Simplest Mistake
16 O Erguer de um Novo Líder
Notas iniciais
— Maldito, você me deixou esperando!
— Tanto mau humor por ter de esperar um pouco, Grimmjow?
— Acha que cinco horas é pouco tempo por acaso!?
Ichigo coçou a nuca, não se importando com a espera do azulado, e muito menos com o escândalo que este fazia. Afinal, Grimmjow elevava o tom por qualquer coisa. Para além disso, ele esquecera dele por um tempo considerável mesmo… De certa forma, seu comparsa estava certo.
— Um imprevisto. Um garoto surgiu no conflito entre os gangues.
— E desde quando Kurosaki Ichigo, chefe mafioso, banca o herói?
Apesar do tom sarcástico, havia um toque de curiosidade em seu tom. O ruivo não se sentiu ofendido, antes respondeu normalmente… Como se fossem amigos, esquecendo por instantes a posição hierárquica que cada um ocupava.
— Aquele garoto… Ele está relacionado connosco.
Grimmjow não perguntou mais nada. Podia tê-lo feito, mas a feição preocupada de seu chefe o alertou. Possivelmente, o mesmo não teria ainda respostas para dar por isso manteve-se em silêncio enquanto ambos se dirigiam para o veículo que os direcionava à missão encomendada por Aizen.
— Foi mesmo uma boa ideia aceitar esta missão? Não confio nesse Aizen…
— Ninguém confia.
— A aliança com The Hollows é para você descobrir os responsáveis pela morte de sua família? Acha que eles podem ser culpados? -Era um tremendo risco entrar numa discussão com Ichigo, mencionando sua família. A pantera tinha conhecimento disso, contudo temia que a vingança cegasse a racionalidade deste, e ao vê-lo cobrir seu olhar, entendeu que estava certo. — Idiota, acha que eles não perceberão suas intenções? Isto pode ser uma armadilha!
— Está certo, por isso escolhi você para me acompanhar.
— Devo considerar isso uma declaração de amor, em que no final morreremos juntos de mãos dadas? – O Kurosaki quase riu da analogia sarcástica, se não fosse o assunto tenso... Até que teria sorrido largamente. Talvez, ainda vá rir quando aquela situação estiver resolvida.
A confissão de seu chefe, não surpreendeu Grimmjow de todo. Ele já tinha previsto algo do género. Ele gostava da ameaça, seus pêlos se arrepiavam com a sensação de encarar a morte de próximo e vence-la. No entanto, até ele tinha que ser consciente em algumas situações de extremo perigo.
Eles não estavam somente a entrar na toca do inimigo armado, estavam indo até eles completamente desarmados! Sem um único plano para se defenderem!
— Sua vingança não será cumprida se morrer. Precisa de estar vivo, e cometendo estas loucuras não conseguirá fazê-lo.
— Grimmjow, você tem objectivos?
— Você quer dizer algo como ambições de vida?
— Sim.
— Na verdade, nada. Isso é um desperdício de tempo, e só traz problemas. – Ichigo riu secamente, desviando o contacto visual. No fundo, ele gostava de ser mais descontraído como seu lacaio.
— Nisso tem razão. Mas então você nunca poderá me compreender.
Jaggerjack desviou o olhar, por poucos segundos, da estrada para encarar o relógio de pulso. Restavam cerca de vinte minutos para alcançarem o local combinado com a outra organização. Suspirou enfastiado, pelo rumo da conversa melancólica. Ele não compreendia, nem queria entender. Afinal, ele era um psicopata… Não propriamente um amigo conselheiro. E muito menos um psicólogo.
Esfregou as têmporas, guiando apenas com uma mão o volante. Nem se dera conta de quando começara a conduzir, todos os movimentos: desde os passos até o carro, até ligar o motor… foram automáticos. Grimmjow reduziu a velocidade quando enxergou a poucos metros uma curva apertada, sendo levemente distraído com a fala do Kurosaki.
— Ter objetivos implica ter de arriscar. Pode ser perigoso, mas é necessário. Eu vou descobrir quem fez aquilo…
As íris azuladas voltaram a focar-se no percurso dos pneus, rodando o carro para circular a curva, quando um objecto indefinido foi atirado para o meio da estrada. Por instinto, ou simplesmente por experiência, os dois abriram a porta de supetão e pularam do carro mesmo com este em movimento. Assim, que o veículo chocou contra o objecto suspeito, explodiu.
— Uma bomba!?
— Não… Teria explodido anteriormente.
— Droga! Eu sabia que isto era uma cilada do desgraçado do Aizen! Ficámos sem o carro e não temos como regressar! Correr até a organização demorará dias! Ichigo o que vamos fazer!? -Perante o silêncio do ruivo, Grimmjow continuou a enumerar todas as hipóteses que tinham- Nem podemos roubar um carro de um idiota qualquer! Olhe à sua volta! Está deserto, sem uma única alma viva! Nem nós deveríamos estar aqui!
— Deixe de fazer drama Grimmjow. — Ichigo suspirou, revirando os olhos.
A pantera teria socado seu chefe, ou pelo menos amaldiçoa-lo. Porém, a discussão infantil cessou quando ele também percebeu que estavam encurralados por um bando de homens armados, apontado as armas a todos os pontos vitais deles. Não tinham como fugir: estavam cercados por todos os cantos, e atrás deles havia um enorme penhasco, com a maresia do oceano furiosa. Se saltassem, as chances de sobreviverem eram nulas… No entanto, permanecer ali as probabilidades eram nulas. Grimmjow começou a encarar aleatoriamente entre as armas e o oceano…
— Ichigo, vamos ter…
— Estou preparado. Espero que não esteja com medo de morrer, Grimmjow.
— Não me faça rir, a morte que vai fugir de mim com medo. Tenha cuidado para ela não pegar você.
Numa adrenalina espontânea, entre gargalhadas, os dois membros de The Mast correram rumo ao fim do penhasco. Não hesitando no momento de saltar. Apesar de sua velocidade e do movimento inesperado, não conseguiram desviar de todas as balas, Grimmjow fora acertado no braço esquerdo e Ichigo em seu tornozelo direito. A última coisa que ambos sentiram foi o embate na água como se fosse uma rocha que os tivesse esmagado numa profunda escuridão.
Quando os tiros cessaram, e os corpos desapareceram entre a água, duas figuras surgiram no alto do penhasco, encarando o trajecto de Ichigo e Grimmjow.
— Aizen-sama, missão concluída. Estão mortos.
— Há a hipótese remota de terem sobrevivido, Gin.
— O que pretende fazer a respeito?
— Por enquanto, continuaremos com o plano. Avise The Mask que os seus dois integrantes morreram num fatal acidente, despenhando-se num penhasco pela chuva.
— Kuchiki-san perceberá que é mentira. -Gin ria divertido e Sousuke acompanhou-o sorrindo largamente.
— Esse é o objectivo.
Durante dias o sumiço dos dois companheiros alertou toda a organização que considerou um facto consumado suas mortes. Muitos se recusavam a acreditar e outros a aceitar. A revolta contra Aizen só crescia. Apesar de não haver nenhuma prova em concreto, todos entrelaçam o acontecimento fatal ao homem arrepiante. Ódio e vingança era o que predominava em cada coração.
No escritório do Kurosaki, era decidido o novo líder para a organização.
— Isto é ridículo! Ichigo não está morto!
— Rukia, eu compreendo sua dor… Mas a organização precisa de um chefe. Não podemos esperar por eles, quando podem nunca voltar.
Numa escala de cores, o olhar roxeado ia escurecendo para um negro opaco. Perdendo sua cor vivida, com uma lágrima traiçoeira, presa no canto de seu olho.
— Estava certa quanto a esta missão. Algo sempre me alertou de um perigo que eu não compreendia.
O olhar penoso que Renji e Nell lhe dirigiam, só inflamava mais sua cólera. Como podiam aceitar tão facilmente?... Por que ela nada fizera para impedir aquela situação?
— Você não tem culpa, Nee-san.
— Kon!?
— Fedelho, não interrompa as reuniões e não entre sem bater no escritório do chefe!
— Calado ruivo estranho! E o chefe nem está cá, não me venha dar ordens como se fosse ele!
— Seu…!
— Renji.
O tom de alerta na voz de Rukia fez com que Abarai fechasse o punho com força rangendo os dedos. Estava preparado para socar o garoto na cabeça, mas recuou com dificuldade o braço se recompondo enquanto o rapaz o provocava mostrando a língua. Nelliel limitava-se a sorrir enquanto assistia o momento.
— Kon, meu nome é Rukia. Não me chame de “Nee-san”.
— Nee-san é mais legal.
— Que garoto insuportável. -Um simples murmúrio de Abarai foi o suficiente para acender de novo uma disputa de provocações.
— Ninguém pediu sua opinião.
— Não comecem de novo vocês os dois!
Rukia ficou zangada aumentando seu tom, não percebendo que se sentara exactamente na mesma posição que Ichigo quando assumia uma voz de comando e autoritária. A dupla experiente percebeu isso de imediato, surpreendida, e entre olhando-se.
— Rukia por que você não…
— … Toma o lugar de Itsugo-kun?
— O quê? Ficaram doidos? Sempre quis sair deste lugar nunca me tornar a chefe dele!
Nelliel assume uma compostura rígida, encarando fixamente a morena. Não disfarçando o tom acusatório em sua voz.
— Pretende aproveitar a morte do chefe para encontrar-se com a sua família? Agora ninguém a pode impedir, não é verdade? -Rukia não esquivou do olhar e muito menos ficou intimidada.
— Por não ter ninguém que me impeça é que não irei. Seria uma traição a Ichigo, uma muito grave. Pretendo um dia, quem sabe, largar este sítio… Mas com aquele idiota a tentar me impedir. E eu sei, que ele vai voltar para garantir isso.
Firmeza e um singelo de sorriso em seu rosto, foi a razão para tranquilizar os amigos da Kuchiki, desmanchando sua postura defensiva, rindo. À parte desse cenário, como um figurante, Kon encarava o trio encantado. Sentindo-se parte de uma família, -de bandidos- mas unidos.
Mantendo o silêncio da divisão, como uma criança, Rukia rodopiava pelo cadeirão. Como se isso a ajudasse a reflectir melhor.
— Vou aceitar.
Aquela frase, pronunciada com tranquilidade, sem nenhum gaguejar ou hesitação, arregalou os três presentes.
— Irei tomar o lugar de Ichigo, temporariamente.
O ruivo tatuado encarou a Kuchiki pensativo. Ele não cria também que os dois estivessem mortos como Aizen teve o prazer de informar. Para além de ser um acidente estranho e suspeito para dois indivíduos minuciosos com os detalhes… Era quase uma provocação.
— E se ele nunca regressar? Há essa hipótese Rukia, não podemos fingir que ela não existe… você ser uma chefe temporária é um problema para a organização.
Rukia retirou um punhal de sua coxa escondido, cravando-o de supetão na secretaria assustando-os a todos. Principalmente o pequeno Kon que nunca vira os olhos arroxeados da mulher que o salvara, reduzidos completamente a umas esferas negras... aquilo que o mais encantara no princípio, era agora o que mais o aterrorizava.
— Renji. Se Ichigo estiver vivo, eu vou encontrá-lo. Se estiver, por acaso, morto eu também vou encontrá-lo e vingá-lo com as minhas próprias mãos. Farei arrepende-los… E nesse caso serei a sucessora de Kurosaki Ichigo em The Mask.
Uma promessa que envolveria sangue e dor. Nesse instante, Rukia compreendeu seus sentimentos obscuros e arrependeu-se, por fim, ao entender muitas das vezes a ira de Ichigo. Fora injusta ao querer deixá-lo sem dizer sequer um adeus.
A Kuchiki sempre o deixou por sua liberdade, mas agora que era Ichigo a partir, ela não o conseguia deixar ir…
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