Simplesmente Viver: Anos Um e Dois

12 Depois da Recuperação


Notas iniciais
Boa leitura

Depois da Recuperação



- Logo a primeira aula que vais ter depois da recuperação é Poções. Que azar! — Harry disse a Siria quando eles, Hermione e Ron iam a caminho das Masmorras.

- Pois, realmente a matéria é um pouco difícil. — Disse Hermione.

- Um pouco difícil? É tramada. — Ron afirmou.

- Obrigada, estou muito aliviada por saber que a matéria de Poções é muito simples, meus queridos amigos. — Siria disse com ironia da voz quando chegaram à porta, Siria não reparou que o professor já lá estava, mas quando o viu calou-se logo.

- Entrem! — Mandou ele. Os alunos assim o fizeram. — Hoje, vamos fazer uma poção que vocês já fizeram, mas devido ao vosso desempenho medíocre, eu optei por repetir a sua execução. Espero que tenham melhor nota, pelo menos, não vai ser difícil. É a Poção Jeova. — Siria ergueu a sobrancelha, olhando para a folha de papiro com a matéria que ela passara de Hermione. Estava apenas uma breve referência à poção. Uma referência que dizia: Muito difícil. — Abram os vossos livros na pág.45, onde está a execução da poção e, depois, comecem a fazê-la. — Hermione ergueu imediatamente a mão. — Sim, Miss Granger? — Perguntou Snape forçosamente.

- O Professor não vai dar os igredientes? — Perguntou. — É que confunde um bocado a execução sem os ingredientes. O professor mesmo mencionou isso na aula passada, até os escreveu no quadro.

- Não, vocês devem-se lembrar dos ingredientes. Pelo menos, devem tê-los passado. — Hermione vasculhou por toda a sua mochila à procura dos ingredientes e achou-os finalmente. Siria olhou para a execução que estava no livro, ela estava completamente às aranhas naquilo e o professor sabia isso. Siria soube que havia mais alguém que a queria fora dali. Uma grande raiva atingiu-a e quando ela ficava com raiva, ela chorava, mas Siria decidiu não se dar por vencida e empenhar-se em descobrir os ingredientes pela execução.

Faltava meia hora para a aula acabar quando Siria finalmente descobriu os ingredientes. Não havia problema se ela conseguisse bater o recorde da preparação da poção, que eram 3o minutos. Siria rezou um pouco a Deus antes de começar. Depois, começou por cortar as folhas de cidreira e ferveu-as juntamente com água com açúcar. De seguida, juntou leite de cabra podre e ovos de sapo sem vida, misturou rapidamente e mexeu a poção calmamente. Se se enervasse, seria pior para ela e para a poção. Seguidamente, juntou um cálice de vinho do Porto e uma colher de arroz carolino do Mondego. Logo a seguir, um pedaço de pão ela esmigalhou para juntar à poção, juntamente com sumo de maracujá. Ela mexeu um pouco até a poção ficar com as cores do arco-íris. Como toque final, Siria fez um corte no dedo e deixou cair um pouco do seu sangue para a poção. Pelo menos a execução dizia que por último teria que ser adicionado uma coisa bondosa e como Siria era bondosa, ela achou que o seu ADN teria essa sua bondade. E, pelos vistos, teve um bom palpite, pois a poção ficou com a cor do mar salgado, como dizia no livro. Siria olhou para as horas, faltavam 2 minutos, o que significava que ela tinha conseguido em vinte e oito minutos, tinha conseguido bater o recorde, isso se a poção estivesse bem feita.

- Entreguem uma amostra da vossa poção, agora. — Siria apressou-se a cumprir a ordem e foi a primeira a entregá-la. Snape aceitou a poção sem sequer erguer os olhos para Siria. Os outros deram também a sua poção e foram-se embora quando a campainha soou.

- Não consegui fazê-la de novo. — Hermione disse à hora de almoço.

- Fazer o quê? — Siria perguntou distraída.

- A Poção Jeova. Então contigo deve ter sido pior já que não estiveste lá na última aula. Não tinhas os ingredientes. — Hermione disse.

- Eu tirei-os da execução. — Siria disse apenas.

- Mas deves ter tido bué pouco tempo. — Insistiu a amiga.

- Sim, mas consegui, pelo menos, ficou arco-íris e, depois a cor do mar.

- A minha ficou um arco-íris desbotado. — Disseram Ron e Harry ao mesmo tempo.

- O meu arco-íris saiu bem, mas não consegui com que ele ficasse cor do mar. — Disse Hermione, suspirando tristemente. — Não estava bem explícito o último ingrediente. O que é que puseste? — Perguntou ela a Siria.

- O meu sangue. — Respondeu a amiga, mostrando o corte que ela tinha feito no dedo. Os outros 3 olharam-na surpreendidos. — O que é? Eu não sou bondosa, é isso?

- Não, mas é que eu não me lembrei disso. — Hermione disse, os outros concordaram.

- Mas o Snape está contra ti, Siria, tens que ter cuidado. Ele consegue ser mais cruel que o Dumbledore. — Disse Fred, sentando-se ao lado da amiga, pois tinha ouvido a conversa.

- Eu sei que ele está do lado do Diretor, mas não consegue ser mais cruel que ele, Fred, não consegue. — Disse Siria, olhando para a mesa dos Professores, mais precisamente para Snape e Dumbledore.

- Achas mesmo? — Perguntou o gémeo. Os outros também queriam a resposta.

- Claro que sim. Olhem para eles os dois. — Os amigos assim fizeram. — Quem é que vocês acham que é o mais carinhoso? Nada de ironias. — Pediu Siria.

- O Dumbledore. — Disseram todos como se aquilo fosse muito óbvio. — O Snape nem sequer deve saber o que é carinho. — Acrescentou Harry.

- Exatamente. — Siria disse, olhando juntamente com os amigos. — O Diretor mostra mais o carinho que sente pelos alunos, mais que o Prof. Snape, ele despreza os alunos, o Diretor não. Ele gosta de todos, entrega-se pelo melhor dos alunos. Ele faz tudo por eles, por vocês, mas não por mim. Ele quer que eu me vá embora, não suporta ver-me a triunfar com medo que eu seja do Mal, mesmo que eu não seja. Ele não me quer bem, ele despreza-me com o objetivo de preservar os alunos. E isso faz com que ele consiga ser mais cruel, porque ele me trata de uma maneira maldosa e é muito boa pessoa. E eu não consigo odíá-lo por isso, o que me magoa ainda mais. O Dumbledore, para mim, é o mais cruel, mas eu sei que ele é bondoso e carinhoso e é por isso que o perdoo todos os dias, mesmo ele não querendo o meu perdão.

- Sabes que nós vamos ficar sempre do teu lado, não sabes? — Disse George, quando chegou e olhando para os dois professores também.

- Não tenho nenhuma dúvida disso. — Disse Siria quando Snape e Dumbledore olharam para eles.

Algum tempo passou. Harry, Hermione e Ron enfrentaram um troll no dia de Hallow'en e, finalmente, ficaram amigos. Siria ficou imensamente contente por todos eles. Mas agora Harry desconfiava que Snape queria o que o cão de três cabeças estava a guardar.

- Eu acho um exagero a desconfiança que tens no Professor. Dá para ver que o Diretor confia plenamente nele e, vamos combinar, ele é muito atento nessas coisas de confiança. — Disse Siria com um tom seguro na voz. Ela e Harry estavam no Salão Principal. Era véspera de jogo: Gryffindor versus Slytherin. Era Novembro, logo, começo de temporada. — Só te desejo boa sorte para o jogo. Tenho a certeza que vais apanhar a snitch antes de um dos slytherin sequer a ver.

- Obrigada, Siria. Tu sabes que é muito importante que acredites em mim. Faz-me sentir bem e levanta-me a disposição.

O jogo começou. Todos os professores estavam presentes, exceto o Diretor. Gryffindor estava em vantagem e Siria sorria feliz, contente por ver tanta gente festejar. Por ver tanta gente a seu lado que naquele momento não se importava em desconfiar de Siria Sfear. Olhou para Harry, o amigo estava atento ao redor, tentando ver a snitch. De repente, o jogo revidou. Os Slytherin estavam a dar tudo por tudo. Era só jogo sujo, mas Madame Hooch parecia não se aperceber. Estava agora sessenta contra vinte, Slytherin ganhava.

- O que é que se passa com o Harry? — Perguntou Hermione. Siria seguiu o olhar da amiga. Harry estava a voar, mas a sua vassoura estava descontrolada, completamente descontrolada.

- Como é que aquilo está a acontecer? — Perguntaram Ron e Siria ao mesmo tempo.

- Só Magia Negra pode fazer aquilo. — Disse Hagrid. — Que estranho, nenhum aluno tem conhecimentos tão avançados, ainda por cima de Magia Negra.

- Deixa-me ver uma coisa. — Hermione tirou os binóculos a Ron e procurou algo pelos adeptos. — Eu sabia! Olhem para o Snape. — Ron pegou nos binóculos, mas Siria não precisou para ver a que é que Hermione se estava a referir. Siria viu Snape olhar fixamente para Harry, murmurando palavras incessantemente. — Ele está a amaldiçoá-lo.

- Eu vou matá-lo. — Disse Siria sem pensar. Porém, Hermione impediu-a, dizendo:

- Deixa-o comigo.

Siria viu Hermione abrir caminho por entre a multidão e por entre o lado de trás onde o Professor estava. Nem sequer parou para pedir desculpa ao Professor Quirrel quando, ao chocar com ele, o fez cair de cabeça na fila da frente. Quando chegou perto de Snape, agachou-se, pegou na varinha e murmurou algumas palavras bem escolhidas. Chispas de um azul brilhante saltaram-lhe da varinha para a bainha do manto de Snape. Este demorou cerca de trinta segundos a reparar que o seu manto pegara fogo. Mas, logo que desviou o olhar, Harry montou de novo a vassoura. Passado pouco tempo, Harry engoliu a snitch. Gryffindor ganhou por 170 contra apenas 60 de Slytherin.

No fim do jogo, Hermione e Ron contaram tudo a Harry sem sequer pararem para respirar. Siria não disse uma sequer palavra. Olhava fixamente para uma árvore, tinha nela um olhar pensante, como se estivesse a organizar todas as suas ideias. Pensava naquilo com tanta dedicação que nem sequer reparava nas pessoas que passavam por eles.

- Siria! — Harry gritou pela quinta vez. Siria finalmente deu-lhe atenção. — Ainda pensas que não devo desconfiar do Snape? Eu vou falar com o Hagrid sobre isso. Eu tenho que saber mais. O Snape tentou matar-me, Siria. Consegues defendê-lo depois disso? — Perguntou o amigo, Siria sentiu-se pressionada. Não sabia o que pensar, não sabia, simplesmente não sabia. — Até a Hermione já acredita que o Snape quer o que o cão guarda. E ele tentou matar-me, e mesmo assim vejo-te com dúvidas, Siria. Por favor, vê se cresces para pensares em condições. — Siria fartou-se completamente. Podia ser uma pessoa compreensiva, mas ainda era uma criança.

- Sabes uma coisa, Harry? — Gritou Siria. — Eu sou mais crescida que tu. Mas simplesmente não consigo suportar quando tu fazes isto. Tu pressionas-me demasiado, parece que te esqueces que eu sou apenas mais uma criança. Será que não percebes que eu apenas não quero ser injusta para com o Prof. Snape?

- Injusta? — Perguntou Harry magoado. — Injusta? Ele tentou matar-me, Siria. Matar-me, Siria. Matar o teu melhor amigo. Ou será que te esqueceste que eu sou o teu melhor amigo? Esquecer não, será que achas que o Snape merece mais a tua lealdade do que eu?

- Eu não acho nada disso, Harry. Eu amo-te, mas eu não posso ver apenas o teu lado. Eu tenho que perceber o que se passa. Harry, eu não te digo que não ache que tu tens razão, mas eu preciso de saber mais. Tu sabes como eu sou, Harry, eu preciso de saber mais para tirar as minhas conclusões. Tu sabes que eu sou assim. — Siria tentava explicar ao melhor amigo o que se passava com ela.

- E eu aturei isso por demasiados anos para tu não veres o mal que aquele homem é capaz de fazer. Estou farto de ti, Siria, farto de estar sempre a acompanhar-te quando ambos pensamos o mesmo. Tu continuas à procura de um lugar onde pertencer. Hogwarts não te convenceu. Admite-o, Siria, porque me magoa estar sempre a olhar para os teus olhos como se eu fosse o culpado do sofrimento todo por que passas. — Harry gritava agora, o que valia é que só estavam presentes Ron e Hermione para além de Harry e Siria. Esta chorava, porque o que Harry dizia era mentira e ele não se apercebia disso, ele acreditava mesmo no que dizia.

- Se pensas assim é porque não me conheces. Ou então é porque Hogwarts te mudou completamente, os pensamentos das pessoas, o pensamento do Diretor. Eu espero que tenha sido a segunda, porque se tu mudaste assim, ainda podes mudar e ver-me verdadeiramente. Mas tu não és para mim significado de sofrimento, Harry. E eu também queria que eu não significasse isso para ti. Vão falar com o Hagrid, façam o que quiserem, eu não vou. Estou com uma enorme vontade de me enfiar na cama. — Siria entrou no Castelo, deixando o trio.

- Cometeste um grande erro, amigo. — Disse Ron honestamente.

- No princípio, disseste que desconfiavas dela. — Disse Harry zangado.

- Eu só disse isso porque ela gostou mais depressa da Hermione do que de mim, sou ciumento por natureza. Ela adora-te, pá.

- Que sensibilidade de sapo, Ron, diga-se de passagem. — Hermione disse, batendo na cabeça do amigo, que não reclamou. — Vamos falar com o Hagrid sobre o Snape, Harry. Para não pensares no que se passou, precisam ambos de um tempo.

Siria precisava de pensar, tomar um chá, ouvir rir, precisava de alguém que se risse. Quando se riam, era mágico, era fantástico para Siria. Gostava que ela própria fosse uma pessoa de risos, mas achava-se mais uma de choro do que propriamente de risos, mas adorava rir-se e quando se ria gostava ainda mais de si. Não sabia a quem é que tinha saido tão desgostosa, tão melancólica, mas gostava de se rir e isso, sem dúvida, devia-se aos pais, principalmente à mãe. Siria simplesmente adorava o riso da mãe, era o mais belo riso que ela conhecia. Tinha saudades da mãe, do pai, dos avós, de todos, de si mesma. Sim, Siria sentia que estava a tornar-se noutra pessoa que não ela, sentia que a imagem que tinham dela, a estava a moldar.

- O que se passar com Siria? — Perguntou Figus, aparecendo. Siria deu um meio sorriso.

- Nada, Figus, não te preocupes. Sou muito sensível, emociono-me facilmente. Como Gryffindor ganhou, estou muito emocionada. — Siria tentou limpar as lágrimas que teimavam em cair.

- Siria não poder ir para seu quarto agora. — Avisou o elfo. Continuando a chorar, Siria perguntou:

- Por que razão é que não posso ir?

- O Diretor e o Professor Snape estar lá. Eles dizer que Siria dar autorização para procurar uma coisa. — Siria passou-se imediatamente. Estava demasiado afetada para conseguir pensar em condições.

- O que é que vocês pensam que estão a fazer no meu quarto? — Perguntou Siria ao ver Snape e Dumbledore a remexer nas suas coisas. — Larguem imediatamente isso.

- Peço desculpa. — Snape disse. Siria olhou para Dumbledore, que encolheu os ombros, não lhe iria pedir desculpa. Esta então voltou o olhar de novo para o professor de Poções. Como é que ainda queria ver o seu lado em toda aquela trama Siria não sabia, mas estava furiosa consigo mesma, mas ainda mais com o Diretor. Virou-se então para este, encarando-o seguramente.

- Se o facto de eu andar em Hogwarts lhe dá o direito para invadir o meu espaço, então não vale a pena. Mas podem dizer-me o que procuram, talvez eu possa ajudar.

- Não vale a pena andares em Hogwarts se isso me der o direito para invadir o teu espaço? — Perguntou Dumbledore, analisando a sua expressão. Siria sabia que mostrava sofrimento, mas não se importava.

- Saiam daqui imediatamente.

- Sabes uma coisa, Siria? Eu não tenho nada contra ti. — Disse o Director.

- Eu sei, Diretor, eu sei. — Siria ria descontrolada. — Eu sei tudo isso. Eu sei que não é nada contra mim, mas contra o que eu posso vir a ser, eu sei isso. E, por isso, não gosta de mim. Eu sei tudo isso. Saiam daqui! — Mandou ela raivosamente.

- Onde é que está o Harry, Siria? — Perguntou Dumbledore, Siria olhou-o, era óbvio que ele já sabia que eles estavam chateados. Não a olhava com crueldade, apenas tentava fazer com que ela se magoasse, mas Siria não desistiria.

- Eu não me deixo cair no primeiro poço que apareça a minha frente. Se assim fosse, eu já não estaria aqui. — Siria disse, mostrando a mão, onde ainda se via uma vaga cicatriz. — Eu gosto de si, Diretor, gosto realmente de si e aceito não gostar de mim, mas não vou ficar magoada sempre que faz alguma coisa para me tirar daqui, não vou. Mas admito que gosto muito de si apesar de não me querer aqui. Agora, peço-vos que saiam. — Os dois assim fizeram. Siria pôs-se na cama e adormeceu exausta. Tivera um longo dia.

Notas finais
Então o que acharam?

Kiss kiss,
CR