Sinking Ship

23 Capítulo 21


Era uma típica manhã de verão. O sol brilhava lá fora, sob as colinas distantes, e logo ali, à beira mar, podíamos ver as pessoas jogando freesbe e correndo na praia.

Jo havia recuperado seu humor, mas a volta de Moss ainda nos intrigava. O sol estava opaco sobre nós, todos paralisados – exceto eu – que estava esperançosa com sua volta. Estupidamente esperançosa.

E, naquela manhã, Billy chegou em casa com um presente nas mãos. Uma caixa grande e roxa, recoberta por um laço amarelo.

- Presente! – anunciou, entregando-o a Jo.
- O que é? – ela perguntou feliz.
- Abre, Jo – me pronunciei pela primeira vez, e Billy me olhou, dando-me um sorriso tímido. Retribuí.
- Um VIDEOGAME? – ela falou, sorridente.
- Exato.
- Oh, Billy, não sei como agradecer – Ela disse, levantando-se e depositando um beijo sobre sua bochecha, correndo para seu quarto.
- Obrigada, Billy – disse, sentando-me no sofá ao lado dele – É tão bom vê-la sorrir.
- É, eu sei – disse, estendendo os braços para me abraçar. Ri – E é bom ver você sorrir também.
- Obrigada – disse um pouco sem graça, pondo uma mecha no cabelo atrás da orelha.
- Denada – retribuiu risonho.

Ficamos nos olhando por alguns momentos, até eu me mover e pegar o controle da TV, ligando-a. Fitei-a atenta.

- Rose, tem algo que está escondendo de mim? – perguntou após um silêncio brutal.

Engoli em seco. Silêncio.

- Eu conheci Chris. Nós... Tínhamos algo. Eu sinto muito, Billy.
- Na verdade... Eu desconfiava.
- Quando o conheci – disse, ignorando seu comentário – Estava fora de mim. Bêbada. E... Ele me pegou de jeito, mas...
- Foi um dos maiores erros de sua vida.

Ofeguei.

- Erros, erros, erros e erros.
- Tudo bem Rose, está tudo bem.

O fitei. Sorri tristemente pra ele.

- Billy, obrigada por tudo... Você está sendo tão bom comigo...
- E com Jo?
- Também está sendo, é claro...
- Não! Digo... Tem alguma coisa que você está escondendo dela?

Engoli em seco. Novamente.

— Não.
- Tem certeza?
- Não.
- Tá bom.

Ele suspirou e segurou meu queixo com uma das mãos. Gelei. Procurava desviar seu olhar do meu.

- Não Billy – sussurrei, movendo levemente meu rosto.

Ele abriu a boca para falar, mas tornou a fechá-la. Cerrei os olhos, ainda sentindo seu toque sobre meu queixo.

- Moss...

Tirou instantaneamente a mão da li, afastando-se.

- Billy! Ah, me desculpe, mas... Eu não posso.

Permaneceu calado, pedindo desculpas silenciosas, abalado por dentro.

- Me desculpe, Rose, deve ser tudo tão recente pra você – ele disse, baixinho, tentando ser gentil, mas seu tom de voz era ríspido – Aliás, você está pensativa demais e sorridente demais por isso. É a volta de Moss, não é?

- Não, é claro que... Eu...

As palavras dissolveram-se. Perderam-se por algum lugar. Minha visão estava ficando embaçada.

- Desculpe-me, Billy, mas não podemos tentar nem alimentar nada entre nós. Somos bons amigos, e pra mim, isso basta.
- E pra mim?
- Pra você também – tentei sorrir – Você ama Linzi, vocês se conhecem há tanto tempo... É apenas um conflito qualquer.
- Rose, não sabe como é...
- Tem razão. Não sei. Mas algo me diz que é com Linzi que você vai ter filhos e envelhecer. Então aposte nela, não desista por qualquer futilidade ou discussão.
- Não é tão fácil – ele disse, teimoso.
- Nada é fácil nessa vida, Billy. Nada.

Ficamos em silêncio por alguns minutos. Resolvi levantar e Billy veio ao meu alcanço, dirigindo-se ao quarto de Jo.

- E aí, criança, gostou do brinquedo?
- Adorei! – ela disse, pausando o videogame e olhando pra nós dois – Você tava...? – ela ia perguntar para mim, mas a cortei.
- Jo, tem bolo, vai fazer um lanche...
- Eu não tenho 10 anos – ela disse me encarando.
- Mas tem 14. Quatro apenas a mais. Vai comer. Deixe eu e Billy jogar nessa coisa também.

Ela me encarou e sorriu.

- Tudo bem – disse, levantando – Danadinha, hein – disse quando passou por mim, sussurrando em meu ouvido.
- Idiota! – ri, e Billy me acompanhou

— Você quer jogar? – eu sorri feliz.
- Tá bom – ele disse, divertido.
- Aposta quanto que você ganha? – falei, gargalhando alto.
- Vamos ver... – ele disse fingindo um olhar fatal.

Silêncio, apenas o videogame com seu barulho irritante e pontos surgindo na tela, incandescentes.

E então, um som estridente de vidro quebrado.

- JO! – gritei, levantando assustada.
- Não é nada, Rose, senta – Billy falou, me puxando pra baixo.

Um grito, um grito abafado, outro grito...

- JO! – gritei, soltando-me de Billy e correndo pra sala.

Ela estava segurando-se na bancada da cozinha, gritando, derramando milhões de lágrimas e tremendo, apontando para a televisão.

Virei minha cabeça rapidamente, a ponto de sentir uma tontura desconfortável, e estreitei meus olhos, fitando a TV, sentindo o pânico subir a minha cabeça.