Sistema de Castas: Um novo futuro
7 Capítulo 7
Notas iniciais
"A cidade está realmente um caos. Na noite anterior, um pequeno grupo de rebeldes cortou o pescoço de um guarda noturno nos trilhos e com o próprio sangue dele, deixou escrito num dos trilhos: "Nós estamos chegando.", cuidem-se, previnam-se, seja lá quem eles forem, querem todos nós mortos."
– Ouviu Marcela e Lia? Vocês ficam até tarde na rua, cuidado com esses loucos. — dizia minha mãe enquanto Lia me ajudava a compor uma musica.
Olhei para Lia e via um pouco de dor e arrependimento em seus olhos. Ela com a tampa da caneta ficava raspando por baixo da unha, tentando tirar qualquer coisa que havia sobrado daquele homem.
– Lia — sussurrei — Para, você vai se machucar com isso ou enlouquecer. Já passou você não fez nada.
Ela abraçou o próprio braço, olhou para meu rosto com lágrimas transbordando dos olhos e começou olhar vagamente pro chão da sala.
– A gente o matou, foi nossa culpa — dizia ela, com um tom de culpa.
– Não, nós não o matamos. Não você, certamente. – dizia, tentando acalma-la – Lia se acalme ou irá nos entregar.
Ela levantou-se e seguiu para a cozinha, não demorou muito e voltou com um copo d’água e o rosto umedecido. Balançava a cabeça de cima para baixo e sentou-se de volta.
– Tudo bem, desculpa. – disse ela, desligando a televisão.
– Ótimo, agora não quero mais esse assunto, daqui pra frente coisas piores pode acontecer. – disse – Se acostume.
– Marcela, vamos logo na casa do Nicholas, estava combinado pra meio dia e já vai dar onze e quarenta. – dizia ela, secando o rosto e levantando-se.
– É disso que eu estou falando, recuperação rápida. – disse me levantando.
Saímos de casa, e fomos pegar o ônibus. Não demorou muito, e logo descemos bem próximos da frente da casa de Nicholas. Encontramos no caminho Mike e Bryan saindo do carro de Bryan, que ele fez questão de estacionar ao lado dos portões em dia claro pra revelar a própria mudança.
– Um seis saindo do carro de um dois em plena luz do dia. – ironizei – Perfeito.
Os dois sorriram e seguimos para dentro da mansão. Logo, uma empregada nos atendeu e nos caminhou para o quarto de Nicholas, onde ele estava sentado sem camisa apenas com uma calça moletom.
Carina, Lucca, Gabe, Rhuan, Maya, Tayla, Beck – que saíram bem mais cedo de casa — , Edward, e para minha surpresa, Vinícius e sua irmã, Beatrice.
– Oi para todos. – disse, me sentando próximo de Maya.
Lia sentou-se ao lado de Vinícius logo depois que ele deu umas piscadinhas para ela. Bryan e Mike sentaram-se no meio do quarto, num monte de almofadas coloridas que havia no chão.
– E então? Ontem, teve uma morte, o que virá daqui pra frente? – questionou-se Carina.
– Como assim uma morte? – perguntou Beatrice, ficando de pé rapidamente – Vocês são assassinos? – perguntava-se ela.
– Não, Bea, calada e sem pânico. – dizia Vinícius tentando acalmar a menina.
– Você falando pra não entrar em pânico? Logo você, um estuprador? – gritou ela e logo ele o calou com o palmar destro.
Os dois foram para a suíte do quarto batendo a porta atrás de si e ficaram ali por um bom e longo tempo.
(POV’s Beatrice)
Mordi o dedo do meio e o indicador dele e me encostei na enorme pia. Vinícius parou na frente da porta e se encostou, com a respiração lenta e olhando para o chão.
– Me deixe sair daqui. – disse, quebrando o silêncio e um pouco apavorada.
Ele continuou ali em silêncio, agora cerrando os pulsos.
– Meninas inteligentes não fazem coisas estúpidas – disse ele, quebrando o silêncio prolongado e olhando agora em minha direção – E muito menos falam.
Logo, ele começou dar uma risada irônica e assustadora, cruzei meus braços e ia dando mais passos para trás – o que era inválido já que estava colada com a pia.
– Só quero que me deixe em paz. – disse, tentando conter as lágrimas.
– Se acalme irmãzinha, tudo ficará bem. – disse ele, passando a mãos em meus cabelos e beijando minha testa – Apenas cuidado com o que diz.
Ele deu-me as costas e saiu do banheiro, fechando a porta logo atrás de si. Finalmente fiquei sozinha e fui tomada pelas lágrimas e o medo.
(POV’s Nicholas)
– Então, noite passada foi um, se esse é só o começo e combinamos que não íamos matar, quando iremos parar com essa loucura? – dizia Carina, descontroladamente.
– Mas foi você quem matou ele. – disse Mike, na maior calmaria alisando os cabelos de Bryan.
Parei e observei Vinícius sair do banheiro e sentando-se ao lado de Lia, que se arrumava abrindo espaço.
– Nicholas? Nicholas! – me cutucou Tayla, chamando por atenção.
– Desculpa, estava perdido em pensamentos. – respondi, cruzando os braços.
– Percebemos. – disse Marcela, deitando-se e pondo uma almofada nas pernas.
– Gente, o foco. – disse Beck ficando de pé – Olha, já viramos notícias, mesmo anônimos, somos notícia. Se quisermos a mudança, temos que começar no evento de vocês. – disse ela, me fitando e logo após fitando Vinícius.
– Como assim? Minha família? – disse Beatrice, e ai minha ficha caiu.
– Nossa família? Você tá louca? – disse, me levantando também – Não é para ir a nossa família e sim na sociedade. O combinado, sem família.
– A família do topo é a de vocês e não atingimo-los, mas tentaremos causar algo. – continuou Beck – A Família de vocês se junta todo fim de ano, precisamos começar com os mais poderosos.
– Ou podemos fazer a cabeça de outros poderosos que estejam lá. – sugeriu Vinícius.
– Melhor ainda. – concordou Beck.
– Você é louco de concordar com isso? – disse elevando o tom de voz – É nossa família, se algo der errado a gente se fode.
– Por um lado ele está certo. – disse Marcela – Nesses eventos, não tem somente nós de revoltantes.
– Obrigada por me apoiar. – disse e ela balançou a cabeça afirmando.
– Sabemos disso, e claro, podemos fazer algo neste evento, e a Lia e a Tayla e o Ed, pode falar com os outros revoltados. – sugeriu Freya.
– Eu apoio. – disse Marcela – Se for deste jeito e tudo certo.
– Então tudo bem, se tudo estiver certo, faremos. – disse, finalmente concordando – Mas, se algo der errado, me esqueçam de tudo.
– Vacilão. – ouvi Beck dizendo dando as costas, mas nem me importei de discutir ou causar qualquer tumulto por pouca coisa.
– Bom, é melhor vocês irem, vamos mantendo contato, sexta-feira pelo começo da noite a gente se encontra no jardim do fundo. – disse Davi, já impaciente querendo despachar todos.
– Tudo bem, poderia expulsar a gente mas discretamente. – disse Lia, se levantando e puxando Marcela pelo braço. – Vamos, preciso fazer uma coisa pra minha mãe.
– E eu fazer os vestidos e mascaras – disse Carina.
– Mascaras? – parou Bryan no meio do quarto, olhando para ela.
– A mãe dos meninos anunciou no jornal, o tema do ano novo será black and White mascarados. – respondeu ela, guardando o aparelho móvel na bolsa e seguindo na direção da porta. – Vamos Bryan? Você vai me dar uma carona.
– Folgada. – respondeu ele, entrelaçando a mão na de Mike e saindo os dois juntos.
(POV’s Lia)
Todos já tinham saído da casa de Nicholas, exceto eu e Vinícius que ficamos na enorme sala encostados numa estante nos beijando. Realmente, eu detestava aquele garoto, mas além dele ter uma ótima conversa, tem uma ótima pegada.
– Tira a mão da minha bunda. – disse, interrompendo o beijo ofegante.
– Desculpa, da próxima quando eu pegar já pego nela nua. – disse ele, chupando meu pescoço.
– Atrevido. – o beijei e passei as mãos em seus cabelos lisos e macios. Logo parei novamente o beijo, se continuasse ali, terminaria numa situação bem pior, e por enquanto, sem isso. – Preciso ir, nos vemos por ai.
Sai apressada e de encontro com Marcela parada me esperando fazendo bola de chiclete.
– Finalmente, tá até com a boca vermelha. – disse ela, logo após estourar aquela bola de chiclete verde.
– Ma, aquilo que a irmã do Vinícius falou, será que é verdade? – disse pensativa enquanto dava sinal para o ônibus.
– Acho que é algo sério, por ele ter saído daquele jeito. – respondeu ela – Se quiser, começo a investigar.
– Deixa quieto, depois resolvo isso. – subi no ônibus e me sentei na frente, estava cansada e perdi o dinheiro no meio da bagunça da bolsa.
Passamos por diversos lugares, já que iriamos para Ekos, uma cidade logo após a nossa, onde tudo e todos eram livres, mesmo quebrando regras de castas.
(POV’s Marcela)
Entramos num bar chamado Twelve, ali realmente era uma perdição. Já iria dar dezenove horas e nos sentamos no balcão. Pedi uma rodada de tequila para acalmar Lia e ficar um pouco alegre.
Desce uma, desce duas, desce três e assim por diante.
Menos de vinte e cinco minutos já estávamos alegres, guardamos os pertences por dentro do bar e fomos para a pista. Muito tempo sem aquela diversão, depois da revolta, isso virará rotina.
– Olá meninas. – disse outra voz feminina se aproximando de nós.
Lia virou-se toda animada e sorriu, respondendo com aquele enorme sorriso. Quando me virei, era duas garotas, uma tinha os cabelos até o pescoço todo rosa e uma mecha azul e outra até os ombros achocolatado.
– Prazer, Candy e Gaia. – diz a garota de cabelo colorido, estendendo a mão e a outra, fazendo o mesmo.
Estendemos as mãos e retribuímos com o mesmo gesto.
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