SixHunters (Interativa)
1 Prólogo
Notas iniciais
Não, garotos "não femininos" não combinam com bichinhos fofos. Não que eu tenha algo contra caras que curtem caras, muito menos contra coisinhas fofas que as garotas adoram. O que me incomoda é quando EU sou obrigado a cuidar de um bichinho fofo quando na verdade eu mal mal sei cuidar de mim mesmo!
– Chega de reclamações, Tohma! – escandaliza quem acabou de me dar uma coisinha estranha, qual agora me encara como se tivesse me identificado como a "mamãe".
O local é o Instituto Seis Corações, um colégio da cidade de Usagi. Estudo aqui desde o meu início do Ensino Médio, mas foi hoje, no primeiro dia do meu 3º ano, que uma coisa tão sem sentido me aconteceu. E o que aconteceu? Simples! Recebi de presente de uma professora, se é que posso chamar esse branquinho assim, um coelho. Ou coelha, sei lá...
– Cuide bem dessa criaturinha. – exige a senhorita Ayame.
– Tudo bem que é o meu aniversário mas, professora... – tento argumentar, quase de joelhos, implorando para que ela leve essa bolinha branca para longe de mim – Eu não quero esse bicho de presente.
Mais brava ainda, ela cruza os braços. Olhando no fundo dos meus olhos, mais séria do que nunca, determina:
– Você VAI ficar com ele. E ponto final.
– Mas professora...
De repente, a feição dela muda. Descruzando os braços, fecha seus olhos e dá um leve suspiro. Segundos depois, reabrindo suas pálpebras, diz em suave tom:
– Sabe bem que tem algo de diferente em você. – me encara em silêncio por segundos até continuar – Você não pensa como os outros garotos da sua idade, força a risada em piadas que só você não acha graça, simula felicidade em conquistas que para todos os demais são importantíssimas... Você é diferente, Tohma Dales.
– Por qual motivo está me dizendo essas coisas? E o que isso tudo tem a ver com esse coelho? – questiono, observando mais uma vez o rosto peludo do bichinho branco nas minhas mãos.
– O momento em que você entenderá por qual razão é tão diferente está para chegar. Será quando, também, encontrará companheiros que te seguirão e que precisarão de você. O animal que te dei é o primeiro deles. – ela explica. – O mundo que a maioria das pessoas conhece é apenas uma parte da realidade. – enquanto a professora articula, eu vou ficando cada vez mais interessado, mesmo não sabendo por qual motivo. – Até lá, tenha paciência...
Desse modo, ela me dá as costas. E apenas diz:
– Vá para casa e descanse. Tenho certeza absoluta que amanhã mesmo irá me procurar. – ao concluir, vai se afastando, me deixando com o tal bicho nas minhas mãos.
Suspiro profundamente, sentindo-me incomodado com o peso que um animal parece representar na vida de quem jamais teve um bicho de estimação. Porém, é quando me perco nos olhos vermelhos dela – no início da conversa, a professora me disse que era fêmea, e agora me lembrei – que sou tomado por uma visão atordoante: seis pessoas diante de uma multidão de tantas outras, de pé e firmes como rochas. Parecem carregar pesos muito maiores do que a responsabilidade sobre um bicho de estimação. Parecem estar dispostos a arriscar suas vidas, e preciosas vidas, por um bem maior...
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