Simplesmente Ela

1 Tantas outras ''ela''


Notas iniciais
Uma one-shot que planejo since os anos A.C.Espero que gostem.Boa leitura!!!

Ela sempre apreciou o silêncio, ao que odiava quando o filho levava os amigos para casa.

E nunca pensou que fosse sentir tanta falta do que costumava chamar de perturbação.

Ela se lembrava do momento em que deixou de ser uma adolescente, para se tornar uma mulher.

Fora patético o modo como tivera de abandonar tudo, inclusive a família e os estudos, para assumir o papel de mãe. Mais patético ainda, quando o namorado se negou a assumir parte de sua responsabilidade, e a deixou.

Logo, o filho se tornou a sua única companhia. E agora, estava sozinha de novo, à deriva do forte vento que se arrancava contra suas asas.
Ela se lembrava do dia em que ele nasceu, e lhe disseram que ela precisaria de um transplante de sangue. E queria se lembrar de mais sobre aquele dia, mas a anemia causada pela gestação nunca lhe permitiu manter-se acordada. Por mais que aquilo tenha se mostrado uma completa tragédia, segurar aquele garoto tão aparentemente ingênuo era perfeito, para ela. E mais perfeito ainda, era imaginar que aquilo viera de si.

E então, ela colocou um sorriso em seu rosto, para tudo o que outros chamavam de obstáculos.

E ela sorria, a cada noite de perturbação em que a criança chorava, sem motivo algum.

E ela sorria, quando ele disse as primeiras palavras, de um poema que a mulher lia consigo mesma todos os dias.

E também sorriu, quando ele lhe mostrou as primeiras atividades da escola, marcadas com um ''certo'' enorme.

Mas por um motivo que o filho nunca compreendeu, ela gritou com ele quando os professores chamaram-na, por maus comportamentos.

E ela percebeu que a cada segundo, mais o perdia para a noite, em que ele saía e a abandonava. E sabia que não precisava se preocupar, porque ele sempre voltava, mesmo que dizendo coisas sem sentido e com os olhos vermelhos e cansados.

Ela se lembrava da noite em que teve de esperar até mais tarde, e o filho tentou impedir que ela visse, mas encontrou todos os seus cortes e aquelas malditas drogas. E nunca fez nada.

E isso fez que ela se sentisse culpada, quando dois homens lhe disseram ''Meus pêsames", segurando flores negras junto ao peito.

Era estranho para ela, pensar que sempre dissera ao filho que gostaria de ser cremada, e que tudo aquilo fora inútil.

Então as lágrimas borraram os seus olhos, e o vento novamente atingiu suas asas.

E dessa vez, ela estava caindo.
''Eu devo sorrir.'' Pensava ''Mas eu já não tenho motivos.''

E então se sentiu novamente solitária. E mais uma vez, desejou que pudesse dizer a ele que deveria deixar de lado o celular, e viver.

Mas já era tarde. E ela deveria entender, ele não voltaria.

Mas ela não o fez.

E continuou na sala.

Sem pregar os olhos.

Preparando o seu sermão, que o faria suspirar diversas vezes.

E assim passava o tempo.

E naquele sofá empoeirado.

Sua alma apodrecia.

O tempo era cruel.

E as consequências do funcionamento do relógio logo apareciam em suas feições.

E ela estava se tornando a pessoa que deveria ser esperada pela mãe, ao chegar tarde em casa.

Mas não havia ninguém para esperá-la.

Não havia ninguém, de todo modo.

E ela nunca notou o quanto aquilo a destruía.

Nem mesmo quando teve o mesmo fim deplorável que o filho.

E nos seus ultimos segundos de loucura, pensou que ninguém sentiria a sua falta.

Afinal... Quantas outras "ela" existem, por ai?

Notas finais
E então?Putamente dramático, né? Bem, é o que se espera de Mrs Suicidal -qqEspero que tenham gostado, e aguardo comentários :3 ~Chus de sangue no kokoro ducês ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!