Simplesmente Muito Parecidos
1 Simplesmente Muito Parecidos
Notas iniciais
Espero que gostem!
Beijos!
Zeus...
É incrível como minhas decisões são irônicas. Sou o líder do Olimpo, o deus dos deuses. Mas não posso cuidar de minhas crias como Poseidon o faz. Eu jamais admitiria em voz alta mas, eu o invejo por isso.
Preciso ser rígido, duro, frio. Preciso ser um exemplo. Preciso ter uma imagem. Não posso simplesmente fazer o que eu quero sem pensar em como isso afeta os outros. Não posso burlar as leis que crio, mesmo que queira.
Me lembro do dia em que Thalia nasceu. Eu pensei que seria como a mãe, cabelos loiros e lisos, com belos olhos castanhos amendoados e traços finos e delicados como se fossem de papel. Mas não era. Os cabelos eram negros e bagunçados. Os traços eram fortes, duros, e marcantes. Olhos azuis como o céu em uma noite de relâmpagos, onde os raios passeavam livremente. Como os meus.
A semelhança era assombrosa. E mais tarde eu descobriria que Thalia era mais parecida comigo do que eu pensava.
Uma noite fui vista-la. Ela não devia ter mais de nove meses. Dormia tranqüilamente em seu berço, abraçada a uma nuvem de pelúcia. Me pareceu um crime hediondo destinar algo tão inocente a um destino tão terrível. Mas era algo pelo qual todo herói passava. Tudo que eu podia fazer era observar e torcer para que nada de ruim acontecesse a minha pequena Thalia Grace, a minha pequena graça.
Quando sua mãe começou a se drogar fiquei tentado a tirar minha filha dali. Uma criança de seis anos não deve cuidar de outra, muito menos conviver com aquele tipo de pessoa. Mas eu não pude. Queria traze-la para o Olimpo, deixa-la segura. Mas parece que não sou capaz disso.
Aos poucos eu conhecia minha filha o suficiente para prever seus movimentos. Sabia que ela adorava rock, que dançava muito bem, que não tinha paciência para muita coisa, que se irritava muito fácil, que adorava ver o céu.
Algumas vezes, quando Thalia ia na janela olhar o céu, eu o tingia de tons mais brilhantes de azul, mesclava de branco, aos por-dos-sois eu tingia o céu de suas cores favoritas, e de noite fazia as estrelas brilharem mais.
Após o sumiço de Jason, eu soube que Thalia não agüentaria.
Então eu apareci novamente enquanto dormia. Lhe dava sonhos. Instruções. Maneiras e possibilidades de fuga. Mandei Amalteia lhe guiar para um lugar seguro. Para alguém que pudesse cuidar dela melhor do que eu cuidei.
Ao encontrar o filho de Hermes, pensei ter lhe enviado a pessoa certa. E realmente enviei. Mas a culpa do que aconteceu foi total e inteiramente minha. Se você pensar bem, se eu não tivesse sido tão ausente. Se não tivesse lhes deixado se decepcionar comigo, talvez as coisas fossem diferentes.
Toda vez que ela me pedia algo, eu queria dizer que lhes daria tudo que ela me pedisse. Mas eu tinha de zelar por minha imagem. E de coração partido eu lhes negava e ignorava suas preces.
Ao envia-la para a filha de Atena, me senti satisfeito. Thalia estava feliz, mesmo com a vida que estava vivendo. Mas e se ela não tivesse que fugir? Então novamente entrei em seus sonhos para convence-la a encontrar o acampamento. Tudo que eu queria era vê-la segura.
Mesmo antes da batalha eu sabia o que iria acontecer. Nada que eles fizessem poderia impedir a tragédia que iria acontecer. Thalia era mesmo parecida demais comigo. Eu queria ter lançado raios, queria ter aparecido, lutado. Mas tudo que pude Quando vi minha filha cair no chão, dura, a vida se esvaindo de seu corpo, deixei de lado minha imagem por tempo o suficiente para ajuda-la. Mas o máximo que minha imagem permitiu foi que eu a transformasse naquele pinheiro.
Quando Thalia voltou a vida, eu queria fazer o céu mais bonito de todos os tempos. Mas não o fiz. Pois minha imagem, novamente me impediu.
Na luta contra Luke, quando ele lhes ofereceu uma vaga em seu exercito, eu pensei em sua resposta. Pela primeira vez eu não sabia se a conhecia o suficiente para lhe prever.
Quando ela escolheu a opção boa para todos, menos para ela, em vez da opção boa para ela, notei que eu já sabia a resposta. Éramos simplesmente muito parecidos.
No Olimpo, na guerra dos titãs, eu derrubei a estatua de Hera. Eu sabia que Thalia se jogaria ali para salvar Annabeth. Era o tipo de coisa que eu faria se pudesse. Thalia não merecia ver Luke Castellan morrer, mesmo que tecnicamente não fosse ele. Isso a machucaria mais do que qualquer estatua.
Acho que a única diferença entre mim e Thalia, é que ela tem coragem de desafiar os outros. Coragem para impor sua vontade. Para fazer o que quisesse. Ao contrario de mim, ela não pensava no que os outros iriam pensar dela. Mas eu tenho orgulho de dizer que Thalia é minha filha. Eu a vejo sofrer noites em claro, mas em silencio, nas sombras, fingindo estar bem, guardando suas amarguras para si. Pois, afinal, eu e Thalia somos simplesmente muito parecidos.
Fale com o autor