Sincronicidade
1 Capítulo 1
Sempre odiei amarelo.
Sempre achei sem graça e me dava dor de cabeça só de olhar para ela, achava ela enjoada e chata, sim, eu achava essa cor chata. No entanto, de uns tempos para cá venho revendo alguns conceitos pré-estabelecidos em minha vida. E uma delas é essa cor, ela se tornou uma cor muito agradável para se admirar, como algumas outras coisas na minha vida. Ela simboliza luz, calor, descontração, otimismo, alegria, o sol, o verão, a prosperidade e a felicidade. O que não tem porra nenhuma a ver comigo.
Para algumas pessoas aquela manhã ensolarada de fim de verão era apenas mais um dia normal de trabalho, mas para alguns adolescentes era o primeiro o dia do último ano do ensino médio, no St. Clair Institute, na Califórnia. Infelizmente eu sou uma dessas adolescentes.
— Prontas? – perguntou Adam Wood. Adam é meu melhor amigo desde que me entendo por gente, ele é uma das pessoas mais importantes da minha vida, ele sempre tentou me proteger, mas eu fui orgulhosa demais para aceitar.
— Mas do que pronta, e você? – respondeu minha outra amiga animada. Kara Mitchell. Ela é linda demais, sempre chama atenção por onde passa. Mas o que eu mais invejo nela é o seu bom humor constante, sinceramente não sei como ela consegue, porque eu acordo querendo mandar todo mundo tomar naquele lugar. Kara e eu nos conhecemos na sétima série, ele veio me perguntar se ela poderia hidratar meu cabelo, melhor maneira de se começar uma amizade.
— Nada a declarar- respondi. Mas e eu? Quem eu sou? Isso é uma ótima pergunta, afinal quem sabe quem é no auge da decadência dos seus dezessete anos. Mas meu nome é Violet Carter, todos me acham estranha. Com minhas roupas largas e meu óculos grande demais para o meu rosto, contudo, isso era proposital, não gosto das pessoas reparando no meu corpo ou em mim, não mais. Depois de dois anos em um relacionamento abusivo com meu ex namorado Jonas Velmont. Ele não gostava muito que eu me arrumasse. Eu não queria chamar a atenção de além do necessário. O ensino médio é uma droga, e ser adolescente é uma droga, então ser uma adolescente no ensino médio é uma gigantesca bosta.
— Achei que não gostasse de amarelo V.— Diz Adam reparando na meu all star amarelo.- Combina com você- disse dando um sorriso.
— Estou revendo alguns conceitos na minha vida. — respondi dando um sorriso tímido.
— Você poderia rever o conceito do seu estilo- sugeriu Kara, dando um sorriso inocente. Adam deu uma risada nasalada e eu lhe lancei um olhar cortante. E ele parou na mesma hora.
— Eu gosto do estilo da V.- Diz Adam tentando se retratar. Inteligente.
— Isso porque você é homem, não entende nada- rebate Kara, olhei para minhas roupas largas.
— Você que é cheia de frufru, a Violet não precisa disso- disse Adam provocador e Kara lhe olhou ofendida. Adam e Kara se bicam desde do dia em que se conheceram, por isso acho que isso é amor reprimido.
— Eu gosto das minhas roupas- digo, tentando desviar a atenção da discussão que aconteceria ali.
— Mentira, você não gosta, o que você gosta é de não chamar atenção, por causa daquele idiota- ela diz, e ela tá certa.
Ninguém nesse mundo odeia mais o meu ex namorado, do que a minha melhor amiga, mas acho que melhores amigas são assim, né?. Eu sei, vocês devem estar se perguntando, porque não terminou com ele antes? Porque eu amava, apesar de tudo e ele sempre dizia que iria mudar e eu idiota sempre acreditei nele.
— Temos aula, vamos!- digo, trocando de assunto e saindo na frente para Kara não continuar a encher meu saco.
— Eu sei que está mudando de assunto Violet Carter- gritou ela, mas a ignorei e continuei meu caminho até a secretaria para pegar os horários.
***
Adam e Kara já haviam ido para a sala, ambos tinham a mesma primeira aula. Eu estava indo em direção a minha sala. Quando um grupo de atletas esbarraram em mim derrubando os meus óculos e meus livros.
— Não consegue enxergar sem seu fundo de garrafa Nerd?. – Zombou alguém dos meus óculos, enquanto eu procurava no meio dos meus livros. No entanto era uma voz feminina.
E eu sabia quem era. Lynn Walker. Primeira da turma. Considerada uma das meninas mais bonitas do colégio. E insuportável para caramba. Lynn e eu não nos damos muito bem, e eu não faço ideia o do porque, ela simplesmente começou a pegar no meu pé no início do primeiro do ano. Lynn é "perfeita". É linda, inteligente, se veste bem, popular e namora o Capitão do time de futebol americano. Que por acaso é o idiota que derrubou meu óculos.
— Você é muito idiota mesmo sabia? — disse enquanto ainda procurava meus óculos.
— Qual foi nerd perdeu a noção do perigo? — perguntou seu namorado. Peter Diggle se aproximou, eu não conseguia enxergar direito, mas conseguia ver sua estatura em enorme em contrapartida a minha.
— Qual foi Diggle, deu pra ameaçar mulher agora? — perguntou Ryan Cross, eu sabia quem era, ele era o meu parceiro de laboratório e ele também é um idiota. Tem muita gente idiota nessa escola.
— Não se mete Cross, qual foi? Não vai me dizer que ta comendo a nerd? — perguntou Diggle provocativo e eu automaticamente fiz uma careta.
— E se tiver, tá com ciúmes Diggle?!- fiz uma careta de nojo maior ainda
— Que nojo- disse baixinho, mas os dois escutaram e olharam pra mim.
— Qual foi nerd? sabe o privilégio se eu ficasse com você- disse o capitão do time de futebol americano, se aproximando e foi impossível eu evitar uma risada nasalada.
— Seria impossível eu ficar com qualquer um de vocês dois- disse, e mesmo sem meu óculos eu consegui ver a careta que Cross fez- posso ser nerd, posso ser estranha, mas ainda tenho amor ao meu corpo e não deixaria nenhum dos dois tocar nele- mentira se tinha algo que eu não gostava era do meu corpo, mas do que ter vergonha dele eu sou é orgulhosa.
— Olha aqui...
— Senhor Cross e senhor Diggle, eu espero que não estejam tendo nenhum problema com a senhorita Carter.
— Não Diretor Moore- respondeu ambos
— Aqui Carter seus óculos, estava debaixo do armário- o diretor me suspendeu o óculos.
— Obrigada Diretor- agradeci colocando os meus óculos e agradecendo aos cosmos por finalmente conseguir enxergar de novo.
Eu resolvi voltar ao meu caminho em direção a sala e ignorar aquela situação como sempre fazia. Contudo o idiota do Diggle bateu na minha bunda. Eu fiquei tão envergonhada eu não sabia o que fazer, estavam os garotos do time dando dá risada da minha cara como se eu fosse patética, e eu me sentia patética.
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