Sinking Ship

14 Capítulo 12


Notas iniciais
Música do Capítulo I'll Attack - 30 Seconds To Mars [http://www.4shared.com/file/32777006/937be59b/30_Seconds_to_Mars_-_Ill_Attack.html]


Eu acordei sentindo um peso insuportável na cabeça. Revirei-me na cama e puxei o travesseiro, espremendo-o em meus ouvidos. Desisti.

Joguei as cobertas pro lado e ajeitei meu short de dormir, levantando-me e indo até a janela. Trovejava forte lá fora e o céu estava escuro como breu. Olhei o relógio. Quatro da manhã.

Eu ia voltar para cama, mas lembrei de Jo. Provavelmente deveria estar com as cobertas caídas, fungando ou tendo algum tipo de pesadelo. Fui até a sala e não havia sinal de vida lá, aproveitei e peguei um copo de água na cozinha.

Segui pelo corredor escuro tateando as paredes. A porta do banheiro estava aberta, aproveitei e a fechei, o vento gruía terrivelmente. Fui até o quarto de hóspedes, onde Jo às vezes ficava escutando música, ou onde remexia as papeladas que eu costumava guardar. Nem sinal.

De novo, fora de casa. E o pior, sem ninguém, naquele tempo. Eu não me surpreenderia se uma árvore tivesse caído em cima do meu carro.

Corri até o quarto e amarrei os cabelos num coque frouxo, puxando um suéter de inverno e vestindo-o de qualquer jeito. Peguei uma calça jeans atirada sobre a cama e a vesti, apressada, e coloquei nos pés o primeiro chinelo que vi pela frente.

Apanhei a bolsa do cabideiro, enquanto passava pela sala, e puxei a chave, bati a porta, então a tranquei, e saí em passos corridos do apartamento.

Apertei decorridas vezes o botão no elevador, mas eu estava angustiada, e chutei a caixinha de areia ao lado, descendo correndo as escadas.

Puxei o telefone da bolsa e disquei ansiosa o número de Jo. Chamava, chamava e ninguém atendia. Eu a mataria naquele instante se a visse.

O céu estava mais escuro do que antes, e eu achara que isso era impossível, um tufão de vento passou pelo portal da portaria, enquanto o porteiro já de idade aproximava-se do mesmo.

- Rose, onde pensa que vai com esse tempo? – ele perguntou assustado.

Fiz um gesto despreocupado com as mãos e saí afora. Meus cabelos voavam como se fossem se desprender da cabeça, e eu procurava aflita o carro em meio ao breu.

O avistei e corri até ele, enquanto procurava na bolsa a chave. Havia esquecido.

Chutei o pneu e saí correndo rua afora, como se esperasse encontrar Jo sentada ali perto, brincando com alguma coisa.

As trovoadas começavam a acalmar, mas a chuva aumentava cada vez mais.

Vi uma respiração falha e cansada as minhas costas, e me virei num salto, fitando o vulto pálido à minha frente. Ela, em meio às milhares de gotas de chuvas, em meio às lágrimas que escorriam de sua face, misturando-se com as outras.

Eu estendi os braços, compreensiva, e ela atirou-se em meu pescoço, eu a apertei forte, a abracei forte, como se seu abraço pudesse cessar qualquer chuva e pudesse nos proteger. Abracei-a como se fosse a única coisa que me importasse, como se não a visse à séculos, como se ela fosse o tesouro que sempre sonhei ter.

E era. Era o tesouro que sempre tive, mas nunca cuidei. E agora, bem, eu o agarraria, o cuidaria, e também o cultivaria, porque era o único, e o mais preciso, que tinha. E era então, tudo.

- Eu não sei o que está acontecendo. Eu não sei o porquê disso tudo estar acontecendo. Eu...
- Só preciso de você – Jo concluiu, abrindo um sorriso.

Eu sorri, como uma boba-alegre, estupidamente alegre, e ela veio ao meu encontro e coçou a cabeça.

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- Me dá um abraço? – perguntou, mostrando a língua.
- Ah! Faça-me o favor – ralhei gargalhando – Chega de ser melosa.

Jo riu e bebeu um gole do chá que eu estendi em sua direção. Fui até o armário do corredor e apanhei uma manta grossa, levei-a até a sala e fiz Jo sentar-se ao sofá. Ela bebia o chá como se estivesse bebendo água em um deserto.

Enrolei a manta em suas costas e a encostei no sofá, os dentes dela rangiam de frio.

- Alcança o controle? – pediu, apontando o som.
- Folgada – disse, indo pegá-lo e alcançando-o a ela.
- Obrigada – enfatizou as palavras, com os dentes cerrados, apertando ‘Power’.

Sorri, sentando-me ao seu lado.

I won\'t suffer, be broken, get tired, or wasted
(Não vou sofrer, nem ser violado, ficar cansado ou acabado)
Surrender to nothing, I\'ll give up what I
(Me render por nada, vou desistir do que)
Started and stop this, from end to beginning
(Começou e parou isso, do fim para o início)
A new day is coming, and I am finally free!
(Um novo dia está vindo, e finalmente sou livre!)

- Eu acho que vou seguir os conselhos desse cara – Jo soltou num ar divertido, e eu sorri fraco, mas era visível a dor em seus olhos.

- E eu estou aqui pra que? – falei, com o cenho franzido, e ela apenas me lançou um olhar reconfortante.

- Você é melhor do que eu imaginava – soltou, sinceramente, e isso me fez sorrir – Bem melhor – riu, coçando a cabeça.

Eu sorri e enrolei meu indicador em seus cabelos, brincando com eles de forma boba e carente.

- Mas não se ache a melhor por causa disso.
- Não disse nada – brinquei, levando às mãos a cabeça.

Ela gargalhou alto e tomou mais um gole do chá, prestando atenção à letra da música.

I would have kept you, forever, but we had to sever
(Eu teria ficado com você para sempre, mas tivemos que nos distanciar)
It ended for both of us, faster than a...
(Acabou pra nós dois, mais rápido do que...)
Kill off this thinking, it\'s starting to sink in
(Matar esse pensamento, está começando a tomar conta de mim)
I\'m losing control now, without you I finally see!
(Estou perdendo controle agora, sem você posso finalmente ver)

- Tá aí, gostei desse cara – ela disse pensativa.

Silêncio brutal.

- Sabe, ele é beeem bonitão... – eu falei olhando minhas unhas descascadas, soltando um assovio em seguida.

Ela riu, cuspindo todo o chá da boca e me atirando uma almofada.

- O QUE? Isso é injustiça... – eu falei aparentemente ofendida.
- À vontade, o sofá é seu mesmo.
- Para tudo... – eu disse – Shiii – coloquei o dedo na boca, levantando e estacando as mãos.

Ela ficou me olhando com o cenho franzido, debochada, bebeu um outro gole novamente.

- O MEU SOFÁ – gritei, me jogando em cima dela, e ela desatou a rir, me abraçando logo depois.

E a noite – ou melhor, a manhã -, seguiu assim, até outra bomba explodir.

— Mãããe – Jo gritou da sala – Vou comprar café, volto já.
- Ok, se cuida – gritei de volta.

Reservei o resto da manhã para organizar meus CD’s e livros, e também aproveitei pra fazer uma pequena faxina, já que muitos livros estavam cheirando a mofo e Jo era alérgica. Ouvi a porta ranger e pensei que Jo tinha esquecido alguma coisa, ou então eu tinha perdido-me de meus pensamentos e não tivesse visto o tempo passar.

Chris entrava no aposento com a respiração ofegante, e jogou-se sobre mim, me segurando sobre os braços, e conduzindo-me pelo corredor até meu quarto.

- Hey, hey, hey – gritei com ele.

Jogou-me na cama e eu tentei chutá-lo, mas ele segurou minhas pernas e sussurrou um “Shiii” com a boca, abrindo o cinto e puxando-as.

Rolei pro lado e empurrei ele sobre a cama.

- O QUE VOCÊ PENSA QUE ESTÁ FAZENDO?
- Não faz doce, vem cá...
- O QUE VOCÊ PENSA QUE É?
- Cala a boca e me obedece, eu não quero embravecer com você. Acho que faltou alguma coisa ontem à noite...

Eu dei uma cotovelada em seu estômago e saí por baixo dele, chutando-o em seguida e gritando:

- VÁ SE DANAR, CHRIS, O QUE VOCÊ TEM, PORRA?
- Não seja ruim comigo, mocinha – ele levantou furioso e tentou me puxar para ele.

Agarrei a gola de sua camisa e o olhei, cuspindo em seu rosto e tacando-o no chão.

- Você acha que é o que? – sussurrei.
- Você vai pagar caro por isso.
- Ah, não vou, não vou mesmo.
- Não foi uma pergunta, quanto mais uma dúvida, eu afirmei. Agora fica bem quietinha que você vai saber como dói...
- Muito engr—