Simplest Mistake
11 Fugindo do Chefe
Notas iniciais
Os dedos tilintavam em seu ventre, despertando um discreto sorriso nos lábios pelas cócegas. Preguiçosa, abriu um olho revelando sua tonalidade violácea. O braço de Ichigo ainda a circulava, remexia-se enquanto transportava Rukia para a realidade através de suas acções, obrigando-a a abandonar seus sonhos. Pela persistência dos movimentos de seu polegar e indicador, talvez ele estivesse a escrever no mundo da fantasia, preenchendo papeladas possivelmente.
Retirou com cuidado o seu braço, assistindo o ruivo rabugento, resmungando algo indecifrável enquanto revirava-se para o outro lado da cama, virando as costas para a Kuchiki, que o encarava risonha.
Desleixadamente sacudiu as pernas despindo o lençol alvo que a cobria, deslocando-se até à única janela de seu compartimento, completamente desnuda, sem constrangimento uma vez que a própria escuridão a cobria. Rukia escutava atentamente a chuva, seus pingos embatendo contra o vidro onde repousava sua testa. As gotas frescas inundavam o ambiente à volta da mansão pertencente à organização. O som que inundava seus ouvidos, como uma esfumaça que colorira sua mente, a transportou a uma experiência ligeiramente recente.
FLASHBACK ON
– Rukia, esta conversa acabou.
A morena estremeceu quando o ruivo severamente a chamara por seu nome. Ela estava a penetrar num campo estritamente perigoso.
– Ichigo eu só quero sair uns três dias da organização! Qual é o seu problema!?
– E para onde iria? Você não tem ninguém para além destas portas. Por isso a resposta é não. Assunto encerrado.
De supetão, todo o olhar cintilante se desfigurou num opaco nojento. O Kurosaki foi brusco demais, rude e prepotente. Não havia necessidade disso… Ela só queria sair uns dias da organização para se divertir, agir normalmente. Porém, ele dolorosamente a relembrou que ela estava sozinha no mundo, sem família para a retirar dos braços da organização.
– Compreendo. Lamento ter ocupado tanto o seu tempo, chefe. Irei-me retirar para não incomodá-lo ainda mais.
Ichigo desviou o olhar de um relatório desenvolvido pelo Abarai, seguindo os passos da morena até esta abandonar a divisão. Suspirou fundo, encostando suas costas contra a poltrona, sabia que fora áspero demais, mas a possibilidade de a perder o aterrava. Mais do que a pior das torturas. Ele não a queria aprisionar no entanto temia que ela ao provar a liberdade do mundo fora, depois o quisesse abandonar. E isso ele nunca iria permitir. Ela sentiria raiva dele no momento, porém depois passaria. Sempre passava… Eles sempre conseguiam combater suas divergências. Por enquanto…
Rukia socava todos os objectos que encontrava pelo caminho, furiosa, ela era um maldito manequim naquele homem que era o charme em pessoa.
– Hey, tenha calma. Discutiu com o chefe de novo?
– Isso não é da sua conta, Renji.
Abarai ergueu as mãos num sinal de rendição, rindo jocoso. Isso só irritou ainda mais a morena que sentia que estaria prestes a entrar em erupção.
– Dá um desconto, ele está nervoso com a pressão de alguns clientes que querem logo as missões concluídas.
– Eu quero que ele se dane! Estou farta daquele tom autoritário, como se mandasse em tudo!
– Bom… Tecnicamente ele manda mesmo…
– Renji Abarai… Se só você só vai falar disparates, mantenha a boca fechada!
As discussões entre o casal eram cada vez mais frequentes e mais intensas, isso preocupava os membros da organização. Temiam as consequências das palavras cortantes do Kurosaki e das atitudes imprudentes de Rukia. O ruivo tatuado nos braços assistiu a mulher se afastar para um das salas com diversos documentos e ficheiros importantes para missões. Possivelmente ela iria espairecer a mente, investigando alguns casos.
– Está mesmo irritada, o chefe deve ter pisado forte hoje.
Renji remexeu nas suas madeiras cor de fogo situadas em sua nuca. Estava com um mau pressentimento sobre Rukia. Ele rezava para que fosse só um absurdo resultante de sua preocupação com a mulher de baixa estatura. Ele a encarava como uma irmã mais nova, e apesar da relação hierárquica existente, ele e Ichigo eram bons amigos. Estava angustiado com ambos e até onde aquelas brigas rotineiras iriam…
– Aquele morango cretino me paga.
A pequena mulher folheava alguns relatórios que precisaria para uma próxima missão, porém nem por isso deixava de criticar o seu superior, nada discreta. O que ela mais queria era que aquele ruivo irritante a ouvisse desde o seu maldito esconderijo. Enquanto andava distraída a ler o monte de folhas em suas mãos não reparou que foi contra uma prateleira. Instantaneamente gemeu de dor, e escutou um tombo. Enxergando com dificuldade pela fraca luminosidade deparou-se com um livro aberto, consequência de seu acidente. Agachou-se para o fechar e voltar a arrumá-lo mas estancou ao perceber uma das figuras ilustradas na página que abriu por mero acaso.
Em qualquer lugar do mundo, a qualquer altura, ela reconhecia aquela pessoa. Seus olhos se arregalaram enquanto pequenas gotículas salgadas se formavam no canto de seus olhos.
– Não, não pode ser… É impossível…
O estado de negação era iminente. Apesar de seus olhos a confrontarem com algo, sua mente negava-se a acreditar. Mas era ela. As lágrimas já fluíam por seu rosto, enquanto soluçava no meio do riso. Estava feliz. Durante anos procurara por uma mera pista e agora, por causalidade deparara-se com o que sempre buscara e que já tinha desistido de um dia encontrar.
– Hisanna nee-san…
Ela precisava de a rever. Ela queria conversar com sua irmã, conferir que tudo estava bem com ela… Queria abraçá-la.
Estupefacta encontrou informações adicionais de sua irmã como seu apelido atribuído pelo casamento. Hisanna Kuchiki. Ficou satisfeita mas deprimida por não ter participado nessas experiências ao seu lado. Continuou a ler e encontrou inesperadamente que ela procurava uma irmã mais nova, mais concretamente seu cadáver.
O seu rosto empalideceu. Pálida como a cal… Hisanna pensava que ela estava morta. E sentiu-se pior porque mesmo nesse estado ela a procurava. Acabou por ler também que seu cunhado, Byakuya Kuchiki, oferecera seu apelido também a ela… Não conhecia aquele senhor mas ficou encantada por sua amabilidade. Ela agora tinha um sobrenome!
– Rukia… Kuchiki. Até que soa bem.
Iria usá-lo com orgulho. Ela agora tinha uma família, e agora que a descobrira iria lutar por ela. Porém um arrepio gelou sua nuca, como se a observassem. Imediatamente se lembrou de Ichigo. Ele nunca iria permitir que ela abandonasse a organização. E apesar de suas brigas, ela também não queria deixá-lo. Porém sempre podia tentar conciliar as suas duas vidas certo? Assim não seria obrigada a escolher um dos dois, poderia usufruir de ambos.
– Eu preciso falar com Ichigo, e rápido.
Com o livro em suas mãos, apertado contra seu peito, ela correu ansiosa até o escritório onde com certeza ele se encontraria. Quando avistou a porta, arroubou-a. Não bateu antecipadamente, não era necessário formalidades entres eles. Não depois do que já viveram juntos.
– Quanto desespero Coelhinha, você estava com tantas saudades de mim assim?
– Eu encontrei a minha irmã, Ichigo!
– O quê?
O riso malicioso do Kurosaki murchou. Ele assistiu a morena suspirar mostrando-lhe o livro dos relatórios de algumas missões anteriores, destacando a figura feminina no canto superior esquerdo. Ele engoliu um rosnado ao reconhecer o poderio que aquele nome acartava. Rukia não conhecia a família Kuchiki, isso explicava seu entusiasmo. Ele próprio fora designado para eliminá-la no entanto recusou ao perceber as semelhanças inegáveis entre as duas mulheres. Assim que conheceu pessoalmente Hisanna Kuchiki no meio de um disfarce, recuou em sua missão. Ele nunca contou a Rukia, porque não queria roubar suas fantasias. Ela ganharia rancor à pessoa que mais importante lhe fora na sua infância, aliás a única.
– O que tem?
– Como assim!? Ichigo… Eu e ela somos…
– Eu já percebi, e daí?
– O quê?
– Rukia, isto não muda nada.
– Eu só quero visitá-la, não vou abandonar a organização!
– A resposta é e será sempre não.
O desespero começou a tomar conta da recente Kuchiki, ela não percebia os motivos para aquela rispidez mas ele estava irredutível.
– Você não pode fazer isto, Ichigo. Ela anda à minha procura!
– Ela pensa que você morreu.
– Como sabes… Ichigo, você já sabia!?
Ele a encarou e pode perceber que ela se sentia traída, e com razão. Ele se ergueu de sua poltrona a encarando frontalmente.
– Sim.
– Como você teve coragem… Porque não me contou nada!? Eu exijo saber!
– Rukia coloque-se no seu lugar, não tem direito a nenhuma exigência. Eu não dou satisfações a ninguém, nem mesmo a você.
Ela baixou o olhar sob a sombra de suas madeiras, riu amarga. Ela nunca seria um mero soldado a cumprir ordens, e estava farta daquilo. A morena estava decidida a acabar com aquela situação, independente das consequências. Erguendo o olhar, estava fulminante.
– Ichigo, para você… É Rukia Kuchiki.
Ele ergueu uma sobrancelha. Ela só poderia estar a brincar…
– Pretende usar o nome de alguém que nem sequer conhece?
– Pior do que você com certeza não será.
As palavras duras que ambos dispararam um contra o outro naquela discussão jamais seriam esquecidas pelo casal. Nenhum dos dois teve feridas tão profundas como aquelas ríspidas acusações mútuas. Nem os ferimentos de balas sangraram tanto como naquele momento. Por um ligeiro momento o Kurosaki quebrara perante o olhar violáceo, foi nítido seu sofrimento, seu olhar quase húmido fez a morena ligeiramente arrepender-se.
Rukia ia sair, voltando a pegar no livro mas no momento que seus dedos contornaram a capa dura, um choque percorreu seus nervos, com uma dúvida surgindo aterrando sua mente.
– O que a minha irmã faz neste livro?
– Ela está aí pelo mesmo motivo de todos, era uma missão. Um alvo a abater.
– Não… Não! Não pode ser! Minha irmã foi morta!
Rukia agarrou sua cabeça com ambas as mãos, puxando seus cabelos enquanto gritava descontroladamente. Toda a felicidade que a arrebatou naquele momento lhe fora roubada novamente. Ichigo aproximara-se dela, segurando seus ombros fortemente, a balançando. Obrigando-a a acalmar-se.
– Fique calma.
– Seu idiota! Como quer que eu…
– Ela está viva.
O olhar da Kuchiki ganhou de novo cor, apesar da ligeira desconfiança, temendo estar a iludir-se.
– Mas… você disse…
– Eu disse que ela foi uma missão, não que foi concluída.
Rukia ergueu uma sobrancelha, ninguém da organização falhara uma única missão. Todos se gabavam disso… Nesse momento, ela lembrou de alguém que não se orgulhava de seus triunfos, que era resguardado. Rukia percorreu o olhar sobre a fisionomia masculina, vendo-o desviar o olhar ligeiramente ruborizado. Seu chefe não era o monstro que ela por vezes desenhava.
– Ichigo… Obrigada.
Sorrateira, ela se aproximou dele em passinhos de bebé apoiada nos dedos dos pés. E inesperadamente puxa o rosto do ruivo até si, e beija sua bochecha. Com sua face extremamente rosada, ela se afasta. Ichigo assistiu esta sair da divisão com um sorriso nos lábios, levemente corado.
– Rukia, mesmo depois de tanto tempo você ainda me surpreende. Me saiu uma coelha bem imprevisível da cartola.
Liberdade. Fugir da gaiola.
Ela já não era feliz naquele lugar, não mais. Principalmente agora que pelas brechas das grades da gaiola conseguia enxergar o céu azulado. Ela queria voar. Queria encontrar-se com sua família, ser a mesma menina inocente que adormecia ninhada nos braços reconfortantes de sua irmã mais velha.
Decidida foi até seus aposentos, arrumar o essencial. Estava eufórica arrumando as coisas numa pequena mochila, porém quando fechava o fecho, um aperto do coração a atormentou com o som. Ela abandonaria Ichigo. Até agora nunca se lembrara dessa questão, ela era dependente dele. Fechou os olhos, iria resistir à sedução do ruivo.
– Adeus, Ichigo.
Sabia que nunca iria ser perdoada desta vez pelo ruivo. Não depois da relação que criaram, da confiança que nutriam um pelo o outro.
Ela sustentou seus pertencentes nas costas, admirando uma última vez seu quarto, sentiu seus olhos queimarem porém iria resistir. Com um último olhar, gritou sua despedida muda.
Poucas horas passaram desde esse momento, até Renji abrir a porta brutamente, ia ser recriminado bruscamente por seu chefe, mas a fúria do ruivo suavizou quando este viu seu olhar de pavor.
– A Rukia… Não está em lado nenhum. Já a procuramos por todo o lado e não a encontramos!
Ichigo ia-se desesperando lentamente. Sempre previu as fugas da morena, no entanto nesta fase nunca poderia supor que ela voltasse às mesmas, apesar das discussões frequentes entre ambos. Socou violentamente a mesa, a quebrando ao meio, não deixava de pensar em como deveria ter previsto isso quando ela descobriu o paradeiro da irmã. Renji ficou estupefacto quando assistiu seu amigo e chefe derramar uma pequena lágrima solitária. Um fenómeno único.
– Renji. Quero vigilância em todos os membros da família Kuchiki a todo o momento. Nunca os percam de vista.
– Mas o que isso tem a ver com Rukia…?
– Só faça o que eu te mandei!
– Sim, senhor.
Abarai, ia deslocar-se para a saída submisso, porém pára seu trajecto automaticamente assim que escuta seu superior o chamar novamente.
– Mais uma coisa. Chama o Grimmjow, tenho uma missão para ele.
O homem tatuado, arregalou os olhos, não queria acreditar. Todos menos ele…
– Você não está pensando… Porquê ele!? Há outras pessoas para procurar Rukia…
– Rukia tem uma relação amistosa com todos os membros, certamente os enganaria quando a tentassem capturar e até pegariam leve com ela, até mesmo você cometeria esse erro. Grimmjow é o indicado para esta missão.
Trincou o lábio fortemente, Abarai abaixou o olhar, de certa forma o Kurosaki estava certo. Ichigo observava mortalmente uma parede. Sentia-se traído e ninguém fazia isso com ele e saía impune.
– Está decidido. A caçada por Rukia Kuchiki começará agora.
E pela primeira vez Ichigo apresentou o nome completo da morena à organização.
Muitos secretos ainda habitavam nas sombras.
Semanas converteram-se em meses, e estes se figuraram num ano. Os anos de experiência ao lado de Ichigo Kurosaki foram meritórios. Ela conseguira manter-se escondida num tempo impensável para seu chefe. Seu humor estava perigoso, sua raiva queimava quando alguém se aproximava. Não havia pistas, nada. Ele supôs que ela tivesse-se ido encontrar com a família recentemente descoberta porém ela pelos vistos nem se aproximava dela. Rukia queria que ele desistisse, perdesse a direcção. Contudo, ele não era idiota, sabia das suas intenções e tinha a certeza que ela estava mais próxima do que imaginava. Estava orgulhoso da habilidade de sua coelha porém ela pagaria caro por aquele sofrimento, muito mesmo.
Ele não a conseguia designar de traidora, não enxergava a situação como traição. Só desespero. Ele apesar de tudo a compreendia, ela queria fugir do sangue, ela estava a ter a coragem e força que ele não teve em abandonar aquela vida. Estava demasiado enraizado por ela para simplesmente cortar todas as raízes. Mas ela conseguiu.
No fundo, ele a invejava.
E por um lado também queria o seu bem, contudo era egoísta demais para a perder. Ela tinha que ficar com ele. E ele a recuperaria. Por muito que a lua se escondesse na noite, o sol negro iria encontra-la durante o eclipse.
As nuvens negras escondiam o céu azulado. Em breve a tempestade atormentaria os céus, rompendo-os com seus sonoros trovões. Estridentes e dourados romperiam por entre as nuvens como uma divindade subjugando os humanos à inevitabilidade temporal.
Num humilde quarto alugado, situado à frente do colégio de Karakura, uma morena de baixa estatura encarava pela janela o grupo de estudantes que se dirigiam às suas salas, rindo e conversando normalmente. Ela decorara cada rosto, cada rotina dos que atravessavam seu campo de visão.
Soltou um longo suspiro, ela sabia que estava a ser procurada por todos os membros da organização, principalmente Grimmjow. Ele era o mais frio lá dentro, indicado para a forçar a voltar. Nunca poderia encontrar-se com sua irmã até não desistirem dela. E o pior, não fazia ideia da localização de Hisanna ou seu marido, e também não poderia averiguar a fundo sem arriscar-se a ser descoberta. Tinha de manter-se isolada da sociedade.
Odiava aquele secretismo todo que perdurou durante um ano. Não poderia fazer nada para além de trabalhar humildemente em limpezas, tinha de evitar o contacto com as pessoas para não ser reconhecida futuramente, e aquela solidão a atormentava. Seu conforto era assistir os diálogos por sua janela, como se ela também fizesse parte dele.
– Espera, Jinta!
– Hm? O que se passa Kon?
– Você se lembra daquele cara estranho de cabelo azul?
Imediatamente os ouvidos da Kuchiki se focaram naquela conversa com total atenção.
– O que tem ele?
– Eu vi… Uma arma no seu bolso!
– Arma? Mas verdadeira? Você andou bebendo de novo Kon?
– Eu não estou a inventar! Eu juro que vi aquele tipo armado!
– E depois? Não é da nossa conta.
– Como assim!?
– Kon, se nós fossemos alvos já estaríamos com uma bala na cabeça. Ignore. Não se meta nisso. Nem o siga de novo.
– Mas…
– Vamos. A aula vai começar. E esqueça isso.
Rukia observou o designado Jinta com seu cabelo vermelho sumir pelos portões da escola, e notou que o tal Kon era um rapaz novo, cerca de seus dez anos, olhos e cabelos castanhos. Ficou preocupada, tanto por Grimmjow estar tão perto de si como aquele jovem ter percebido demais. Se o azulado ouvisse ou suspeitasse de algo, o mataria na hora. Ela começou a ficar preocupada e sentia-se culpada, não queria estragar a rotina do rapaz, e por sua presença ali, ele estava agora em sério risco. A única forma de protege-lo era entregar-se à pantera ou segui-lo para protege-lo e também se arriscando a ser descoberta.
– Maldição! O que eu faço!?
Sacudia as madeixas nervosamente quando percebeu que o jovem fez uma cara misteriosa e afastou-se da escola em vez de ir para as aulas. Ela se arrepiou. O seu instinto dizia que ele iria procurar Grimmjow.
– Que rapaz idiota!
Ela rapidamente agarrou em suas armas, as ajeitando em suas coxas, as cobrindo. Correndo velozmente para o seguir. Cautelosa, Rukia foi seguindo os passos juvenis sempre se camuflando, sem sua presença ser detectada. Kon foi até um beco conhecido pela presença dos gangues. Rukia mordeu o lábio superior, extremamente irritada.
– Ele pretende conferir que Grimmjow pertence a um gangue.
Só as organizações iam para aqueles becos. E a polícia para os separar. A morena momentaneamente o perde de vista quando este curva um beco e seguidamente ouve um grito. Assustada, ela corre em seu auxílio. Deparou-se com um homem alto agarrando fortemente o pescoço de Kon, e instintivamente ela o atacou percebendo que ele era um membro de The Hollows.
Kon a encarou abismado principalmente quando esta retirou sua pistola e baleou a perna do individuo. Ele queria agradecer mas sua garganta estava seca pelo susto. O rapaz viu o homem se levantar com dificuldade e voltou a tremer.
– Garoto, suma daqui.
– Mas e você?
– Eu sei cuidar de mim, você já deve ter reparado. Fuja daqui, agora.
– Certo…
Mesmo hesitante e gaguejando, ele apoia-se em suas pernas bambas para sair daquele lugar assustador.
– Dê ouvidos a seu amigo, não interfira mais na vida destas pessoas.
– Como você sabe disso?
– Eu tenho estado observando-o por acaso. Nunca se aproxime do homem azulado, ele é a morte selvagem.
– Conhece-o?
– Ele me está a caçar.
Pequenas bolas de saliva ficaram presas na garganta de Kon, encarando a Kuchiki atónico. Aquela que o salvara estava a ser perseguida, ele deveria avisar as autoridades, porém a lucidez o fez desistir dessa ideia. Provavelmente ela também seria uma criminosa e seria presa se fosse encontrada. Apesar que ela era muito bondosa apesar de seu génio sensível… Novamente deparou-se com o olhar violáceo latejante contra ele, o fazendo ruborizar.
– Fuja!
Sem olhar mais para trás, ele correu, obedecendo-lhe. Sabendo que mais tarde se iria arrepender por sua covardia. Seu intrometimento seria responsável por aquela criminosa bondosa ser exposta em lutas quando era um alvo.
Enquanto isso Rukia suspirou aliviada, e deu o tiro certeiro no homem que gemia ensanguentado. Pequenos salpicos saltaram para cima de si pela distância pouco longa entre os dois.
Ela encarou suas mãos, que destacavam o seu estado: manchadas pelo sangue. A chuva caía das densas nuvens, molhando suas palmas porém não era suficiente para as lavar e muito menos purificar suas mãos de todos os crimes. Rukia sentia uma aura quase maligna rodopiar seu corpo pela frustração que a tomou, porque mesmo longe de Ichigo e da organização, ela para proteger o rapaz não hesitou em matar. Ela tinha o inimigo dominado porque acabar com sua vida? Velhos hábitos não mudam. Parecia que sua mente tinha sido formata para a matança.
Inesperadamente um ardor tremendo queimou o topo de sua cabeça seguido de um grito oco rasgando a garganta fina da Kuchiki que desabou no chão com a face perto de uma poça encarando pelo reflexo lá exposto o seu atacante.
Grimmjow.
A escuridão tomou seus sentidos. Sua consciência desapareceu entre as milhares gotículas de água.
FLAHSBACK OFF
– Não compreendo porque me lembrei disto agora. Não faz sentido…
A morena desencostou a testa da janela de vidro, recuperando a noção do presente. Ainda sentia uma peculiar curiosidade sobre a história daquele jovem engraçado, nunca comentara sua existência com Ichigo. Não que estivesse a tornar aquilo segredo, somente não era relevante o suficiente. Mas algo lhe dizia, que o seu caminho cruzaria de novo com Kon.
Esquecendo completamente esse assunto, dirigiu-se até sua cama, reconfortando-se nos fortes braços de seu chefe que prontamente a recebeu sem nunca despertar.
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