Skater Boy
17 Castigo
Notas iniciais
(...) –Feliz aniversário para mim!
–Não é mais seu aniversário há... –meu pai consultou o relógio. –Uma hora e meia. –disse ele e me olhou, desapontado? Confuso? Bravo?
Pensei se eu devia falar “A culpa foi toda minha...”, mas antes que eu completasse esse pensamento, Gabriel se manifestou.
–Foi uma festa surpresa para a Rine, ela não sabia de nada, eu juro. –disse ele e meu pai o fuzilou com o olhar.
–Uma semana, da escola para casa, casa para a escola, nada de Skate, Videogame ou Computador. –disse para Gabriel. E apontou para mim. –O ajude a limpar tudo. –Se virou para Enzo. –E você... Bem, você não é meu filho então faça o que bem entender. –Meu pai se virou, como se fosse subir as escadas, mas no último minuto se virou e deu um sorrisinho. –Feliz aniversário atrasado filha. –disse e subiu as escadas. “Ele é bipolar? ” Sim! Ele é.
Olhei para Gabriel que me deu um sorrisinho fraco e olhou ao redor, copos de cerveja atirados no chão, o sofá virado, plantas jogadas no chão, parecia que uma bomba havia caído ali, e era isso, que nós teríamos que limpar.
***
Eu estava com luvas, tentado tirar o lençol da minha cama, sim. Adolescentes haviam feito a festa ali, eca. Voltei para a sala onde Gabriel estava com um saco de lixo recolhendo os copos, fui para a cozinha onde Enzo ajuntava as garrafas de cerveja e limpava os cacos de vidro do chão.
–Você não precisa fazer isso. Pode ir embora... –disse eu tomando o saco de lixo e a vassoura da mão de Enzo.
–Eu quero... –disse ele tomando a vassoura da minha mão.
–Quem é a pessoa em sã consciência que quer limpar a cozinha depois de uma festa cheia de adolescentes idiotas? –disse para ele e ergui as sobrancelhas.
–Eu. –sussurrou ele e me deu um beijo na ponta do nariz.
–Idiota! –falo para ele e entrego o saco de lixo. –divirta-se. -completo e saio da cozinha. Gabriel agora estava varrendo a terra dos vasos de flores que foram derrubados.
–Me dá uma ajudinha aqui? –pergunta ele, me olhando com cara de cachorro abandonado.
–Se vira! –digo eu e vou ajuda-lo.
Quase três horas depois que a casa começa a parecer uma casa, eu Gabriel e Enzo caímos no sofá exaustos.
–E o que você aprendeu com isso? –pergunto para Gabriel.
–Não serem pegos dando festas. –diz ele e eu reviro os olhos, a resposta que eu estava esperando era “não dar festas”, mas ele sempre tem uma segunda visão das coisas e uma resposta rápida na ponta da língua.
–O que vocês estão fazendo ai sentados? A casa ainda não está habitável. –disse meu pai atrás de nós, e voltamos ao trabalho.
***
Eu estava jogada na minha cama, com Enzo sentado do meu lado, nós estávamos só sentados, em silêncio, quando eu não contive mais a minha curiosidade.
–O que nós somos? –perguntei me virando e olhando para ele.
–Somos namorados? –perguntou ele com um sorrisinho maroto no rosto. –É... Acho que somos. –completou e me beijou.
–Quero só ver e escola amanhã, já tenho que ir me preparando mentalmente para os comentários da minha grande entrada na minha festa. -falei para ele que riu e me beijou novamente.
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