Sinais Apaixonados
11 O chumbinho
Tive pena de acordar a Anna para descermos, mas tive que faze-lo, senão daríamos voltar e voltas naquele ônibus até que o motorista dissesse que era a ultima parada pois ele teria que deixar o ônibus na garagem, então teríamos que andar muito mais em um horário muito mais perigoso, a irmã da Anna iria ficar brava comigo e iria mandar ela se afastar de mim, aí terminaria comigo encerrando meu curso sem ninguém ao meu lado mesmo que ela seja só uma amiga, eu devia me controlar mais e não criar expectativas demais, senão parecerei aqueles caras que pagam lanches, encontros, jantares, presentes, ajuda-la na maquiagem, fazendo massagem nos pés esperando que a pessoa me retribua aceitando namorar comigo e então eu a acusaria de me colocar na "friendzone" e dizer que toda mulher gosta de cara cafajeste, conheço gente assim, é triste. Tive que cutuca-la para acorda-la, aproximei-me dela para ver se acordara, sem resultado, deu um leve tapinha no rosto dela como uma cutucada de leve, ela acordou meio confusa, normal quando se acorda no ônibus, ela me olhou com aqueles intensos olhos verdes, estávamos com os rostos tão próximo, podia sentir a leve respiração dela batendo na minha bochecha, então ela olhou bem fixo para meu rosto, e colocou a mão sobre minha bochecha, eu não acreditava que aquilo realmente estava acontecendo, finalmente, iria acontecer, ela gostava de mim, fechei os olhos, aquele momento era especial, provavelmente para ela também, pude sentir ela esfregar o polegar perto da minha boca, esperei, nada, ela me cutucou e pude ver o que era, ela havia tirado migalhas de pão de perto da minha boca, eu devia ter ido no banheiro e verificado, ou eu não devia ter pedido aquele queijo quente no café, mas ele era tão bom, era como morder um pedaço do céu em formato de duas fatias de pão torrado, queijo prato no meio e orégano e pimenta do reino, não muito mas era só para dar um saborzinho especial, mas voltando dos meus devaneios, o que eu tinha na minha cabeça para pensar que ela iria me beijar? Eu a conheci ontem, não devia imaginar esse tipo de coisa, mas ela sorria, provavelmente estava feliz ou apenas sendo educada, ainda não sei bem, ela faz eu não ter certeza de nada, a unica coisa que eu tenho certeza agora neste momento, é que eu não só gosto dela, eu, eu a amo, eu podia beija-la neste momento sem pensar no amanhã e três coisas poderiam acontecer, ela iria retribuir, ela iria me odiar pra sempre ou ela iria falar que prefere que nós sejamos apenas amigos, e sinceramente , a ultima alternativa seria a mais difícil de passar por cima, impressionante como pude pensar tudo isso em aproximadamente 3 segundos e meio, finalmente sentimos o ônibus frear, e apontei para a porta, era o ponto mais perto da minha casa então teríamos uma leve caminhada até a casa dela. Finalmente chegamos na casa dela, ela começou a subir as escadas de casa, dei "tchau" e virei as costas, estava caminhando em direção a minha casa, quando ouvi um assovio muito alto e muito agudo, num acreditei quando eu virei, Anna estava assoviando, alguém devia ter ensinado ela a assoviar em caso de emergência, ela me chamou para me aproximar das escadas, minhas pernas não mandavam em mim, apenas corri até o pé da escada e perguntei o que era, eu não acreditei, se aproximou, fechou os olhos, colocou ambas as mãos no meu rosto e me puxou e em um rápido movimento encostou seus lábios em meu rosto, eu também estava pensando que eu iria ser beijado por ela, sim, eu pensei, eu sou um doente, mas pude ver que ela me olhou de uma maneira diferente, foi um pouco demorado, ela se afastou de mim e saiu com o nariz e os lábios encostados no meu rosto, foi uma sensação boa, junto com ela tirando os dedos do meu rosto arrastando a ponta das unhas dela pela minha barba crescendo, apesar de eu ter feito esta manhã, barbas crescem realmente rápido, assim, ela subiu novamente as escadas e entrou em casa, foi mais um passo, pequeno, mas foi, percebi que aquela noite foi bastante produtiva, ela confiava em mim, contar sobre seus problemas, chorar, e eu a consolar desta maneira, e ainda ter recebido um beijo dela, no rosto, mas era considerado, estou fazendo muito alarde nisso tudo. Os dias se passaram e nossa relação de amizade se tornou bem intensa, sempre almoçamos juntos e com ela pude finalmente aperfeiçoar linguagem de sinais e assim pudemos finalmente dispensar o caderninho e conversar de verdade, sinto que ficamos mais próximos, agora ela tem uma mania engraçada de que quando ela vê meu rosto manchado com molho ou algo assim ela pega um guardanapo, dobra a metade dele na ponta do dedo e limpa o que esta manchado, Anna agora sorria mais, ela me contava as coisas que acontecia sempre que ela sentia vontade e eu fazia questão de dar o maior apoio, notava as vezes que a tal da Aurora as vezes olhava de canto de olho para a mesa que estava eu, Anna e meus colegas (agora colegas dela) e com a convivência nós aprendemos a falar linguagem de sinais, sempre quando conversávamos fazíamos linguagem de sinais para não deixar Anna por fora da conversa, ela sempre olhava de cara feia, provavelmente não esperava que Anna poderia ter amigos, mas naquela noite iria acontecer algo muito grave. No meio da noite, já tinha acompanhado a Anna até a sua casa, estava estudando e recebi uma ligação da Anna, era estranho porque sempre conversávamos por mensagens de texto, então atendi e coloquei na frente do meu rosto, Anna estava chorando, gritava, estava desesperada, ja sabia linguagem de sinais, mas tava muito rápido, Anna tremia, eu não entendia o que ela dizia, soluçava de tanto chorar, tava com dificuldades para respirar:
"Anna, passa pra mim! Kristoff vem aqui por favor! O Olaf ta passando muito mal, Anna bateu na porta do meu quarto com ele nos braços dele, ele ta tremendo e ta com o coração muito acelerado, por favor! Ele vai morrer!"
Elsa deixou o celular cair, e pude ver Anna abraçando o gato nos braços, gritava e chorava, o abraçava, ele tremia, não podia perder tempo, tinha que salva-lo! Peguei minha mochila e minha maleta e corri pra la, estava frio mas não podia perder tempo, tempo é precioso nesse tipo de situação, a porta estava aberta então a abri, pude ouvir Anna gritando no andar de cima da casa e Elsa pedindo para Anna se acalmar, ela provavelmente verbalizava enquanto fala em linguagem de sinais com a irmã, cheguei no quarto e pedi para Anna solta-lo, e ver seu estado, era grave, eu tinha uma suspeita mas eu teria que medica-lo para ter certeza, seria difícil mas teria que tentar sem as luvas mesmo, misturei água morna com sal e coloquei na garganta dele, pedi para Anna segurar a cabeça dele, assim ele engoliu ele vomitou, ele se acalmou e finalmente dormiu, com o estetoscópio os batimentos cardíacos dele voltaram ao normal e colhi sangue para verificar outras coisas que poderia ter no seu organismo, só por precaução mesmo, o coloquei no soro para caso ele tenha alguma desidratação por causa deste vômito, mas já que ele tinha reagido a esta receita caseira só pode ter acontecido uma coisa, Pude sentir Anna me abraçando e chorando, eu retribui mas tava pensando em algo mais serio:
"O que ele tinha Kristoff? Ele tava muito mal, eu realmente tava assustada, fala aí!"
Elsa me perguntou, Anna se separou de mim, e pude ter a atenção de ambas:
"Tem algum vizinho de vocês que não goste de gato ou que não goste de vocês?"
Disse para Elsa e para Anna, em linguagem de sinais e oralmente para ambas me entenderem:
"Alguém envenenou o Olaf, ele vomitou o veneno por isso agora esta normal, colhi sangue para confirmar, mas como ele reagiu a isso, provavelmente foi envenenado mesmo, ele agora ta no soro, mas é bom tentar descobrir quem fez isso, a pessoa não vai desistir até matar o Olaf"
Anna e Elsa estavam catatônicas, elas se olharam, provavelmente tinham alguém em mente, elas se olharam, Anna e Elsa falaram ao mesmo tempo:
"H-A-N-S"
"Hans"
Hans? Sinto que não será uma boa descoberta.
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