Sincronicidade
7 7 . Trancelim
— O príncipe pedinte.
Eram o que sussurravam às minhas costas. E às vezes, da boca da rainha, esposa de meu irmão. Ela não aprovava a decisão de Ehre de me resgatar das entranhas da cidade, alimentar um pedinte e cobri-lo de trancelim e ouro. Ela dizia que nada poderia tirar o fedor de urina e fezes que eu exalava no primeiro dia. Como se estivesse permanentemente marcado.
Aquilo me fazia perceber que eu nunca pertenceria. Nenhuma mão se estenderia para mim em Fogaréu.
Mas uma, delicada e alva, sempre entrelaçava os dedos com os meus e me afastava da escuridão.
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