Single Ladies (put a Ring On It)

2 Falls R Hurting 'N' Climbs R Tiring


Notas iniciais
Personagens e seus semblantes: - Nichole (Beyoncé) - Lila (Avril Lavigne) - Bruno (Justin Timberlake)

CAPÍTULO 2 – Falls R Hurting N Climbs R Tiring

Karen PDV

Voltei à cantina; sentia-me ressentida. Eu tentara ajudar minha – por mais que fosse difícil de aceitar – irmã. Por mais mal que ela faça a mim e às minhas amigas, isso não quer dizer que eu também a queira ver mal. Acho que para ela, as barreiras sociais são as maiores. De gente assim, o mundo tá cheio.

Entrei na cantina e joguei-me no canto junto a pia. Mayra me lançou um olhar lamentando e Flora... Bem, eu não sabia onde a Flora tava. Bonnie parou a minha frente, com as mãos na cintura.

— Onde é que você tava, garota?! – perguntou ela, ríspida. – Tá achando que minha cantina é o terreiro de macumba da mãe Joana, é o puteiro da Madami Sufia?! Não tem essa aqui não. Dá próxima vez que sair sem avisar, não vou perdoar, okay? Pareço boazinha, mas não sou meu bem, não sou... – ela saiu por aí, resmungando.

— O que houve? – perguntou Mayra, beliscando uma bomba de chocolate e colocando um pedaço na minha boca.

— Ah, obrigada Mayra... – agradeci. Tentei conter meus olhos, pressionando minhas pálpebras – Fui tentar conversar com a Chelsea.

— Karen e sua mania de tentar ser boazinha com todo mundo. Isso ainda vai te ferrar muito amiga. – disse ela, com desdém.

— Hunf, obrigada pela parte que me toca. – disse eu, tirando meu avental e minha touca, já que nosso expediente tinha acabado e íamos voltar para a aula.

— Vamos subir, moças! – disse Bonnie, batendo palmas para nos alertar. – Espero um desempenho melhor de vocês hoje, durante o almoço.

Subimos as escadas e demos de cara com Flora.

— Menina, onde você tava? – perguntou Mayra, apreensiva. – Eu trabalhei duro hoje e a Karen tava lá tentando animar a... a Patricinha lá. – completou.

— Ah Mayra, não vem dar a bitch pra cima de mim, não... – disse Flora, esquivando do assunto. – Eu tô... mal! – disse Flora, passando a mão no estômago.

— OMG, Flora... – Mayra e eu tentamos segurar a risada. – Desculpa, mas é difícil imaginar logo você numa situação dessas... – disse, indo logo para a sala, para escapar de uma possível repreensão.

— Que foi, eu sou mulher também. Também tenho que sofrer essas porras nessa minha bitch life! – disse ela, desesperada. Ela passava a mão no estômago direto e tava suando.

Sentamos em nossas respectivas carteiras, eu na frente, Mayra ao meu lado e Flora atrás de Mayra, enquanto a professora entrava na classe. Bem pontual, ela fechou a porta e se caminhou até sua mesa. Ela deixou a bolsa que carregava pendurada na cadeira e deixou um pacote com testes e exames em cima da mesa.

— Olá, meus queridos alunos, eu sou a Miss Nichole, mas como vamos passar um ano letivo, juntos, a partir de agora podem me chamar de Nichole ou Nich, como preferirem. Sou a professora de Língua Inglesa de vocês. Prazer em conhecê-los. – disse ela, sorrindo para nós. A professora era realmente muito bonita, até sensual, mas parecia ser uma pessoa séria, pelo menos em classe. Vamos começar com os verbos do Passado Simples... – disse ela, abrindo uma cartilha. – Suponho que vocês devem saber pelo menos... dez verbos irregulares no passado. Agora deem-me o passado dos verbos que vou falar. Verbo To Go.

— Went. – dizia a classe em coro. Tentei prestar atenção, mas não vou negar que sempre fui uma ótima aluna em Inglês. Mas o que me tirou a distração foi um bilhetinho que acertou minha cabeça. Olhei para trás, porém não vi nenhum sinal de quem jogara, só a carteira vazia atrás de mim.

— Verbo To Say...

— Said.

Abri o bilhetinho, e pela folha de caderno, notei que não era coisa nem da Flora nem da Mayra.

“ Karen... se eu tivesse você, o dinheiro e a fama jamais iriam competir... “ – Bruno .

— HAHAHA – ri alto.

— Contei alguma piada, Senhorita Karen? – perguntou ela, com os lábios inexpressíveis, porém com os olhos findados em mim.

— Er... Ah sim, claro, verbo to say... Passado, said. Eu said isso! – disse eu, improvisando. Putz, aquela piada ia me render uma suspensão.

— HAHAHA – Nichole deu uma risada sarcástica. – Só vai continuar na sala porque eu gostei da sua saída criativa, e... Não há coisas ruins no seu histórico escolar. Então, se for pra trocar bilhetinho, troque em silêncio, e preste atenção na aula, porque na prova eu vou saber se você realmente presta.

Ela então prosseguiu com a aula; Bruno, Bruno... quem seria o Bruno? Olhei para trás e então vi alguém acenando para mim. Devia ser ele o tal Bruno. Acho que conhecia-o de vista... ou não. Ele parecia sério. Não era brincadeira. Olhei novamente pro seu rosto. Algo me fez sorrir. Acho que era minha falta de jeito, ou era o excesso de jeito que ele tinha. Ou os dois.

Ele jogou outro bilhete, que dessa vez acertou minha testa. Gargalhei baixo para não chamar a atenção da tia Nich – olha a intimidade.

“ Quer sair comigo? (: “

Sorri e comecei a escrever no bilhete.

“ Adoraria ^-^ “

Acho que nunca alguém fora tão... fofo comigo. Joguei o bilhetinho para ele, discretamente. Flora e Mayra viram e se entreolharam surpresas. Ele abriu e leu o bilhete, sorrindo.

O sinal tocou; como hoje era o primeiro dia, não tínhamos as duas últimas aulas. Mayra e Flora vieram logo sentar nas carteiras que vagaram ao meu lado. A sala toda já tinha esvaziado.

— Karen, quem era o boy que tava mandando bilhetinho pra você? – perguntou Mayra, dando um tapa no meu ombro.

— Vou ser sincera, bitch, você só pega afeminado – disse Flora, com uma voz meio sarcástica e meio com dor.

— Ai, não fala assim dele – disse eu, rindo. – Ele é gente boa. Me chamou pra sair hoje à tarde. Vou ter que matar o cursinho e matar o expediente na cantina. Logo no primeiro dia...

— Ah, acho que vou fazer isso também... Tenho alguns assuntos pra resolver... – disse ela, deixando um ar de curiosidade na gente.

— Ok, eu cubro vocês no trabalho... Amigas servem pra isso – disse Flora, dando um beijo em nossas bochechas e deixando-nos ali.

— Professora, a senhora se importaria de dar uma carona para mim? – perguntou Mayra, levantando-se e chegando mais perto dela.

— Claro, mas vai levar uma detenção se me chamar mais uma vez de senhora. – disse ela, rindo. Mayra piscou. – E a senhorita trate de prestar mais atenção na aula – disse ela, apontando pra mim. Assenti, sorrindo.

— Já to indo Karen, kisses baby. – disse ela, mandando um beijo pelo ar.

Flora PDV

— AAAH BONNIE, ME AJUDA, EU TÔ MORRENDO! – disse, me jogando nos braços de Bonnie. – Me ajuda, me ajuda! – me sentei na cadeira e fiquei mexendo as pernas sem parar, porra de dor.

— Que isso Flora?! O que tá acontecendo?! Mordida de cobra?! Intoxicação alimentar?! Estupro, violência sexual, tortura?! – perguntou Bonnie, dedesperada, tentando me ajudar.

— TENSÃO PRÉ-MENSTRUAL! – gritei, nossa, eu tava ridícula, toda boba. Como se eu nunca tivesse suportado dor maior. – EU VOU MORRER, É A PIOR DOR QUE EU SENTI NA MINHA VIDA!

— Eu... eu... nunca fui tão ofendida na minha vida! – disse ela, levantando-se e erguendo as mãos. – Eu lavo minhas mãos, garota. Eu faço Medicina, já ajudei tanta gente com problema sério e você aí gritando de dor por causa de uma coisa que acontece todo mês?! Quero só saber como sua mãe lida contigo, garota. – fiquei calada naquela hora e parei de me mexer. Ela notou. – Me desculpa, eu não queria falar isso, eu... não sabia que... sua mãe...

— Tá tudo bem Bonnie, é que... sei lá, as pessoas me vêm como eu sou por fora, acham que eu sou durona e que não preciso de ninguém para me proteger. Eu sinto falta disso. – disse eu, dando de ombros.

– Esses aqui são os melhores que eu tenho pra cólica. Use só um, por dia que você tiver essa cólica. – ela me abraçou e me entregou uma cartela de remédios.

— Muito obrigada, Bonnie. Obrigada por me dar um mínimo de compreensão. Ah, e eu vou cobrir minhas amigas hoje na cantina. – sorri. Até parecia que a dor tinha passado, tenso.

— Suas amigas têm muita sorte. – disse ela, piscando.

— Obrigada por me entender. Sabe, eu sempre me achei uma anomalia porque meu pai achava assim. Aí, eu descobri que ninguém é perfeito. E que eu não posso exigir tanto de mim, e...

— E você é uma das pessoas com mais personalidade que eu já conheci. – ela sorriu. Eu não me sentia daquele jeito há muito tempo, talvez desde que eu conheci Karen e Mayra, ou até mesmo minha mãe morreu...

— Obrigada por me compreender com tanta intensidade. Obrigada por não me fazer sentir vulnerável, e principalmente, me fazer sentir mais forte.

Mayra PDV

— Wow, Nich... Carrão lindo, hein – disse eu, sentindo o capô, as portas... Os bancos estofados perfeitos. – Nunca tinha visto um Porsche de perto.

— Pois é, comprei com a herança que meu ex-marido deixou. – disse ela, girando a chave. – Eu sou viúva. – disse ela, colocando uma foto do marido nas minhas mãos.

— Oh, meus pêsames, sinto muito por você – disse, passando a mão no ombro dela – Eu entendo como é a dor de perder alguém tão especial, e...

— Não sinta. Eu aprendi muito depois que ele morreu. Eu ia todo santo dia ao túmulo dele. Então, depois – dizia ela, enquanto rasgava a foto do marido – notei que ele não iria gostar de me ver infeliz. E eu não iria gostar de vê-lo infeliz. Então, se ele viveu a vida inteira para me fazer feliz... eu não posso jogar minha felicidade fora, agora que ele tá morto. – ela soltou os pedaços da foto – A lembrança vai ficar pra sempre, mas já passou. Agora, é olhar pra frente.

— Uau, filosofia – disse, rindo. – Meus parabéns por ter conseguido enfrentar isso de mente aberta.

— Onde quer que eu te deixe? – perguntou ela.

— Acho que na Prefeitura, está de bom tamanho. – disse eu, sorrindo. – Agora... você está com o que eu pedi para você me trazer? – perguntei, discretamente, não deixando transparecer o que estávamos fazendo.

— Pegue no guarda-luvas – ela olhou pelo retrovisor – Aí está a relação de quem deve ser eliminado. E há também os nossos registros sobre todos até o dia de hoje, de manhã. – disse ela, olhando para os lados, sempre prestando atenção na direção. – Lembre-se que não podem haver desconfianças.

— Com certeza não, Nich. – disse eu. O carro foi desacelerando, a prefeitura estava mais perto. Então, eu desci. – Tchau tchau. – disse eu, e ela mandou um beijo.

Chelsea PDV

— Olá, aqui é do departamento de empregos? – aquela voz, eu reconheceria em qualquer lugar. Era a tal Mayra. – Eu estou procurando uma empregada.

— Hm, é sim, com licencinha, que eu já volto, eu só vou... er, buscar um cafezinho pra você, não saia daí – disse eu, colocando alguns arquivos sobre minha face. Ela estranhou, mas deu de ombros.

Ah, o que aquela vadiazinha tava fazendo aqui?! Ela não podia me ver de jeito nenhum. Depois da morte do meu pai, eu vim tomar posse do gabinete. Tava vasculhando os arquivos da prefeitura. Vasculhando leis, projetos, tudo que desse uma brecha para eu poder realizar meus planos.

— Chelsea, quem é aquela hippie fora de época ali na recepção? – perguntou Lila, loira e alta, minha melhor amiga, a única que continuou fiel a mim, mesmo depois da minha queda de popularidade, afinal, perdi meu pai, perdi meu único elo com a sociedade. Mas elas iam me ferrar muito na minha mão.

— Ela tá procurando uma empregada! Provavelmente alguém pra entrar no muquifo dela e das amigas sapatas dela, pra fazer a limpeza lá, já que as princesinhas de porcelana na hora de por a mão na massa, mostram do que são feitas, e... – meus olhos fitaram Mayra, meu sorriso se abriu, ah que ideia maravilhosa. – À altura.

— Como? – perguntou Lila, sem entender muito.

— Lila, ela quer alguém que vai ter acesso ao muquifo dela 24 horas por dia. Sabe o que isso significa? – perguntei.

— Que ela quer um marido? – perguntou Lila, coçando a testa.

— Muito pelo contrário, minha cara amiga loira. – disse eu, fazendo a dancinha da vitória. – Você vai se oferecer como empregada praquela mulher, ou hippie, como você preferir, e vai entrar na casa dela, e coletar informações para mim!

— Ah, que plano perfeito, bate amiga! – ela levantou a mão e eu bati.

— Er... – coloquei as fichas novamente sobre o rosto. – Garota, temos a empregada que você procura. – disse eu, chamando a atenção da nojentinha. – Essa é a Lila, ela lava, passa, cozinha e ainda dá, caso você for sapatona. – ela riu.

— Olá, Lila – ela estendeu a mão e Lila apertou. – Será que você pode começar o serviço amanhã às 9 horas da manhã? Eu vou assinar sua carteira, e tal... – disse ela.

— Claro, vai ser um prazer. – disse Lila.

— Não posso me demorar muito aqui, então... adeus, garotas. – disse ela, mandando um beijo.

— Argh, que nojo... – cochichei. – Lila, agora é contigo, muita boa sorte. – disse eu, deixando o lugar. Caminhei até o gabinete do meu pai.

— Chelsea? – perguntou ele. – Tá aí, linda? Descobriu alguma coisa?

— Tô sim, e não, não descobri nada, mas fiz umas coisas que vão dar bastante resultados para mim. – sorri.

— Que bom, querida. – disse ele, segurando minha cintura e me sentando em seu colo. Ele beijou meu rosto, enquanto eu sorria de um jeito psicótico.

Karen PDV

— Bruno? – perguntei. Ele virou-se para trás e eu vi seu rosto. – Estou aqui, como combinamos. – disse, colocando minhas mãos no bolso, sem jeito.

— Wow, você tá linda – disse ele, abrindo a porta do carro para mim. – Falei errado. Você é linda. – disse ele, piscando. Acho que corei naquela hora.

— Esse carro lindo é seu? – pelo que eu sabia de carros, devia ser um Mercedes-Benz. Ou algo do gênero.

— Sim. Custou muito caro, mas é bem a minha cara. – confortável, bonito, divertido, será que era isso que ele tava querendo dizer.

— Aonde vamos? – perguntei, curiosa. – No cinema, tá passando uma comédia romântica maravilhosa, muitas amigas minhas me recomendaram, e...

— Sim, cinema. Um lugar tão comum. É uma ótima chance de deixar tudo mais divertido, mais... intenso. – muito interessante a linha de pensamento dele. – Ei, são pra você – ele apontou para uma caixa de bombons.

— Não creio, são pra mim? – perguntei. Ele assentiu. – Eu amo chocolates, esses são meus favoritos, muito obrigada, não sei nem como agradecer.

— Só divirta meu dia... – ele riu, e eu ri também. – Sabia que eu nunca tinha te notado? Tive sorte de não ter perdido a chance de te conhecer. – envergonhada, olhei fora do carro. Definitivamente, ele tinha jeito, e eu não.

Flora PDV

— Flora, você trabalhou duro como nunca, estou orgulhosa de você. – disse Bonnie. – Minha primeira impressão de você foi absolutamente errada.

— Obrigada pelas chances e oportunidades, Bonnie. – disse eu, apertando as mãos dela. Tirei o avental e a touca, me preparando para ir embora.

— Olha, Flora, se você quiser ir, pode ir, mas se você quiser ficar mais um pouco, podemos nos divertir. – disse ela, com uma panela na mão. Ela pegou uma colher e retirou um morango coberto com chocolate dali, e mordeu.

— Não imagino duas coisas tão deliciosas assim juntas. – disse eu, me aproximando. – O chocolate e o morango... – peguei com minhas próprias mãos um morango dentro da panela – e você... – passei o morango nos lábios dela, deixando o chocolate ali, que ela mesma se encarregou de tirar.

Coloquei a panela em cima da mesa e segurei na cintura dela. Quando ela passou suas mãos ao redor de mim, senti o calor de seu corpo. Seus lábios doces finalmente encostaram nos meus. Eu não tinha aquela sensação há tempos.

Coloquei-a sobre a pia, e tirei o avental dela. Abri o casaco que ela usava, e por baixo, uma lingerie sensual. Agachei-me, levei meu nariz e meus lábios de encontro com sua coxa. Acariciei suas costas, enquanto sentia seu abdômen. Tudo naquela mulher parecia ser perfeito. Mordi o feixe de seu sutiã até que ele soltasse. Peguei a panela e passei chocolate na colher. Espalhei chocolate em seus seios.

— Não acho chocolate gostoso. Esse sabor açucarado deve ser seu. – disse, beijando seu pescoço.

— Ou então, esse é o sabor dos seus lábios. Deixe-me sentí-los. – Ela olhou para mim, maravilhosa, e eu pressionei-os novamente contra ela.

Mayra PDV

Estava com um vestido bem justo e salto alto. Maquiagem, deixando a pele mais clara, ressaltando os olhos e os lábios. Comprei as roupas numa loja próxima e fiz a maquiagem num salão de beleza. Gastei bastante com isso, então tinha que dar resultados. Fiz tudo nos arredores da prefeitura para não ter de gastar com condução.

Tudo o que Nichole me entregara estava comprimido às minhas costas, aliás, até demais. Nos meus bolsos, chaves e outras coisas que eu poderia precisar. Com a ajuda da chave-mestra da prefeitura, abri a porta dos fundos, que dava direto com o corredor principal. Ao notar um movimento em uma das portas, me escondi no armário de vassouras mais próximo.

— Albert, é uma ótima ideia! Vamos ao cinema sim. Muito obrigada pelo sugestão. À noite estarei de volta. E me aguarde... – pela voz da garota, ela devia ser uma colegial, até mesmo estudar na mesma faculdade que eu. Já tenho nojo desse tal Albert. Quando me certifiquei que estava sozinha na prefeitura, com ele, comecei a caminhar pelo corredor, de moro que o salto tornasse meus passos barulhentos.

— Olá, Albert. – dei um sorriso malicioso. – Como vai você? – perguntei, andando discretamente, e sentando-me. Cruzei as pernas. Como o vestido era muito apertado, ele pareceu gostar, tudo para meu plano dar certo.

— Isso se chama invasão de propriedade. – diz ele, levantando-se da cadeira de prefeito, que ele ocupava antecipadamente.

— Vou ser rápida e clara, Albert. – disse eu, com um tom falso na voz de dar raiva que só eu consigo fazer.

— Exijo que saia daqui. – disse ele, porém, eu ignorei.

— Você vai desejar nunca ter me tratado assim, afinal, sou influente na cidade. – tirei uma arma presa debaixo do vestido. – Tenho armas... capangas... recursos... dinheiro... – disse eu, apontando a arma para a testa dele.

— O que você quer?! – perguntou ele, trincando os dentes.

— Quero que você renuncie ao mandato de prefeito. – ele deu uma gargalhada alta.

— Vai achando que isso vai acontecer. E só vai piorar a partir de amanhã. Mas porque quer que eu faça isso?

— Sou eu que faço as perguntas – disse, colocando o revolver em seu pescoço. – Apenas responda.

— Já respondi, não vou abrir mão do que vai me trazer tudo o que eu sempre quis, e não é uma chantagistazinha barata que vai conseguir que eu faça algo que não queira. – disse ele, alterando o tom de voz. Avancei até ele e puxei-o pela gola da camisa.

— Escute aqui. Se fizer algo de ruim, eu juro que acabo com sua vida. Tenho falsas provas de que você matou o ex-prefeito e... – aponto e atiro na câmera que filmava nossa discussão. – E você vai sentir na pele como é uma injustiça. – empurro-o, jogando-o no chão.

— Você sabe muito bem que não fui eu, eu tenho o álibi perfeito. – disse ele, me encarando.

— Sei, mas minhas provas deixam claro que você que planejou o crime, inclusive o álibi. Apesar de eu saber que você não teria inteligência suficiente para algo destas dimensões. – soprei a arma. – Não pense em colocar pessoas para me seguir, sou muito poderosa, e... Passar bem. Tenho a leve impressão que nos veremos em breve.

Karen PDV

— Eu adorei o filme. Foi simplesmente perfeito. – disse eu, enquanto tomava mais uma colherada do delicioso sundae que Bruno havia pago para mim. – Mas acho que eu gostei mais da sua companhia. – disse, corando.

— Eu também adorei sua companhia. Achei muito fofo você chorando no final – disse ele, lançando uma risadinha. Fofo? Eu tinha achado ridículo! Ou ele tava sendo gentil ou tava sendo bobo.

— Tá frio aqui, não? – disse, tentando aquecer meus braços. Ele tirou o casaco dele e colocou ao redor de mim. Eu me sentia tão retardada. – Melhorou assim.

— Vamos para o meu carro, dar um passeio? – perguntou ele. Assenti, sorrindo. Eu nunca tinha me sentido assim. Ele parecia um príncipe que chegara na sua Mercedes vermelha, para me transformar numa verdadeira princesa.

Entramos novamente no carro dele. Ele ligou o motor e saiu, andando devagar. A noite, iluminada pelas estrelas, passando em meio as árvores... O ar frio, a brisa da noite... O clima estava tão perfeito. Eu sentia vontade de permanecer ali, não tinha sensação mais gostosa. Não sei como definir aquilo... encantamento?

Deitei-me no ombro dele; era um clima bom para dormir também. E ele me fazia sentir aconchegada. Seus lábios tocaram minha testa. Nesse momento, por instinto, meu rosto se virou para ver o dele, e nesse momento, acabamos ficando perto demais. Eu já sentia seus lábios tocando nos meus, sentia a sua pele perfumada se misturando à minha pele fria, sentia...

Uma batida. Um carro bateu na nossa traseira. Bati de cabeça no retrovisor, e ele, com a cabeça no volante. Olhamos para trás e vimos o carro de Chelsea. Ah, não acredito. Isso não podia estar acontecendo.

— SEUS SAFADOS! AH SUA LOIRA VADIA, TODA METIDA À MODELO E NÃO CONSEGUE ARRUMAR O PRÓPRIO NAMORADO?! – gritava Chelsea.

— Bruno?! Como assim?! Você é namorado... da Chelsea?! – perguntei, chocada. Eu me sentia usada. Não me sentia bem, alguma coisa estava errada.

— Eu... Bem... Eu não amo ela. – disse ele. – É só um detalhe, não é nada demais... – dizia ele. Canalha. Vigarista. Salafrário. Eu sou muito burra mesmo.

— PARA ESSE CARRO. AGORA. – gritei. Estava analisando Chelsea e a acompanhante dela. – Ai que droga, como eu pude ser tão... tão idiota! Deixei levar pelo charme e pela lábia do primeiro mulherengo que aparece! – sussurrava.

— Olha, eu não posso parar o carro agora... E eu posso explicar... – ele estava amarelo de nervosismo. Que raiva dele. Vontade de enfiar a cabeça num buraco na areia.

Outro impacto; ela batera outra vez. Os faróis da frente do carro dela e os de trás do carro dele estavam acabados, e o porta-malas estava todo amassado, assim como o capô do carro dela.

— Eu não esperava isso de você, EU NÃO DEVERIA TER CONFIADO EM VOCÊ! – disse eu, fumegando e espumando de raiva. Era um misto de sensações, eu me sinto uma vadia por ter tentado apoiar ela de manhã e de tarde estar saindo com o NAMORADO DELA!

— Karen, por favor, me perdoe... – disse ele, tentando desviar o carro das investidas de Chelsea. Ele tentou acariciar meus cabelos.

— Não vou te perdoar! Tira as mãos de mim, eu quero é distância de você. Não quero te ver nunca mais, vou até bater três vezes na madeira! Agora dá licença e pisa fundo nesse acelerador.

— ATRÁS DELES, LILA! – disse Chelsea, enquanto dava o volante para a outra mulher e saía pelo teto solar. Bruno pisara fundo no acelerador, pelo menos obedecer ordens o maluco sabe.

— DESVIA O CARRO E TENTA FICAR DO LADO DELES! – berrou Chelsea sem se conter. Sem se conter, ela começou a arremessar coisas no carro. Uns vidros, que ao quebrarem, derramaram líquidos, manchando a lataria; jogaram sanduíches do McDonalds nos vidros do carro e bateram na porta esquerda, deixando-a afundada para dentro. Ela jogava também lixo e outras coisas... que baixaria. – LILA, AGORA EMPURRA ESSES DOIS PARA O INFERNO!

— OMG!

— Não se preocupe. – diz ele, tentando me tranquilizar.

— NÃO SE PREOCUPE?! NÃO SE PREOCUPE?! VAI SE FUDER! SEU AFEMINADO DE UMA FIGA, É MELHOR VOCÊ DIRIGIR DIREITINHO QUE AGORA EU VOU LUTAR! TÔ PUTA DA VIDA! – gritei, procurando coisas espalhadas pelo chão do carro, no guarda-luvas, debaixo dos bancos.

Ele reage e bate na porta do passageiro do carro de Chelsea. Ela grita com ultraje. Achei um rolo de fita adesiva debaixo do banco do motorista.

— Fita adesiva?! Aff, cada tipo estranho, viu. – disse, subindo até o teto solar e atirando o rolo de fita adesiva no nariz dela.

— TOMA ISSO, SUA VACA! – gritei. A raiva me dominou naquele momento. Eu me sentia aliviada e ao mesmo tempo, culpada.

O nariz de Chelsea começou a jorrar sangue, e ela caiu, dentro do carro. A tal motorista tentou fazer uma curva para parar e o carro derrapou, batendo no acostamento. Bruno e eu saímos do carro quando isso aconteceu.

— Ainda bem que as avenidas de Watermelon não tem fiscalização – disse Bruno. Encarei-o e dei um tapa em sua cara. – Calma, por favor, me dá uma chance, não me julga...

— Você brincou com os meus sentimentos. Me usou. Me expôs a tamanho risco. Me provou que não existe magia ou encantamento nenhum, você... você é como todos os outros supostos príncipes encantados. Eu não quero nunca mais ver sua face na minha vida. – disse eu, saindo dali. – E por favor, não me siga. – disse eu, me afastando mais, e mais.

Mayra PDV

— Então, amanhã vai ser o dia em que nosso plano entra em execução. – disse Nichole. – Preparada?

— Eu nasci preparada. – sempre quis dizer isso.

— Okay então. Durante essa noite, analise os arquivos que eu te enviei. Assim você vai saber direito quem são nossos alvos.

— Só não quero que minhas amigas corram risco por causa de algo que eu esteja fazendo. – disse, com um pouco de receio.

— Não se preocupe, só que elas não devem estar no lugar errado na hora errada. – terminou ela.

— Ei, olha a Karen ali. KAREN! – disse eu, chamando-a. A vi caminhando poucos metros à frente do carro. Nichole desacelerou a velocidade. – Ei, Karie entra aí! – disse eu.

— May, que bom te ver... – disse ela. Ela estava chorando; a maquiagem em seus olhos havia escorrido. – Eu... estou ferida. – disse ela, entrando no banco de trás.

— Como assim, amiga?! – disse eu, pulando pro banco de trás. – Ai, Deus, tem a ver com o Bruno?! – perguntei, preocupada.

— Ele me traiu! Traiu minha confiança! Ele era namorado da Chelsea e me chamou pra sair! Tem ideia de como eu me sinto?! Eu fui usada, fiquei boba como uma criança! – falava ela. Aconcheguei ela em meu peito.

— Calma, calma... Já passou. Não pensa mais nisso por hoje. Amanhã vai ser um dia cheio para todas nós, então é melhor você não ficar triste, peito erguido e cabeça pra frente. Vai passar...

Flora PDV

— Bonnie, nem sei como te agradecer. Há tempos não encontrava alguém que me fizesse sentir parte do mundo de novo. Eu me senti humana. Apesar das minhas fragilidades... Eu era igual a todos, tinha direitos iguais, podia viver igual aos outros.

— Não agradeça, Flora. Foi você que descobriu isso tudo sozinha. Faço cursinho de psicologia também, sei do que eu tô falando. – eita, essa garota estudiosa.

Vi o carro da professora Nichole na frente da república; ela estava conversando com Nichole e Mayra.

— Professora, já falaram que você parece a Beyoncé? – perguntou Karen. Putz, isso que é falta de assunto.

— Beyoncé? É aquela que canta com o Guarda-Chuva? – pergunta Mayra.

— Não, essa é a Rihanna e o vibrador dela. Beyoncé tem mais estilo, mas enfim... – disse Karen. Mayra e Nichole riram.

— Tchau garotas, até amanhã! – disse ela, dando partida no carro e indo embora.

— Garotas, nem conto o que aconteceu... Vocês tinham que ver... eu acertei o nariz da Chelsea com um rolo de fita adesiva. – disse Karen, impressionada.

— Você acertou a cara dela? Não acredito, toca aqui amiga! – dizia eu, orgulhosa.

— Tem ideia de como isso pode ser grave? – perguntou Mayra, preocupada e desconfiada. – E... Padre?! O que você tá fazendo aqui, Padre?

— Ora Mayra! Me surpreende logo você que sempre foi fiel à Deus perguntando o que eu tô fazendo aqui! Eu tenho um trabalho muito importante, tenho que pregar a palavra de Deus, Espírito Santo, Amém e Aleluia, irmão!

— Por favor, seu Padre, se o senhor vier encher a gente desse jeito numa hora dessas, vou ter que chutar vosso santo traseiro. – disse ela, impaciente.

— Você vai se arrepender de TUDO amanhã, quando Albert divulgar as novas leis. – disse ele, apontando o dedo na cara dela.

— O QUE?! – berrou Mayra, — Não podia perder a chance de pegar aquela informação de última hora. — Karen e eu a olhamos surpresas pelo seu repentino interesse no assunto.

— Me conte! – disse, batendo o pé no chão, ameaçando o Padre.

— Pode deixar que a gente segura e você bate – disse eu, com um olhar de psicopata. – Bonnie, pega ele pelo outro braço! Ai Deus, que pecado, minha vaguinha na terra do 666 tá garantida.

— Covarde! – diz Mayra, pulando em seu pescoço. – Garotas, amarrem o Padre e prendam-no no porão da república! – ela ajudou-nos a conduzir o Padre até lá.

...

Notas finais
n/a: Olá Leitores e fãs Queria agradecer a vocÊs mais uma vez por estarem lendo essa fic, espeor que gostem e divirtam-se ;* n/b: Mais um capítulo :3 Espero que gostem como gostaram do primeiro, e que comentem, por favor, e é só isso -qq :*
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.