Simplesmente Amor
17 Não me deixe, não se vá.
Notas iniciais
18° Capítulo
– Tchau titio, obrigada – não consegui dizer mais nada e desliguei antes de ouvir a resposta do meu tio.
~LIGAÇÃO OFF~
Caio
Victória estava desolada. O que havia acontecido? Era grave? Eu precisava saber o que tinha feito minha loira ficar daquela forma.
– Vic, amor, aconteceu alguma coisa? – ela chorava muito, nunca havia visto ela naquele estado.
– Depois... – disse me abraçando e derramando toda sua tristeza em forma de lagrimas. Percebi que o que ela precisava naquele momento era de um ombro pra chorar, e não perguntas, por isso, ficamos ali, por mais ou menos 30 minutos. – Desculpe Caio, depois te conto tudo, pode ter certeza. – ela dizia ainda aos prantos.
– Vida, quero que você fique bem ta? E quero saber o que ou quem te deixou aqui, estou tão desesperado quanto você.
– Não, você não está. Não posso te contar agora, fica aqui comigo? – ela pediu, e eu adiei todos os meus compromissos para ficarmos ali, perdidos nos braços um do outro.
Vic
Eu não podia falar nada para Caio e nem pra ninguém, esse problema era só meu, e eu não queria preocupar ninguém com aquilo. Principalmente os meninos, eles estavam engatando a carreira agora, qualquer notícia como essa, se é que os conheço bem, os faria para tudo.
Mas ela era minha mãe, a minha geradora, a mulher que me criou, generosa, vaidosa e sempre sorridente, isso não era justo. Naquele momento, só conseguia chorar, chorar e rezar pra que Deus fizesse o que fosse melhor, e eu sabia que Ele faria.
– Tenho que ir.
– Não vai me contar ainda?
– Não posso, é um problema meu.
– Eu te amo, deixa eu te ajudar.
– Então me ajude, deixe que eu vá, preciso ficar sozinha. – ele pegou meu rosto e beijou minha bochecha, e com um abraço nos despedimos.
*As luzes das cidades não eram as mesmas. Nada era o mesmo. Tudo em minha volta estava cinza, frio, confuso e estranhamente triste. Eu me sentia culpada. Muito culpada, ela precisava de mim, e onde eu estava? Tendo namoricos e nem me lembrando da doença dela. A doença que era dela, mas que ME afetava. Ela é meu alicerce e sempre será minha única família desde os meus 2 anos. Quando meu pai nos deixara ela nem sequer chorou, ela foi forte e guerreira, me sustentando sozinha, ela era o tipo de mulher que eu queria ser quando crescesse. E sabe aquela frase que diz que na hora do perigo você sempre pensa o pior? não era falsa. Pessoas passavam por mim se perguntando o motivo de minhas lágrimas, elas não sabiam que minhas lágrimas carregavam um nome. Fernanda. Uma palavra. Dor. Um sentimento. Medo. E muitas lembranças. De uma coisa eu tinha certeza, a admiração, o amor e todo carinho que eu sentia por ela, ultrapassaria muitas barreiras, e também a pior delas. A morte. Cheguei em casa sem lágrimas, abatida, e Carolina veio até mim.
– O que aconteceu? – ela estava preocupada.
– Nada, por que está perguntando? – eu aparentava normalidade, pelo menos eu achava que sim.
– Porque eu te conheço mais do que você mesma SE conhece. Quer apostar?
– É a minha mãe.
– O que tem minha madrinha?
– Ela está morrendo! – tudo voltou a minha mente, desabei no sofá e as lágrimas voltaram. Ela havia ficado pasma, sem ação.
– É... calma Vic...
– Calma? Minha mãe não tem nem 2 meses de vida e você vem me pedir calma? Por favor, não me peça isso. – eu gritava, e ela, como um anjo que veio me confortar abre os braços, nos abraçamos, eu, chorando feito bebê.
– Tia Fernanda é minha segunda mãe, também estou sofrendo Vic.
– Mas sua mãe está lá, segura, na sua casa, e eu? Tenho que ficar aqui, a 16 horas dela, sabendo que está precisando de mim.
– Vai pro Sul Vic, sério, aproveita que seu chefe é seu namorado! – ela sorriu e tento sorrir também.
– Sabe, minha vida estava perfeita, mas acho que a felicidade não é meu destino.
– Nunca repita isso Victória – ela começa a chorar comigo. – seu sofrimento é o meu também!
– 2 meses não serão nada Carol. O que eu faço?
– A melhor coisa a fazer agora é tentar dormir, olha, agora são nove horas, coma alguma coisa e amanhã de manhã sairemos de voo.
– Vou sozinha.
– Como assim? Eu gosto dela também!
– Vou ver a MINHA mãe, SOZINHA.
– Quero ver ela também sua chata!
– Ela deve estar magra e doente, você sabe como ela é né? Toda vaidosa, e não gostaria que mais pessoas a vissem daquele jeito.
– Ta bem, então diga que eu a amo. Vou estar rezando por ela. O celular dela toca.
~LIGAÇÃO ON~
Carol
– A VIc está aí Carol? Como ela está? O que ta acontecendo?
– Calma Caio, ela está bem.
– Como bem? Saiu daqui transtornada! – havia muita preocupação em sua voz, eu não sabia o que dizer.
– O assunto não é bem da minha conta, você tem que ver isso com ela.
– Tudo bem, to indo pra aí.
– Caio, se eu te contar você fica aí? – em resposta recebo “tã-tã-tã”
~LIGAÇÃO OFF~
– Seu namorado teimoso está vindo pra cá.
– Tudo bem, quero ele aqui comigo.
– Vai contar pra ele?
– Não tenho outra saída.
– Ta bom – a campainha toca – nossa, que menino ansioso! Bom, vou la abrir.
– Carol, espera. Conta pra ele?
– Pode deixar.
– Caio a Vic está assim porque a mãe dela está muito doente.
–Vou conversar com ela.
–Vê se consegue melhorar minha amiga tá?- ele afirma
Caio
– Vic?!- ela estava triste, realmente triste, assim quando a vi, com seus olhos brilhantes e cheios de lágrimas, percebi que até triste, minha pequena era linda.
– Caio! — ela abre os braços, e temos um abraço curto — tenho que te dizer uma coisa.
Continua...
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