Simplesmente Sonhe
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Enfim terminei de ler o livro que minha professora havia me emprestado. Era um livro muito especial, realmente me fez pensar mais, refletir... Imaginar! Essa era a palavra correta. Clarice Ge, havia se tornado minha escritora favorita desde então. Minha professora sempre me mandava uma série de livros dela para eu poder ter uma ‘imagem’ de como é o mundo. Dentre os livros eu podia destacar a idéia principal, o ponto máximo do livro... Que são os sonhos! Os livros se baseiam neles, independente do sonho, sempre há uma história magnífica por trás, sempre há um significado, algo que às vezes é compreensível logo de cara, outras vezes não, leva-nos a pensar e pensar para se chegar numa conclusão.
Passei os dedos na cobertura do livro, não havia imagem eu acho, mas estavam escritos o nome da autora, do próprio livro e uma palavra a mais: IMAGINAÇÃO. Eu já estava embarcando em meus pensamentos, quando ouvi meu celular despertar. Um barulho ensurdecedor e horrível! Logo iria mudar aquela canção irritante, mas agora eu precisava tomar banho. Afinal, eu tinha aula como qualquer adolescente normal. Apalpei a toalha na porta, consegui chegar até o banheiro seguindo as setas de auto-relevo coladas na parede (Invenção de minha mãe para facilitar as coisas para mim). Geralmente, quando estou tomando banho, costumo relembrar minha vida a partir de que cheguei a Connecticut. Foi há três anos, quando eu tinha 13 anos de idade, eu morava no interior, numa pequena cidade onde os estudos não eram importantes. Minha mãe sempre quis que eu estudasse, me formasse e fosse alguém na vida, independente do meu problema. Então viemos para cá. Consegui estudar na Collegiate Institute que hoje, apesar de ser uma universidade, dão aulas para o ensino médio. Só pude entrar nesse colégio pelo motivo de ser muito avançada para minha idade. Conheci a Melissa, a minha melhor amiga cujo chamo de Mel. Passei diversos problemas por causa de um em especial. Mas hoje eu simplesmente não ligo mais para isso, hoje eu tenho muitos amigos, além da Mel que continua sempre comigo. Ouvi o celular despertando novamente, aquilo era sinal de que eu estava atrasada. Desliguei o chuveiro, me enrolei na toalha, abri a porta e senti alguém em pé me olhando. Era minha mãe:
-Estou atrasada? – disse me sentindo inocente, eu já sabia que provavelmente ela brigaria de novo comigo por eu ter enrolado demais no chuveiro. Antes fosse a primeira vez, eu sempre gastava água demais.
-Nem imagina o quanto! Vamos logo, qual a roupa que você quer?- (Olha, ela nem brigou)
É estranho imaginar sua mãe pegando roupa para você vestir quando se tem 16 anos, mas...
- Oh sim! Eu quero aquela blusa regata, um jeans e meu all star! – Eu prefiro o conforto ao luxo.
- Pronto! Está tudo em cima da sua cama! Agora se arrume rápido, você tem 15 minutos.
- Ok – assenti.
Peguei meu ipod e coloquei uma música assim eu me arrumaria mais rápido. Coloquei a primeira para ser mais ágil e por sorte era uma que eu gostava muito: Hey Jude dos Beatles. Vesti meu jeans, minha regata e coloquei meu all star torcendo para ter pegado a meia certa. Da ultima vez, fui com a meia de quando eu tinha 13 anos, de ursinho... Mas enfim, sem comentários. Peguei meu fichário, e fui para o carro da minha mãe. Um de meus sonhos era ter um carro, mas seria impossível realizar-lo.
Bom, enquanto eu estava esperando chegar ao colégio, peguei meu ipod e procurei uma música melhor, já que Hey Jude havia acabado há tempos. Cheguei em Carry on My Wayward Son do Kansas, me lembrava muito um seriado que eu ouvia. Cantei em voz alta, minha mãe ria de mim, mas por fim acabava cantando junto. Escutei mais duas músicas em seguida, I walk beside you e Through her eyes, ambas do Dream Theater. Foi ai que eu cheguei ao meu colégio. Despedi de minha mãe e fui ao encontro de Mel, que todo dia de manha estava à minha espera no nosso banco preferido da universidade.
- Bom dia Mel!
- Bom dia Nick! E como você está?
- Estou bem, ah eu terminei de ler o livro hoje! É muito bom!
- Se eu entendesse esses sinais ai leria! E você para de me passar vontade, você sabe que eu amo ler.
- Calma, depois te conto a história. Mas e então como está você?
- Bem também, hoje à tarde estou pensando em ir para o...
- Hey garotas! – Era a voz do meu amigo Steve, ele era apaixonado por Mel e só ela não notava.
- Oi Steve! – Disse eu e Mel num coral.
- O que houve?
- Hã, nada, Mel estava me contando que hoje iria para... Para onde mesmo?
- Para o shopping! Vamos comigo Nick? – Foi ai que eu vi uma ótima oportunidade de dar uma de cupido.
- Ah, não vai dar! Eu vou ficar com minha mãe hoje, hã... Mas eu tenho certeza que o Steve vai com você. Ai, vocês podem assistir um belo filme como bons amigos... Que tal? – Tentei parecer mais natural possível
-Bom... Se a Mel topar, eu vou!
- Hm, tudo bem então. Steve eu vou lá assim que acabar a aula. Ou seja, lá pras 13h20min, você me espera aqui na porta para irmos juntos ok?
- Ok! Então tá! Vamos pra sala por que já vai bater o...
‘TRIIITIIIRIIIIMM’
-... Sino.
Abri um sorriso. Levantamos e fomos todos juntos para a sala. Steve me guiou pelo lado esquerdo de meu corpo, e sussurrou:
-Obrigado! – Ele estava agradecendo pelo passeio no shopping e eu respondi baixinho:
- Aproveite o passeio! – Sorri em resposta, acho que ele também sorria para mim. Às vezes fico imaginando como seriam meus dois melhores amigos. Mel se descreveu para mim uma vez, porém eu não conseguiria definir se não fosse pelo toque. Seus cabelos eram lisos e macios, curtos. A cor não importava para mim já que não conheço as cores, mas ela dizia que era loiro natural, nunca havia pintado o cabelo. Ela tinha um corpo bonito, pelo menos foi o que eu ouvi de Steve, mais ou menos da minha altura. Dizem que os olhos dela são perfeitos, um azul celeste... Como eu queria vê-los! Suponho que a esta hora estávamos na classe, pois o barulho de um bando de adolescentes com hormônios à flor da pele que é reconhecível. Não conheço muitos alunos da minha sala, somente Katie, Jensen, Brianna e Peter, pelo menos esses eram os que eu mais conversava tirando Steve, Mel e Scott. Eu já havia conversado com outros, claro, mas eu sabia que havia gente faltando para conhecer. Tenho que admitir sou muito boa de conversar, mas como conversar com alguém que eu nem sequer sabia que existia? Prefiro não arriscar, vai que eu começo a falar e descubro que estou dialogando com a parede, ou qualquer coisa. Eu sentei na cadeira e Mel sentou-se ao meu lado. Steve sentou-se atrás de Mel juntamente com alguém que eu julgava ser Scott.
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