Simply Complicated
30 Apologize
Notas iniciais
–Acorda, Annabeth!
Senti um travesseiro bater na minha cabeça. Logo depois um corpo beeem mais pesado se jogou em cima de mim.
– Ah! Sai de cima de mim, filha da puta.
Clarisse rolou pro meu lado e ficou rindo desesperadamente. Eu dei murro de leve no braço dela e lhe lancei um olhar mortal.
Ela me arrastou até o banheiro enquanto eu reclamava e a xingava. Ela apenas ria. Concluímos que a Clarisse não é normal.
– Ah! Fala sério, você tá o dia todo nessa cama, vai se foder, ou vai ser fodida, sei lá, mas faz alguma coisa, caralho!
–Hm... Não.- Resmunguei manhosa.
Voltei em passos largos para a cama e me joguei lá, abraçando meu travesseiro.
Clarisse me puxou pelos pés para fora da cama. Eu me debati antes de cair de cara no chão.
– Caralho, Clarisse. Isso doí.
– Não reclama.
–Hm... — Gemi em reclamação.
–Você está parecendo a Sage com essa cara amassada.
Isso me acordou.
–Tá, eu vou me arrumar.
Suspirei derrotada e caminhei até o banheiro em passos pesados. Clarisse tinha jogado baixo.
A água caía pelo meu corpo, relaxando meus músculos. Percy ainda não tinha me ligado. O pôr do sol já aparecia na linha do horizonte. E ele ainda não tinha me ligado. Eu tinha faltado aula e ainda não tinha ido visitar meu irmão. Aquilo estava me matando. Estar brigada com o Percy estava me destruindo.
Saí do banho depois de um bom tempo. Não olhei para ver se Clarisse continuava ali.
– Annnabeth?- A voz irritante da Sage invadiu meus ouvidos.
– Falando no demônio.
No rosto dela não tinha nem um sorriso irônico ou qualquer resquício da expressão de superioridade que sempre o estampava. Os olhos dela estavam... tristes? Sim, talvez não, não consegui ter certeza.
– O quê?
– Nada. O que você quer?
– O Percy terminou comigo.
Fiquei com vontade de dar pulinhos de alegrias e bater palmas, mas me controlei.
– E...?
– Eu realmente gostava dele, estou triste. Além disso ele acabou comigo para ficar com você.
– Ele te disse isso?
Não resisti a um sorriso de lado.
– É meio óbvio.
– Tá, e por que você está aqui?
– Eu vim te chamar de vadia por roubar meu namorado.
– Ah! Aquele que você roubou primeiro?
– Vocês tinham terminado.
Não discuti. Durante toda a conversa ela continuou com a mesma voz trêmula. Sim, ela estava triste. Nunca pensei que a minha irmã tivesse sentimentos.
– Tá bom, agora sai.
– Vai se foder.- Ela gritou.- Você não se cansa, não? Eu coloquei a mamãe contra você, namorei o Percy, mas você sempre se dá bem.
– Sagyn?
Athena estava parada na porta com a boca aberta e os olhos esbugalhados.
– Sagyn Chase! Vamos ter uma conversa séria, mocinha.
– Ma, ma... Mamãe?
– Saia daqui Annabeth
.- É meu quarto, vocês saem.
Athena não discutiu, saiu do quarto andando em passos pesados e Sage foi atrás, mas não saiu antes me lançar um olhar mortal. Ah! Vai se foder.
Me arrumei e peguei o carro do meu irmão para ir pro hospital. Meu humor tinha melhorado bastante afinal.
Cheguei lá e acenei para a recepcionista. Ela me lançou um sorriso simpático e me deixou entrar com um gesto de cabeça . Eu já era conhecida ali.
Entrei no quarto e encontrei meu irmão jogando video game na cama. Os tubos ainda entravam no seu corpo. Isso sempre me deixava mal.
– Hey, como você está?
– Entediado, jogar sozinho não é tão legal quanto parece.
– Não parece legal.
– Você tem certeza que tá bem?
– Meu fígado tá fodido, mas eu ainda tenho mãos.
– Tá, né.
Ficamos algum tempo jogando jogos diversos. Desde Mortal kombat até assassin's creed. Ele perdeu algumas, mesmo ganhando a maioria. Na última eu o derrotei.
– Eu estou doente, isso influencia.- Se justificou.
– Seu fígado que está fodido, não suas mãos.- O imitei.
Ele deu um murro de leve no meu braço e se jogou na cama, rindo baixinho.
– Eu estou apenas enferrujado, você sabe, muito tempo em coma faz isso com as pessoas.
– Admita que perdeu para uma garota.
– Ninguém nunca vai ficar sabendo disso.
Ele me jogou deitada na cama e me fez cócegas. Eu ria loucamente enquanto dizia que ia contar para todo mundo. Até que ele me fez prometer que não.
– Hey, família feliz.
Clarisse estava parada na porta, com um sorriso de lado e uma postura relaxada.
Ela entrou no quarto e se jogou na cama.
– Caralho Clarisse, duas vezes em um dia é sacanagem.- Falei enquanto me debatia para tirar ela de cima de mim.
O Ian ria baixinho enquanto me ajudava. Clarisse saiu de cima de mim e se jogou na poltrona branca ao lado da cama. A cabeça em um encosto de braço e as pernas por cima do outro.
A enfermeira entrou no quarto com a comida e nos lançou um olhar mortal. As enfermeiras aqui não gostavam muito de adolescentes que roubam a cama do paciente e que passam o dia fazendo bagunça.
Ela deixou a comida, brigou comigo por não deixar meu irmão descansar, fez um discurso nada pequeno sobre como ter uma boa dieta é fundamental pro problema do meu irmão. Enfim, foi apenas um dia normal, um dia normal sem o Percy.
O meu celular tocou quando eu fui expulsa do quarto. Era a... Sally?
– Alô?
–Annabeth? O Perseu está com você?
– Não, ele não tá em casa?
– Eu não vejo ele desde manhã. Estou preocupada. É claro que já é normal ele passar o dia fora, mas ele geralmente atende minhas ligações ou dá notícias.
– Eu vou ver o que eu consigo fazer, Sally. Não se preocupe.
–Obrigada, querida.
Suspirei cansada. Caminhei lentamente, nada ansiosa pelo que eu ia encontrar. Eu ainda tinha esperança de não encontrá-lo onde estava indo. Desviei meu caminho para um beco não tão longe do hospital. O antigo ''point'' do Percy. Ele não estava ali. Suspirei aliviada.
Já ia dar 11 horas da noite, talvez ele já estivesse de volta. Voltei para o hospital, peguei o carro do meu irmão e dirigi até em casa. Quando cheguei um garoto de cabelos negros estava sentado na calçada com a cabeça baixa.
– Percy?
– Annabeth, me desculpa.- Ele falou todo atrapalhado, eu sentia o cheiro de álcool de onde eu estava.
– Perseu! O que você está fazendo?
– Eu estou vindo pedir... Desculpa pra você, porque, você sabe, eu estava chapado ontem.
– Você vem me pedir desculpa porque estava chapado e aparece chapado, muito conveniente, Percy.
– Eu precisava de coragem.
– A única coisa que você precisa é ir para casa, sua mãe está preocupada.
– E desde quando você se importa? Você nunca se preocupou do que a sua mãe pensaria.
–A minha mãe sempre foi manipulada pela Sage. Você sabe muito bem disso. E agora que ela está começando a sacar as coisas. E se e sumisse de casa por um dia sem dar satisfações, com certeza ela iria reparar. Já a sua mãe Percy. Não há ninguém que impeça a relação de vocês dois com um conflito, além de você mesmo.
Falando isso eu entrei em casa correndo, ignorei minha mãe que estava na sala mexendo no computador, provavelmente trabalhando, e a Sage no seu quarto e me joguei na minha cama. Mandei uma mensagem para Clarisse contando o que aconteceu e meia hora depois ela aparece com um sorriso no rosto e uma caixa de brigadeiros.
– Nada melhor do que brigadeiro de panela para animar, não?
– Você sabe a diferença entre brigadeiro de panela e brigadeiro comprado em uma confeitaria, não sabe?
– A gente pode dar um jeito, qual é, nós somos as vadias, não ficamos tristes por causa de meninos e muito menos por causa de amigas com preguiça de fazer brigadeiro.
Dei um sorriso débil. Aquela era apenas Clarisse sendo Clarisse.
Esmagamos o brigadeiro em uma tigela e depois comemos com colheres. Assistimos filmes, conversamos e comemos muito brigadeiro.
Mas Perseu Jackson continuava nos meus pensamentos.
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