Singularity | jjk + pjm
1 Capítulo Único
PARK JIMIN
Ouvir sua voz sempre foi como ter um bom sonho durante a madrugada e acordar relaxado na manhã seguinte. Seu tom baixo que me envolvia de forma tão firme, tirando-me de órbita, me fazia acreditar que tudo era possível, que se estivéssemos juntos nada seria capaz de nos ferir ou separar.
Eu era um grande tolo.
Sentir seus braços em minha volta sempre foi como um refúgio, como uma certeza de que éramos infinitos e nossos sentimentos jamais se perderiam com o tempo. Era bom pensar que nem um furacão seria capaz de nos devastar, e que foi uma pequena brisa que me tirou do meu lugar de conforto.
Uma pequena brisa parecida com um desapego que veio de somente um dos lados.
Ainda assim, eu insisti.
Beijar você era como sentir meu corpo inteiro esquentar em pleno inverno. Nem a neve seria capaz de me congelar enquanto tivesse seus lábios grudados aos meus ou entrando em contato com minha pele, principalmente na região do pescoço onde me causava arrepios e cócegas.
Você era como uma arma para me destruir.
Só percebi isso quando o tiro me atingiu.
E foi com força.
Estar ao seu lado sempre me trouxe segurança. Era como se apenas ter sua presença fosse o suficiente para eu me tornar à prova de balas ou algo assim. Me sentia protegido, como quando era criança e meus pais seguravam minha mão para me ajudar a enfrentar algum medo bobo que eu tinha.
Mas ao seu lado meu único medo era perdê-lo.
Nos seus braços eu encontrava a paz que precisava, encontrava o alívio para os meus problemas, a felicidade para os meus dias, encontrava todos os sentimentos que somente você foi capaz de despertar.
Mas sabe o que é pior, Jungkook?
Você sempre soube das minhas fraquezas e jamais usou delas para me ferir. Então você se tornou a minha maior fraqueza e foi embora, sabendo que não precisava de nada além disso para me destruir.
Eu disse que você era uma arma contra mim, não é?
Mas levou muito tempo para que eu fosse capaz de perceber. É o que o amor nos faz, não é? Ele nos cega, nos deixa incapazes de enxergar o lado ruim daquele que gostamos de tal forma, nos faz ver somente um lado bom que talvez nem mesmo exista.
Nós vivemos uma mentira.
Eu fui um grande idiota, essa é a verdade.
Durante seis anos me permiti ser tratado como segunda opção, me permiti ser um grande idiota, porque pensava que seu jeito de me amar era diferente dos outros, mas que no fim ainda era amor.
Só que não era.
Você nunca me feriu diretamente, mas nem por isso dói menos.
Você usou meu maior medo contra mim mesmo após prometer que jamais iria me machucar, garantindo que sempre tomaria conta de mim, que sempre estaria ao meu lado. Você prometeu que iríamos casar, ter uma família, que ficaríamos juntos e nada seria capaz de nos impedir disso ou de nos separar.
Seríamos felizes.
Só eu e você.
Quando isso deixou de ser o bastante? Quando eu deixei de ser o suficiente?
Todos os elogios, todos os abraços, todos os sentimentos...
Tudo somente uma grande mentira, criada para enganar e maltratar um coração puro e apaixonado.
Quando começamos a namorar eu tive medo de confiar, porque já havia sido magoado e não queria sofrer de novo. Quando foi que me permiti inundar-me de suas mentiras? Quando foi que me submeti a um relacionamento que me fazia mal e eu era o único a não perceber?
Será que alguma sequer sílaba chegou a ser para valer?
Algumas vezes duvido disso, duvido até mesmo de seu nome.
Mas como não iria duvidar?
Todas as noites me deitava ao seu lado, dizia lhe amar e era retribuído em palavras. Eu me escorava em seu peito e lhe abraçava de lado. Você acariciava meus cabelos e minhas costas, desejava-me uma boa noite e prometia que jamais iria me abandonar.
Eu deveria ter suspeitado que tanta bondade era fachada, que seus sorrisos escondiam suas verdadeiras intenções, que seu olhar carregava maldade naquele brilho intenso que sempre me arrepiava.
Deveria ter percebido ser somente mais uma peça desse seu jogo estúpido.
Porque agora, quando deito-me para dormir à noite, sou assombrado por todas essas lembranças, e as lágrimas cortam meu rosto feito navalhas afiadas por suas palavras que foram tão falsas. Agora, ao deitar para dormir, sou vítima do passado que eu queria esquecer, sou vítima dos meus próprios pensamentos. E não tem mais um corpo quente para abraçar, apenas a tristeza para me acolher e o choro para me consolar.
Não existe uma palavra bonita, uma promessa.
Porque promessas são feitas para que sejam quebradas.
E as palavras bonitas um dia perdem a beleza.
Um dia elas só parecem uma grande mentira.
Assim como nosso relacionamento se tornou; é quase uma piada.
Estar sozinho sempre me assombrou. Nunca tive medo de nada além da solidão ou perder você e acabei por experimentar as duas sensações ao mesmo tempo, por culpa de uma única pessoa.
Por que eu era tão dependente? Você era um grande vício e agora me sinto em abstinência.
Mas eu não queria estar assim, não queria estar sofrendo.
Porque por mais que doa eu ainda queria que você estivesse aqui, me abraçando, me acalmando e dizendo me amar.
Seus lábios bonitos poderiam voltar a me contar belas mentiras e eu iria tornar a acreditar, porque te amar ainda me deixa cego, o amor que sinto por você permanece sendo forte e me invade todos os dias sem que eu perceba. Me afundei tanto nesse mar de ilusões e sentimentos falsos que ainda vou acabar transbordando.
Só espero que quando esse dia chegar eu já tenha te superado, porque ao invés de transbordar vingança, transbordarei indiferença. Pode ser que um dia você volte atrás de mim e eu espero já ter aprendido a viver sem sua presença, espero poder dizer que não o amo mais, dizer que segui em frente.
Espero poder dizer que aprendi a me amar.
E que ficar sozinho foi o que me ensinou a ter amor próprio em primeiro lugar.
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