Simplesmente Amor

4 O que você acha que eu sou?


4° Capítulo

Marina

Ver Breno chorando não era nenhuma terapia pra mim, mesmo que eu soubesse que ele era sensível demais. Ele era como meu irmão pra mim, mas nada me impedia de beijá-lo, então o fiz. Me surpreendi, ao ver o quanto eu tinha gostado, e por um momento vi que ele também gostara.

– Por que você fez isso? – ele disse se levantando parecendo irritado.

– Eu precisava... – ele não me deixou continuar.

– Você não precisava nada! Por isso que não desabafo com as pessoas!

– Mas Breno... – me interrompeu novamente.

– Mas nada! – nunca o vira tão irritado, certo que ele era grosso, mas não daquela forma – eu AMO a Carolina! Difícil de entender?

– Isso é uma discussão desnecessária – dei um passo pra frente, me aproximando dele, que foi pra trás. – ela não te ama! E isso me lembra de que eu tenho concorrência, e preciso exterminar – falei quase em um sussurro, mas Breno ouviu.

– Exterminar? Lembre-se que sou eu quem te sustento! E é bom que você não faça exatamente NADA contra ela! – as palavras dele ecoavam em minha mente. – sei que ela me ama!

– Amo mesmo! – Carol empurrou a porta e senti minhas pernas estremecerem, droga! – mas isso não adianta né? Breno, esse beijo foi desejado, eu vi! – ela tentava conter as lágrimas, querendo parecer forte.

– Carol, eu não...

– Não diz mais nada! De agora em diante serei sua professora somente, e só essa será a nossa ligação! – me livrei dessa garota. – e você Marina, não tente absolutamente nada contra mim, você não me conhece, e não sabe de uma vírgula do que sou capaz.

– Não tenho medo de você! – arqueei as sobrancelhas, mostrando superioridade.

– Mas então é bom ter! – ela diz saindo de lá.

– Carol... – Breno a chama.

– Ela já foi!

– Acha! Nem percebi! – ele foi atrás dela, tudo bem, meus planos não deram totalmente certo.

Victória

Eu lia “Diários de Uma Paixão – Nicholas Sparks” sob a maior árvore do parque em frente ao Stúdio. Avisto Caio, que veio até mim.

– Oi, eu queria conversar com você sobre a gente... – a gente? A gente quem?

– Oi, eu queria ler. – admito, fui grossa com ele, mas foi o que eu achei necessário, já que eu tinha que deixar claro que não existia “a gente”.

– Só estou querendo conversar. – ele se senta ao meu lado.

– E eu, como já disse, só estou querendo ler! – me afasto e o fito.

– Não vou desistir! – sedi, vendo que seria impossível ler.

– Diga Caio César!

– Queria te perguntar se você gostou! – eu esperei com um ponto de interrogação estampado na testa – gostou do beijo?

– Sei lá, acho que sim!

– Acho? Sei lá?

– Por que isso é tão importante pra você?

– Porque se você gostou, e eu também... poderíamos... – ele se aproxima.

– Repetir? – terminei a frase que ele mesmo não seria capaz de terminar, não conseguia resistir. Nos beijamos novamente.

– Hmmm – ele conservou os olhos fechados – você me ama?

– O que? Poxa! Que rápido!

– É! Eu gosto muito de você! Mas não quero me iludir quanto a isso...

– Na verdade eu não sei... não sei... Quando estou com você, sinto que sim, mas quando longe, eu... não tenho tanta certeza! – era verdade. Ele me fita triste. – mas você está bravo comigo?

– Não – ele negava com a cabeça – não consigo ficar bravo com você. – ele sai, não bravo, mas triste... tudo bem, eu gostava dele, mas... misturar trabalho com romance nunca é um bom negócio, e essa oportunidade que minha tia havia me dado, eu não dispersaria nem por Caio, nem por ninguém!

Caio

O que Vic achava que eu era? Algum tipo de brinquedo? Mas o que eu sentia não era raiva... era uma mágoa horrível. Eu gostaria de ouvir da boca dela: “Caio, eu gosto de você tanto quanto você gosta de mim” e não: ”Sei lá”. No outro dia eu tinha minha aula com Carol.

– Oi! Bem? – Carol chega na sala de dança e me cumprimenta com um beijo no rosto.

– Estou sim, e você?

– Não, nada bem... seu irmão não é o que eu pensava...

– Você se acostuma! – eu ainda não sabia realmente o que ela queria dizer com aquilo.

– Será? – vi que os olhos dela estavam brilhando... lágrimas.

– Sim! Mas... o que aconteceu?

– Eu sou muito tola sabe? Me apego tão rápido e...

– Você gosta do Breno né?

– Tá tão na cara assim? – eu assenti, ela não era a primeira e nem a segunda garota que sofria por ele.

– Mas, Carol... Breno tem seu jeito...

– Ele beijou Marina! – agora ela chorava.

– Sério? Nossa... – eu estava surpreso – Carol, seja ou se finja de difícil, Breno sempre consegue todas as garotas que ele quer, e se você não ceder na primeira cantada dele... quem sabe?

– Obrigada Caio! Ao contrário do seu irmão, você é um cara legal. – ela me abraçou, e eu retribuo. – mas vamos a nossa aula? – nossa aula foi muito boa e produtiva, Carol dançava muito bem e eu conseguia pegar rápido as dicas de presença de palco dela. Terminamos de ensaiar e seguimos para as nossas casas.

Breno

Eu precisava falar com ela, Carol despertava algo em mim que nunca nenhuma garota conseguiu. Resolvi mandar uma mensagem pra ela.

“A gente pode conversar? Por favor, é importante! Se sim, me encontre daqui a meia hora na pracinha de sempre, beijo”

Apaguei a última palavra. Não obtive resposta, como era de se esperar. Já era hora do nosso “encontro”, e nada de Carol. Estava quase indo em bora, quando sinto uma mão em meu ombro.

– Espera...

Continua...