Simplesmente "Maria"
7 Fora de planejamento
Nesse interim, nos finais de semana livre, Maria gostava de passear no parque Ibirapuera, um lugar lindo, que a maioria dos paulistanos frequentam ou já frequentaram com seus familiares, um lugar para se caminhar, ver o verde da natureza, praticar esportes, ou apenas ir observar e descansar a mente.
Em um desses dias que o sol parece iluminar mais que o comum, que os verdes das plantas são mais verdes, ela conhece um amigo.
Um judeu que havia vindo de Israel á muitos anos e que amava passear no parque.
Eles ficaram conversando por horas e horas. Pareciam duas crianças rindo e brincando. Abraham como era seu nome, era muito inteligente e espirituoso, seu bom humor era contagiante, sua inteligência privilegiada, falava nove idiomas fluentemente, conhecia quase todo o mundo, e estava em São Paulo com negócios no ramo alimentício e têxtil no bairro Bom Retiro, conhecido por ser predominante de judeus.
Ficaram tão amigos que no outro dia, já marcaram para se encontrar novamente e irem assistir um filme juntos, o filme foi escolhido por Abraham foi, o filme" Muito barulho por nada", uma obra de Shakespeare, ótima adaptação.
Ele era um homem de pouca estatura, não chegava nem aos ombros de Maria, então para ela não passaria de amizade, pois ele não fazia o seu tipo físico. Eles foram a cada dia se conhecendo melhor, e eram tardes e noites tão agradáveis, que ele se apaixonou pela suavidade ingenuidade, alegria e vontade de viver que ela tinha.
Ela por outro lado a cada dia se encantava mais com a inteligência e bom humor dele. Assim foram se vendo sempre que podia, quase que diariamente, até que um dia ele á convidou para ir com ele na casa de praia no Guarujá, que era de sua família, e eles passariam um final de semana, como ele dizia, bem "legal" juntos. E como naquela semana, ela estava justamente sem trabalho, aceitou.
Já rolava um clima da parte dele para com ela, sempre nas brincadeiras e entrelinhas, ele dizia o quanto daria tudo para ter uma namorada como ela, mas rindo muito, também falava que ela era muita areia para o caminhãozinho dele...risos, literalmente!
Mas as piadinhas sempre vinham, e eles riam muito juntos.
Ela não sentia nada além de uma profunda amizade, e carinho e admiração pela pessoa dele. Os dois desceram a serra, ouvindo boa música e filosofando, uma das coisas que os dois amavam fazer, se aprofundar em questões sobre a vida.
Chegaram lá e ela se impressionou com o tamanho do apartamento, era muito grande para ser apartamento de praia, tinha duas salas, três quartos grandes, cozinha, copa, etc.
No primeiro dia que chegaram já era tarde e só deixaram as coisas e foram como duas crianças ver o mar de noite, levaram uma garrafa de vinho para beberem lá, e a beberam como se fosse agua.
E com aquele clima todo, e em meio a risadas, e conversas interessantes, surgiu um beijo, e desse beijo surgiu uma paixão forte nos dois, e ela cedeu.
Como diz o nome, paixão não é amor, mas é bem intenso, os dois acabaram indo de volta ao apartamento , direto para o quarto, e como Abraham já tinha contado toda sua história do seu casamento de oito anos com uma judia, que o deixou por razão de seu problema de esterilidade, e logo em seguida ela havia se casado e realizado seu sonho de ter filho, e que ele já tinha ido aos melhores especialistas na Europa e no Brasil, mas que infelizmente era irreversível, eles não se preocuparam em se precaveram quanto á gravidez.
E lá se foram, dois adultos, ele separado , ela sozinha desde que havia chego á São Paulo, se entregaram em momentos de amor, respeito, liberdade ,intimidade e carinho.
Poderia ter acabado por ai, mas como na vida de Maria nada acontecia ao acaso, e tudo era muito intenso e profundo, no meio do ato de amor dos dois, ela sentiu uma energia vindo dos seus pés que foi subindo e pegando seu corpo todo, era como se um fogo delicioso fosse esquentando todas as partes de cada poro de seu corpo, até que explodisse em uma explosão de energia, era quente e forte.
Nesse instante, ela viu uma criança no teto do quarto, que agora tinha se transformado em um céu, e essa criança era um menino de olhos azuis, lindo, que estava encima de uma motoquinha passeando.
E essa visão toda deve ter durado alguns segundos ou minutos, logo que acabou, ela olhou para Abraham e disse, fiquei grávida agora, de um menino abençoado que veio lá do céu.
Ele riu muito, achou até bonitinha toda aquela ingenuidade dela, talvez querendo ter um filho, mas tristemente ele disse o que já havia dito várias vezes, que ele era totalmente estéril.
E que mesmo que não fosse, que ela provavelmente não estaria grávida assim da primeira vez, pois leva tempos as vezes para combinar dia fértil com todas as outras conexões que são necessárias para se gerar um ser.
Ela insistiu, contou a visão toda várias vezes, mas ele só conseguia rir, rir muito.
E assim passaram á noite, e quando amanheceu, ela foi finalmente conhecer o apartamento, ver os detalhes da decoração, etc... e foi até aquela segunda sala que era em forma de L, e viu que tinha um armário grande madeira com várias fotos de família, e foi olhando-as, e para sua surpresa, viu o menino que havia visto na imagem, e gritou por Abraham, que veio prontamente e ela lhe contou e disse que o menino que havia visto era aquele, ele olhou e disse que aquele menino era ele quando criança.
E ela argumentou que como poderia ter visto essa criança na visão, se ela nunca tinha visto aquela foto, que só poderia ser o filho dele mesmo.
Mas claro que Abraham, um homem mais vivido continuava insistindo que aquilo tudo era fantasia da cabeça dela.
Ficaram por lá mais uma noite, e voltaram para São Paulo. No caminho ela insistiu muito, mas ele mais ainda dizia que era para ela tirar isso da cabeça, pois não era possível.
Depois que ele á deixou em seu hotel, ela estava muito triste mesmo, por pensar em como ele não havia acreditado nela, se quem sentiu foi ela, como ele poderia afirmar assim com tanta categoria?
E também com mais tempo pode pensar melhor na loucura que acabara de cometer, pois ela havia ficado com um homem que ela não amava, e nem tinha tomado as medidas de precaução não só de gravidez, mas também de doenças sexualmente transmissíveis, e a realidade começou a falar mais alto, e com a realidade veio certa angustia de perceber-se em uma atitude tão irresponsável.
Uma amiga que também trabalhava na mesma agencia que Maria, já á havia convidado para sair daquele hotelzinho e ir dividir um pequeno apartamento com ela, depois desse fato, ela decide finalmente aceitar, e pega as poucas coisas que tinha e se muda para lá.
Um apartamento de um quarto só, em frente ao edifício Copam, que ficava entra a Praça da República e a Praça Roosevelt, e elas começam á dividir o ap.
Maria nem passou o novo endereço para Abraham, pois ela decidiu que não daria continuidade à essa relação, e também tirou da cabeça qualquer possibilidade de gravidez.
Assim foi seguindo seus dias, Abraham á procurou, por várias vezes repetidas no hotel, mas ninguém sabia informar para onde ela havia mudado.
E assim, ela conseguiu terminar aquela amizade que por descuido de ambas as partes, cometeram um erro que agora os impedia de voltarem á ser somente amigos.
Maria segue fazendo trabalhos temporários em um supermercado e outro, até que quase dois meses depois, ela começa a estranhar umas mudanças que percebe em seu corpo.
Seus seios parecem doloridos e crescidos, ela se lembra daquela noite com Abraham no Guarujá, mas pensa, não pode ser.
Ela lembra que a última menstruação parece não ter vindo mesmo, e como ela era muito regular, isso seria um fato agravante, que ela por estar sem nenhum relacionamento depois de Abraham, nem se preocupou em conferir. Assustada ela pega parte de suas economias e compra na farmácia um teste de gravidez e faz no outro dia com a primeira urina do dia para não ter chance de falhar.
Ela guarda esse exame até hoje em seu baú de coisas para recordar. E o resultado foi, positivo!
Ela estava grávida gerando um filho de Abraham, que era estéril. Inclusive tinha todos os exames para comprovar.
E agora, o que fazer?
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