Simplesmente "Maria"

14 Aben, o menino Abençoado.


O menino ia crescendo, lindo e saudável, mas Maria foi percebendo, que ele tinha algo diferente. Desde bebezinho, ela achava estranho que ele tinha reações muito maduras para um bebe.

Por exemplo, com dois anos, ele ficava no carrinho, ou no bercinho no salão enquanto sua mãe atendia as clientes, e Maria começou observar, que ele esperava ela acabar todo o serviço quietinho, só olhando para ela, e somente quando ela acabava, ele á chamava a atenção para ele.

Eram em quase todas as vezes assim, ele parecia entender que sua mãe e ele precisavam muito daquele dinheiro, e então ele compreendendo não á incomodava.

Com quase três aninhos, sua mãe lavando a louça da casa na cozinha no fim do dia e ouvindo músicas, MPB no som da copa, ele entre os dois cômodos, brincando com seus brinquedinhos, pegou a coleção de cds da mãe ,e começou a ler todos os nomes, ele pegava um cd ia até a cozinha e dizia para sua mãe, Chico Buarque.

Vinha com outro e dizia esse é Marisa Monte, Caetano Veloso, Zé Ramalho, Elis Regina, Rita Lee, Cazuza, e outro e outro ate falar uns trinta cds. Maria na pia se arrepiou toda, como ele teria decorado todos esses nomes? Se ele nem mesmo sabe ler?

Ela mostrou isso a algumas amigas mais intimas, e todas falaram que ele era superdotado, inclusive falaram para Maria leva-lo a televisão. Como se Maria tivesse a mínima intensão de exibir, ou "vender" seu filho. Falaram que em um programa de tv. eles pagavam bem para mães de crianças com esse dom, etc...

Mas para Maria, dinheiro nenhum no mundo á faria expor seu filho dessa maneira, e ainda na T.V. que Maria já não gostava.

Quando Abem começou á falar fluentemente, as surpresas foram ainda maiores, ele falava com um linguajar muito avançado, falava palavras que as vezes Maria tinha que ir procurar no dicionário. Como, "em uma vez que Maria lhe perguntou de onde ele sabia tantas palavras difíceis, sendo que ele não ouvia em casa, e ele respondeu que ele era um" erudito".

Mas pasmem, ele tinha três aninhos".

Vocês poderiam pensar, ah ele viu na televisão, mas Maria havia decidido muito antes do nascimento do seu primeiro filho que não assistiria mais televisão, pois as coisas que via, ela há tempos já estava indignada.

Então em sua casa, não se assistia nada. Aben já nasceu assim. Maria selecionava dvds de criança para ele ver, e só os dvds escolhidos com todo carinho iam aos olhos do menino. A televisão nunca teve a oportunidade de deseduca-lo.

Maria muitos anos antes, desde quando Abrahan havia nascido, já não aceitava os desenhos violentos que via na televisão, e mesmo Abrahan já havia sido educado sem televisão.

Não que Maria impusesse aos filhos, mas eles iam crescendo sem ver, e quando crescia um pouquinho, ela mostrava as coisas feias que a T.V. ensinava e dizia que se eles quisessem ver, poderiam até ver, mas que aquilo tudo não agradava á Deus, e as crianças já acostumadas com coisas suaves, se recusavam por exemplo, a ver um filme com violência, um jornal onde só mostravam crimes, eles realmente não queriam ver. Aquilo fazia mal.

Quando Maria ia ás compras, para o salão com Aben, um dia ela teve mais uma surpresa, ela o levava junto, e ele ia brincando nas lojas.

Maria havia comprado tintas de cabelo, cremes, e esmaltes. E tudo com ele junto, mas ele ficava andando pela loja como se nem se interessasse por nada, olhava outras coisas, enquanto mamãe comprava as suas.

E assim fizeram e foram para casa, mas no finalzinho do dia, quando foram dormir, Abem já sonolento, olha para mãe e diz:

Mamãe hoje comprou, tinta de cabelo número 9,1 e outra 12,01 e outra 6,7 da marca tal. Mamãe também comprou creme de pele, maça verde da marca tal, ele dizia o nome da empresa que fabricou a tinta.

Mamãe comprou dois esmaltes, um é cor maça do amor e outro carmim. Maria pensou consigo, arrepiada, mas como ele havia decorado tudo, se ele nem a acompanhou ao caixa?

Quando Maria atendia suas clientes, ele ficava por lá, pela casa brincando, mas quando Maria acabava o serviço, ele falava, essa cliente que é casada com tal pessoa, que faz tal serviço, que o marido veio buscar ela com tal carro da cor tal, e que tem um filho com o nome tal...ele sabia tudo.

E quando um mês depois, essa mesma cliente voltava para retocar a tinta, ele falava para Cliente, oi D.tal e como vai seu marido sr.de tal. Uma cliente certa vez deu para Maria um cd, com um nome bem diferente, que Aben no momento nem ouviu. E no mesmo dia á noite, ele falou, hoje mamãe ganhou um cd de Feng Chui....mas como, se nem mesma ela sabia pronunciar esse nome direito?

Todos se surpreendiam, e isso acontecia diariamente.

Maria foi pesquisar, ele tinha memoria fotográfica. Mas não só isso.

Quando Maria soube da facilidade do filho em aprender, em dois dias o ensinou, todo alfabeto de a á z.

Ela comprou as letrinhas de plástico, e colocou na piscina que ela havia comprado, e que ele amava ficar no fundo do quintal e brincando, foi lhe falando os nomes, e ele surpreendentemente aprendeu.

Q.I avançado. Mas não era só isso.

Maria uma vez, no finalzinho do dia, já com a casa toda fechada, alguém bateu palmas, já estava meio que escurecendo, Aben estava sentado no sofá que tinha na copa, e só ouviu as palmas, pois havia dois cômodos, fora a distância da varanda, entre nós e a pessoas lá fora.

Maria falou para Aben, quem será essa hora? E imaginou que só poderia ser pedinte, pois era comum acontecer.

Mas enquanto ela foi caminhando pela cozinha para ir ate o portão ver quem era, Aben que permaneceu sentadinho no sofá, disse:

— É a Mae da Yarissa, ela veio ver se a filha dela passou por aqui?

Maria ouviu, mas como estava com pressa, nem deu muita atenção, foi até a porta, abriu e quando viu, se arrepiou toda, era essa senhora mesmo. Que Maria só havia visto uma vez, mãe de uma conhecida sua, que frequentava o salão.

Ela perguntou se a menina estava lá?

Maria respondeu que não, e então a mulher disse que ela só poderia estar na avó dela e saiu.

Mas quando Maria voltou para dentro, pegou o filho sentado na mesma posição no sofá, e falou:

—Aben, como você sabia quem era? Se ela só bateu palmas? E se a gente nem a conhecia?

Ele olhou para mãe e disse: Mamãe eu sei tudo. De uma forma simples e como se fosse natural ver através das paredes.

Naquela noite, Maria soube que tinha um filho Iluminado.

Primeiro ela havia pensado em criança superdotada, mas depois de tantas coisas que o menino fazia sem explicações, ela viu que eram MILAGRES.

O menino com três para quatro anos, já sabia fazer de tudo no computador, consertava coisas que quebrassem. Pegava um celular ou tablete, e consertava qualquer defeito. Quando alguém comentava que seu computador tinha parado, ou se celular estava com defeito, ele já se oferecia, pegava nas mãos e em minutos devolvia consertado.

No computador, era como se ele tivesse vindo desde o nascimento com um curso completo de informática. Muitas vezes ele falando com adultos sobre tecnologia, os ensinava. Até pessoas experientes e inclusive, ficavam pasmadas. Ele tinha vindo também com o dom da tecnologia.

Mas se fosse só tudo isso, já seria muito, mas não era.

O menino falava com a mãe de coisas espirituais profundas, que nem adulto entendia. Ele não só compreendia, mas também as vezes conseguia mostrar á mãe coisas novas.

Agora sim, ela tinha alguém com quem falar, sobre o que sempre foi tido como loucura pela maioria das pessoas. Ele veio com o dom da sabedoria espiritual, como ela havia vindo também desde criança.

Mas ele teve a sorte, de ter uma mãe que conhecia e vivia isso por toda sua vida.

Agora os dois se encaixavam, e Maria se surpreendia alegremente diariamente com o que ela chama de milagres, que Aben fazia.

Muitas coisas ela ficava mesmo surpresa, coisas como consertos que não tinha mais conserto, e Aben colocava as mãos e rapidamente tudo estava funcionado.

Maria havia feito um caderno com todas as anotações dele quando nasceu, e ela ia seguindo anotando todas as coisinhas lindas e avanços do filho, mas de tempos para cá, Maria anotava milagres.

Somente ela poderia entender seu filho. Somente alguém que também era como ele, para recebe-lo e aceita-lo bem.

Do contrário ou iriam comercializá-lo, ou tentar matar seus dons com remédios dizendo que aquilo não era normal ou era loucura , como sua mãe fez com Maria, ou no mínimo fazer de conta que nada acontecia, como D Conceição sempre fez.

É, Maria pensava, a cada dia, como valeu a pena! Todo sofrimento nunca é em vão.

Aben foi crescendo em estatura e em sabedoria.

E "Maria já não tinha mais cadernos para registrar os seus feitos" como ela falava, seus milagres.

Ela começou a registrar só os mais relevantes, pois muitas coisas que o menino fazia, começou a ser rotina para eles.

O menino como Maria, bastava olhar para uma pessoa e sabia se era, boa, má, interesseira, verdadeira, mentirosa, sabia tudo.

Era interessante ver como os dois tinham sempre a mesma impressão. E quase sempre eles estavam certos.

Como uma agulha no palheiro, seria á proporção de dois seres, tão parecidos se encontrarem no mundo, que diria de vir na mesma casa? Sendo mãe e filho?

Só mesmo Deus, em sua divina bondade, agraciou Maria com a dádiva que cuidar de criança tão abençoada.

E ela agradecia a Deus, todos os dias.