Simplesmente Assim
20 Capítulo 20 - Completamente Apaixonados.
Notas iniciais
A caneta desliza sobre o papel sendo manipulada por uma mão ágil que sabia muito bem desenhar cada letra sendo escrita... Geralmente quando se escreve algo elabora primeiro se faz um rascunho, e por mais que fosse um rascunho a maneira como Matteo coloca as palavras naquele papel é como se não houvesse duvida do que escrever, até porque todas as palavras ali descrevia os seus verdadeiros sentimentos.
Não era uma carta, tão pouco uma confissão em um diário, e sim uma música. Música pela qual está compondo especialmente para uma morena de olhos pelo qual se apaixonou. Não que ele não soubesse como se declarar para uma mulher, mas sentia-se inseguro e para não correr o risco de levar um “não”, decidiu fazer algo diferente que possa mostrar o que sente por ela através de uma canção.
O nome da música é “Siento” por representa seus sentimentos pela monera e sendo a introdução para pedi-la em namoro. Por mais que seja estranho fazer isso quando já estão saindo a mais de um mês, ainda sim nunca firmaram compromisso, mas agora Matteo está certo do que sente por Luna e não quer outra garota se não for ela.
Ele toca um acorde em seu violão fazendo a melodia rítmica para a canção quando a porta de seu quarto se abre. Os olhos de Matteo se abrem de surpresa ao ver quem havia entrado em seu quarto.
—Mas o que está fazendo aqui?- ele perguntou sorrindo se levantando rapidamente para receber com alegria sua visitante.
A morena de cabelos curtos se apressa em dar um abraço no primo.
—Que saudade priminho lindo... – a garota falou dando um beijo na bochecha de Matteo que também retribui.
—Flor, mas quanto tempo? O que está fazendo aqui na cidade? – ele perguntou a puxando para sentar na beira de sua cama.
—Eu vim por conta de um trabalho de conclusão da faculdade. Tinha que fazer uma entrevista com um empresário metido a besta, e como o infeliz egocêntrico só poderia atender hoje no seu escritório aqui nessa cidade, tive que vir. Mas não poderei esquentar lugar porque já estou indo embora, pois tenho que me apressar para acelerar tudo para a publicação dessa entrevista no jornal da faculdade. No entanto, não poderia deixar de passar aqui e ver você.
—Fez bem em vir... Estava achando que havia me esquecido. – ele fala fingindo decepção, mas acaba rindo divertido com a prima.
Matteo e Flor são como irmãos. Foram criados juntos e adquirindo uma amizade sem tamanho e sendo cumplices nas traquinagens infantis. Como também cumplices quando se tratava de um encobrir um ao outro quando saiam escondido para as baladas ou para namorar. Mas com o tempo e Flor sendo dois anos mais velha que Matteo foi embora para a faculdade, e como conseguiu uma bolsa numa das mais difíceis faculdades do país e sendo longe da que ele está cursando atualmente, quase não se veem muito, mas se falam por mensagem quando há tempo. Pois Flor se dedica incansavelmente por seus estudos já que quer ser a melhor jornalista.
—Nunca, nem se eu morresse. – ela nega sorrindo.
Os dois se abraçam novamente, mas Flor se afasta ao ver o caderno de Matteo e o pegando em suas mãos.
—O que é isso? – ela perguntou sorrindo lendo cada frase escrita.
Matteo coça a cabeça, pois não queria mostrar a ninguém a canção que está compondo para Luna, mas seria incapaz e muito menos ser estupido tirando o caderno das mãos de sua prima, que sempre o apoiou em tudo e estava ali para vê-lo.
—Er... Uma música que estou terminando de compor. – ele confessou.
Flor sorri sugestiva já assimilando o que estaria acontecendo.
—Você compondo uma música com uma letra que digamos... Uma declaração de amor? Uau...
—Ficou ruim? – Matteo a encara com a testa franzida, mas Flor sorri mostrando que gostou.
—Está linda Matteo. Sei que na adolescência você até gostava de compor algumas músicas e que eram maravilhosas ainda que nunca tenha seguido a carreira de músico. Agora isso... Está perfeito.
Ele sorri tímido.
—Fico feliz que tenha gostando.
—Sim, eu gostei. Mas acho que você não quer saber se eu gostei e sim, se a garota quem você compôs essa música irá amar.
Matteo percebe que sua prima desconfiava de algo, mas não iria mentir para ela.
—É, eu fiz para uma pessoa especial.
Flor adquiriu no mesmo instante um sorriso contagiante só faltando dar pulinhos e gritinhos de alegria. Não era uma reação exagerada, pois ela conhecia afama de universitário pegador do primo já que essa fama chegou até a sua faculdade em outra cidade. Como também sabe que ele nunca ficou assim por ninguém, nem mesmo quando levava os namoricos escolares ainda sério.
—Isso é maravilhoso Matteo! Eu nunca imaginei que o veria apaixonado assim, mas ai está. Você com esse olhar brilhando como se estivesse pensando nela nesse momento e compondo uma canção declarando o seu amor... Para ver como milagres acontecem.
Eles riem divertidos.
—Não fala como se eu fosse algum incapaz de gostar de uma garota... Ela é diferente por isso que me conquistou.
—Oh, imagino sim. E quero conhece-la, mas vai ter que ser outro dia, porque tenho que ir. – ela se levanta e Matteo faz o mesmo com olhar confuso.
—Mas já? Por que tão rápido? – ele perguntou mostrando está decepcionado por sua prima ter que ir tão cedo.
Ela encolhe os ombros antes de falar.
—Eu vim de ônibus porque a bosta do meu carro resolveu dar problema no motor e o mecânico só vai me entregar amanhã. Mesmo sendo mais demorada a viagem por ônibus é o melhor que poderia fazer. Como não havia planejado antes acabei comprando a passagem de volta em um horário apertado, e o ônibus que me leva de volta sai da rodoviária daqui a meia hora... Então tenho que correr.
Matteo tem uma expressão desolada por Flor ter que ir logo, mas pelo menos pode matar um pouquinho da saudade pela prima.
—Uma pena, mas se tem que ir... Boa viagem. – ele falou por fim.
—Infelizmente. – ela sorri o abraçando, mas se afasta. – Me leva até a porta?
Ele sorri.
—Melhor! Vou com você até a rodoviária. Assim podemos conversar mais um pouco.
—Ótimo! Então você me fala mais dessa garota que está apaixonado. Como ela se chama? – ela pergunta saindo do quarto com ele.
—Luna.
—Belo nome... Deve ser bem bonita fazendo jus ao nome.
Matteo sorrindo responde.
—Ela é linda demais... Inteligente, minha maluquinha sem noção.
—Como é que é? Que historia é essa de maluquinha sem noção? – Flor perguntou divertida.
Matteo não queria contar a ela sobre como começou sua história com Luna ali daquela maneira, mas decidiu falar meia verdade.
—É um apelido que a dei quando nos conhecemos, e meio que fiquei irritado com ela e a chamei assim... Mas foi a maneira que Luna veio até mim que me deixou louco por ela.
—Nossa Matteo... Você realmente está apaixonado por ela. Espero que você sossegue esse pinto pegador e pare de ficar dando confiança para essas putas que gostava de sair.
—É eu já não saio com essas garotas há muito tempo, desde que conheci a Luna.
—Isso é bom. – ela falou terminando de descer a escada do prédio e cruzando a porta de saída. — Mas primo, me responde uma coisa... A música... Ela é uma declaração de seus sentimentos pelo que entendi quando eu a li. Porque isso? Por acaso ainda não se declarou para Luna?
Flor sempre observadora e curiosa.
Matteo respira fundo e nesse momento ele para de caminhar ainda em frente ao prédio olha para prima que espera uma resposta.
—É meio complicado... Como já disse nunca fiquei assim por nenhuma garota. Nunca sendo de ninguém, e com ela foi diferente, só que esse tempo que estamos saindo tanto ela quanto eu tivemos que enfrentar os fantasmas da minha vida mulherengo, com muitas garotas que vinham em cima e dificultando as coisas. Embora Luna entendesse e ficava na dela e até ria às vezes da minha cara quando uma maluca tentava me agarrar, ela nunca mostrou sentir algo a mais por mim. Não do jeito que sinto... Quando estamos juntos é intenso, nos damos muito bem em vários sentidos, mas nada além... Fico com medo dela não querer deixar as coisas mais serias entre nós, ou achar que eu não mudei e que vou trai-la... E quando tive a ideia de escrever a música foi porque pensei que fazendo algo especial para e sendo algo que nunca fiz a ninguém, além de tê-la trago ao meu apartamento para ficar comigo e ter deixando de ficar com outras garotas e ficando só com ela, veria que realmente sinto por ela e me aceite como seu namorado.
—Eu entendo... Realmente é complicado para uma garota firmar uma relação com um cara que não te trás segurança e confiança... – Flor assentiu compreensiva. – Faz bem seguir por esse caminho e tenho certeza de que Luna vai amar essa declaração em forma de uma canção...
Matteo sorri animado... E flor o abraça e ele corresponde.
—Fico feliz por me entender. – ele disse mantendo o abraço.
Flor se afasta um pouco para olha-lo.
—Eu estou feliz por ver que você está feliz. – em seguida ela da um beijo no rosto dele.
Não era nada de mais aquele beijo, só uma ação de carinho entre primos que se amam como irmãos. Porem quem visse de longe poderia achar que seria outra coisa mais intima...
Os dois se afastam sorrindo.
—Vamos? – Flor sugeriu e Matteo assente balançando afirmativamente com a cabeça, mas assim que começam a caminhar, Matteo vê a silhueta de alguém a qual seu coração está apaixonado.
—Luna?- ele sussurrou chamando atenção de Flor que olha na direção para onde ele está olhando vendo uma morena andar apressado para longe deles. – LUNA... – Matteo tenta chama-la, mas Luna não lhe escuta somente entra numa outra rua desaparecendo de suas vistas.
—Ela não deve ter te ouvido. – Flor disse tentando amenizar a ruga que instalou na testa de seu primo que ainda olha na direção que sua futura namorada sumiu.
—Duvido que não tenha... – ele respondeu duvidoso e inseguro.
Tendo a sensação de que há algo errado, Flor sugere.
—Vá atrás dela... Depois eu te ligo e conversamos.
Matteo nega.
—Não. Deixa... Falo com ela depois.
—Tem certeza?
—Tenho. Vamos...
Vendo que ele não mudaria de ideia, Flor dar de ombro seguindo ao lado dele.
(***)
Luna caminha apressadamente, mas a sua intenção era que Matteo não viesse ido atrás dela. As lágrimas escorriam descompensadamente em seu rosto por tê-lo visto beijando outra garota... Sabia que um dia Matteo iria se cansar dela e a deixaria para viver outra aventura.
O incidente com Simón na noite anterior era nada comparado com a dor que está sentindo agora em seu peito por se dar conta de que está completamente apaixonada por Matteo. Tudo o que ela não queria que acontecesse... Todo o desconforto por ver as garotas dando em cima dele não passava nada mais nada a menos que ciúmes e agora está loucamente morrendo de ciúmes e raiva por está o amando.
Ela não poderia se sentir traída por ele já que nunca foram namorados, mas lhe doía saber que está amando um cara que nunca sentirá o mesmo por ela... No final de tudo viu que suas amigas tinham razão quando a criticou sobre ela querer perder a virgindade com um estranho para lhe poupar da dor e sofrimento, e agora sofre por Matteo, o cara pelo qual lhe fez mulher. Ela se sentia culpada porque no final de tudo foi por culpa dela mesma que as coisas foram longe demais, e se tivesse pelo menos seguindo os padrões normais, poderia sofre sim, mas nada comparado com que está sentindo. Amor, por um cara mulherengo e ódio de si mesma por ama-lo.
No final de tudo não lhe adiantou nada ser esperta e agir friamente para não sofrer, porque seja como foi já está sofrendo muito mais do que deveria... Não conseguia acreditar que aquilo está acontecendo com ela, quando somente saiu para caminhar e pensar um pouco no que fazer, porque ainda não havia se dado conta do seu amor por Matteo e tão pouco sabia o que faria, e quando se deu conta já estava entrando na rua em que fica o prédio onde ele mora, mas seus passos se deteram quando vê uma garota bem bonita de cabelos negros e curtos abraça-lo com carinho e depois beijá-lo.
Cometida pelo ciúme, Luna somente a viu inclinar o rosto e seus cabelos cobriram a parte do rosto de Matteo dando a entender que beijava a sua boca e não seu rosto, como também ele havia correspondido. Não querendo passar por aquela humilhação e tão pouco se deixar ser vista por eles, Luna virou as costas e começou a caminhar com toda pressa para o mesmo caminho que veio. Por sorte havia uma curva dando acesso à outra rua, e antes de virá-la escutou Matteo chama-la.
Não olhou para trás somente apressou mais seus passo e quando percebe já está correndo e não para quando chega à porta de seu prédio. Luna entra no prédio subindo as escadas correndo até chegar ao seu andar. Sem importar com a maneira brusca, ela abre a porta do apartamento e a fecha bruscamente correndo para o seu quarto.
—Luna o que foi que aconteceu?- Nina perguntou ao ver sua amiga entrar no apartamento como um furacão e indo para seu quarto.
Assustada e confusa Nina deixou seu copo com água em cima da pia. A morena viu Luna sair dizendo que iria caminhar e agora volta do nada naquele estado. Sabia que algo estranho está acontecendo com a sua melhor amiga, e como já lhe conhece e sabe que se a pressionasse a contar o que está se passando não dirá nada. Por conta disso era aconselhável ficar na dela e esperar que a mesma lhe conte o que for por conta própria, mas vendo Luna daquela forma, Nina não irá esperar pelo tempo que sua amiga precisa.
Nina corre até o quarto de Luna ficando aliviada pela porta está aberta, mas assim que ver Luna em cima da cama aos prontos se desespera e não hesita em se aproximar da amiga.
—Luna, porque chora? O que foi o que aconteceu? – ela perguntou sentindo seus olhos encherem de lágrima sentindo a mesma dor que a amiga está sentindo mesmo sem saber o que está deixando ela daquele jeito.
Nina sabia que tudo aquilo não era por Simón depois do que ele fez, e se não é por seu ex, deveria ser por Matteo.
Luna se deixa ser abraçada por Nina e com isso acaba falando entre lágrimas.
—Você estava certa Nina, sempre esteve... Eu sou uma burra...
Nina fica confusa, porque agora não entende o que estaria certa.
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