Sinas de Sangue
1 Prólogo - Leuris
Notas iniciais
Janeiro de 1946
O VENTO DAQUELA NOITE DEIXAVA OS DEDOS DE Leuris frios, mas era necessário que ele ultrapassasse aquela névoa para encontrá-la. Sabia que era de extrema urgência a carta de Joana, senão ela não teria se dado o trabalho de escrevê-la. O que o intrigava era o porquê, depois de tanto tempo, ela queria falar com ele. Respirou fundo e ergueu o pulso, batendo na porta.
Os olhos verde-musgo de Joana Moraes o encararam.
— Olá Leuris. – Disse simplesmente. As olheiras no seu rosto estavam mais profundas do que da última vez que a vira e ela parecia ter emagrecido, apesar de que ele sabia que Joana não precisava de comida. – Entre.
Assentiu e entrou na pequena sala que havia na casa. Uma Anciã humilde? Bem, era Joana que estava ao seu lado e a imagem da menina que estudara com ele voltou à mente. A mulher que ele amara. Sentou-se no sofá, observando a delicadeza do corpo dela.
— Eu lhe escrevi para pedir que volte. – Disse ela. Sempre direta. – Vou estar lá dentro de sete meses, Leuris... seria bom estar rodeada de amigos. – Mas algo em sua voz estava errado. Ele respirou fundo, resistindo à tentação.
— Não volto mais para lá. – Falou em tom firme. – Você sabe mais do que ninguém o que aconteceria se eu visse Heilung mais uma vez.
Joana fechou a cara. Às vezes você parece ter 30 anos, não 86, ela pensou. Leuris deu de ombros.
— E ele parece ter 25! – Ele murmurou, irritado.
Joana suspirou. O que eu queria é... Ela pausou os pensamentos. Sra. Moraes era a única pessoa que Leuris conhecia que conseguia fazer isso. Bom, vocês vão embora mesmo? Ele acenou, concordando, enquanto os dedos brincavam no pingente negro de seu colar.
— Acredito que esse símbolo não seja mais aceito na Conspiração. – Leuris ergueu o pingente, mostrando a estrela de seis pontas.
Você não devia fazer isso, Leuris. Sabe o que pode acontecer... Ele balançou a cabeça, se recusando a aceitar opiniões diferentes da já decidida. Mas algo estava errado.
— Por que só volta daqui a sete meses?
Ela abaixou os olhos e ele direcionou o olhar para o colar dela. Um círculo com um ponto no meio... branco, ao invés de verde. Leuris prendeu a respiração.
— Está de brincadeira, não é mesmo?
Mas ele a conhecia bem demais. Joana não brincava. Estou grávida, pensou ela simplesmente.
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