Sing of the times

1 The Final Show


Notas iniciais
Oi, meus amores. 🤍 Sejam bem-vindos a Sign of the Times. Essa história nasceu da melancolia da música do Harry Styles e daquela sensação dolorosa de olhar para a própria vida e perceber que, em algum momento, algumas escolhas custaram partes de quem você era. Aqui não teremos vampiros, sobrenatural ou destino mágico, apenas pessoas reais, emocionalmente quebradas e presas ao peso de impérios, sobrenomes e aparências. Essa é uma fanfic da saga Crepúsculo com crossover de The Vampire Diaries, em um universo alternativo completamente humano, elegante e caótico na mesma medida. 🖤 O capítulo 1 é só o começo da rachadura. O momento em que Bella e Edward percebem que talvez certas histórias nunca terminem de verdade… apenas ficam adormecidas. E aproveitando: não deixem de conhecer também minha outra fanfic, A Esposa Perfeita, que atualmente está participando do evento Missão: A Mentira Perfeita. 🥀 Espero que vocês se apaixonem (e sofram) comigo nessa história. Boa leitura. ✨

Capítulo 1: The Final Show

Agosto de 2025 – Manhattan, Nova York.

O problema dos impérios familiares é que eles exigem sacrifícios tão lentos que ninguém percebe exatamente quando começou a desaparecer. A erosão da alma não ocorre em um estrondo, mas no silêncio das concessões diárias, no ajuste milimétrico de uma gravata de seda que parece apertar o pescoço um pouco mais a cada ano, ou no brilho de um diamante que, embora valioso, pesa sobre o dedo como uma algema de quilates inestimáveis. Do lado de fora da suntuosa sede da Cullen & Swan Holdings, a chuva fina de agosto caía sobre Manhattan, transformando as luzes da Times Square em borrões neon sobre o asfalto molhado. Era um clima melancólico e tipicamente aristocrático, onde o som dos pneus dos sedãs pretos contra o pavimento úmido compunha a trilha sonora de uma noite que prometia ser o ápice da temporada social. Ali, entre o mármore e o vidro temperado, a liberdade era uma moeda que ninguém podia cunhar, e a felicidade era um conceito que havia sido substituído, há muito tempo, pela manutenção impecável do legado.

No interior do Bentley que deslizava silenciosamente em direção à entrada principal, Bella Swan Salvatore observava o próprio reflexo no vidro da janela, sobreposto à silhueta borrada dos arranha-céus. Aos trinta e dois anos, ela era a personificação da elegância pragmática: os cabelos castanhos estavam presos em um coque baixo e severo, sem um único fio fora do lugar, e o vestido de veludo azul-marinho abraçava sua silhueta com uma precisão cirúrgica. Ela não era mais a garota de olhar curioso e lábios trêmulos que Nova York um dia conhecera; agora, ela era a vice-presidente executiva de um dos maiores conglomerados do mundo. Seus olhos, no entanto, carregavam uma exaustão que nenhuma camada de maquiagem da Chanel conseguia ocultar totalmente. Era uma fadiga existencial, o cansaço de quem passava dezesseis horas por dia sendo o pilar de uma estrutura que ameaçava desabar se ela permitisse um segundo de vulnerabilidade.

Ao seu lado, Damon Salvatore representava o contraste perfeito daquela frieza corporativa. Enquanto Bella era o aço da estrutura, Damon era o veludo que a cobria. Com um movimento suave e carregado de um carinho que deveria ser reconfortante, ele estendeu a mão e ajeitou uma mecha invisível atrás da orelha de Bella, seus dedos roçando levemente em sua pele quente.

— Você está tensa, Bells— disse Damon, sua voz sendo um barítono suave que preenchia o espaço confinado do carro com uma segurança quase sufocante. — Relaxe os ombros. É apenas mais um evento da empresa, apenas mais uma noite de sorrisos para acionistas que não saberiam a diferença entre um balanço patrimonial e um cardápio de jantar se não fôssemos nós a explicarmos.

— Eu sei, Damon. Só estou pensando na fusão com o grupo europeu que o meu pai quer anunciar hoje — Bella respondeu, sua voz saindo mecânica, uma resposta ensaiada para evitar conflitos. Ela se forçou a oferecer um sorriso de lado, mas seus olhos permaneceram fixos na chuva. — Como está a Charlotte? Ela conseguiu dormir antes de sairmos?

Damon sorriu, e o brilho em seus olhos ao mencionar a filha era genuíno, uma luz que Bella muitas vezes sentia que não merecia mais carregar. Enquanto Bella mergulhava no trabalho, Damon havia assumido o papel de coração da casa. Ele era o homem que conhecia a rotina dos empregados, que sabia qual era o bicho de pelúcia favorito da filha e que insistia em preparar o café da manhã pessoalmente, ignorando a hierarquia da mansão.

— Dormiu como um anjo depois que eu li a terceira história. Ela perguntou por você, claro. Eu disse que a mamãe precisava salvar o império esta noite, mas que você daria um beijo nela pela manhã — ele disse, inclinando-se para beijar a têmpora de Bella. — Você precisa se desligar um pouco, meu anjo. Deixe o trabalho na porta desta noite. Pelo menos por algumas horas, seja apenas a minha esposa...

Bella assentiu, sentindo o peso daquela frase. "Apenas minha esposa". O pedido parecia simples, mas para ela, era como pedir a um soldado que esquecesse a guerra enquanto as bombas ainda caíam. Damon a amava, ela sabia disso; ele a protegia, a admirava e construía para ela uma vida de conforto absoluto. Mas ele amava a versão dela que se encaixava naquele sistema. Ele amava a peça perfeita do quebra-cabeça que ele ajudava a manter montado. Ele falava com ela, mas, no fundo de seu coração melancólico, Bella sentia que ele nunca realmente a enxergava, não a mulher que gritava em silêncio por trás dos olhos castanhos.

Quando as portas do carro foram abertas pelo manobrista, o clarão dos flashes dos fotógrafos atingiu Bella como uma barreira física. Ela inspirou profundamente, endireitou a coluna e, no instante em que colocou os pés no tapete vermelho, a transformação foi completa. Isabella Swan Salvatore estava em cena. O evento da Cullen & Swan era um espetáculo de opulência: o salão principal estava decorado com orquídeas brancas e cristais suspensos que refletiam a luz fria dos lustres, criando um ambiente que parecia flutuar entre o sonho e a realidade. Era um oceano de smokings pretos e vestidos de alta costura, onde o tilintar das taças de champanhe funcionava como o metrônomo de uma valsa de interesses.

Bella circulava com maestria. Ela cumprimentava embaixadores com a inclinação exata da cabeça, discutia taxas de juros com banqueiros e sorria de forma enigmática para a imprensa. Ela era uma máquina de diplomacia. Ao seu redor, sua família compunha o quadro de poder. Emmett, seu irmão, parecia um gigante gentil em seu terno sob medida, rindo alto com Rosalie ao seu lado. Rosalie, a advogada chefe da empresa, era uma visão de ouro e marfim, sua beleza sendo tão afiada quanto sua mente jurídica. Elas trocaram um olhar de cumplicidade profissional, Rosalie sabia o quanto aquele evento era cansativo, mas ambas eram sobreviventes da mesma linhagem.

Mas então, o ar no salão pareceu mudar.

Não foi um som, nem um movimento brusco. Foi uma alteração na pressão atmosférica da sala, um deslocamento sutil que apenas o corpo de Bella parecia capaz de registrar. Antes mesmo de os seus olhos se moverem, sua pele se arrepiou sob o veludo do vestido e seus pulmões pareceram esquecer como processar o oxigênio. O perfume chegou primeiro: uma mistura sutil de sândalo, cedro e algo cítrico e frio que ela não sentia há exatamente uma década, mas que estava gravado em seu sistema límbico como uma cicatriz de fogo.

Edward.

Ela virou o rosto lentamente, uma transição que pareceu durar horas na distorção do tempo que o choque provoca. E lá estava ele. Do outro lado do salão, cercado por um círculo de investidores asiáticos, Edward Cullen estava parado como uma estátua de gelo e sofisticação. Aos trinta e cinco anos, o tempo tinha sido cruelmente generoso com ele. O maxilar estava mais definido, os olhos verdes pareciam ter se tornado mais profundos e frios, e a postura era de uma autoridade absoluta. Ele era o herdeiro que Carlisle sempre moldara para ser: impecável, inacessível e perigosamente inteligente.

Ao lado dele, Caroline Forbes Cullen brilhava com uma energia artificial. Com um vestido de lantejoulas champagne que gritava por atenção, ela ria de algo que um investidor dizia, tocando levemente no braço de Edward. Caroline era a "esposa troféu" perfeita para a imagem que a família precisava projetar, embora todos no círculo interno soubessem que ela mal sabia o nome dos acionistas ou o que era discutido no conselho. Ela era a superfície brilhante de um casamento que, Bella suspeitava, era tão oco quanto o dela era denso.

Edward não olhou para Bella imediatamente. Ele continuou a conversa, mantendo a expressão de um jogador de pôquer profissional. Mas Bella viu o exato momento em que ele percebeu sua presença. Foi um endurecer milimétrico na mandíbula dele, um leve aperto dos dedos ao redor da taça de cristal. Ele sabia que ela estava lá. Ele sentia a frequência dela da mesma forma que ela sentia a dele.

O encontro foi inevitável, uma colisão orquestrada pelo destino e pela política da empresa. Quando os grupos se cruzaram perto do bar de gelo esculpido, o silêncio que se seguiu foi preenchido apenas pelo som da música clássica ao fundo. Damon, sempre o anfitrião perfeito, estendeu a mão para Edward.

— Edward, que prazer vê-lo. Soube que a sua última manobra em Tóquio foi magistral — disse Damon, seu tom amigável e despretensioso, sem notar a eletricidade estática que parecia queimar entre sua esposa e o homem à sua frente.

Edward apertou a mão de Damon, o sorriso que ele exibiu sendo uma máscara perfeita de cordialidade empresarial.

— Negócios são negócios, Damon. Alguém precisa manter o ritmo — Edward respondeu, sua voz sendo uma vibração que Bella sentiu na base da sua espinha. Então, ele finalmente desviou o olhar para ela. Foi como ser atingida por uma corrente de alta voltagem. — Swan.

— Cullen — Bella respondeu, sua voz saindo mais firme do que ela esperava, embora seu coração batesse contra as costelas como um pássaro enjaulado.

— Dez anos e você continua chegando atrasada para os grandes anúncios — Edward disse, um brilho passivo-agressivo dançando no fundo de seus olhos verdes. Era uma farpa elegante, uma referência a um passado que ninguém ali ousava nomear.

— Dez anos e você continua achando que o mundo para de girar para esperar pela sua entrada, Edward — Bella rebateu, o sarcasmo sendo a única arma que ela tinha para não desmoronar sob o peso do olhar dele.

Caroline soltou uma risadinha afetada, alheia à guerra de trincheiras que ocorria diante de seus olhos.

— Oh, vocês dois e essa rivalidade profissional! É cansativo só de ouvir. Edward, querido, o embaixador está nos chamando.

Edward não desviou os olhos de Bella por mais um segundo, um tempo longo demais para ser educado, curto demais para ser uma confissão.

— Com licença — ele disse, e o grupo se dispersou.

Bella sentiu como se tivesse acabado de sair de uma zona de combate. Seus dedos tremiam levemente ao redor da taça de champanhe. Ela precisava de um momento, de um espaço onde a performance não fosse exigida. Ela se desculpou com Damon, alegando que precisava retocar a maquiagem, e caminhou em direção a uma varanda isolada, longe do barulho da orquestra.

Foi ali, no semi-escuro da noite nova-iorquina, que o seu celular vibrou na bolsa. Era um vídeo enviado por Damon minutos antes. Bella deu o play. Na tela, a pequena Charlotte, de apenas quatro anos, aparecia com um pijama de coelhinhos, o cabelo castanho bagunçado e um desenho nas mãos.

— Olha, mamãe! Desenhei você na empresa. Volta logo pra me dar beijo de boa noite? Te amo! — a voz doce da menina ecoou no silêncio da varanda.

Uma lágrima solitária escapou do olho de Bella e escorreu por sua bochecha. Naquele momento, ela não era a executiva poderosa, não era a rival de Edward; ela era apenas uma mãe que sentia que estava perdendo a própria vida enquanto tentava salvá-la. Ela limpou a lágrima rapidamente, mas não foi rápida o suficiente.

Pelo reflexo do vidro da porta da varanda, ela viu a silhueta de um homem parado na sombra, a poucos metros de distância. Era Edward. Ele estava lá, observando-a, e pela expressão em seu rosto refletida no vidro fumê, ele tinha visto o vídeo. Ele tinha visto a rachadura na máscara de Isabella Swan Salvatore.

Eles não se falaram. O silêncio era tão denso que poderia ser cortado. No reflexo do vidro, eles se observaram. Edward viu a vulnerabilidade que ela escondia de todos, e Bella viu, por um breve segundo, o luto absoluto nos olhos dele. Ele olhava para ela não como um competidor, mas como um homem que via diante de si tudo o que ele tinha deixado escapar por entre os dedos para se tornar o rei de um trono de gelo. A existência de Charlotte, a vida que ela construíra com Damon, o tempo que nunca voltaria... tudo estava ali, naquele reflexo distorcido.

Edward deu um passo à frente, como se fosse dizer algo, e por um instante, o braço dele roçou no dela ao se aproximar da balaustrada. Foi um toque microscópico, apenas o tecido das mangas se tocando, mas o impacto foi sísmico. O corpo de Bella lembrou-se de tudo: de cada promessa não cumprida aos vinte e dois anos, de cada sonho que eles enterraram juntos sob as fundações daquela empresa. O perfume de Edward inundadar sua mente , através de uma dependência química que vinha de um sentimento que ela achava que tinha vencido.

Ela recuou, assustada com a própria reação. Sem dizer uma palavra, ela voltou para o salão, encontrando Damon que a esperava com um sorriso tranquilo.

O restante do evento passou como um borrão. Discursos foram feitos, apertos de mão foram trocados, mas para Bella e Edward, o mundo real tinha acabado naquela varanda.

Na hora de ir embora, o ritual de saída foi tão coreografado quanto o de entrada. No banco de trás do Bentley, Damon segurava a mão de Bella, acariciando o dorso de seus dedos com o polegar.

— O Edward parecia particularmente difícil hoje, não acha? — Damon comentou casualmente, enquanto o carro se afastava da sede da empresa. — Ele tem um jeito de olhar como se estivesse sempre planejando uma aquisição hostil, até mesmo em um jantar.

Bella olhou para a janela, observando as luzes de Manhattan passando rapidamente. A omissão foi sua maior mentira da noite.

— Ele é apenas focado no trabalho, Damon. Nada que eu não saiba lidar — ela respondeu, sua voz sendo um sussurro monótono.

Damon assentiu, satisfeito, e começou a falar sobre os planos de reforma da casa de campo. Bella não ouviu mais nada. Ela encostou a cabeça no vidro frio e fechou os olhos.

A quilômetros dali, em outro carro de luxo que atravessava o Upper East Side, Edward Cullen estava sozinho. A gravata estava afrouxada, o primeiro sinal de desleixo em anos. Ele encarava a cidade pela janela, o rosto imóvel como mármore. Seu celular vibrou no banco ao lado. Uma mensagem de Carlisle:

"Você foi impecável esta noite. O conselho está impressionado com a sua postura diante dos Swan."

Edward deveria sentir o triunfo. Ele deveria sentir que a vitória estava próxima. Mas, pela primeira vez em dez anos, o peso do silêncio no carro era insuportável. Ele fechou os olhos e, no escuro de sua mente, a única imagem que via era o reflexo de Bella na varanda, chorando por uma vida da qual ele nunca faria parte.

Naquela noite, em lados opostos de Manhattan, Bella Swan e Edward Cullen cometeram o mesmo erro: permitiram-se lembrar. E o pior tipo de ruína, como ambos estavam prestes a descobrir, era aquela que começava em um silêncio absoluto.

Notas finais
✨E assim começa o desastre silencioso de Bella Swan e Edward Cullen. Quero saber MUITO o que vocês acharam desse primeiro capítulo, das atmosferas, dos personagens e dessa tensão sufocante entre eles. 👀 Manhattan, impérios familiares, escolhas irreversíveis e um amor enterrado há dez anos… parece que estamos apenas vendo a primeira rachadura surgir. Não esqueçam de comentar e compartilhar suas teorias, prometo que essa história ainda vai machucar bastante. 🖤 E aproveitem também para dar amor às minhas outras fanfics, principalmente A Esposa Perfeita, que está participando do evento Missão: A Mentira Perfeita. ✨