Simplesmente para Provar que Eu Existo...
1 Memórias do Tempo Congelado
Notas iniciais
Minha vida agora se baseia em dois mundos que são o mesmo só que de formas diferentes, é um pouco difícil de compreender, mas é o que eu vejo, é a realidade. Eu não sei quem sou. Porque nunca pude expressar meus sentimentos verdadeiros, o que me faz parecer falsa. A realidade é assustadora demais e como o mundo nunca pode ouvir minha voz, talvez porque eu tenha medo, não sei quem sou. Eu quero ser feliz, mas quero ser ouvida. Pois me sinto invisível e todos que me vêem me odeiam. Não entendo porque.
O lugar onde estou agora se chama Janku, que significa lixo, é um lixo mesmo. É o espelho da Terra, mostra como são as pessoas de verdade, por dentro. O meu verdadeiro eu não é algo muito legal. Mas tenho esperança de que consiga derrotar as trevas e fazer o tempo voltar a correr. O tempo está congelado.
Acabei de chegar em Janku, vou contar como:
“Certo dia como sempre, começou a aula. Sempre a mesma coisa já que o tempo nunca mudava, era todo dia o mesmo tempo e ninguém além de mim reparava nisso.
Conheci pessoas novas: uma garota magra e baixa, parecia triste até eu falar com ela.
-Me chamo Kotori.
Seu jeito era estranho, diferente e gostei disso. Apesar de que não sabia o que falar quando ela usava o sarcasmo.
Estava tudo normal. Mas havia algo diferente, alguém estava me chamando.
-Dare, eu posso ajudá-la a fazer o tempo voltar e talvez até a encontrar seu lugar – cochichou alguém.
Fui em direção àquele som e me encontrei nos fundos da escola, sozinha, ou melhor, com uma mulher cadavérica vestida de preto.
-Quem é você? – perguntei um pouco assustada.
-A pergunta é: quem é você? – disse ela – Quer descobrir, não é? Odeia esse lugar.
-Detesto – concordei – Pode me ajudar?
-Sim, posso levá-la para onde tudo acontece de forma clara aos olhos de quem sabe. Você é a pessoa perfeita pra ir pra lá, ou melhor, permanecer aqui e mudar esse lugar.
-Não entendo. O que isso quer dizer? – indaguei confusa.
-Vai descobrir – a mulher colocou a mão em meu ombro, ela é fria como um defunto e olha fundo em meus olhos – Sei que tem muitas perguntas, terá de achar as respostas sozinha e quando souber tudo, as pessoas a reconhecerão e verão que você não é ninguém.
-Quem é você afinal?
-Todos me chamam de Morte. – responde ela.
De repente apareci em outro lugar, estava uma escuridão, mas pude ver árvores quase mortas e muito lixo no chão.
-Que lugar é esse? – me perguntei.
Andei até encontrar uma garota, é Kotori, mas ela tinha grandes penas cinza em suas costas, asas.
-Kotori? –arregalei os olhos, isso era incrível e impossível.
-Dare... – ela sorriu – Há quanto tempo.
-Onde estou, aliás?
-Em Janku ora. Dai e Tenshi estavam perguntando de você.
Daí e Tenshi são amigas, eu acho. Já briguei com Tenshi, mas não gosto de guardar rancor das pessoas.
Kotori me levou até elas, Dai estava parecendo um panda bocejando, ela tinha até mesmo orelhas negras e arredondadas em cima da cabeça; Tenshi estava normal exceto por asas em suas costas, uma negra e outra branca.
-Podem me explicar o que está acontecendo? – questionei pensando que era um sonho.
-Estão chamando você para um projeto da escola, não quiseram dizer o que era – contou Dai.
-Projeto de escola? – franzi as sobrancelhas.
-É só chamaram você – afirmou Tenshi.
-Mas onde é a escola? – questiono sem entender nada.
-Aqui mesmo onde você está – elas responderam.
Do nada tudo ficou claro e percebi que havia uma escola em minha frente, ela era assustadora e parecia antiga. Entrei lá e havia muita gente estranha: pessoas que se parecem com animais, monstros e outras coisas, eles deviam ser os estudantes da escola.
-Dare venha cá – alguém chamou, era a mulher de preto, a Morte.
Ela me levou à diretoria e ficamos sozinhas lá.
-Aonde você me levou? O que quer que eu faça? O que é tudo isso? – perguntei.
-Uma coisa de cada vez. Esse lugar é Janku, seu mundo real e surreal, é a verdadeira e a falsa Terra, a realidade e a fantasia – disse Morte.
-Isso não tem nexo! – resmunguei – Pode me explicar direito? Por que todos são assim?
-Eles são assim por dentro, esse mundo é como um espelho da verdade – explicou ela – Já se olhou no espelho?
-Não – neguei – Como eu estou?
Morte pegou um pequeno espelho e colocou em minha frente. Eu estava com uma máscara de gato preto cobrindo meu rosto, arrisquei tirá-la.
-Melhor não fazer isso, você não vai gostar – avisou ela.
-Preciso saber como sou por dentro – tirei a máscara e vi um rosto sorridente com sangue nos olhos vermelhos e uma expressão psicótica, sou um monstro.
Assustada coloquei a máscara de volta, vi uma louca no espelho, alguém capaz de matar milhões de pessoas e dar gargalhadas com isso. Me senti horrível, não posso ser assim, se sou nem mereço viver. Não mereço nada, eu deveria morrer, desaparecer sem deixar rastros.
-Eu avisei – disse Morte – Sabia que iria ficar com medo de si mesma.
-Eu sou horrível! – exclamei com as mãos na cabeça – Um monstro! Eu vi um monstro!
-Acalme-se que temos assuntos pra tratar – ordenou Morte – Tem uma coisa acontecendo.
-O quê? – eu estava trêmula depois de ter visto meu eu verdadeiro, mas não podia deixar isso me tomar.
-Acho que já deve ter percebido que todos na Terra estão sendo corrompidos, se tornando impuros e morrendo mais e mais – falou.
-Sim, o mundo está quebrando –concordei.
-Exatamente! – exclamou ela – É por isso que é você que tem que consertar o mundo.
-Mas eu também estou quebrando, apodrecendo. Apesar de ser de forma diferente. Não viu que sou... – não completei a frase.
-Você tem uma luz diferente! Ainda tem esperança e quer mudar o mundo, não é? Quer ser vista e ouvida.
-Sim, mas como posso fazer isso?
-Tem de parar as trevas. Primeiro terá de ir até lá, depois usará isto – Morte mostrou uma caixa negra – para prendê-las, Não será fácil, terá de lutar e tome cuidado para não se corromper também. As trevas farão de tudo para escurecer seu coração, não deixe que isso aconteça.
-Okay. Depois disso vão me ver finalmente? – quis saber.
-Só o destino saberá.
-Mas você prometeu! – reclamei.
-Tudo depende de você, agora vá logo.
Morte me empurrou pra fora da sala e trancou a porta.
-Que droga! E agora? Pra onde eu vou? – me perguntei com raiva.
-E pra onde quer ir? – uma garota de cabelos curtos vermelhos, como asas de borboleta nas costas apareceu.
Suas asas púrpura eram lindas, ela era linda.
-Q-quem é você? – indaguei um pouco maravilhada.
-Sou Tammy – ela se apresentou – Estou perguntando a mesma coisa: pra onde ir? Esse mundo é tão...sujo.
-Com certeza – concordei – Mas é culpa das pessoas, elas se tornaram um recipiente de desejos incontrolável.
-Você também pensa assim?! – Tammy me abraçou feliz – Ah, eu quero te capturar, prender num cofre e não deixar ninguém tocar!”
Gosto de ser abraçada, gostei muito dela e uma chama se acendeu em meu coração, uma esperança. Esperança de que ela pudesse gostar realmente de mim e me ajudasse a ser vista e ouvida. Talvez eu tenha esperança demais, coisas assim são muito importantes pra mim e quando destroem minha esperança eu quebro ainda mais. As pessoas conseguem me ferir facilmente e dessa forma me tornei um monstro. Mas tenho de tomar mais cuidado, não posso ser corrompida pelas trevas.
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Em um tempo em que a Terra era considerada um paraíso, existiam duas garotas que se viam felizes. Mas com o passar dos anos descobriram que estavam enganadas. Não havia algo pelo que viver, as pessoas só as criticavam por mais que faziam, só as feriam. Passaram a querer destruí-las, todas as vozes que as perturbavam, fazê-las desaparecer. Mas se continham, sentindo-se garotas quebradas e presas por correntes.
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