Notas iniciais
Rosa não é mais uma garota normal. Ela já não se lembra mais de como é ser uma estudante, ter problemas normais, ter amigos... A solidão é sua companheira.

Rosa acordou naquela manhã sem a menor vontade de sair da cama. Mas não havia nada que ela pudesse fazer naquela manhã chuvosa a não ser levantar-se.

"Vou passar o dia todo na cama..."- pensou, virando de costas para a janela, onde as gotas da chuva escorriam lentamente.

Mas Rosa sabia que não poderia passar o dia na cama, tinha deveres, o colégio, as mesmas coisas que a fizeram odiar a vida.

Sentou-se na beirada da cama e olhou para a jóia em cima de sua cômoda. Uma pedra negra presa a um cordão prateado, emoldurada por uma armação que lhe lembrava uma gaiola, ou prisão.

"Sempre soube que a alma de uma pecadora era negra..."

Chegou correndo, quase caindo, ao patéo de sua escola. Meio molhada, com muita raiva e atrasada, como sempre.

Tentou passar despercebida pelo corredor, mas foi tocada no ombro:

– Rosa! Atrasada como sempre!

Ela virou-se de sobressalto, notando sua professora de história, Ana Claudia, com um grande sorriso.

– Eu... Já estava indo... — Sua voz ia sumindo.

Aperta o passo e baixa a cabeça.

Entra na sua sala de aula e nota que todos ali olham para ela.

– Entre logo, Rosa! Está atrapalhando a aula... — Sua professora de Matemática, não muito contente com a interrupção.

"Como sempre, estou atrapalhando..."

– Psiiii, Rosa, está toda molhada! Não encontrou o guarda-chuva de novo? — Sussurra sua amiga, Suellen.

– Não sei onde coloquei... — quando nota que Yubey está proximo à porta da sala, observando-a com a expressão de sempre.

"A que devo a honra de sua visita, Yubey?" — Falando com a criatura, por telepatia.

"Rosa, em breve você terá companhia..."

Rosa pára, sente seu coração gelar. Aquilo não estaria se repetindo. Estaria?

"Quem?"

"Alguém que você conhece, mas ainda não se decidiu sobre o seu desejo, então não posso te dizer."

"Por quê? Estou me saindo bem..."

"Esta área é grande e você precisa de ajuda."

"Eu só trabalho sozinha, você sabe disso!"

Rosa estava tendo uma discussão mental com o seu recrutador. Não queria ter que treinar nenhuma menininha deslumbrada com a idéia de se tornar uma Puella Magi.

"Creio que você não possa interferir neste caso. Além do mais, existem muitas bruxas. Você não iria se importar de dividir algumas, não é mesmo?"

Claro que Rosa não estava satisfeita, mas não havia de discutir mais. Estava cansada de tudo aquilo.

– Rosa, imagine só se houvessem apenas pessoas boas no mundo! Acho que não haveriam mais guerras, ou miséria! Até essas crises estúpidas... Ah e falando em crise, acredita que minha mãe não vai me deixar viajar nessas férias? Disse que estamos sem dinheiro!

Rosa olha para a amiga, mas não presta muita atenção em suas palavras.

"Outra Puella Magi... Droga!"

–Não está me ouvindo!?

–Ah, desculpe Sue, só não ouvi essa última parte... — Disse com os olhos em Yubey, que caminhava à sua frente.

Em casa, novamente sozinha, pensando em como vai ser outra garota. Será só mais uma garota, uma companheira nas batalhas, ou mais sangue em suas mãos. Então Rosa olha para seu pulso, vê a cicatriz profunda, dividindo verticalmente seu pulso direito.

"Preciso sair para caçar. Já faz alguns dias... Minha jóia começou a empalidecer..."

Ela observa sua pedra cuidadosamente. Nota a falta de brilho no mais negro onix. Apenas ela é capaz de notar tal coisa, já que qualquer um que olhasse para sua jóia não veria nenhuma diferença em sua cor.

"Não queria ser babá novamente, não entendo porque Yubey não me deixa em paz! Dou conta deste distrito sozinha..."

– Não creio que isso seja possível.

Rosa tem um sobressalto ao ouvir a voz vindo da porta de seu quarto.

– E então? — Pergunta a jovem, irritando-se.

– Ela ainda não se decidiu em relação ao seu desejo. Como sabe, não posso apressá-la. — Responde Yubey, andando lentamente em sua direção. Aquela criatura, que lembra muito um gato, viera de algum lugar distante que Rosa desconhecia. E não tinha nenhum interesse de saber.

– Nem quero que a apresse, não preciso de uma novata!

– A questão não é a sua necessidade, como já sabe. — Diz a criatura, com uma certa maldade no olhar. — Assim que a garota se decidir se tornará uma Puella Magi. Não a obrigarei a acompanhá-la, como não a obriguei da outra vez...

– Posso pelo menos saber que é ela?

Yubey vira as costas para Rosa. Caminha em direção à sombra da parede.

– Não posso permitir que tente alertá-la. — Desaparecendo nas sombras.

"Maldito..."

Rosa caminha pela calçada, de cabeça baixa, olhando atentamente para sua jóia, tentando notar qualquer alteração em seu brilho. Aquela noite haveria de ser uma boa noite para caçar.

De repente a pedra começa a brilhar mais intensamente. Rosa sabe que estava perto de encontrá-la. A bruxa.

Finalmente ela encontra a barreira mágica que cerca o berço da besta. Enfim, à caça!

Usando sua jóia da alma, Rosa abre um portal e caminha lentamente para dentro da barreira, não sabendo o que encontraria no seu interior. Sempre que saia à caça, Rosa tinha aquela sensação, seu coração acelerava, suas mãos tremiam, mas ela não deixava isso transparecer em sua face, sempre de uma imprenetrável frieza.

Logo se ve cercada de pequenas criaturas que lembravam besouros, baratas e moscas. O odor era quase insuportável. Lembrava enxofre.

– Ugh! Que horror! — Tapando o nariz.

As criaturas que a cercam começam a ficar mais agitadas, ela sabe que está chegando ao centro do ninho. Rosa, então, se transforma. Sua jóia da alma começa a brilhar intensamente, enquanto Rosa é envolta por uma luz vermelha, suas roupas vão mudando, tornando-se um belo vestido negro, com uma grande fenda de onde pode-se ver um belo tule vermelho. Sua jóia transforma-se em um colar, na forma de uma rosa negra.

Ela entra, finalmente, ao centro da barreira, onde consegue visualizar uma criatura gigatesca, amorfa, que lembrava vagamente uma grande mariposa. Era Jesebel, a bruxa das plantações perdidas.

– Você é minha! — Grita Rosa, fazendo aparecer magicamente um florete, sua arma. Era apenas uma representação da utilização de sua magia.

Ela apenas toca com o salto no chão e começam a surgir ramas de espinheiro ao redor da bruxa, rapidamente enrrolando a criatura e a apertando-a.

A bruxa se contorce e grita, um som aterrorizante, e escapa dos espinhos, vindo ávidamente em direção de Rosa, que esquiva-se com a graça de uma bailarina, desferindo um ataque nas costas da criatura. Rosa conjura novamente suas roseiras, desta vez cercando não só a bruxa, como também os pequenos familiares que a cercam, criando uma grande gaiola, com espinhos de metal.

– Desculpe, mas você já era! — Ela sapateia, levanta suas mãos e, tocando suas castanholas, conjura sua última magia.

– Iginis Rose!

Brotam várias rosas gigantes entre os espinhos que começam a explodir, uma a uma, causando uma reação em cadeia.

Logo a grande bruxa desmorona, restando apenas uma espécie de pasta negra, no chão. A barreira mágica começa a cair.

Rosa aproxima-se dos restos da bruxa e pega seu prêmio. Ali está a pequena pedra negra, a semente do rancor.

Já em seu quarto, Rosa abre a primeira gaveta da cômoda, mas pára, quando sente a presença de Yubey.

– Como foi a caça?

– Por que pergunta? Você sabe como foi.

Yubey caminha para perto de Rosa, subindo em sua cama.

– Mas a muito tempo não vejo você fazer uso de uma semente do rancor. O que faz com elas?

Rosa termina de abrir sua gaveta e observa as suas quase 40 sementes de rancor no seu interior. Coloca a última que conquistou nesta batalha.

– Guardo para caso eu necessite usar no futuro.

Fecha a gaveta.

Notas finais
* Nota do capítulo:
Essa história se passa em um período paralelo ao da história principal de Madoka, porém, na Espanha, enquanto os eventos principais ocorreram no Japão, como sabemos.
* Nota pessoal:
Bom, flores, voltei. Sei que devem me odiar pelo meu sumiço, mas logo explico o que aconteceu. Obrigada mesmo por ainda lerem meus textos. Vou retomá-los todos, prometo!