Sincerity
1 Redação
“Talvez eu deva começar me apresentando. É. Meu nome é Jack. Não sei se é de seu interesse, mas sou um típico garoto de dezesseis anos, de cabelos azulados com as pontas roxas – isso porque eu estava de saco cheio dos meu bagunçados fios dourados – olhos azuis e alto, 1,88m, para ser exato. Eu só tenho uma característica marcante: sou sincero, independentemente da situação.
Mas, até que ponto a sinceridade é bem vinda? Não conheço muitas pessoas que levem um boletim cheio de notas vermelhas para casa e contem isso para os pais sem hesitar; sequer conheço alguém que nunca tenha mentido na vida, mesmo que tenha sido uma mentira branca, como Papai Noel ou, o cúmulo da mentira, Coelho da Páscoa... Posso contar nos dedos as pessoas que respondem por todos os seus atos sem temer justificá-los. Talvez seja por isso que odeio os humanos.
Humanos matam, agridem, estupram, xingam, não medem esforços para conseguir se satisfazer, mentem. Humanos são criaturas imundas.
Certo, mas, se é para fodermos uns aos outros, que seja com um mínimo de dignidade. Se vai matar o filho do seu chefe na sexta a noite, conte para ele, pode ser até que você seja convidado para o funeral; se quiser comera mulher do seu professor, vá em frente, ainda peça para ele passar a noite num bar qualquer; se quiser enganar alguém, antes engane a si mesmo... Bote para quebrar, seu filho da puta!
Chega de máscaras, jogos, armadilhas e julgamentos. A humanidade está destinada a queimar nos quintos do inferno mesmo, que diferença faz?”
Esse foi o primeiro zero da minha vida. Talvez eu devesse escolher com mais cuidado as palavras que uso em minhas redações escolares, mas foi irresistível. Acredito que o corretor tenha se sentido ofendido, talvez seja por isso que, depois de matar a esposa que o traía todas as sextas com um grande diretor de uma empresa de escolas, ele se matou. Foda-se, o mundo não foi feito para os sentimentais.
A propósito, esse diretor é o meu pai.
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