Simplesmente Assim
5 Capítulo 5 - Teimosia.
Notas iniciais
—Pô, Matteo... Foi mal. – Tino disse um pouco chateado por não ter como atender ao pedido do rapaz. – Não tem como eu te adiantar esse valor. Hoje tive que pagar quatro fornecedores e fora as contas do normal da boate e com esse mal estar do Cato, é outra despesa que tem que ser pago... – não era mentira tão pouco a ultima parte, até porque, Cato não só trabalhava na boate como é sócio de Tino e é seu irmão. Por ser solteiro a responsabilidade de ajudar o irmão ficava com o próprio Tino. — Estou dando graças a Deus que estou conseguindo pagar aos funcionários em dia além dessas outras despesas, mas ainda sim estou sem condições de poder te ajudar agora.
Matteo havia acabado de pedi-lo um adiantamento, mas infelizmente para ele a resposta estava sendo negativa e não tinha ideia do que fazer. Pedir dinheiro a seus pais estava fora de cogitação para ele, não que fosse negá-lo, mas conhecendo o pai só lhe renderia duas horas de sermões por está sendo irresponsável em não controlar seus gastos até que soltasse a grana. Falar com a sua mãe, também estava fora de cogitação porque da mesma forma ela iria contar para seu pai que ligaria para ele e ao invés de duas horas de sermões, seriam três ou quatro horas por ele pedir dinheiro escondido à mãe e as razões obvias.
Por conta disso e para evitar brigas e aborrecimento com seus pais, que arrumou um emprego para suprir seus gastos por fora sem ter que ficar contando moedinha ou economizando e tendo varias privações como diversão. Claro que sendo uma atitude que prove ao pai responsabilidade do filho, na realidade só gerou discordância por seu pai acreditar que trabalhar só atrapalharia os estudos. Com isso e contrariando os pensamentos negativos de seu pai, Matteo fez questão de enviar suas notas impecáveis dos dois primeiros períodos provando que ele era capaz de conciliar tudo, e com isso o seu pai deixou de incomodá-lo, mas se agora depois de quase três anos provando sua responsabilidade em controle de sua rotina e gasto financeiro, vier a dar motivo para voltar todas as reclamações seria burrice e Matteo não seria louco de fazer.
—Não, tudo bem... Eu entendo. – Matteo responde decepcionado com si mesmo. -Não tenho que reclamar, até porque eu que vacilei não guardando o dinheiro, mas fica tranquilo que vou ver se alguém me empresta.
—Torço que consiga. – Tino disse sincero, até porque Matteo é seu melhor funcionaria ali sempre mostrando serviço desde que veio trabalhar na boate. E toda vez que as coisas começavam a não ficar boas, ele sempre colocava em pratica uma ideia para levantar o movimento e frequência dos clientes. Com tudo, sua melhor performance é a sua popularidade com as mulheres e sendo assim , muitas garotas frequentava ali em busca de sua atenção , com isso trazendo lucro. – Er... Só não esqueça também, que tem as gorjetas, e com sorte às vezes consegue juntar o valor que precisa ou o suficiente para só pegar menos do que precisa como empréstimo. Fazemos seguinte, no sábado antes de fecharmos, me procure caso consiga no máximo 70% do valor por que dependendo às vezes consigo te adiantar o que falta.
Nesse momento Matteo finalmente conseguiu ver uma luz no fim do túnel. Realmente não se lembrou das gorjetas, e muitas vezes dependendo do movimento da noite conseguia 150 pratas ou 200 ao todo no que trabalhava nos fins de semana.
—É mesmo... Farei isso. –ele disse animado.
Em seguida Matteo foi se preparar para trabalhar e torcer para que aquela noite fosse ótima para ele e como não só aquela noite, mas também as que virão naquele fim de semana...
(***)
Luna terminava de escrever seu resumo do conteúdo importante e relevante do livro que havia pegado na biblioteca. Apesar de parecer totalmente concentrada no que está fazendo, sua mente traiçoeira oscila as lembranças do momento em que esbarrou mais cedo com Matteo, quando saia da biblioteca totalmente desatenta, como sempre, do que estava a sua frente enquanto arrumava os papeis dentro do livro que tinha em mãos. Por conta disso não reparou que o rapaz vinha em sua direção, e para isso ter acontecido, obviamente ele também não reparou na aproximação dela...
Com tudo, Luna se sentia mal pela forma como havia tratado , que poderia muito bem tê-la deixado plantada a sua espera, quando realmente de boa vontade não fez. Ainda que sendo absurdo o que ela pediu a ele e ainda mais sua maneira de pensar, tinha certeza de que Matteo aceitaria, porem a maneira que agiu e o tratou foi o estopim para que dessa um não para seu pedido. Mesmo no começo acreditando ou convencida de que agiu corretamente, tempos depois fazendo grandes e relevantes notas mentais ao repassar cada palavra dita por ela e a cada reação dele, concluiu que passou dos limites, por conta disso e sem coragem de procura-lo para pelo menos pedi-lo desculpa, procurou a se afogar ainda mais nos seus estudos e quando saia evitava o máximo olhar para os lados ou contando com a sorte de não ir a lugares que possivelmente Matteo estivesse para não encará-lo. No entanto seus métodos falharam, e acabou esbarrando com ele em meio sua tentativa de se desligar do que acontece a sua volta... Uma mania tão ridícula para ela mesma, que ate muitas vezes se preguntou como conseguiu fazer isso sem dar de cara no poste ou cair numa poça.
Todavia, quando olhou nos olhos de Matteo quando devolveu os papeis que pertenciam a ela ao cair com o esbarrão. Uma voz em sua mente dizia: “Vai sua lerda. Sorria em agradecimento? Aproveita e peça desculpa... Anda sua burra...”. Realmente, ela fez algo que a voz em sua mente disse, agradeceu a ele ao pegar suas folhas para em seguida desviar dele e caminha para bem longe.
Aquilo realmente foi patético de sua parte, e xingou a si mesma mentalmente até chegar ao refugio de seu apartamento. Ela queria fazer o que é certo, pedir desculpa, ter agradecido com um sorriso gentil e mostrar que não é uma vaca insensível sem noção que foi com ele no encontro. Mas alguma coisa dentro dela a fez travar, o bom senso o que não era, obviamente vergonha por ser tão maluca sem noção.
—Burra. Você é uma burra Luna. – ela diz para si mesmo em um tom de voz razoável para alguém por perto a escutar.
—Está xingando a si mesma na terceira pessoa por quê? – Nina pergunta próxima a Luna que está utilizando a mesa de frente a cozinha americana unida à sala de estar. Só que ao invés de se juntar a amiga, Nina vai até a cozinha pegar algo.
Desconcertada por ter sido ouvida, Luna responde fingindo tranquilidade.
—Er... Nada, eu só me irritei porque pulei duas frases sem anotá-las. Mas deixa, não tem relevância...
—Tem certeza? Porque já cansei de fazer isso achando sem importância e no final sempre tinha algo haver. De uma conferida antes de deixar de anotar... – Nina disse colocando suco no copo e em seguida colocando a jarra com o restante do refresco na geladeira...
—É... Estou vendo aqui. – a voz de Luna sai um pouco nervosa e Nina não percebe. – Mas está tudo certo, dá para deixar passar essa... Então... Quem era no telefone? Seu boy magia misterioso?
Luna sorri maliciosamente sugerindo, mas Nina rolou os olhos com que ela disse e se sentou na cadeira vazia ao seu lado.
—Não tem nada misterioso sua boba. Já falei com quem fico de vez enquanto, então para de palhaçada. – Nina disse rindo divertida sendo acompanhada por Luna. – Foi meu pai quem ligou. Ele quer que almoce domingo com ele na sua nova casa... Tamara vai preparar um almoço especial para comemorar...
—Quer dizer que seu pai decidiu finalmente se mudar... Isso é ótimo, já que Tamara viria morar em outra cidade de qualquer forma por conta do novo emprego.
—É... Idiotice dele em querer manter uma relação a distancia quando já estavam morando juntos. Além do mais a vantagem disso é que meu pai tem um emprego flexível que dá essa liberdade de morar em qualquer lugar e que possa continuar trabalhando em sua função. Por sorte há uma filial da empresa que trabalha bem perto da casa nova, então no final não foi tanto sacrifício. Mas o sacrifício sobrou para mim que terei que viajar alguns quilômetros para almoçar com ele em alguns finais de semana. Estou pedindo a Deus que com isso minha mãe não resolva também se mudar para perto, e o pior. Morar próxima ao campus fazendo meus dias um inferno...
—Para com isso Nina... Sua mãe até que melhorou depois que veia a faculdade. – Luna tenta defender Ana, mesmo não tendo vinculo a considerava por conta da amizade com sua filha.
—Dá um tempo nessa sua defesa Luna. Ate parece que não conhece a peça... Ela melhorou entre aspas, porque semanalmente vive chegando planilhas e cronogramas do que devo fazer. Mas por outro lado tenho que dar crédito a ela por está conseguindo ligar uma vez na semana para mim...
—Viu? Minha defesa tem fundamentos. – Luna rebate fazendo Nina rolar os olhos novamente, mas sorri no final.
—Certamente que sim. Mas encarando os fatos, não posso arriscar que minha mãe invada meu espaço nessa altura do campeonato. E mais, está assim porque ela não faz ideia que saio para me divertir e beber com minhas amigas, e que também faço sexo de vez enquanto... Porque se souber, ela vai querer vir morar com agente, ou acrescentar na planilha todas as consultas ao ginecologista, exames em seis em seis meses, as porcentagens de eficácia de todas as pílulas contraceptivas, que não falte camisinhas e sempre repondo quando usar e jogar fora quando passar a validade... Isso sem contar, que irá querer saber como, com quem, aonde, como foi quando perdi a minha virgindade.
Luna não aguenta e começa a gargalhar e concorda em meio ao riso.
—Amiga isso eu concordo com você... Sua mãe não tem igual...
—Ai nem me fala, tem horas que eu queria que ela arrumasse um homem. Meu pai quando conheceu a Tamara mudou bastante e hoje é uma pessoa bem mais acessível e tolerável. Pelo menos me entende...
—Nina, mas o seu pai pelo que me lembro sempre discordou das atitudes da sua mãe e até defendia você quando ela te sufocava com os cronogramas e planilhas dos seus afazeres...
—Não, não... Luna. Meu pai tinha seus momentos difíceis e intoleráveis em determinados momentos.
—Okay... Não vou discordar, até porque quem conheceu esse lado mais a fundo de seu pai foi você. Mas sabe, eu estou pensando aqui... Coisa de louco ele e a Tamara. O criador de vídeo games com a treinadora de patinação... Diferente e ao mesmo tempo perfeitos um para o outro.
—Verdade. – Nina concorda sorrido de felicidade por seu pai. – Ah! Antes que eu me esqueça, meu pai disse para você ir também almoçar com a gente.
Luna faz uma careta deixando a entender que não estava a fim de ir.
—Ah, valeu. Mas não vai dar... Eu quero aproveitar e fazer umas coisas pendentes...
—Tipo o que? – Nina fala não acreditando nas desculpa. – Luna, por favor... Vamos. Não vai ser ruim, e apesar do meu pai às vezes ser meio enxerido, vai ser bem legal. E além do mais ficar sozinha em pleno domingo não é legal. Nem a Jim e a Yan estará para te fazer companhia...
Luna sorri.
—Nina eu não estou mentido... Realmente tenho umas coisas a fazer. Essa semana fiquei estudando, abarrotada de trabalho para fazer e acabei deixando outras coisas de lado, como por exemplo, trocar a roupa de cama, arrumar o meu guarda roupa e separar algumas roupas que estão fedendo a guardado e lavar... Eu não quero está dormindo e acordar com uma barata passado por cima de mim porque meu quarto parece mais um chiqueiro. Além do mais, nossas regalias se limitam até o pagamento do aluguel, não se estendendo a uma faxineira, e tanto você quanto a mim não temos ninguém para cuidar da higiene de nossas coisas, portanto, não vai dar para ir. Diz ao seu pai que peço desculpas e que na próxima eu vou...
Nina respira fundo vendo que ela tem razão... Com toda dedicação nos estudos ainda tinham que cuidar da arrumação do apartamento de suas coisas pessoais, e isso só poderiam fazer quando sobrava tempo. Como sendo testemunha que Luna não fez nada além da rotina de estudar, tomar banho e outras higienes, comer e dormir e ir para faculdade, não sobrou tempo para ela cuidar da arrumação de suas coisas, e seria assim até chegar sexta quando houvesse a folga do fim de semana.
—Eu sei e te entendo sim. Mas... E se você começar essa faxina no sábado? Assim terminaria logo e poderia ir comigo...
— Nina se eu fizer isso acha que vou conseguir levantar cedo em pleno domingo para ir à outra cidade de ônibus para almoçar com seu pai e a namorada dele? Não, não... Até faço, mas o domingo vou é descansar e fazer alguma coisa que não me obrigue a passar pela porta desse apartamento.
Vendo que não adiantaria insistir, Nina se deu por vencida.
—Tá bom então... Não vou te forçar. Mas mudando de assunto... — Nina muda aposição ereta de seu corpo e relaxa de modo descontraído para abordar um novo tema. Luna que já havia terminado o seu trabalho, começa a guardar suas coisas, mas não deixa de dar atenção para amiga.
—Que assunto?- ela olha para Nina.
— Eu queria saber se mudou de ideia sobre aquela ideia maluca de perder a virgindade com um cara desconhecido.
Luna tenta assimilar as palavras de Nina, não que contaria o que fez para ela. E por mais que tenha dado errada sua primeira tentativa, não havia desistido da mesma ideia. Porem resolveu dar um tempo para se recuperar no primeiro não, e pensar novamente numa nova ideia para conseguir o que quer. Então, continua a fingir que não pensa mais no assunto.
—Eu não sei... Na verdade nem pensei mais nisso. – mentiu. – Ando tão ocupada com a faculdade que não tenho forças para pensar em homens e sexo.
Nina estreita os olhos como se não acreditasse.
—Não creio que tenha desistido. Você mostrou bastante decidida quanto ao assunto que nem ao menos sentiu acuada quando Jim, Yan e eu dissemos que a impediríamos.
Sem mostrar qualquer emoção, embora que seu coração parecia mais um tambor sendo batucado pela tensão daquela conversa, Luna conseguia manter sua expressão e postura tranquila como se não tivesse nada devendo.
—Nina eu não desistir mesmo. Mas só por isso acha que sairei por ai que nem uma louca e pedir para o primeiro cara gostoso que transe comigo e tire a virgindade? Claro que não... O que vai acontecer vai ser naturalmente, tipo está em algum lugar e alguém se aproximar, e se pintar um clima ai quem sabe rola...
—Mesmo assim não é certo Luna. Pelo menos se parasse um pouco para conhecê-lo e com tempo depois rolasse, ai sim.
—Nina só porque foi assim com você não significa que tem que ser o mesmo comigo. Vai rolar da maneira que rolar...
Nina bufa irritada pela teimosia de Luna e tenta rebater.
—Para o seu governo, o cara com quem fiz amor pela primeira vez é um cara bacana, que mesmo não tendo dado certo a gente quando se esbarra nos falamos, sei o seu nome... E não existe nenhum arrependimento de minha parte em ter sido o primeiro homem em minha vida. E mesmo que se eu tivesse me apaixonado de verdade e me entregado por amor, ainda sim não estaria magoada porque não ficamos juntos.
—Isso é sua opinião e seu critério para sua vida, o que não se aplica a mim. E quer saber Nina? – Luna se levanta pegando suas coisas da mesa. – Não quero falar mais sobre isso. Já estou cansada de querer que me entenda e ao invés disso fica querendo me obrigar a fazer e pensar coisas que não quero e não é de mim.
Vendo que Luna está chateada por ela não consegui-la entender, se arrepende por ter abordado aquela conversa. Além do mais estava claro que Luna tem seu modo de pensar a qual se julga correta, e mesmo que como amiga tentasse mostrar que está errada, Luna se agarra ainda mais a ideia fixa de algo que irá fazê-la sofre. Nina a ama por demais e não quer ver sua amiga sofrer, porem não a nada a se fazer para evitar... E quando mais tentar impedi-la em algum momento Luna encontrara uma maneira de fazer o que quer, então decidiu deixa-la em paz e não mais discutir por isso... Deixará que ela descubra por si só que está errada ou sofra as consequência de seus atos quando se é o tipo de pessoa que só acredita quando ver.
—Luna, não... Espere. – Nina a chama quando vê Luna se distanciar em direção a seu quarto.
Luna a encara com semblante aborrecido.
—O que foi agora? – ela disse sem humor, mas Nina não recua e se aproxima dela.
—Olha me desculpa... Não queria te aborrecer com isso... Só entenda que não quero ver você quebrar a cara e sofrer por conta disso. Mas se sua decisão é essa não irei te forçar a mudar de ideia e se caso der errado estarei aqui com meu ombro para você chorar, ou para partilhar de suas loucas alegrias.
Luna abaixa guarda vendo que Nina falava a verdade, e como não queria ficar brigada com ela, sorri e aproxima lhe dando um abraço.
—Obrigada minha amiga. É tudo o que quero de você. – ela sussurra e dar um beijo no rosto de Nina que faz o mesmo.
—Pode contar comigo. – é tudo o que Nina diz e Luna sorri assentindo.
Minutos depois Luna já está em seu quarto deitada em sua cama, pensando se realmente Nina possa ter razão... No entanto, não houve tempo de chegar a uma resposta, pois foi tomada pelo casado e dormindo rapidamente.
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