Sinapsis
22 Guerra - O fim
Lorie não pensou.
Assim que Victor apareceu, seu instinto tomou conta.
Num piscar de olhos, um domo de batalha se materializou ao redor dela e do pai — não um domo gigantesco, mas do tamanho exato para que sua expansão pudesse alcançá-lo completamente. A barreira brilhava com uma luz azul-prateada, sólida e precisa, isolando apenas os dois do restante do campo.
Lorie usando toda sua força teleportando-se para frente de Victor especializou um chute concentrando toda sua aura em um ponto
Victor desviou do chute dela com uma velocidade sobrenatural. O golpe passou raspando por seu rosto, carregando uma força tão brutal que o ar ao redor estalou como vidro se partindo. Se tivesse acertado, ele teria sido ejetado imediatamente. Talvez nem sua mente resistisse à destruição que aquele impacto causaria.
Ele recuou, num so pulo ficou a uma distancia segura de Lorie, ainda com aquele sorriso perturbador no rosto.
— Ha! Ha! Ha! — riu ele sadicamente. — que orgulho da minha filhinha, você quase me matou agora!
Lorie o encarou com ódio puro.
— Seu monstro covarde — cuspiu ela, a voz tremendo de raiva. — Eu jamais vou sentir um pingo de remorso por você. Você matou centenas de pessoas inocentes. Ameaçou matar a minha mãe. Você nunca foi meu pai. Nunca!
Victor inclinou a cabeça, divertido, como se estivesse assistindo a uma criança fazendo birra.
— Eu sei que não — respondeu ele, quase rindo. — Agora tudo que importa é que você está aqui. Exatamente onde a Unidade queria que você estivesse.
Ele ergueu a mão.
— Agentes… destruam ela!
Centenas de agentes da Unidade se lançaram para cima de Lorie como uma onda negra.
Ela estendeu o braço para trás, empurrando os Sinapsters que estavam atrás dela para fora do domo com uma onda de força gentil mas firme.
— Fiquem fora disso — ordenou, a voz ecoando.
Sozinha no centro do domo, Lorie respirou fundo.
E expandiu seu domínio ainda mais.
O domo cresceu violentamente, engolindo dezenas de agentes de uma só vez. Paredes de energia se fecharam sobre eles como mandíbulas. Armas de luz se materializaram ao seu redor e dispararam em todas as direções. Agentes eram destruídos às dúzias por vez — alguns evaporavam em partículas de energia estática, outros eram lançados para fora do domo com a mente destruída.
Os Sinapsters que observavam do lado de fora ficaram estáticos, impressionados com tamanho poder.
— Meu Deus… — murmurou alguém.
— Ela… ela está destruindo eles sozinha — disse outro, boquiaberto.
Helena e Arthur trocaram um olhar impressionado. O poder de Lorie era colossal. Naquele ritmo, eles poderiam vencer a guerra em minutos.
Victor, observava tudo com um sorriso satisfeito.
Arthur não hesitou.
— Lorie pode se virar contra os agentes! — gritou ele, a voz cortando o ar como um trovão. — É a nossa chance,Vamos para cima dos Líderes! Isso acaba hoje!
Os Sinapsters reagiram como um só corpo. Em duplas, eles se lançaram contra os doze Líderes da Unidade, aproveitando a vantagem numérica e o ódio acumulado de anos de perseguição. A batalha explodiu ao redor do domo de Lorie
Dentro do domo, a luta de Lorie era brutal.
Ela havia aprendido a controlar sua força durante aquelas semanas. Não precisava mais expandir mundos inteiros para ser letal. Cada movimento era preciso, elegante e devastadoramente eficiente. Seu domínio se espalhava como ondas controladas, gastando o mínimo possível de REM. Armas de luz pura se materializavam ao seu redor e disparavam em todas as direções. Agentes eram destruídos às dúzias — alguns evaporavam em nuvens de energia estática brilhante, outros eram lançados para fora do domo com a mente estilhaçada, ejetados de Sinapsis antes mesmo de tocar o chão.
Em poucos segundos, o número colossal de inimigos já havia sido reduzido drasticamente. Os que restavam começaram a recuar, o medo estampado nos rostos. Eles, que antes avançavam como uma maré negra, agora fugiam dela.
Lorie parou no centro do domo, cercada por dezenas de agentes caídos, o peito subindo e descendo com respiração controlada. Seus olhos brilhavam com uma luz que já não era mais apenas humana.
Ela ergueu a voz, bradando aos ventos e aos doze Líderes que observavam de longe:
— Queriam ver o meu poder? Aqui está! Eu vou destruir cada um de vocês com ele… e vocês nunca mais vão pisar em Sinapsis sem temer por suas vidas!
Suas palavras ainda ecoavam pelo campo de batalha quando um feixe de luz roxa, cortante e preciso, atravessou seu peito.
O impacto foi silencioso, mas devastador.
Lorie cambaleou. Seus olhos se arregalaram por um breve instante. Sua estrutura onírica começou a se desfazer lentamente — as bordas do corpo tremulando como fumaça ao vento, fragmentos de luz dourada se soltando e desaparecendo no ar como brasas levadas pela brisa. A dor era visível em seu rosto, mas ela não gritou. Não disse mais uma única palavra.
Apenas ficou ali, de pé, olhando para Victor com uma expressão que misturava fúria, tristeza e uma estranha serenidade.
Victor sorriu, quase com carinho.
O domo ao redor dela começou a ruir, pedaços inteiros se dissolvendo no vazio.
E Lorie, aos poucos, também se dissolveu completamente. Por um instante, o campo de batalha inteiro pareceu congelar.
Os Sinapsters pararam no meio do combate, os olhos arregalados voltados para o lugar onde ela estivera. Os agentes da Unidade, que recuavam em pânico momentos antes, pararam de correr, confusos.
David foi o primeiro a reagir.
— LORIE!
Seu grito rasgou o ar como um tiro. Ele correu desesperado em direção ao espaço vazio onde o domo havia existido, as mãos tremendo, o rosto contorcido de dor e incredulidade.
— Não… não, não, não!
Helena e Arthur também ficaram paralisados. O choque era visível no rosto de todos os Sinapsters. A garota que, segundos antes, estava destruindo agentes às dúzias simplesmente… desaparecera. Dissolvida em luz.
Arthur já sabia o que aquilo significava, em seus anos de experiência, havia presenciado aquele momento diversas vezes, o momento em que um ser onírico é completamente obliterado da existencia. ele sabia que agora, no mundo real jazia apenas a casca de quem foi Lorie. ela havia acabado de ser assassinada em sua frente, ele não pode fazer, absolutamente nada.
Foi quando do alto da base flutuante da Unidade, uma figura emergiu lentamente.
Era ele.
O Primeiro. O Grande Mestre Obscuro.
Vestia robes negros e antigos, longos e esvoaçantes, adornados com runas roxas que pulsavam como veias vivas. A capa parecia absorver a própria luz ao seu redor, enquanto os detalhes roxos brilhavam com uma intensidade sobrenatural. Seu corpo era pálido, quase translúcido, mas sua presença era esmagadora — como se o próprio ar se curvasse diante dele. Depois de milênios adormecido, ele finalmente despertara, alimentado pela energia colossal roubada naquela batalha.
Com um gesto lento e quase preguiçoso da mão, ele ergueu os dedos.
Vários feixes de luz roxa cortaram o ar ao mesmo tempo, disparados em todas as direções contra os Sinapsters.
Eles tentaram desviar. Tentaram bloquear. Tentaram reagir.
Mas o poder do Mestre Obscuro era absoluto.
Os raios atravessaram defesas, escudos e corpos como se não existissem. Um após o outro, os Sinapsters foram ejetados de Sinapsis — suas formas oníricas se desfazendo em luz enquanto eram violentamente expulsos de volta para o mundo real.
David, ainda de joelhos onde Lorie havia desaparecido, mal teve tempo de levantar o olhar antes que um dos raios o acertasse em cheio.
Seu corpo estremeceu.
E ele também foi ejetado.
O campo de batalha ficou em silêncio.
Apenas Victor e os doze Líderes permaneceram de pé, olhando para o vazio onde Lorie e os Sinapsters haviam estado.
O Grande Mestre Obscuro baixou a mão lentamente, o brilho roxo em suas vestes pulsando com satisfação.
os monitores da base marcavam 100% o grande Mestre Obscuro, estava de volta a vida.
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