Sing of the times
17 Exile
Notas iniciais
“I think I've seen this film before, and I didn't like the ending. You're not my homeland anymore, so what am I defending now? You were my town, now I'm in exile, seein' you out...”
(EXILE — Taylor Swift)
O eco do primeiro disparo ainda flutuava sobre o penhasco de Montauk quando Edward rompeu a barreira da névoa como um animal enfurecido. Seus pés derrapavam no cascalho úmido, os olhos verdes varrendo a penumbra cinzenta até que a cena se materializou diante dele, a escassos metros do abismo.
Damon e Bella estavam caídos na lama, travando uma luta corporal desesperada e caótica na beira do precipício. Damon, com as feições completamente desfiguradas pelo surto de loucura, tentava arrastar o corpo da esposa em direção ao vazio, os dedos cravados nos ombros dela com uma força descomunal. Bella, movida pelo instinto mais primitivo de sobrevivência e pelo pensamento em Charlotte, lutava com as unhas, chutando e empurrando o peito do marido. O primeiro tiro, disparado no início do confronto enquanto rolavam no chão, havia atingido de raspão o ombro esquerdo de Bella; o tecido de sua blusa estava rasgado e empapado de um vermelho vivo que contrastava violentamente com a lama escura.
— LARGA DELA! — Edward rugiu, avançando com uma velocidade que desafiava a gravidade do terreno.
Antes que Damon pudesse reagir ou desferir outro golpe, a força combinada dos cinco homens desabou sobre o topo do penhasco. Emmett e Jasper jogaram-se contra o flanco de Damon com a precisão de dois blocos de concreto, arrancando-o de cima de Bella com um impacto que fez a arma em sua mão quase disparar novamente. Charlie Swan e Stefan projetaram-se para a frente, agarrando os braços de Bella e puxando-a com violência para longe da borda, arrastando-a para o centro seguro da clareira de cascalho.
Edward caiu de joelhos ao lado dela no mesmo instante. Seus braços envolveram o corpo trêmulo de Bella, trazendo-a contra o seu peito com um desespero que parecia sufocá-lo.
— Eu estou aqui... Eu estou aqui, Bells... — a voz de Edward falhava, os dedos pressionando o ferimento no ombro dela para estancar o sangue, os olhos verdes fixos nos dela, injetando uma promessa de segurança que ela não recebia há anos.
Bella piscou, a chuva lavando o sangue e as lágrimas de seu rosto pálido. Pela primeira vez desde o reencontro em Londres, não havia medo em seu olhar. Não havia a culpa sufocante que o cativeiro imposto por Damon criara em sua mente. Havia apenas uma transparência absoluta.
— Você veio... — ela sussurrou, as palavras saindo fracas, a respiração curta contra o peito dele.
— Sempre, meu amor. Eu nunca mais vou deixar você — Edward respondeu, beijando-lhe a testa molhada pela tempestade.
A poucos metros dali, Emmett e Jasper mantinham as armas apontadas para Damon, que havia se levantado devagar, limpando a lama do rosto com as costas da mão. Ele estava encurralado contra o limite do precipício; atrás dele, havia apenas a queda livre de oitenta metros para o Atlântico.
E então, Damon começou a rir.
Não era a gargalhada ameaçadora de um vilão de cinema; era uma risada cansada, aguda, quase infantil. Um som que parecia ecoar a melodia de Exile: o colapso de um homem que percebera que a pátria que ele tanto tentara defender — a sua família, o seu casamento — já não existia mais. Ele fora exilado do coração de sua própria esposa.
— Eu venci... — Damon disse, os olhos azuis brilhando com a faísca vítrea da loucura completa. Ele olhou para as próprias mãos trêmulas e depois ergueu a cabeça para encarar o grupo. — Não era isso que vocês queriam? Olhem para mim! O Edward perdeu a rodada em Nova York corporativa. O Charlie me odeia com o seu distintivo. O Stefan me abandonou no corredor da minha própria casa... A Charlotte... a minha filhinha tem medo de mim. E a Bella...
Ele fixou o olhar em Bella, que permanecia acolhida nos braços de Edward. O rosto de Damon se contraiu em uma careta de dor psicológica profunda.
— A Bella não consegue nem olhar na minha cara sem querer morrer. Mas eu venci! Eu segurei o contrato até o fim! — ele deu uma gargalhada histérica, o som sendo cortado pelo vento marítimo. — Eu ganhei tudo... E não sobrou absolutamente nada.
Stefan deu um passo à frente, afastando-se de Charlie. Ele não ergueu a arma. Suas mãos estavam abertas ao lado do corpo, o semblante carregado de uma devastação que parecia quebrar a linhagem dos Salvatore ali mesmo, na lama de Montauk.
— Damon... — Stefan chamou, a voz baixa, o tom que ele usava quando eram crianças e Damon se trancava no quarto após as brigas com o pai. — Por favor, abaixe isso. Acabou. Eu passei a vida inteira... a minha vida inteira tentando salvar você dos seus próprios demônios.
Damon parou de rir. O olhar dele cruzou com o de Stefan, e por um breve segundo, a máscara da loucura caiu, revelando o menino assustado que habitava o fundo daquela armadura corporativa e obsessiva.
— Eu sei, maninho — Damon respondeu, a voz caindo para um sussurro que quase sumiu sob o barulho do oceano lá embaixo. Ele ajeitou a postura, o corpo açoitado pelo vento. — Esse foi o grande problema. Esse sempre foi o maldito problema. Todo mundo nesta família sempre tentou me salvar... Ninguém nunca tentou me parar.
A frase bateu contra Stefan como um soco físico. A cumplicidade silenciosa, os anos acobertando os excessos do irmão mais velho na esperança de que ele mudasse por amor, tudo desabou. Eles haviam alimentado o monstro com a sua própria complacência.
Damon deu um meio passo para trás, o calcanhar de seu sapato de couro tocando o vazio da borda do penhasco. Ele olhou para Stefan, depois para Charlie, e finalmente fixou seus olhos azuis em Bella. Havia uma lucidez trágica em suas palavras agora; ele aceitara que o filme havia chegado à sua última cena, e o final era inevitável.
— Eu só queria voltar para casa, Bella... — ele disse, as lágrimas finalmente se misturando à chuva em seu rosto. Ele lembrou-se do início, dos anos de faculdade, de quando acreditava que o amor dela era a sua salvação. — Eu só queria voltar para o tempo em que você era a minha pátria. Mas eu vejo você com ele agora. Eu vejo o jeito que você olha para o Cullen.
Ele puxou a pistola que estava oculta sob o cós de sua calça com uma rapidez que fez Jasper dar um comando de advertência. Mas Damon não apontou a arma para o grupo. Ele a pressionou com firmeza contra o centro de seu próprio peito, exatamente sobre o coração.
— Eu não quero um divórcio, Bella — Damon sibilou, os dentes cerrados, o orgulho e a obsessão fundindo-se em sua declaração final. — Eu não vou assinar papéis para ver você nos jornais com ele. Então... eu vou te libertar da promessa. Mas eu não vou viver para te ver com ele, porque nos meus pensamentos... você ainda é minha.
— DAMON, NÃO! — Stefan gritou, projetando-se para a frente.
Edward tentou cobrir o corpo de Bella com o seu, e Charlie avançou com as mãos estendidas, mas a distância era vasta demais. O tempo pareceu desacelerar enquanto o dedo de Damon pressionava o gatilho.
O estampido do segundo tiro foi ensurdecedor, rasgando a névoa de Montauk com um clarão de fogo. O corpo de Damon Salvatore foi jogado para trás pelo impacto do projétil, os olhos azuis permanecendo fixos no céu cinzento por um milésimo de segundo antes de ele despencar no vazio do precipício, desaparecendo definitivamente na escuridão do Atlântico.
— NÃO! — Bella soltou um grito desesperado, um som agudo de puro terror e choque que ecoou pelo penhasco, cobrindo o rosto com as mãos enquanto o estalo do disparo ainda zumbia em seus ouvidos. O horror do desfecho traumático selava o fim de seu cativeiro com a marca indelével do sangue.
Vinte minutos depois, as luzes rotativas vermelhas e azuis das ambulâncias e das viaturas da polícia estadual cortavam a névoa de Montauk, transformando a clareira do penhasco em um cenário de isolamento pericial. Os paramédicos trabalhavam com pressa, imobilizando o ombro ferido de Bella e cobrindo seu corpo com uma manta térmica de alumínio.
Edward não se afastou um centímetro. Ele caminhava ao lado da maca, segurando a mão direita de Bella com uma força firme, os nós de seus dedos ainda manchados pela lama e pelo sangue da clareira. Ele não olhava para os policiais, não olhava para a imprensa que começava a se aglomerar além da fita amarela; seu mundo havia se reduzido à mulher que ele finalmente resgatara do inferno doméstico.
Atrás deles, perto do limite do precipício onde a terra terminava, Stefan Salvatore permanecia sentado no cascalho, a jaqueta de couro encharcada pela chuva persistente. Ele olhava para o vazio do oceano onde o corpo de seu irmão havia sido engolido pelas águas, as mãos caídas entre os joelhos, a imagem exata do exílio emocional.
Eles haviam quebrado as correntes, haviam sobrevivido à tempestade e ao controle coercitivo que quase os aniquilara... mas enquanto os motores das ambulâncias roncavam em direção ao hospital, a sensação que pairava sobre a clareira era a de que ninguém ali sairia inteiro daquela história.
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