Sinking Ship
20 Capítulo 18
Perceber como Jo estava mal era a coisa mais certa do mundo, e eu, como sempre, acabava ficando abalada. Mas dessa vez foi diferente. Ela enxugava suas lágrimas dizendo não precisar de nenhum ombro amigo, dizendo que devia seguir seu coração, sozinha, aprendendo com tudo que a vida lhe trazia à tona.
Eu realmente achei suas palavras tocantes, até porque fora algo que eu tentara fazer milhões de vezes, mas nunca realmente adiantara.
Naquela tarde de Julho, saí pelas ruas despreocupada, com as mãos no bolso do blazer, caminhando e fitando as pessoas ao meu redor.
Parei à orla da praia e sentei na má pavimentação. Observei as ondas irem e virem, chocarem-se, e voltarem intactas. Não pude evitar de sorrir. Mais uma filosofia de vida.
Um vulto escuro caminhava ao longe, olhando os pés e assoviando baixinho. Quando passou por minha frente, perguntei baixinho:
- Problemas?
Ele me fitou. Era o homem dos olhos roxos. Com sua capa preta e seus cabelos escorridos formando cortinas sobre sua face alongada. Sorri gentil pra ele.
- Alguns.
Ri. Não sei exatamente o porquê, mais ri.
- Acho que conheço você de algum lugar – ele disse, fitando-me curioso, sentando-se ao meu lado.
- Receio que sim – disse, colocando minhas mãos embaixo de minhas pernas e as balançando, sorrindo.
- Billy Martin – estendeu a mão, eu levantei o cenho.
- Do Good Charlotte? – eu perguntei, ele confirmou com a cabeça – Prazer. Rose... Moss.
- Casada?
- Não propriamente – ri – E você?
- Compromissado, digamos.
- Problemas no relacionamento? – o fitei.
- Não... Não. Coisas da banda.
Eu sabia o que era. Chris. Eu tinha certeza. Senti meu coração congelar-se por dentro. Maldito.
— Mas, e você?
- Eu não tenho problemas. Eles são minha vida. Vamos dizer que já me acostumei – sorri sorrateiramente pra ele.
Ele me sorriu novamente. Não sei dizer o porquê. O sorriso dele era tímido, e encantador.
- E seu cachorro? – perguntei.
- Ah, ele voltou alguns dias atrás... Foi bem estranho. Desculpa por achar, que...
- Ah não. Você estava certo, o cachorro era seu – ri – Desculpe-me.
- Jura? – ele riu junto – Eu ficaria feliz se você tivesse ficado com ele. Na verdade é um inferno ver Linzi dar-lhe tamanha atenção. Nunca gostei de animais, na verdade.
- Não?
- Bom, sim... Eu costumava a ter 127 hamsters, mas---
- CENTO E VINTE E SETE? – berrei – Tá brincando né?
- Não. Eu era meio carente na época.
- Percebi – disse erguendo a sobrancelha. Ele riu.
A barriga dele roncou e eu ri – novamente.
- Fome? – perguntei.
- É... Também, já são duas horas.
- Conhece o L’Four?
- Isso é um convite?
- Digamos que sim – sorri-lhe – Se você não se incomoda.
- De forma alguma.
E... Ele era legal. Eu sentia falta de um amigo, de uma companhia, eu sentia falta das pessoas, era verdade.
Em alguns dias tínhamos nos tornado amigos. Eu contara a ele toda minha história, mas tinha-lhe excluído Chris. Eu realmente não queria ter que lembrar de meus momentos infames e dos meus erros. E talvez Chris tivesse sido um dos piores.
De qualquer forma, lembrar de seus olhos embaçados e expressões tristes fazia-me sentir mal. As pessoas no geral me causavam isso. E em Billy também. Mas foi reconfortante sua amizade, pelo simples fato de rirmos de nossas loucuras e manias. Éramos uma dupla de desequilibrados.
E isso, se é que você me entende, fazia-me não sentir tão sozinha.
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