Simplismente Mary Bennet
1 Vida simples
Não sou a mais bonita. Nem a mais prendada. Sou apenas uma das famosas irmãs Bennet. Famosas não pelo nome ou beleza. Muito menos pelos modos. Famosas pela personalidade e pela vivacidade com que encaram as coisas. Chamo-me Mary Bennet e essa é a minha história.
A vida aqui em casa se tornou insuportável após o casamento de Jane e Lizzy. Mamãe acha que eu deva achar logo alguém para me casar, ou então ficarei conhecida como a única Bennet solteirona. Francamente, isso não me preocupa. Estou mais preocupada em achar alguma coisa mais útil para ocupar meu tempo, se querem saber. Estou farta de viver às custas de um sobrenome. Estou farta de alguém controlar minha vida e tentar me vender – sim porque esse é o nome correto ao invés de “casamento” — para um homem que eu nem sequer conheço. O pior disso tudo é que mamãe continua me jogando para todos os lados, como se eu fosse um objeto de amostra. Se antes os bailes não me agradavam, agora sim tenho um motivo para reclamar...
Logo que Lizzy saiu de casa, acompanhada do Sr. Darcy, e Jane, com o Sr. Bingley, mudei-me para o quarto que era das duas. Aquilo foi uma das únicas coisas que me deixaram realmente feliz em toda minha vida. Um quarto somente meu. Kitty ficara com antigo quarto onde eu o dividia com ela. Era de se esperar que ela também ficaria muito feliz com a ideia. Gastei um dia inteiro para arrumá-lo como eu bem entendia. Fiz dois dos nossos empregados pararem seus afazeres para me ajudar levar o piano da sala ao meu novo aposento. Só de pensar que eu poderia praticar sem ninguém me incomodar era muito excitante... Levei meus livros e minhas anotações e estava pronto. O meu paraíso particular ao meu dispor.
Papai teve que viajar a Londres para visitar meu tio que não estava bem de saúde. Passou três semanas longe de casa. As três semanas mais impressionantes de toda a propriedade Bennet, diga-se de passagem. Mamãe ficou tomando conta da casa e ao mesmo tempo, assumiu o papel do papai em várias coisas. Sua mania de querer se meter na vida dos outros diminuiu tanto que estava quase impossível a reconhecer. Kitty passava as tardes no jardim da casa olhando para o horizonte parecendo esperar que sua vida passasse lentamente a sua frente. Era deprimente o jeito como ela desperdissava seu precioso tempo sem fazer abssolutamente nada. Eu não entendia qual o motivo de tanta mudança de personalidade. Agora posso dizer com todas as letras o quanto aquilo era normal. Mamãe conseguira transmitir para minha irmã mais nova sua insegurança, seu medo de viver longe da figura masculina. O olhar de Kitty parecia tão perdido que dava pena. Agora você deve estar se perguntando o que eu fiz de diferente nessas três semanas... O que eu fiz? Nada de anormal. Apenas vivi, como se papai estivesse em sua sala esperando o jantar. Eu não sinto aquele desespero que todas as mulheres daqui sentem quando seus maridos ficam longe de casa. Pelo contrário. Me sinto um pouco independente. Saber que você é dona de seu corpo e de suas vontades, que a qualquer momento, se assim desejar, pode sair e dar um passeio... É fantástico!
Passei a observar mais as coisas naquelas semanas. A casa tornou-se silenciosa, tranquila. Nunca, em toda minha tediosa vida, presenciei tal comportamento.Porém, corportamento ainda mais estranho eu presenciaria mais tarde, quando um rapaz chamado Johann McMann aparecesse na nossa porta se dizendo perdidamente apaixonado por Kitty.
Fale com o autor