Notas iniciais
O AMOR É TCHAO LINDCHU ZÉNTI

[b]Capítulo 7[/b]

- O que vosmecê pensava que estava fazendo, Pierre? – berrou, cuspindo na

cara do maior – Como vosmecê chega se jogando JUSTAMENTE na Lachota, ops,

Lachelle dessa forma, EMBAIXO DO MEU NARIZ?

- Oras, eu não posso mais me divertir não, patrão? – continuou calmamente, tentando controlar sua ira de gritar com ele – Quero dizer, se o senhor não tivesse aparecido ali no meio, eu teria tido uma bela noite.

- COMO VOCÊ SE ATREVE! – pá! Um tapa voou no rosto de Pierre, fazendo-o se

virar – Não está vendo que você é um MERO ESCRAVO?! VOCÊ NÃO É NADA PIERRE, NADA! UM ZÉ-NINGUÉM!

- Como [b]vosmecê[/b] se atreve e não eu, David – cerrou os dentes brancos e

os punhos, nervoso – Eu posso ser um mero escravo, mas ainda sou um ser

humano e tenho sentimentos!

- EU NÃO QUERO SABER! – mais um tapa, dessa vez do outro lado da face – VOCÊ

ME MACHUCOU! ME MAGOOU! ME FERIU! ME MATOU POR DENTRO!

- E porque tudo isso, hein?! – seus olhos já transbordavam lágrimas,

igualmente aos de David – Me diz David, me diz! PORQUE EU FIZ TUDO ISSO A

VOCÊ?!

- PORQUE EU TE AMO, PORRA! – berrou o mais alto que pode, se jogando na

grama de joelhos e deixando Pierre sem reação – Eu te amo, Pie. Mais do que

eu já amei qualquer outra pessoa em todos os meus anos de vida.

Pierre parou por um momento, tentando raciocinar o que havia acabado de

acontecer. David chorava com as mãos apoiando o rosto e ajoelhado no chão,

perguntando PORQUE disso tudo estar acontecendo justamente a ele, uma pessoa tão sensível a sentimentos.

- David, vosmecê está falando sério? – ele se ajoelhou na frente do pequeno,

puxando-o para perto – Vosmecê me ama de verdade?

- Amo Pierre, amo. – as lágrimas não paravam de escorrer e o cegavam de

maneira absurda – Porque tudo tem que ser tão difícil assim, porque?

- Não é tão difícil assim, Dave – ele acariciou-lhe a face, brincando com os

dedos em seus cabelos agora bagunçados – Talvez se...

- Talvez se o que? – secou algumas lágrimas com um lencinho – rosa, diga-se

de passagem – que se encontrava em seu bolso – O que Pierre?

- Talvez se eu não fosse um ‘mero escravo’ – respondeu com desdém na voz,

sentando-se na grama – Nós pudéssemos ficar juntos.

- Vosmecê quer dizer que... – seus olhos brilharam de maneira

impressionante, enquanto Pierre apertava as têmporas.

- Quer dizer que eu também te amo. – suspirou, fechando os olhos – Desde a

primeira vez que senti você ao meu lado.

David voou sobre Pierre, derrubando-o na grama escondido sobre uma moita. Ele riu e o rapaz se assustou com a mudança repentina de humor, enquanto este acariciava-lhe a face.

- Vosmecê é tão lindo, Pie – ele beijou-o na bochecha e Pierre corou – Como

você consegue?

- Olha quem fala – ele fechou os olhos, sentindo os lábios quentes do menor

em contato com a sua pele – A princesinha mais linda de todas.

Ele apenas riu e olhou fundo nos olhos de Pierre, enquanto este passeava as

mãos pelas suas costas e cabelos. Aproximou-se vagarosamente, sentindo a

respiração ofegante do maior próxima de seu rosto.

- Pie eu... – Pierre levou os dedos aos lábios de David, calando-o.

- Não diga nada – retirou o dedo e, com um sussurro, repetiu – Não diga

nada.

Seus lábios foram unidos devagar, ambos sorrindo. Pierre sentia cada

pedacinho da boca de David contra a sua, enquanto o outro fazia o mesmo. As

carícias nas costas não se cessaram em momento algum, e agora as mãos do

menor se encontravam nos cabelos de Pierre, bagunçando-os sem dó. Um beijo

que diria tanto mais tarde. Um beijo apaixonado, de amor dos dois lados.

Separaram-se, ambos ofegantes e sorridentes, sem perderem contato com os

olhos.

- Eu te amo Pie. – suspirou, escondendo o rosto em seu pescoço – Te amo.

- Eu também David. – permitiu acariciar seus cabelos, devagar – Te amo.

Os mimos se estenderam durante um longo tempo, até que decidiram se arrumar

para continuarem na festa. O que eles não contavam era que, por ironia do

destino, alguém havia visto o momento ‘eu-te-mimo-e-você-me-mima’ dos dois.

Notas finais
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