Sing of the times
8 The Forgotten
Notas iniciais
Capítulo 8: The Forgotten
Londres e Nova York nunca pareceram tão distantes e, ao mesmo tempo, tão perigosamente conectadas. Enquanto o sol lutava para aparecer entre as nuvens britânicas, a madrugada em Manhattan ainda guardava os segredos de quem não conseguia dormir.
LONDRES — 07:00 AM
Bella acordou primeiro. O quarto estava mergulhado em uma penumbra azulada, e o som da chuva batendo contra as vidraças do The Savoy criava uma melodia de isolamento. Ela se virou de lado, com cuidado para não quebrar o feitiço, e observou Edward.
Ele dormia com uma serenidade que ela não via há uma década. O rosto, geralmente vincado pela tensão das responsabilidades, estava relaxado; o cabelo acobreado bagunçado contra o travesseiro branco. Ele parecia... em paz. E isso era o que mais a assustava. Edward só parecia completo quando estava nos braços dela.
De repente, o silêncio foi cortado pelo zumbido insistente do celular de Bella sobre a mesa de cabeceira.
VIDEOCHAMADA: DAMON.
O coração de Bella disparou, uma batida violenta contra as costelas. Ela congelou. Edward abriu os olhos devagar, despertado pela vibração, e viu o nome na tela. Ele não disse nada, mas a paz em seu rosto evaporou, substituída por uma consciência sombria.
Bella estendeu a mão trêmula e rejeitou a chamada.
Cinco segundos depois, o celular tocou de novo. Rejeitado.
Na terceira vez, ela simplesmente desligou o aparelho.
O quarto tornou-se pesado, contaminado por uma culpa que o oxigênio parecia não conseguir dissipar. Minutos depois, ela ligou o celular apenas para ver uma notificação de áudio. Ela apertou o play no viva-voz, sentindo que precisava daquela punição.
— Ei, Bells... — a voz de Damon era calma, carregada daquele afeto seguro que sempre fora o chão de Bella. — Você deve estar ocupada nas reuniões. A Lottie dormiu cedo hoje, mas ficou perguntando de você. Eu só... só queria ouvir sua voz antes de deitar. Queria dizer que sinto sua falta. Eu amo você.
O silêncio que se seguiu ao áudio foi dilacerante. Bella desabou, escondendo o rosto nas mãos, os ombros sacudindo em soluços mudos. Edward sentou-se na cama, passando a mão pelo rosto. Ele não sentia ciúmes; ele sentia uma devastação ética.
— Ele não merece isso — Edward sussurrou, a voz rouca, olhando para o vazio.
— Eu sei — Bella respondeu entre lágrimas. — Eu sei que ele não merece.
NOVA YORK — 02:00 AM
No apartamento da Park Avenue, Caroline Forbes Cullen estava vivendo o seu próprio inferno. Ela andava de um lado para o outro, segurando o celular como se fosse uma arma. Edward visualizara suas mensagens há horas. Nenhuma resposta. Nenhuma ligação de "boa noite".
O silêncio do apartamento era ensurdecedor. Caroline percebeu, com uma clareza aterrorizante, que Edward parara de fingir. A máscara de "marido funcional" caíra em algum lugar sobre o Atlântico. Ela se sentia esquecida. Uma nota de rodapé na história de um homem que nunca a escreveu em seu capítulo principal.
Tomada por um impulso de desespero e solidão, ela vestiu um casaco de pele sobre uma lingerie de renda preta provocativa e saiu.
Vinte minutos depois, ela estava diante da porta de Stefan Salvatore. Quando ele abriu, vestindo apenas uma calça de pijama, o choque em seu rosto foi evidente. Caroline estava com os olhos vermelhos, o lábio inferior tremendo.
— Caroline? O que houve? O Edward...
— Eu não quero ficar sozinha hoje, Stefan — ela o interrompeu, a voz falhando. — Por favor. Não me deixa ser esquecida.
Ela deu um passo à frente e o beijou. Não era um beijo de paixão nova, mas de dois sobreviventes tentando encontrar calor em meio aos destroços. Stefan hesitou por um segundo, o peso da traição contra o amigo lutando com o amor enterrado que ele sentia por ela. Mas, ao sentir o corpo de Caroline tremer contra o seu, ele a puxou para dentro e fechou a porta. Ali, entre sussurros de nomes que não deveriam ser ditos, eles buscavam uma cura temporária para feridas que nunca cicatrizaram.
NOVA YORK — COZINHA DE ALICE
Na mansão principal, Alice e Rosalie estavam sentadas à ilha de mármore. Rosalie girava uma taça de vinho, o olhar fixo no nada.
— Ela não atende direito, Alice — Rosalie quebrou o silêncio. — A Bella some quando está apaixonada. Ela entra em um transe onde nada mais existe.
Alice suspirou, seus olhos grandes carregados de uma premonição triste.
— E o Edward só fica vivo quando ama alguém. — Alice olhou para a irmã. — Eu sinto o ar mudando, Rose. O caos vai desembarcar com eles naquele hangar. Eles estão destruindo tudo o que construíram em dez anos em apenas uma semana.
LONDRES — 11:00 PM
O dia de trabalho terminara, mas a intensidade entre eles só aumentara. Eles estavam deitados, os corpos ainda quentes e suados após horas de uma entrega que parecia definitiva. A chuva continuava a lavar Londres do lado de fora. Edward estava abraçado a Bella, o nariz enterrado em seu pescoço.
— Eu não quero ser o seu amante, Bella — ele disse de repente, as palavras cortando a névoa de prazer.
Bella travou. Ela se afastou um pouco para olhá-lo, o medo brilhando em seus olhos castanhos.
— Edward...
— Não — ele a interrompeu, segurando seu rosto. — Eu não quero esse segredo sujo. Eu quero acordar do seu lado todos os dias sem sentir que estou cometendo um crime. Quero brigar com você por besteira doméstica. Quero buscar a Charlotte na escola e ouvir ela contar sobre o dia dela. Eu quero casar com você, desta vez do jeito certo.
Bella começou a chorar de novo, mas desta vez era um choro de exaustão emocional.
— Eu vou pedir o divórcio da Caroline assim que pisarmos em Nova York — Edward continuou, a voz firme, os olhos verdes fixos nos dela com uma determinação inquebrável. — E eu quero que você se separe do Damon. Eu sei o que estou pedindo. Mas eu não posso mais viver essa mentira. Se você deixar... eu vou amar a Charlotte como se ela tivesse sido minha desde o começo. Eu vou dar a ela o pai que ela merece e o homem que você sempre deveria ter tido ao seu lado.
Bella soluçou, encostando a testa na dele. Aquele era o futuro que ela esperara no aeroporto há dez anos. A oferta chegara com uma década de atraso, mas com uma força que ela não conseguia ignorar.
— Por que agora, Edward? — ela perguntou, num fio de voz. — Por que depois de tanta dor?
— Porque eu passei dez anos sendo o homem que meu pai precisava, o herdeiro que o império exigia — ele respondeu, beijando a testa dela. — E descobri que ser esse homem quase me matou. Eu não vou morrer sem ter sido seu de verdade.
O problema dos amores esquecidos é que eles não morrem; eles apenas esperam o momento certo para exigir de volta tudo o que lhes pertence. Em Londres, Bella e Edward não estavam apenas tendo um caso. Estavam tentando recuperar a vida que o medo e o tempo roubaram deles, cientes de que, para renascerem juntos, teriam que incendiar todo o resto.
A bolha de Londres era feita de um cristal fino e transparente, tão bonito que quase permitia esquecer que, do lado de fora, a tempestade continuava a rugir.
A manhã seguinte à confissão de Edward não trouxe o peso do arrependimento, mas uma leveza perigosa. Bella circulava pela suíte de Edward vestindo apenas uma de suas camisas sociais brancas, as mangas dobradas e os botões abertos, revelando a pele que ele marcara com adoração durante a noite.
Edward estava sentado à mesa de centro, com dois notebooks abertos e uma xícara de café fumegante. Ele não parecia o CEO implacável de Manhattan; parecia um homem em casa.
— Você ainda responde meus e-mails sem pedir permissão — Bella comentou, aproximando-se e notando-o digitar rapidamente em sua conta corporativa.
Ele nem sequer desviou os olhos da tela, apenas sorriu de canto.
— Você ainda esquece de anexar os relatórios de logística quando dorme pouco, Bella. Só estou poupando o Charlie de ter um colapso nervoso antes das oito da manhã.
Ela parou atrás dele, descansando as mãos em seus ombros. A naturalidade da cena a atingiu como um choque. Com Damon, tudo era segurança, mas havia um esforço consciente para manter a harmonia. Com Edward, era instintivo. Eles eram um mecanismo de duas peças que, após dez anos enferrujando separadas, voltavam a girar com uma perfeição assustadora.
— Nós parecemos... — ela começou, mas a voz falhou.
— Nós parecemos o que sempre deveríamos ter sido — Edward completou, virando-se para beijar a palma da mão dela. — Casados.
NOVA YORK — 21:00 PM
Enquanto isso, do outro lado do oceano, a ausência de Bella começava a ganhar contornos físicos na casa dos Salvatore. Damon estava sentado no tapete da sala, ajudando Charlotte com um dever de escola que envolvia desenhos sobre a "família e o mundo".
Ele observava a filha colorir com entusiasmo. Charlotte desenhou a si mesma, desenhou Damon com seus traços protetores e Bella com cabelos longos. Mas, no canto da folha, ela desenhou um homem de cabelo claro e terno escuro, de mãos dadas com a figura da mãe.
Damon sentiu um frio súbito na espinha.
— Quem é esse, Lottie? — ele perguntou, tentando manter a voz leve, embora seu coração tivesse acelerado.
A menina olhou para o desenho com a pureza que só as crianças possuem.
— É o Edward, papai. Ele prometeu cuidar da mamãe em Londres para ela não ficar triste. Ele é legal, ele me deu um beijo e disse que ia proteger ela.
Damon ficou em silêncio. Ele não pensou em traição, a confiança que tinha em Bella era o seu maior orgulho, mas o nome Edward começou a ecoar nas paredes da casa como um aviso. Pela primeira vez, a distância de Londres pareceu um abismo que ele não sabia se conseguiria saltar.
LONDRES — 20:00 PM
O trabalho do dia havia terminado e, por um acordo silencioso, eles decidiram desaparecer. Sem motoristas, sem seguranças, sem o peso dos nomes Cullen e Swan. Apenas duas pessoas caminhando pelas ruas úmidas de Londres, escondidas sob o mesmo guarda-chuva.
Eles entraram em uma livraria antiga em uma ruela de paralelepípedos. O cheiro de papel velho e café era o oxigênio que Bella precisava. Edward caminhou até uma estante de astronomia e puxou um volume pesado sobre o sistema solar.
— Você ainda guarda coisas que ama como se fossem relíquias — ele comentou, observando-a folhear um livro de poesias que ele sabia que ela adorava na faculdade.
— Só as que eu tenho medo de perder — ela respondeu, fechando o livro e olhando para ele.
Edward aproximou-se, o espaço entre eles diminuindo até que apenas a verdade restasse.
— Se eu tivesse voltado naquele aeroporto, dez anos atrás... se eu tivesse descido daquele carro e pedido para você ficar... você teria vindo comigo?
Bella não hesitou. Não houve cálculo ou proteção.
— Eu teria ido até o fim do mundo com você, Edward. Eu teria deixado tudo para trás.
Edward fechou os olhos, a dor daquela confirmação rasgando o que restava de sua resistência. Ele finalmente entendia que não tinha perdido apenas uma namorada; ele tinha desperdiçado uma vida inteira de lealdade absoluta por causa de um império que agora parecia cinzas.
NOVA YORK — APARTAMENTO DO STEFAN
A luz da manhã entrava pela janela de Stefan, iluminando Caroline, que estava sentada na cama, enrolada nos lençóis dele. O silêncio entre eles era carregado de uma melancolia devastadora. Stefan a amara durante a noite com uma entrega que ela nunca conhecera com Edward. E era exatamente isso que a estava destruindo.
— Eu passei anos implorando por migalhas de um homem que nunca saiu emocionalmente de outra mulher — Caroline sussurrou, as lágrimas escorrendo pelo rosto. — E agora que você me deu tudo, Stefan... eu percebo o quanto eu fui miserável tentando ser o suficiente para o Edward.
Stefan não respondeu. Ele apenas a puxou para perto, ciente de que o amor deles era um campo de flores crescendo em cima de um cemitério.
LONDRES — HOTEL THE SAVOY
Bella e Edward voltavam para o hotel, o clima de romance ainda pulsando entre eles. Dentro do elevador, Bella sorria, encostada no peito dele, sentindo-se finalmente viva. Ela parecia uma versão de si mesma que Nova York nunca conhecera: relaxada, apaixonada, plena.
De repente, o celular dela tocou.
O nome DAMON brilhou na tela, quebrando a magia como um martelo quebrando vidro.
Bella olhou para o aparelho com pavor. Ela não queria atender. Ela queria continuar naquela bolha onde o marido e a filha não existiam. Ela olhou para Edward, implorando silenciosamente para que ele a salvasse da realidade.
Mas Edward fez a coisa mais dolorosa e consciente possível. Ele pegou o celular da mão dela, seus dedos roçando os dela, e o entregou de volta.
— Atende, Bella — ele disse, a voz rouca e carregada de um sacrifício sangrento. — Ele ainda é seu marido.
O elevador parou. Bella atendeu a ligação, a voz de Damon preenchendo o pequeno espaço, enquanto ela olhava para o reflexo de Edward no espelho. Edward estava lá, parado, sofrendo por cada palavra de afeto que ela teria que dizer ao outro homem, mas sabendo que, para tê-la de verdade, ele teria que vê-la destruir aquela vida primeiro.
— Oi, Damon... — ela disse, a voz trêmula, enquanto seus olhos encontravam os de Edward no espelho.
Dois homens. Duas vidas. E a consciência brutal de que, para ficar com o seu destino, ela teria que se tornar a vilã na história do homem que mais a amou no mundo.
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