles colégios de filme japonês, não uma instituição no meio do Hawaii.

— Luara! Você foi para o show?! Rick, um CDF que nos últimos tempos tentava se enturmar, perguntou.

L: Ai, ai... fui, Rick.

Rick: Você me chamou pelo nome! — seus olhos brilhavam por trás das lentes do óculos. — Posso me sentar aqui, Sayu querida?

Ele indicava freneticamente uma cadeira a frente dela. Desesperada, a oriental procurou por qualquer ser que poderia se sentar naquele lugar. Não era para menos, Rick era legal. Legalzinho. Mas se você passasse 10 minutos ao lado delem iria querer jogá-lo pela janela mais alta do planeta.

S: Sabe como é Rick, eu estava guardando esse lugar para o JACK, não é mesmo?

Jack: Hm? Ah, sim, lógico. Eu ia me sentar ai agorinha mesmo.

S: Então, Rick. Foi mal...

Rick: E-entendo. E Luara..?

L: Nooossa Rick, desculpa. Mas a Clarice ia me passar umas coisas na aula, e ela vai se sentar aí...

O pobre nerd olhou em volta, percebendo que não, aquele não era seu lugar. Elas não tinham nada contra nerds, nem Rick mesmo. É só que... ele era chato.

Rick: Ok... eu vou lá sentar ao lado do Bob, meu amigo que... cospe. Tchau.

A: Se pá eu até sinto uma dó dele... Ah, não. Delírio meu.

Elas riram, junto de Jack e Clarice, que logo se instalaram ali.

Essa é a vantagem de ser legal. As pessoas se sentam perto de você.

No jardim da escola, os alunos de 1º a 3º ano aproveitavam o tempo ensolarado daquelas ilhas vulcânicas para mostrarem seus bronzeados e exibir os machucados de surf.

Do banco preferido das Air Guess, elas viram Britney sair para o jardim, seus cabelos oxigenados tentando refletir a luz do sol, mas a única coisa que refletiam era os variados produtos que ela passava.

Esbarrando \"sem querer\" em Eric, a fake loira esfregou seu corpo estranhamente curvíneo no seu ex.

Brit: Desculpa, Ric! Te machuquei?

E: Seu silicone quase me fura, sua loira do caralho — dava para perceber pela voz dele que não estava nada feliz com aquela situação.

Vermelha, Britney recuou, sendo amparada por suas duas subordinadas, Kelly e Sharon.

Brit: Quem é você para falar que é silicone, seu grosso!

E: Sou Eric Edward Maybine, sua idiota. Todo mundo sabe que seu corpo é tão natural quanto seu cabelo. Volta pro Paraguai, sua vadia.

Ninguém sabia se a loira estava vermelha de raiva ou de vergonha. Foi embora batendo o pé, suas seguidoras atrás, numa cena de filme High School americano. Eric deu um sorriso debochado, deu as costas para elas e foi até o bebedouro dentro do prédio, sabendo que não precisava de Brit. Havia muitas outras meninas que caíam aos seus pés.

Rindo como condenadas, as quatro entraram e foram de encontro ao moreno, indo parabenizá-lo. Ele bebia água e conversava com um amigo, igualmente bonito. Este possuía olhos verde-água, um bronzeado impecável cobria todo seu corpo definido. Parecia um deus grego.

E: E aí, Phil? Vai na boa?

Kira simplesmente estacou quando ouviu aquele nome.

Phil: E aí, Ed. Por que deu um fora naquela gostosa?

E: Se a conhecesse, faria a mesma coisa. Aquele menina não presta nem pra pano de chão, puta que o pariu.

Phil: E quem disse que eu presto, heim muleque?

E: Aaaah, safado. Sempre você, né. Opa, eai, meninas? — O garoto finalmente percebeu a presença das garotas no meio do corredor. Ele acenou.

S: Eae — tentou soar o mais calma possível.

K: Ham... Banheiro #some#

L: Kira? Kira? Volta aqui!

A imagem da menina sumiu pelo corredor branco. Todos encararam-na, curiosos. O loiro sorriu, malicioso.

Phil: W-ow! Quem era aquela gatinha, Edward Maybine?

E: Minha. Irmã — falou aquelas palavras bem espaçadamente, deixando bem claro que qualquer aproximação alheia ia ser punida.

Phil: Hm.. saquei. — O loiro voltou seu olhar para as três meninas que ainda se encontravam de frente para elas. — E ai, gatinhas? #passando o braço em volta de Aika e Luara#

A, L: Sai. Agora.

P: Opa! O clima aqui ficou pesado então, sabe, vou pra lá. Vazei — e sumiu do mapa também.

Philip McLawers andava pelos jardins, as mãos nos bolsos e a gravata desfeita sobre o peito. Seus olhos verde-água estavam vivos sob os raios de Sol.

Sentada no banco estava Kira, arfando. Não, aquele não pode ser o cretino!

K: \"Prefiro ficar com ela e poder olhar seu rosto lindo, gata.\"

A morena chacoalhou a cabeça, afugentando os pensamentos daquela noite turbulenta.

P: Oi, garota da orquídea.

A voz doce dele penetrou rente a sua orelha esquerda. Abriu os olhos repentinamente, virando o rosto, corada.

K: Oi... Philip.

Ele sorriu, sentando-se ao lado dela. Ela se levantou, encaminhando-se para o portão de entrada.

P: Am I a vampire now? (sou um vampiro agora?)

A garota parou, petrificada. Virou-se lentamente, pronta para encarar vigorosamente aqueles orbes esmeralda.

K: Do que está falando?

P: Sou loiro, mas não sou burro.

K: Tem certeza disso?

P: Absoluta...

K: Tchau — sua voz saiu seca e grossa. — Philip.

P: Pode me chamar de Phil.

Ela parou para pensar, procurando palavras e coragem.

Como aquele garoto mexia tanto com ela?!

K: Prefiro Philip. #meia volta#

P: E do que quer que eu lhe chame?

O sinal tocou, deixando apenas para aqueles quatro ouvidos a última frase.

P: Kira... ou Akira?

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.