Singularidade
1 Adeus doce vida cotidiana.
Oi, meu nome é Saulo! Sabe... raras são as oportunidades que surgem em nossa vida que podemos dizer “nossa! Minha vida vai mudar por completo, vou ter tudo que eu sempre quis.”
Acho que poucas pessoas no mundo podem dizer que receberam essas oportunidades, eu queria ser uma delas, queria chegar e dizer que eu recebi uma grande oportunidade e consegui tudo que eu sempre quis, mas pra ser sincero não foi isso que aconteceu, o mundo real é diferente, injusto eu diria, não é como se fosse uma história em quadrinhos, um filme ou um desenho animado, nem sempre a mudança que por ventura pode acontecer na sua vida será algo que você quer, nem sempre o final será feliz.
Nos meus vinte e poucos anos de vida eu passei por muita coisa, coisas legais aconteceram sim, tanto quanto coisas não tão legais assim, mas parando pra pensar um pouco, coisas não tão legais aconteceram pra bastante gente ultimamente.
Bem, pra ser bem direto... muitas dessas coisas não tão legais aconteceram principalmente depois que o mundo acabou.
Não há uma maneira mais simples de resumir isso, anos atrás um grupo terrorista fez o impensável, ou melhor, algo digno de um filme do James Bond, eles roubaram projetos secretos e outros nem tão secretos de nações com poder para começar a terceira guerra mundial e se armaram pra começar uma, infelizmente o 007 não existe, então, como impedir alguém que pode começar uma guerra mundial usando as mais mortais armas já criadas? Bom, ninguém impediu, mas se enganou quem achava que eles começariam uma guerra, o que aconteceu foi um massacre, um golpe no orgulho das nações mais poderosas do mundo. Governos do mundo todo começaram uma caçada pelos responsáveis, coitados, sabe o que faz uma organização terrorista ser perigosa? Ela não tem rosto, ou melhor, ela tem muitos rostos, assim mesmo se você cortar um galho ou até o tronco as raízes ainda estarão lá, profundas, cravadas embaixo dos nossos pés. Exércitos do mundo todo em uma mega operação encontraram em uma caverna em determinado local a base dos inimigos e fizeram o esperado, destruíram o tronco da organização, mas como eu disse, mesmo se você cortar o tronco as raízes ainda estarão lá, e elas estavam, estavam em baixo dos nossos pés, poucas horas depois da destruição do QG do grupo terrorista, sem aviso, sem chance de reagir, Washington, Nova Iorque, Xangai, Londres, Moscou, Pequim, Paris entre outras milhares de cidades no mundo todo se tornaram escombros, ao todo o número estimado de vítimas foi de 710 milhões de pessoas no mundo todo, mais precisamente no hemisfério norte, é... devo dizer que os terroristas no final das contas venceram, na verdade eles tinham poder para uma guerra, mas o que eles queriam na verdade era abalar as estruturas do mundo, com o tempo foi descoberto que a maioria das armas criadas com os projetos usados foram destruídas nos ataques ao QG terrorista, eles não podiam mais usar aquilo de novo, seus engenheiros estavam mortos, tudo que restou foram soldados rasos espalhados pelo mundo, mas ainda assim a vitória foi deles, 710 milhões de pessoas mortas onde as nações mais poderosas do mundo menos esperavam, o hemisfério norte do mundo se tornou um enorme cemitério, depois disso tudo, demorou para que o mundo entrasse novamente nos eixos, a estrutura política e social naqueles países começava a voltar ao normal, novas potências nasceram, o mundo realmente mudou depois de ser esmagado pela ira e loucura do ser mais assustador que já pisou na face da terra, o próprio homem.
Hora de ir pra parte que eu entro nessa história toda, então vamos pra um resumo de algumas coisas que aconteceram um tempo atrás que me fizeram chegar onde estou hoje, antes que eu me esqueça... vou deixar claro que não é algo espetacular, é apenas como aconteceu.
Pra ser sincero eu não sei bem os motivos, mas eu nasci com uma estranha habilidade, não, não é um super poder, pelo menos não é isso que eu considero, essa habilidade é bem simples, por alguma razão eu tenho controle do meu corpo em um aspecto especial, quando eu era criança se eu me machucava eu não sentia dor, quando naturalmente a dor é um sinal de alerta que tem algo errado, mas comigo era diferente, eu inconscientemente inibia a dor. Com 8 anos de idade depois de fazer muitos exames fui mandado pra um lugar chamado E.C.A.H.A. que queria dizer education center and human analysis, pra resumir era uma espécie de escola onde um monte de gente como eu estudava e era feito de cobaia, uma escola com dupla função eu diria... mas apesar disso tudo se parecer muito com os X-Men não tem nada a ver, pois não somos super-heróis, temos super poderes, e nem estávamos sendo preparados para sermos os salvadores de alguma coisa, nós apenas éramos cobaias sendo vigiados de perto, que para não crescermos burros recebemos educação naquela escola, mas uma coisa eu reconheço, os 9 anos que passei lá foram importantes pois aprendi a controlar essa estranha habilidade, ah... sobre essa habilidade, aparentemente depois dos atentados muitas crianças nasceram com singularidades desse tipo, muitos dizem que é efeito de um tal gás liberado na atmosfera depois do ataque a Pequim, aparentemente esse gás era inofensivo por isso deixaram passar até se dissipar por completo, isso não explica como gente como eu do outro lado do planeta foi nascer com essa mutação ou seja lá como eu devo chamar, mas prefiro não pensar nisso agora.
Aos 17 anos eu fugi daquela escola/laboratório, acontece que eu não era prisioneiro lá, nenhum de nós era, eu lia histórias em quadrinhos, assistia filmes, assistia TV, além disso meu pai mesmo quando eu era criança já me dizia “gentileza nenhuma nesse mundo vem sem um preço, era assim no mundo antigo e é assim principalmente nesse,” sei lá, mas parece que os pais sempre tem razão, eu descobri depois disso ouvindo uma conversa escondido algo que até parece um clichê, um clichê enorme, nós estávamos sendo preparados para virarmos armas vivas do exército, pois é, não mencionei, depois do “dia de fogo” que é como aquele genocídio ficou conhecido, as estruturas do mundo mudaram como eu já disse, o continente americano inteiro por exemplo se tornou um enorme bloco econômico, inúmeras razões levaram a isso, políticas, energéticas e principalmente financeiras, as pessoas não reclamam disso já que muitos países foram salvos por isso, uma curiosidade é que se passaram mais de 15 anos que o continente se uniu, no geral eu gostei disso, grande parte do poderio econômico, tecnológico e cultural dos países do norte do continente vieram para o hemisfério sul, basicamente eles mudaram o que sobrou dos EUA e Canadá pra cá, ou quase isso, uma colonização moderna sem mudar a cultura já existente, apenas acrescentando... era isso o que eu pensava, mas essa ideia era utópica demais, percebi isso depois que fugi da E.C.A.H.A. no geral tudo era incrível, realmente, mas juntar duas culturas diferentes, o sangue quente latino com o ar de superioridade de grande parte de nossos novos vizinhos era problemático, mesmo em uma mega nação, rica e tudo mais, ainda existe um problema, as pessoas, isso mesmo, por mais que parecesse que o país tivesse se tornado fantástico vários conflitos aconteciam, uma grande razão era que a qualidade de vida da minoria que veio das potências do norte do continente era melhor que as das pessoas daqui, isso se explica da seguinte forma, os americanos e canadenses em tese eram mais preparados pro mercado de trabalho que os donos da terra, a base da economia estabelecida aqui eram de empresas que sobreviveram ao dia de fogo, então não é de se estranhar que os que vieram da “América rica” conseguissem os melhores empregos, fora isso a educação deles era bem melhor que a nossa, não era culpa deles e nem nossa, mas alguém tinha que ser culpado, porque o ser humano sempre quer culpar alguém, então por isso meio que havia uma divisão entre povos dentro não só do Brasil como dos outros países do bloco.
Eu sempre pensei no que eles fariam se descobrissem que existem pessoas como eu, se eles já se odeiam por coisas idiotas como quem ganha um salário melhor, imagina o que fariam com alguém que tem habilidades que eles não tem, acho que isso sim seria igual nos X-Men, sei lá, tipo uma perseguição, algo do tipo era bem provável, bom, eu voltei pra casa depois que eu fugi, economizei uma grana, roubei mais um pouco dos meus colegas de quarto, quando cheguei na minha cidade tudo que eu queria era viver normalmente, como eu tinha controle sobre essa habilidade isso era possível, se bem que eu podia ter uma habilidade que me ajudasse a passar no vestibular, me pouparia muito suor, mas consegui mesmo assim... em resumo, minha vida seguia um curso normal depois de fugir daquele lugar, o tempo passou e por alguma razão eles não me seguiram, então pra mim estava tranquilo... bem, não muito já que muitos dos meus amigos viraram cães de caça do exército e estavam por aí caçando terroristas e seja lá mais o que for... era estranho, a galera lá da E.C.A.H.A. recebeu um treinamento especial, viraram armas vivas e ainda continuavam fazendo aquilo, eu que só me ferrava nas aulas de combate corpo a corpo consegui fugir sem nenhuma arma, o que foi muita sorte já que a única coisa que eu me destacava lá era no tiro, uma arma teria me ajudado, pois bem, eu achava muito estranho aquilo, eles podiam se rebelar e fugir de lá, bem... talvez eles gostavam daquilo.
Um mundo que virou um caos depois que 710 milhões de pessoas morreram naquele massacre e depois mais milhões foram vítimas da retaliação dos países que resolveram se vingar, mesmo com a reestruturação da sociedade e tudo mais, era impressionante a paz que existia, ou será que aquilo era medo e não paz? Bom, certo dia uma notícia começou a circular em todos os noticiários, um grupo de 5 pessoas foi capturado após tentar matar os líderes da União Europeia, quando eu vi a imagem de um dos “terroristas” na internet eu me assustei, uma garota loira, baixinha, com um olhar frio e cortante não se escondia das câmeras, e o mais impressionante, o policial que a levava disse que ela tentou decapitar o primeiro ministro do Reino Unido, uma terrorista samurai caucasiana, é raro de ser ver, mas não me faria perder o sono, o problema era quem era ela, Ana Shirinova, filha de russos mas nascida no Brasil, ela era minha amiga em E.C.A.H.A. e não fazia o tipo violenta, pra falar a verdade ela era bem chorona, uma vez ela perdeu minhas lentes de contato e chorou por dois dias achando que eu ficaria com raiva dela, ela não andaria por aí matando gente com uma espada, mas as imagens não mentiam, os rostos dos outros 4 foram divulgados um tempo depois, cara, parecia piada mas não era, eu conhecia os outros 4 e outro deles também era meu amigo, Davi Ramires, cara gente boa, mas bem, não parecia tanto assim, já que as informações diziam que ele sozinho matou 16 guardas, e havia um vídeo dele arrancando uma placa de sinalização com as mãos e jogando na polícia. Os dias seguintes foram complicados pois o vídeo do Davi viralizou e as autoridades começaram a pressionar o governo do nosso país por respostas já que os presos eram daqui, o governo dizia que não sabia de nada, enquanto o governo negava mais líderes eram atacados e mais vídeos divulgados, e então foi criada uma força tarefa para encontrar o que eles chamavam de “anormais”, um dia um médico amigo do meu pai ligou na minha casa e disse que queria conversar com ele e que eu devia estar presente, coisa boa não era, aquele médico era o mesmo que me examinou e cuidou do meu caso quando eu era criança, ele tinha todo tipo de ficha sobre minha singularidade, então ele disse...
– A força tarefa foi em meu consultório e em minha casa hoje, eles descobriram sobre você!-
Parecia que meus dias de paz tinham acabado, isso era bem frustrante e assustador já que eu não sabia o que ele poderiam fazer comigo se me achassem e era só questão de tempo até isso acontecer.
Depois que o doutor foi embora eu comecei a pensar no que fazer mas não tinha ideia, meu pai também não, e olha que um escritor de livros de fantasia e mistério sem ideias é raro de se ver, por mais que nós pensássemos não havia solução, então contamos tudo pra minha mãe, ela sugeriu que nós nos mudássemos pra um lugar bem longe, mas seria complicado, eu não podia fazer eles largarem os empregos para fugirem por minha causa, então depois de pensar muito eu subi ao meu quarto, depois de uns 40 minutos eu desci com uma mochila nas costas, eu havia pego tudo que precisava, as coisas que eu mais gostava e dinheiro que eu tinha guardado, minha mãe me olhou e gritou...
– NEM PENSAR!-
Ela sabia o que eu pretendia fazer, e sabia que não me impediria também, mas mesmo assim ela gritou, esbravejou e tudo mais, meu pai permanecia calado, parecia calmo...
– Você tem certeza disso?- Ele disse.
– Sim! Respondi.
Meu pai com os braços cruzados virou pra minha mãe e disse...
– Ele sabe o que faz, pelo menos é o que eu acho, vamos deixar ele ir. –
Minha mãe apenas ficou calada e fez sinal de positivo com a cabeça.
Eu virei as costas para eles e fui saindo pela porta, tentei parecer legal dizendo...
– Até a próxima, vocês não vão se livrar de mim tão fácil.-
Depois ouvi minha mãe gritando...
– Não esqueça de mandar notícias entendeu?-
Eu só levantei a mão e fiz um sinal de positivo, não disse nada, achei que ela merecia ficar com as últimas palavras naquele momento.
Assim a história começou, a aventura do cara que queria proteger sua família saindo de casa e indo pro mundo sozinho. Por alguma razão isso parece um enredo de um livro escrito pelo meu pai.
Bom, depois desse passeio pelo caminho que me trouxe até onde cheguei, chegou a hora de ir para o presente...
Adeus doce vida cotidiana.
Curitiba é realmente uma cidade bem fria, já me acostumei com o frio, mas mesmo assim eu sou de uma região do Brasil que o frio não é tão intenso, além disso ter que acordar cedo pra trabalhar encarando 7 graus não é legal, por mais que eu esteja agasalhado o frio encontra um lugar pra passar, apesar disso eu amo o inverno. Já fazem 3 anos que eu saí de casa pela última vez, ainda falo bastante com meus pais pelo telefone, as coisas esfriaram um pouco, então eu estou pensando em fazer uma visita a eles no final do ano, minha irmã eu vi a pouco tempo, ela veio a cidade em uma viajem da faculdade, conversamos por umas horas e então ela teve que voltar pro hotel, foi divertido até... bem essa é minha vida agora, pacata, entediante, longe de casa, com um emprego em uma emissora de tv que não deve demorar para fechar as portas, moro em um apartamento comum, em um prédio comum, num bairro suburbano comum, acho que não posso reclamar disso, essa era a vida normal que eu queria, sem me preocupar com agentes federais na minha cola.
Depois de mais um dia normal de trabalho, com um frio digno do que eu senti pela manhã eu chego no meu prédio, cumprimento o porteiro como sempre, pego o elevador até o quarto andar, chego na porta do meu apartamento, ascendo a luz e...
– AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!-
A razão do grito é simples, tem um garoto no meu sofá, o maldito fica me encarando, sério, essa foi de fato até o momento a coisa mais bizarra que já me aconteceu, um adolescente cabeludo que aparenta não ter mais que 17 anos, usando uma camiseta do Foo Fighters por baixo de um moletom vermelho, eu sempre quis ter um moletom vermelho e uma camiseta da Foo Fighters, mas isso não vem ao caso, o importante aqui é que esse nanico de merda invadiu minha casa... .
– Quem é você merda? – Pergunto irritado.
– Você é o Saulo né? – Ele me pergunta com um rosto preocupado.
– Primeiro me responde! – Continuo irritado.
– Foi mal entrar assim, mas você é o único em que eu posso confiar.- Ele diz olhando nos meus olhos.
Cara, quando eu ouvi aquilo eu já pensei na hora “ vish, deu merda pro meu lado...” já que quando um estranho entra na sua casa e diz que só pode confiar em você, coisa boa não é.
– Como?- Pergunto confuso, torcendo pra aquilo ser só um mal entendido.
– Eu estive te procurando pelos últimos 5 anos, você é o único que pode me ajudar.- Ele diz com um semblante ainda assustado.
– Calma, calma, primeiro, quem é você? Segundo, como me achou? Terceiro, em que eu posso te ajudar? – Nessa eu pareci bem legal hein... tentando deixar ele calmo.
– Desculpa! Meu nome é Marvin Buster, eu te rastreei por meio das suas ligações de celular para sua família e usei algumas informações que eu roubei da Corrente pra me ajudar nisso. – Ele diz tudo isso de uma forma tão natural que até assusta.
– Você me grampeou? – A resposta é meio óbvia...
– Sim!- Marvin responde sem titubear.
– Ah... então, o que só você pode me ajudar é me escondendo aqui. – Pelo sorriso no rosto dele ao dizer isso eu imagino que ele acha que eu vou topar.
– Cara, você é maluco? Por que justo eu? – Não devia ter perguntado.
– Acontece que os arquivos que eu roubei da Corrente são valiosos demais, e agora eles estão atrás de mim, nunca te estranhou o fato de ninguém da E.C.A.H.A. nunca ter ido atrás de você? Você deve ter pensado nisso pelo menos uma vez...- Ele diz isso bebendo suco.
– Nem pensei tanto nisso. – Claro que é mentira minha.
– Pois então, meu irmão foi mandado pra essa mesma escola que você, com o passar do tempo ele não entrou mais em contato com minha família, então resolvi hackear a E.C.A.H.A. e quando consegui tive acesso a um monte de fichas médicas, características das habilidades de cada um de vocês, endereços das famílias e tudo mais, mas nada sobre meu irmão, só esses relatórios e fichas, mesmo assim eu salvei tudo que achei, mas fiquei com medo de me acharem depois e então por isso elaborei um plano de contingência, pelas câmeras eu vi você tentando fugir de lá, então entrei no sistema de segurança do lugar e desativei a segurança automática pra que você pudesse fugir com mais facilidade e depois apaguei todos os arquivos que eles tinham sobre você, o próximo passo era te encontrar depois daquilo e explicar tudo... mas isso levou mais tempo que eu imaginava, 5 anos pra ser mais exato, isso pelas mais variadas razões e também eu tinha medo de você não acreditar em um garoto de 12 anos. –
Com essa explicação dele, deu vontade de me desculpar por pensar em negar ajuda a ele.
– Pera aí... você tem 17 anos? – Pergunta idiota enquanto eu assimilo tudo que ele disse antes.
– Sim, por quê? – Ele pergunta com uma expressão de quem realmente está curioso pra saber.
– Nada... esquece! – Me envergonho em dizer, mas eu tô feliz por ter acertado na suposição sobre a idade dele.
Sinceramente pra mim seria impossível negar ajuda a ele agora, se não fosse por ele eu não teria escapado daquela escola ou seja lá o que for, e provavelmente teriam me encontrado a muito tempo e na melhor das hipóteses teriam me mandado de volta.
Com tudo isso, uma dúvida ainda persistia...
– Marvin, você falou algo sobre a Corrente, o que é? – Devia ter feito essa pergunta antes.
– Não sei muito os detalhes, mas de acordo com os arquivos que eu salvei, a E.C.A.H.A. servia como centro de pesquisa da Corrente, não consegui ler tudo. – Dúvida tirada, ou parte dela...
É óbvio que ele veio atrás de mim achando que eu sou capaz de protegê-lo caso venham atrás dele, mas ele deve saber que eu não tenho habilidades em combate corpo a corpo, minha singularidade não é nada de impressionante, ele deve saber disso tudo, a final de contas ele viu todos os relatórios dos alunos da E.C.A.H.A. e então ele sabe que eu sou tão normal quanto ele, talvez se ele tivesse trazido algumas armas eu poderia ajudar, já que meu aproveitamento em tiro era um dos mais altos entre os alunos daquele lugar, mas ele não parece ser do tipo que carrega armas.
– Er... me diz que diabos é Corrente! – Sem muito mais o que perguntar, tento tirar minha última dúvida.
– Pelo que eu consegui ler lá, a Corrente é um tipo de organização, uma espécie de CIA sem burocracia, os detalhes eu não sei te dizer... – Marvin disse enquanto pegava algo na mochila.
Cara, isso é loucura! Eu imaginei que algo ruim viria disso tudo, imaginei que algo parecido aconteceria, mas saber que a Corrente é uma organização de espiões ou coisa parecida fez um frio subir pela minha espinha... tô ferrado!
– Tá aqui...- Marvin me entrega um pen drive .
– Pra quê? – Pergunto com medo da resposta.
– Aí estão todos os arquivos que eu baixei do banco de dados deles, tudo sobre vocês, inclusive sobre você. –
Ele diz isso com o dedo no nariz, sério... ele estragou a atmosfera do momento fazendo isso.
Pego meu notebook, abro os arquivos e acho uns arquivos sobre mim...
– Cacete! Isso é sério? – Não sabia como reagir, mas não era algo ruim, na verdade está mais pra incrível.
– Você viu seu arquivo né? – Marvin pergunta enquanto assalta a minha geladeira.
– Você sabia disso Marvin? –
– Claro, eu li os arquivos sobre todos vocês. – Falando com a boca cheia.
Na verdade o que tem no arquivo é algo fantástico sobre mim, sabe, eu sempre achei minha singularidade ou habilidade, seja lá como for algo útil, mas nada de muito especial, considerando principalmente o que eu vi o Davi fazer naquele vídeo 3 anos atrás, mas o que consta no meu arquivo é que eu não posso apenas inibir a dor, na verdade meu controle sobre meu corpo me permite controlar diversas funções como acelerar o processo de cura dos meus ferimentos, elevar os níveis de adrenalina do meu corpo a níveis altíssimos e até mesmo controlar o meu metabolismo como eu quiser, cara... acho que vou chamar isso só de singularidade a partir de agora, porque isso já passou do ponto de ser uma simples habilidade, ficar sorrindo como um maluco sem parar faz parte dessa singularidade também? A verdade é que eu estou muito feliz, por mais que eu não tenha planos de enfrentar vilões e nem nada, saber que o motivo que me levou pra longe de casa por tanto tempo era mais que uma simples habilidade de ser uma morfina pra mim mesmo é ótimo pra minha autoestima.
Preciso agora saber como isso funciona...
– Marvin, você sabe como isso funciona? Não tem nada aqui sobre como usar cada uma dessas coisas. –
Que pergunta idiota, como ele saberia?
Marvin vem da cozinha com um pedaço de torta e uma faca na mão, e então...
– AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAI PORRA! –
Marvin crava a faca na minha mão direita que está apoiada sobre a mesa, agora sangrando muito, mas não está doendo pois eu inibi a dor, mas o sangue já sujou um pouco a mesa.
– VOCÊ FICOU MALUCO? – Eu grito muito, as vezes é irritante.
– Tire a faca e cure a mão, não deve ser difícil pra você. – Marvin diz isso com uma calma assustadora.
– Como você acha que eu vou fazer isso? Descobri que eu posso fazer e não que eu consigo! –
Realmente não faço ideia de como curar minha mão, enquanto isso a faca que eu tirei da minha mão estava lá encima da mesa toda suja de sangue.
– Como você inibe a dor? – Ele me pergunta como se soubesse de algo.
– Eu só penso em parar a dor, apenas isso. – Respondo imaginando onde ele quer chegar.
– Pois é isso Saulo, o princípio deve ser o mesmo, basta seu cérebro executar o comando e seu corpo faz. – Ele diz isso como se fosse garantia que dará certo.
– Bom... não custa tentar –
Que frase infeliz a minha, se der errado vai me custar uma ida ao hospital.
Olho pro buraco em minha mão e imagino ela como antes, não demora muito e o sangramento para e logo em seguida o ferimento começa a se fechar, em menos de 3 minutos o ferimento havia se fechado por completo.
Na boa, vendo aquilo eu me senti o Wolverine ou o Deadpool... não o Deadpool não, ele é feio pra caramba, Wolverine mesmo.
– No meu arquivo não consta que eu tenho garras de adamantium, ou consta? –
Piadinha depois de quase ganhar vários pontos na mão, o que a felicidade não faz com um homem.
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