Sincronicidade
12 Capítulo 12
Mesmo sabendo
que não havia tempo de sobra
eles escolheram viver
a versão mais bonita da vida
—girassóis
O que o sol faz com as flores- Rupi Kaur
Algoritmo
Derivado do nome do matemático islâmico Al-Khowarizmi. Um conjunto de regras ou instruções que resultarão na solução de um problema. Um algoritmo oferece um processo de decisão, ou um método computável para resolver um problema. Apesar de um algoritmo solucionar um problema, pode não o fazer eficientemente; na teoria da computação é possível avaliar a eficiência e o comportamento dos algoritmos em várias circunstâncias.Mas as pessoas não são tão fáceis e a vida não é tão simples.
Meu problema era o Jonas e minha solução era o Ryan.
Eu evitei o Cross o máximo que deu. Inventei uma desculpa qualquer para o Ryan e peguei uma carona depois da aula com o Adam, que não me questionou muita coisa, ao contrário de Kara que não parava de fazer perguntas e eu não respondi quase nada. Eu não fazia ideia de como agir agora, porque eu estava gostando da companhia do Cross, mais do que eu deveria, toda vez que ele me toca ou me beija sinto um arrepio passar pelo meu corpo, toda vez que ele me olhava com seus olhos castanhos brilhantes e piscava eu me derretia toda por dentro e sentia meu rosto esquentar.
00:23
Olhei para o relógio em cima do criado mudo ao lado da minha cama. Eu não conseguia dormir e se tem uma coisa que eu prezo nessa vida é o meu sono. Eu não parava de pensar o quanto em tudo o que eu estava sentindo e no que estava acontecendo entre eu e o Cross. Ou seja nada. Até porque ele ainda gostava da Lynn Walker, por mais que ele negue, eu sabia que ele gostava. Já eu… Ai meu Deus, eu não posso ser tão idiota a ponto de estar começando a gostar do Cross.
Um barulho vindo da minha janela me tirou dos meus devaneios. Levantei alarmada, parecia tentar forçar a janela para abrir, mas eu havia trancado antes de dormir, eu peguei o abajur que foi primeira a coisa que eu vi, me aproximei da janela com cuidado e abri uma pequena fresta da cortina, quando eu vi quem era abaixei o abajur e revirei os olhos. Abri a cortina repentinamente o que assustou um pouco Cross, ele deu um sorriso amarelo e fez um movimento com as mão para eu abrir a janela, bufei irritada e fiz o que ele pediu.
—O que está fazendo aqui? Tem ideia de que horas são?
— Porque está surrando?- disse ele sussurrando também.
—Para não acordar a minha irmã, não sei na sua casa, mas na minha não é terra sem lei.- ele riu e me olhou de cima a baixo.
—Curtir o pijama- disse ele ignorando as minhas perguntas com um sorriso provocador, e se referindo ao meu short curto e minha camiseta com estampas de gatinhos super infantil, tentei cobrir o meu corpo com os braços e tornei a repetir a pergunta.
— O que está fazendo aqui, Cross? — a iluminação o quarto era pouca, a única luz vinha da lua e um pouco do poste da rua.-Me assustou achei que fosse um ladrão ou pior...
— O pior seria o que? O Jonas? — ele questionou, não parecia ironia ou para me atingir, parecia realmente querer saber se eu estava com medo de ser o Jonas. E sim, eu estava. Mas não respondi a ele, fiquei quieta e abaixei a cabeça, ouvi ele dá um suspiro e levantei minha cabeça novamente o encarando.
— O que está fazendo aqui? Você bebeu?- quando ele entrou no quarto eu havia sentido um leve cheiro de álcool.
— Precisava fazer uma coisa?
— O que..- iria perguntar que coisa era essa que me envolvia, mas ele me interrompeu me beijando com urgência. No começo fiquei surpresa, mas logo retribui, suas mão que estavam no meu rosto desceram para a minha cintura, me apertando mais contra ele, como se eu fosse fugir, minhas mãos que estavam em seus ombros passaram em volta de seu pescoço e puxei os seus cabelos. Ele gemeu baixo nos meus lábios. Ele estava com gosto de de álcool, cigarro e menta.
Ryan passou as mãos nas minhas coxas me segurando e eu entrelacei minhas pernas em volta de sua cintura. Ele colocou em cima da minha mesa de estudos e acabamos derrubando alguns dos meu livros e canetas, sorrimos durante o beijo, mas não o interrompemos. Uma de sua mãos foi para debaixo da minha blusa, mas Ryan não passou da cintura a apertando, já a sua outra mão foi para a minha bunda apertando forte, dessa vez eu que gemi em seus lábios. Parecia que cada parte do meu corpo estava pegando fogo, eu nunca havia sentido isso com ninguém, nem quando eu ainda acreditava que Jonas era uma boa pessoa e estava completamente apaixonada por ele. Mas nosso momento foi interrompido por uma batida na porta do meu quarto, nós paramos e nos separamos devagar, tanto eu quanto Ryan estávamos ofegantes, com nossos subindo e descendo.
— Violet- chamou a minha irmã, ela tentou abrir a porta, mas felizmente ela estava trancada e dei um suspiro aliviada- está tudo bem aí?- olhei para Cross que tinha os olhos levemente arregalados, sua boca estava rosada e os cabelos bagunçados.
— Oi- disse tentando deixar minha voz firme, mas falhei miseravelmente.
— Está tudo bem aí? eu ouvi um barulho estranho
— Aah... não é nada não Tessa.. eu… eu apenas esbarrei na mesa quando fui ao banheiro e derrubei algumas coisas- inventei uma desculpa esfarrapada.
— Ahh, okay então, cuidado! Vai dormir pirralha
— Okay- ouvi seus passos sumir pelo corredor. Voltei meu olhar para Ryan que tinha um sorriso travesso nos lábios avermelhados, meus braços ainda estava em volta de seu pescoço e Ryan ainda tinha uma mão debaixo da minha blusa e a outra no meu quadril.- Você me beijou — disse, parecendo perceber isso só agora.
— Você tem gosto de maçã- disse ele como se isso respondesse tudo,eu o olhei confusa e ele me deu um selinho- eu adoro maçã- não sei porque, mas essa frase foi estranhamente sexy. Ele ficou analisando o meu rosto por alguns segundos antes de dizer- seus olhos sãos os mais lindos que eu já vi- isso foi o suficiente para desarmar qualquer barreira minha que ainda estivesse de pé.
— Jonas dizia que eram bizarramente grandes e que deveria ser assustador acordar comigo.- disse relembrando o dia que meu ex me disse isso. Ryan bufou e colocou suas mãos em meu rosto.
— Jonas é um idiota, você é perfeita.
— Você está bêbado né- disse estranhando seus elogios, ele sorriu maroto e tirou uma das mãos do meu rosto fazendo um gesto com a mão indicando um “pouquinho”, depois retornou sua mão ao meu rosto. Revirei os olhos, mas não deixei de sorrir.- melhor ir para a sua casa, já está tarde.
— Posso dormir aqui com você?- nunca deixei o Jonas dormir comigo, ou eu ir dormir na casa dele. Sempre achei que se um dia um garoto me pedisse para dormir comigo eu iria achar super estranho e difícil de dizer sim, mas no entanto foi fácil fazer isso o Ryan. Eu apenas assenti e ele sorriu se afastando um pouco tirando sua jaqueta e seus tênis.
Ele me desceu da escrivaninha e me puxou para deitar na minha cama com ele. Me aconcheguei em seu peito e ficamos em silêncio. Seja lá qual for a consequência do que aconteceu hoje entre a gente, podemos lidar com isso amanhã.
— Minha mãe e Faith- ele disse depois de alguns minutos em silêncio, o olhei confusa, ele estava com os olhos fechados e parecia sereno.- Você me perguntou hoje mais cedo, porque eu era tão violento, grosso e porque não deixo as pessoas se aproximarem.
— Desculpa… eu…
— Não… tudo bem- ele me interrompeu- não tem do que se desculpar- ele ficou mais uns bons segundos em silêncio- a Faith era mais velha do que cinco anos, mas ainda assim era a minha melhor amiga, eu a amava demais, ainda amo… perdê-la foi a pior coisa que já aconteceu comigo… três meses depois do massacre, descobrimos que minha mãe estava com câncer em estágio avançado.
Sara Cross. Eu me lembro dela, vivia aqui em casa, era melhor amiga da minha mãe, ela era linda, doce e gentil.
— Acho que perder sua filha mais velha foi demais para ela, o médico deu dois meses de vida...e dois meses depois ela morreu.- desabafou ele tudo isso ainda olhos fechados e seu rosto estava relaxado.- eu nunca falei sobre isso com ninguém.
— Sinto muito por tudo, elas eram mulheres incríveis- não havia muito a ser dito, Ryan deu um singelo sorriso e me apertou mais em seus braços e caímos no sono.
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