Simplest Mistake

23 Ruindo os Muros


Notas iniciais
▸Chαppy falando… Olá queridos leitores! Não, isto não é uma brincadeira, SM chegou ao seu fim. Não haverá extras porque eu pretendo de facto deixar o final aberto. Esta história mudou as personalidades de Ichigo e um pouco de Rukia, sobretudo. Esse foi o intuito... Ao início a relação IchiRuki focou-se na atracção e paixão, e depois focou-se no amor (por isso as cenas de hentai foram reduzindo gradualmente para dar lugar a mais declarações e momentos mais fofos). A mudança, evolução dos sentimentos de Ichigo o transformaram em outro homem, e a sua transformação irá ajudar Rukia a perdoar a irmã. Por isso, Ichigo não busca vingança contra Aizen, ele cansou daquele ciclo vicioso. Vingança apenas trás mais vingança. Este epílogo teve o intuito de fechar as pontas que ainda não tinham sido esclarecidas e acrescentar algumas curiosidades. Sei que este gênero de finais não costuma a agradar alguns, mas acho que faz o estilo da fanfic. Simplest Mistake sempre teve rodeada de mistérios, acho que faz sentido seu fim ser especulativo, dando aquela sensação que ficou um mistério no ar, cabendo sempre a cada leitor termina-lo consoante sua imaginação. Domo arigato, por me acompanharem, e por cada favorito e comentário. Espero que apreciem este último capítulo!

Os sentimentos eram conexões invisíveis, mas muito poderosos. Quiçá, as emoções por estarem libertas de um corpo material, tivessem mais força no coração dos humanos. Sua energia positiva ou negativa, era aquela que regia a conduta dos seres em suas atitudes.

Ichigo Kurosaki era uma criança amargurada quando assumiu a organização The Mask. Seu ódio e mágoa, obrigavam-no a reviver sistematicamente a dor da perda de sua família. Seu coração estava sangrando. Numa tentativa vã e desesperada, cogitou que a vingança o consolasse mas ela apenas o afundou ainda mais em sua escuridão.

A sua coelhinha foi o feixe de luz que adentrou em sua vida, uma peça que re-buscava seu eu antigo. Rukia lhe ensinou a valorizar a vida novamente, a amar de novo, e sobretudo… o ajudou a reencontrar-se. A terrível experiência de quase a perder, obrigou-o a valorizá-la. E a desistir de todas as suas vinganças. Ele não queria mais lutar, estava cansado de fugir da polícia, de ser responsável ou estar dentro de guerras desnecessárias.

No entanto, o destino era um artista engenhoso e sádico. Não possuía a mesma compaixão que Ichigo conquistou, antes era um cruel justiceiro. Aizen Sousuke foi capturado pela força policial num distrito da América. Sua ganância o levou a outro continente, sendo encomendado de matar um político importante, sucumbiu-se assim a uma armadilha, sendo capturado por antigos roubos a bancos e joelharias, e foi declarado responsável por cada assassinato nesses mesmos locais. A punição foi atribuída por cada crime, somando uma pena efectiva de trezentos e dois anos. Nunca mais voltaria a enxergar a luz do sol, sendo um leve conforto para Ichigo quando leu a notícia num jornal rotineiro. A justiça alcançou os seus familiares. E por conta do descuido de Sousuke atribuído ao excesso de confiança, toda a organização The Hollows foi desmantelada.

Rukia encontra-se nas proximidades da base da organização, agora com um nome distinto. Por uma questão humorística de Ichigo decidiram criar uma firma apelidada de “The Shinigamis”. Apesar de os shinigamis serem associados a deuses da morte, a sua função era encaminhar as almas perdidas para um destino melhor. De certa forma, era isso que agora os membros faziam. Cada um com seu humor e talento. A morena desviou o olhar para a porta notando Grimmjow gritando alto e irritado, tentando ensinar um jovem a aprender a disparar tiro ao alvo. Sorriu, divertida, estava feliz com a sua família um tanto distorcida. Seus olhos não captaram quando um pardal, tímido, caiu do seu ninho batendo com força excessiva nas inexperientes asas e voar. Seu cântico foi de alegria após os primeiros cinco segundos de susto, aprender a dominar o seu vôo. Se fosses à uns anos, aquela imagem a teria emocionado e entristecido por sentir-se acorrentada.

Os pensamentos da actualmente Kurosaki foram interrompidos com uma pequena fisionomia sorrindo largamente, correndo de braços estendidos, em sua direcção.

— Oka-san!—Rukia sorriu terna, abrindo os braços, abaixando-se à altura de seu filho para receber o forte abraço, envolta de seu pescoço.

— E onde está meu abraço também, Nee-san?—Um Kon, mais velho, contorcia os lábios num bico engraçado, mas logo sorriu ao perceber que sua provocação obtivera resultados.

— Vai embora, Kon. Mamãe está ocupada! Vá ter com a tia Yorichi!—Rukia e Kon sorriram por o jovem ainda atrapalhar-se com a pronúncia da mãe de Kon.

A Kuchiki repreendeu o filho com o olhar ao reparar que este abanava o braço, mandando o mais velho embora, com uma carranca. Tentou ser firme e séria, porém, não evitava de rir dos ciúmes do pequeno ruivo que visivelmente eram herança do seu pai. A morena ergueu o olhar para Kon que gargalhava com o jeito de Aiko Kurosaki, em seus braços. Eles sempre brigavam e rivalizavam entre si, pareciam de facto irmãos. O moreno mais alto aproximou-se de Rukia simulando que ia-a beijar na testa, o ruivinho com a testa franzida e vermelha, pulou dos braços maternos começando a correr atrás de Kon, irritado e xingando-o de vários nomes.

Rukia ria, voltando a levantar-se, notando a feição de Kon extremamente feliz. Seu reencontro com os pais fora mais fácil do que pensara. Kon era um excelente garoto, pensava que este ficaria receoso ou sentido com os pais, mas a alegria de conhecê-los e poder estar junto deles foi muito superior, apagando as mágoas e culpa que Yoruichi e Urahara sentiam. Pela primeira vez, assistiu o cientista chorar. Um momento emocionante e celebrado por todos. Dirigiu-se ao gabinete de Ichigo, não batendo ao entrar, arqueando uma sobrancelha ao reparar que o Kurosaki tinha o queixo apoiado na mão, pensativo.

Sem perceber a sua presença, Ichigo suspirou alto, ao relembrar a carta que recebera de manhã. Ele estava casado com Rukia há sete anos, tinham um filho, mas apesar de todos esses grandes acontecimentos, Rukia nunca mais procurou a irmã e recusava-se a mencionar sua existência. Suspirou de novo, apesar disso, ele ia enviando cartas sobre esses acontecimentos informando os cunhados. Ele sabia que Rukia precisava de sua irmã mais velha para ser feliz, ele queria ajudá-la da mesma forma como ela o ajudou.

— Ichigo?—De supetão, o ruivo ergue o olhar para a esposa, surpreendido por não ter reparado na sua presença. Sorriu ligeiramente receoso, indo até ela beijando o topo de sua testa.

— Desculpe coelhinha, não tinha notado que estava aí.—Rukia franziu a testa, ele continuava a tratá-la daquela forma, era vergonhoso para si. Mas ele não aparentava ceder a esse hábito, de facto havia coisas que com seu chefe nunca mudariam.

— Não me trate por esse apelido bobo Ichigo, você sabe meu nome.—Acusou.

— Sei sim, e você também o sabe.—Rukia tremeu ao perceber a indirecta, ele referia-se ao seu apelido de solteira. Desviou o olhar incomodada, em silêncio, escutando-o suspirar.

— Tanto faz. No que estava pensando?—Ichigo deu de ombros desistindo, ao perceber a rápida mudança de assunto. Talvez não lhe devesse ainda contar que durante sete anos andou a informar Hisana da vida de ambos. Pensou rápido numa forma de fugir à pergunta.— Nada de especial na verdade, só estava curioso com a tal Liz. Aiko parece bem animado com essa amiga. Ela deve ser alguém muito especial.

O Kurosaki gargalhou alto ao notar a drástica mudança na esposa, com rugas formadas na testa. Rukia conseguia ser bem possessiva e ciumenta, apesar de nunca o admitir, era uma mãe protectora e… ciumenta. Não gostava de partilhar as atenções de Aiko e Ichigo. E o primeiro tem vindo, misteriosamente, empolgado e corado relatando seus momentos divertidos com Liz. Uma menina um ano mais nova, cabelos negros e olhos cinza, sempre brincavam juntos perto dos muros que dividiam os dois mundos, outro pormenor que incomodava Rukia, sobretudo por num interrogatório que fizera a Aiko descobrir que ela vestia-se de forma elegante.

A Kuchiki sempre ficava nervosa com essa menina que vinha roubando seu filho, e tinha um medo implacável e que pudesse ser alguém para além do muro. Apesar de a mistura entre as classes não ser ainda bem aceite, os anos de maior paz e tranquilidade dos gangues permitiram que os nobres aumentassem suas visitas a Rukongai. Como mãe, Rukia tinha medo que Aiko sofresse ao apegar-se demais a uma amiga nobre.

— Rukia.—Encarou desconfiada o marido, era raro ele a tratar pelo nome.—Não acha que está se preocupando demais? Ela é apenas uma criança.

— Uma criança nobre. Por vezes, conseguem ser mais cruéis. —Ichigo não gostou da face e da voz gélida na esposa, não podia acusar aquela reacção de preconceito, geraria uma onda maior de revolta.

— Então por que não faz alguma coisa?—Ele a observou divertido com seu espanto.—Aiko vai sair com Liz hoje de novo, ele vai ensiná-la a subir nas árvores. Vamos segui-los, e vamos perceber como ela é. Que tal?

— Aiko vai sair e não me disse nada!? Eu não dei autorização, Ichigo! —Apesar de o plano realmente lhe agradar, seu ciúme falou mais alto, obrigando Ichigo a cobrir a boca da mais pequena.

— Não exagera Rukia, eles vão brincar apenas. E é por esta atitude que ele prefere em falar comigo. Já vimos quem vai ser o pai preferido de Ai...—O Kurosaki exclamou alto, gemendo de dor por ter sido golpeado no estômago. Rukia de facto não sabia lidar bem com provocações inocentes, sobretudo quando estava irritada.

— Baixinha maldita.—Murmurou entre dentes, vendo esta encará-lo altiva, com os braços cruzados.

— Vamos logo Ichigo, não tenho o dia todo.—Ele quase riu da sua impaciência, se não sentisse outra ponta de dor pelo recente golpe.

O casal Kurosaki assistiu a menina nobre passar pelos guardas sozinha, atravessando o muro que deveria ser sua protecção, sorriu alegre para abraçar o pequeno ruivinho que a esperava. Ichigo pressentiu Rukia tremer inquieta. Ele sabia o motivo, e não evitou sorrir por isso. Liz era bondosa. Não existia discriminação em seu olhar nem repúdio em seus gestos com os outros, ela estava sendo apenas uma criança feliz brincando. Rukia sentia-se injusta por estar sendo tão dura com uma criança assim, por estar agindo como alguém que ela sempre censurava, mas a antiga mágoa a prendia a essa desconfiança.

Aiko e Liz sorriam cúmplices, correndo pelas ruas movimentadas procurando alguns sítios altos para treinarem antes de escolherem uma árvore, era notório o pequeno desconforto de Liz com as alturas.

— Ichigo...—Sua voz tremeu, não finalizando sua frase, contudo Ichigo entendeu o receio da esposa.

— Eu sei.—O ruivo também estava com medo do que poderia originar-se com aquela remota amizade.

— Liz-chan!

Uma mulher, de um kimono rosado atraente, aumentava o ritmo de suas passadas atrás da filha, suspirando um tanto ofegante por não a ter conseguido acompanhar. Rukia e Ichigo que estavam ligeiramente afastados, escondendo-se entre o ambiente movimentado, estancaram ao reconhecer a mulher, que ia na direcção de Liz e Aiko. Instintiva, Rukia sai correndo de seu lugar, sendo seguida por Ichigo mais atrás, para alcançar Aiko. Contudo, foi abrandando seus passos ao perceber que a morena apenas abandonara os muros para entregar um lanche às crianças, reprovando-as por não comerem antes pois ficariam sem energias e podiam machucar-se.

Movendo o olhar aleatoriamente, encontrou Rukia, com a face a beirar o terror, por conta da surpresa por encontrá-la.

— Rukia...—Murmurou.

— Oka-san! Otou-san!—A surpresa de Hisana ao reencontrar a irmã foi interrompida por Aiko correndo alegre até a mesma, aumentando seu espanto. Então, ele era o filho de Rukia que Ichigo lhe contou? Quase riu por não ter compreendido as inevitáveis semelhanças anteriormente, quer pelas madeixas arruivadas incomuns, quer pelos olhos violáceos do pequeno.

Aiko sorria abraçando as pernas da mãe, ignorando a tensão daquele momento, o mesmo se sucedia no coração inocente de Liz que correu para Byakuya que aproximava-se até Hisana. O líder da família Kuchiki não expressava qualquer surpresa, na verdade, ele já tinha previsto que aquele garoto era na verdade o primo de Liz, a indisciplinada provocação sem dúvida o relembrava de seu pai que tivera a coragem de enfrentá-lo sem receio, na sua mansão.

As mulheres observavam-se fixamente, em completo silêncio, enquanto Ichigo e Byakuya mantinham uma postura cordial. Aiko e Liz, numa abençoada ignorância e alergia, voltaram a afastar-se de seus pais, correndo de mãos dadas, misturando-se entre os aldeões e comerciantes de Rukongai. Rukia desviou o olhar do filho e da sobrinha, sorrindo genuinamente para Hisana que a encarou surpresa, provocando um sorriso orgulho de Ichigo e um de satisfação em Byakuta. Os muros que dividiam os dois mundo, finalmente, estavam ruindo.

Notas finais
Próxima actualização ser actualização será de #OCORACAODOESPADA, e em breve irei postar uma oneshot #PROMESSA do couple Jelsa. Para além disso estou a trabalhar no segundo e terceiro capítulo de #HECATOMBE, minha nova fanfic UlquiHime. Beijinhos.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!