Sincerely Yours
2 Jesse's Party
Notas iniciais
Quinze minutos. Apenas novecentos segundos para aquela aula acabar. E Quinn não aguentava mais esperar. Ela via o professor falar, porém para ela, ele não falava nada com nada. Sentiu a ansiedade assumindo todo o seu corpo, e sem ao menos perceber, já tinha começado a mexer seus pés e mãos sem parar. Parecia que o tempo não passava.
Tentou se ocupar com outras coisas. Decidiu observar as pessoas na sala. Algumas estavam prestando atenção no que o professor dizia, outras dormiam ou ficavam respondendo mensagens no celular, e tinha também umas que estavam exatamente como Quinn, ansiosos para a aula acabar.
Mas havia uma pessoa em particular, que não estava fazendo nada disso. Essa pessoa era Jesse St. James. Ele olhava fixamente para Quinn, praticamente a encarando. Ela não entendia. Os dois nunca se falaram particularmente, então não havia motivos para ele encará-la.
Quinn desviou o olhar dele e tentou observar outras pessoas na sala, mas simplesmente não conseguia. O fato de ter alguém a encarando simplesmente a perturbava, como se um serial killer estivesse acabado de escolher sua próxima vítima.
Quando o sinal finalmente tocou, anunciando o fim da aula, Quinn foi uma das primeiras a sair da sala, e saiu praticamente correndo para o estacionamento do colégio. Não aguentava ficar nem mais um minuto naquele ambiente. Mas isso foi interrompido quando ela ouviu alguém a chamando em algum lugar.
-Fabray! — Jesse gritava. — Fabray! Finalmente te achei.
-O que você quer, St. James?
-Eu só queria te convidar para a minha festa às nove horas. — Ele disse, com pressa nas palavras.
-E por que você está me convidando, sabendo que eu não vou à festas estúpidas de pessoas estúpidas?
-Ouch, essa doeu. Só, por favor, apareça por lá, Rainha do Gelo. — disse ele, antes de desaparecer procurando por seu carro.
Rainha do Gelo. Esse era o apelido de Quinn na escola, e fora dado esse apelido principalmente porque era fria com todos. Ela não tinha opinião alguma sobre esse apelido, era indiferente sobre ele. Simplesmente não se importava com o que as pessoas a seu redor falavam sobre ela.
Entrou em seu carro e saiu da escola, direto para sua casa. O caminho era perto, apenas um quilômetro, mas mesmo assim, preferia ir de carro. Era bem melhor do que ir andando e encontrar vários malucos, Lima estava cheio deles.
Ao chegar em casa, já via um ser a esperando na porta, e certamente feliz em vê-la. Seu cachorro, da raça são bernardo, Sammy. Ela o tinha encontrado na rua, quando tinha apenas oito anos, e desde esse dia, nunca se arrependeu dele. Sammy era praticamente seu melhor amigo.
-Sammy! — disse ela quando saiu do carro, e ele veio correndo a abraçar, e o tal abraço, a derrubou. Quinn viu o quanto ele estava feliz em revê-la. — Como foi seu dia? — Quinn sabia que ele não iriaa responder, pois era somente um cachorro. Mas ela sentia um certo prazer em conversar com ele. Para ela, Sammy era o único em quem ela podia confiar. — É, o meu também não foi muito bom.
Ela entrou em casa, e logo um corredor cheio de fotos da família, muitas delas, mostrando uma jovem garota muito parecida com Quinn, e poucas com a própria Quinn nela. Ela ouviu gritos vindo da sala, seu pai provavelmente estava vendo um jogo na TV, para estar tão animado assim.
Subiu com Sammy para seu quarto, um quarto cheio de pinturas, até mesmo uma parede do próprio quarto estava com uma pintura de uma montanha. Ela apenas se deitou na cama e esperou o tempo passar.
xxx
-Quinn, aonde você está indo? — perguntou sua mãe, quando ela estava quase na porta de casa, toda arrumada.
-Eu vou... Para uma festa, não se preocupe, só vou ficar poucas horas lá e vou voltar cedo — respondeu ela, saindo de casa direto para a festa de Jesse deixando sua mãe com várias dúvidas na cabeça, já que Quinn nunca saía para festas.
Chegando na festa, logo percebeu uma multidão bem concentrada. Parecia que a escola inteira estava dentro daquela casa. Entrou na festa e teve a certeza de que alunos da faculdade estavam lá também. A música alta quase a deixava surda, mal tinha espaço para andar, devido à várias pessoas da festa. As luzes, que se alternavam em várias cores, deixava o ambiente ainda mais festivo, e para completar o ambiente, havia vários casais dando amassos nos cantos.
Ela foi direto para um barril, que julgava ser de cerveja, e pegou um pouco. É, definitivamente cerveja. Observou as pessoas enquanto tomava a bebida. Algumas a notavam e outras não; sendo que as que notavam, estranhavam o comparecimento de Quinn a uma festa.
Tentou sair da concentração de pessoas, porém era impossível, havia muitas pessoas nessa festa. Ela odiava multidões. Infelizmente, não havia nenhuma saída; a não ser uma sala com portas de vidro e cortinas, interrompendo a visão de seu interior. Ela tentou abri-la, porém estava trancada. Quinn bufou. Não queria mais ficar naquela festa, mas certamente não queria ficar em casa, ouvindo seu pai gritar para a TV nos jogos da NFL. Ela estava um tanto que presa.
-Fabray — disse alguém perto dela, e quando viu, era somente Jesse. Ele parecia estar surpreso por ela comparecer. — Você quer entrar? — Ele apontou para a porta de vidro.
-Por favor — ela respondeu, esperando Jesse abrir a sala e finalmente entrar, longe de toda a multidão da festa.
A sala era na verdade, um escritório, com sofás de couro, computadores da Apple, mesas que Quinn julgava ser de mogno, uma lareira à lenha e em cima dela, uma réplica do quadro de Edvard Munch, O Grito.
-Gostando da festa? — ele perguntou.
-Ela está uma droga — respondeu, sentando-se em um dos sofás perto da lareira, e sentindo o quanto eles eram confortáveis.
-E por que diria isso?
-A cerveja é barata e horrível.
Quinn o fez rir com o comentário sobre a cerveja, e depois, só observou ele ir à escrivaninha, procurando algo nas gavetas. Pegou algo branco, provavelmente o envelope. E então, se sentou ao lado dela.
-Sabe, eu tenho quase toda a escola aqui nessa festa, menos, é claro, os nerds, anti-sociais, as pessoas que todo mundo odeia, bem, tem você, mas vamos passar isso, e, bem, Rachel Berry não está nessa festa.
Ela ficou surpresa. Ela só conhecia Rachel Berry de olhares e conversas alheias, e sabia que ela era uma garota rica, com dois pais gays, tinha muitos amigos e era bem popular. Ela sabia que Berry nunca perderia uma festa se quer.
-E por que ela não veio?
-Ela me odeia. Por algo que eu fiz no primário, eu não me lembro, só me lembro que vivíamos brigando. E isso pode ter levado ela a me odiar, mas isso me levou a... Ter uma queda por ela. Engraçado como as coisas são, não é?
-E o que eu tenho a ver com isso?
-Eu quero conquistar Rachel Berry.
Ela teve vontade de rir naquele momento. Por muitas vezes, Quinn achava que Jesse não seria o tipo de cara que teria uma queda, ou até se apaixonaria, ela achava que ele só seria do tipo que sentia atração física. Aquilo a surpreendeu.
-Porém, eu tenho um obstáculo, — continuou ele. — E esse obstáculo se chama Brody Weston. Conhece?
-Nunca ouvi falar.
-Ele é um universitário, estuda na Ohio University, curso de medicina. E ele namora Rachel.
-E você quer separar os dois, é isso?
-Exatamente. Como você é esperta, Fabray. Estou impressionado. Mas enfim, eu preciso de sua ajuda com isso. Eu sei que amigas são muito próximas umas das outras, ainda mais melhores amigas, e que podem mudar a mente delas em relação a algum garoto, se fizer certo. Eu quero que você vire amiga dela, e a faça terminar com ele. Mas não só isso, preciso nesse meio tempo, que você me ajude a conquistá-la, por isso, virarei o admirador secreto de Rachel, e farei isso com cartas. — Ele terminou, estendendo o envelope branco para ela.
-Por que eu faria isso?
-Esse escritório é do meu tio, August St. James, ele vive em Nova York, e ocasionalmente vem para Lima. — Nesse ponto, Quinn tinha mais uma coisa para odiar em Jesse: sua incapacidade de ser direto. — Ele é um dos melhores professores na New York University, e uma carta de recomendação dele poderia dar ma bolsa integral para um aluno. Por sorte, eu sou muito próximo dele, e conseguir uma carta de recomendação dele por mim seria muito fácil. Eu sei que você quer entrar nessa faculdade desesperadamente.
Ele estava certo. Entrar na NYU era seu sonho. Ela desejava isso desde que era criança, e viu uma matéria na TV sobre a faculdade. Porém, sabia que seu pai nunca iria deixar ela ir para aquela faculdade. Para ele, Quinn deveria ir para uma faculdade perto de casa, e ser uma médica bem-sucedida, trabalhando também perto de casa.
-Como você sabe disso? — perguntou, com um ar de que finalmente fora derrotada.
-Você tem que parar de conversar com seu cachorro. Te faz parecer uma louca — disse, deixando sua carta no sofá ao lado dela, e se levantando. — É sua escolha agora, se você aceitar, é só pegar a carta, se não, só a deixe no mesmo lugar. Se quiser aproveitar o resto da festa aqui, sozinha, tem uísque na mesinha ao seu lado, garanto que é melhor que a cerveja — ele terminou saindo da sala.
Como ele disse, era tudo decisão de Quinn agora.
Pegar a carta e ter uma bolsa integral para a faculdade de seus sonhos, mas ter que virar amiga de Rachel Berry e separar ela do namorado, ou somente deixar a carta ali, intacta, e não ter que fazer nada disso, mas perder a faculdade de seus sonhos.
Quinn sabia que, se aceitasse essa oferta, seria praticamente, a pequena escrava de Jesse, e ela não queria isso, porém ele fazia daquela proposta, algo irrecusável. Ela poderia considerar esse, uma dos momentos mais decisivos de seu futuro.
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