Simplesmente "Maria"

3 Crescendo, vivendo e aprendendo.


Em meio a muitas contradições, sua história foi seguindo.

Era uma adolescente muito curiosa, se interessava por todo tipo de livros que falassem sobre a alma, a mente e o espirito. Os livros se tornaram seus maiores companheiros.

Lia todos os livros que conseguia obter na biblioteca de sua cidade, desde filosofia, psicologia, esoterismo, ocultismo, espiritismo, religião, autoajuda, ciências...

Ela chegou a acabar com todos os títulos de livros desses gêneros nessa biblioteca municipal, e ficava a espera de novos títulos chegarem na prateleira de lançamentos.

Lia três livros ao mesmo tempo, deixava-os preparados na página marcada, e quando sentia que estava começando a cansar de ler um, já começava o outro, com outro assunto, o que a despertava na hora.

E os terminava algumas vezes, em uma semana. Foi apelidada de "devoradora de livros", apelido que lhe caia muito bem.

Sua mãe não a incentivava, muito pelo contrário, á chamava de louca, dizia que logo ela iria finalmente enlouquecer, lendo tantos livros de uma só vez.

Mas Maria, já não dava ouvidos, as palavras de sua mãe, e a cada livro descobria coisas novas e descobrindo ia querendo se aprofundar mais e mais.

Ela nem sentia o tempo passar, tão absorvida ficava, e nos rodapés de cada livro, buscava indicações para mais títulos que leria em seguida.

Apaixonou-se pelo cheiro, pela letra, pela capa, por tudo que dizia respeito á livros, poderíamos dizer sem dúvida que esse foi sim, seu primeiro amor.

Amor eterno, pois esse nunca acabou.

Gostava também de músicas, mas só aquelas que tinham letras que despertavam para algo melhor.

Era intelectualmente falando, muito seletiva.

Lia tanto que chegou a ler a bíblia por duas vezes seguidas e fazer um resumo com índices separados por assunto, de A á Z e versículos. Sua personalidade era meticulosa e sistemática.

Ia á fundo de tudo, superficialidade era um assunto que nem de longe ela respirava.

Já com dezerssete anos, conheceu o primeiro amor humano, e como não tinha em casa amor ou carinho, achou que casar com aquele jovem honesto e bondoso seria a sua chance de finalmente ser feliz.

Ele era de uma família simples, era alto, simpático e educado.

Parecia ser o homem ideal para ela.

Os dois se conheceram em uma festa no clube da cidade, cidadezinha pequena do interior, e três meses depois ela se casou com ele.

Mas infelizmente foram morar no fundo da casa da mãe dela, e a personalidade manipuladora de sua mãe que queria dominar tudo, se intrometia no relacionamento dos dois e logo Oscar estava lendo a cartilha da D.Conceição, sua mãe.

E tão cedo pode, na primeira discussão de casal que tiveram, seguiu os conselhos da sogra, que dizia que Maria pedia por uma boa surra, e os dois juntos, sogra e marido espancaram pela primeira vez para Oscar, a sua mulher.

E depois disso, as surras eram frequentes. D.Conceição sabia agora que teria um aliado para se vingar da filha rebelde.

E ela usava de toda sua artimanha para fazer Oscar brigar com sua filha e descarregar a raiva que ela tinha escondida.

É claro que esse casamento não durou muito, até que ela suportou bem, cinco anos de mais dor e humilhação, mas também de aprendizado.

Agora ela sabia que deveria sair de perto de sua mãe, do contrário esse inferno só pioraria.

Mas não foi fácil, essa ruptura.

E a libertação de sua mãe só se consumou de fato, com uma crueldade tamanha, que no coração de Maria, já não lhe restasse dúvidas sobre os sentimentos da mãe.

Foi necessário um total abandono por parte da mãe, para que assim, finalmente ela entendesse que não seria possível vínculos maternos e nem mesmo proximidade entre as duas.

Depois do que chamarei de "Acidente libertador "ela decididamente, se conscientizou.