Simplesmente Acontece
39 Capítulo 8 - Visita
No outro dia, JL acordou cedo e foi para a Império com Clara,
Du acordou um pouco mais tarde e como de costume foi cuidar dos gêmeos.
As horas se passavam de vagar, ela estava inquieta, andava de um lado para o outro, olha a todo momento no celular.
Zezé: Está tudo bem Dona Du?
Du: Tá sim Zezé.
Depois do almoço Du subiu para o quarto dos Lekinhos, arrumou a bolsa com as coisas deles e foi atrás do Silviano.
Du: Silviano o Lucas foi trabalhar com o carro dele?
Silviano: Não Senhorita Eduarda, ele foi com a Clara no carro dela.
Du: Ótimo.
Silviano: A Senhorita pensa em sair?
Du que já caminhava em direção ao quarto dos lekinhos, voltou alguns passos e avisou Silviano:
Não penso, eu vou sair. E Nada de bancar o mordomo fofoqueiro e ir correndo ligar para o João Lucas, tá me ouvindo Silviano?
Silviano: Mas Senhorita — Du interrompe :
Mas nada Silviano.
Silviano: Posso saber ao menos onde vai?
Du: Vou dar um role com os Lekinhos. Falow Silviano até mais tarde.
Du entra no quarto dos Lekinhos e Zezé tinha acabado de trocar eles.
Zezé: Onde vamos Dona Du?
Du: Você fica Zezé, me ajuda só a colocar eles no carro, e pode ficar aqui ajudando a Claraide.
Zezé: Tem certeza Dona Du?
Du: Tenho sim. Eu não demoro Zezé, vou dar um pulinho na casa do meu pai. Fica sussa. Mas se eu acabar demorando, e der seu horário você pode ir.
Zezé fez o que ela pediu, levou Alfredinho, enquanto Du carregava Martinha.
Du passou no quarto, pegou a chave do carro de JL, e seguiu para garagem.
Zezé ajudou ela a acomodar as crianças na cadeirinha, e Du saiu com os gêmeos.
Chegando na frente da casa dos pais, Du olhou pra trás e sorriu ao ver os Gêmeos quietinhos brincando nas cadeirinhas.
Du: E Agora hein? Como eu vou fazer para tirar vocês dois daí?
Du pensou um pouco, olhou para frente da casa e aparentemente não tinha ninguém, ela buzinou e gritou:
PAI.
Mais uma buzina, e mais um grito e nada dele aparecer.
Felipe que morava na casa ao lado, ouvi a buzina e a voz de Du, e saiu para fora.
Quando teve mesmo certeza de que era Eduarda que estava ali, não pensou duas vezes e foi até ela.
Felipe: Hey Du, você por aqui.
Du olha meio sem graça pra ele, dando um sorrisinho meio de lado e dizendo:
Oi Feh.
Felipe: E aí o que tá pegando?
Du: Tou esperando meu pai aparecer para me ajudar a levar os Lekinhos pra dentro.
Felipe: Quem?
Du: Os gêmeos, meus filhos Felipe.
Felipe: É mesmo, agora você tem filhos, loco isso hein Du? Deixa eu ver eles?
Felipe se aproxima da janela, olhando para o banco de trás, e sorrido para as duas crianças.
Felipe: São lindos Du, puxaram você.
Du: Para Feh.
Felipe: Só disse verdades Du. Mas desce aí, eu ajudo você a levar os moleques lá pra dentro.
Du: Não precisa, me faz um favor, vai lá e chama meu pai.
Felipe: Para com isso Eduarda, eu te ajudo, desce ai vai.
Eduarda não sabia como dizer não para Felipe, e como estava precisando aceitou a ajuda.
Ela desceu do carro, abriu a porta do banco de trás, tirou primeiro Alfredinho, e entregou ele pra Felipe.
Du: Oh, pelo amor de Deus, cuidado com meu filho, segura bem nas costinhas dele, porque ele adora pular.
Felipe: Du, eu não vou derrubar seu filho, relaxa pow. Oh tio Felipão sabe segura um neném lindo como eu né tio? – brincou Felipe, que pegou Alfredinho.
Depois Du tirou Martinha, e eles seguiram para a casa.
Chegando na porta, Du tocou a campainha.
Felipe: Que isso Du, tocando a campainha pra que? Tu sabe muito bem que essa casa vive destrancada.
Felipe abre a porta e entra, Du tenta argumentar:
Espera! -
Mas Felipe já estava dentro da casa com Alfredinho nos braços.
Felipe: Vovó, Vovô eu cheguei – Falava alto e arrancava gargalhadas de Alfredinho que se divertia em seu colo.
Du dá um passo par dentro.
Edna que estava na cozinha se assusta com o barulho e vai até a sala.
Edna: O que está acontecendo aqui?
Felipe: Eu cheguei vovó, para fazer bagunça nessa casa. Cadê meu titio Erick? Tá dormindo? – Felipe disse com voz de bebe, e se aproximou de Edna.
Francisco, o pai de Du, que estava no quarto, também ouviu as vozes e foi para a sala.
Francisco: Que surpresa mais gostosa.
Du: Oi pai. – Du responde um pouco sem graça.
Felipe que brincava com Alfredinho, até que resolveu entregar o menino para avó:
Vai com a vovó .
Du grita: Não!!! Felipe dá ele para o meu pai, e me ajuda a pegar o resto das coisas que estão no carro.
Felipe percebe que o clima pesou, se afastou de Edna e entregou Alfredinho para Francisco, que se sentou no sofá com ele.
Francisco: Filha, me dá aqui essa princesa e vai ajudar o Feh a pegar as coisas.
Du coloca Martinha no colo do pai dela, e vai para o carro junto com Felipe.
Felipe: Que climão é esse com a sua mãe Du?
Du: Mãe? Longa história Feh, mas pede para o Erick que depois ele te conta.
Felipe ajuda Du a pegar o carrinho que estava no porta malas, e a bolsa das crianças, e levaram para a sala. Felipe se despediu e avisou que voltava mais tarde.
Du se sentou no sofá ao lado do pai, pegando Alfredinho do colo dele.
Du: E aí pai, como tu tás?
Francisco: Eu tou bem Eduarda. E me ligaram hoje de manhã da empresa do seu marido, uma tal de Valquíria, falando que eu tinha uma consulta daqui a dois dias, e um motorista vem me buscar pra me levar. Isso é coisa do seu marido né Du?
Du sorri : É sim, o Lucas é incrível.
Francisco: E você gosta dele né minha filha.
Du: Pra caramba pai.
Francisco: Eu fico feliz em sabe que você tá bem.
Edna que observada tudo de longe enfim fala alguma coisa:
Mas que visita inesperada é essa? Hoje de novo? Vai ser assim todos os dias agora é?
Du se levanta e responde grossa:
E se for? Que eu saiba essa casa é do meu pai, e eu vou vim aqui quando eu quiser.
Edna sai da sala bufando, e Du se senta novamente.
Francisco: Por favor Du, não fala assim com a sua mãe.
Du: Mãe? Para pai, e se vim com esse papo, eu pego meus filhos e vou embora.
Francisco: Eduarda. Ok, vamos deixar esse assunto para depois, agora deixa eu curtir meus netinhos.
Du: E o Erick Pai?
Francisco: Passou a noite fora, sei lá onde, e agora tá dormindo. Du, tou preocupado com o seu irmão viu, não sei o que tá dando nele.
Du respira fundo e responde: Pode deixar pai, eu vou falar com ele.
O resto do dia foi assim, Francisco e Du paparicando muito os gêmeos.
Edna passava as vezes pela sala, e Du a olhava com desprezo, ela também não tentava se aproximar mas preferiu ficar afastada.
A porta se abre e Felipe entra.
Felipe: Olha quem chegou o tio Felipão.
Du começa a rir :
Felipão? Tá bom!
Felipe: Que foi hein Eduarda?
Du: Nada não Feh- Du continua rindo.
Felipe: Continua a mesma boboba né?
Du: Bobo é você.
Felipe: Você.
Martinha: bo,bo,bo.
Todos começam a rir.
Du: Não Martinha, não repete as coisas que tio maluco diz.
Felipe: Como é o nome da tua filha?
Du: Martinha, né minha lindinha? – diz com voz de bebe: Eu me chamo Marta, e meu irmão José Alfredo.
Felipe começa a gargalhar sem parar.
Du: Do que você tá rindo hein Felipe Augusto?
Felipe: Que nomes ridículos são esses hein? Essas pobres crianças já nasceram traumatizadas e vão ser muito zoadas na escolinha. Coitadas.
Du: Ai seu bobo, os nomes dos meus filhos são lindos tá?
Francisco que observava a cena rindo se pronuncia:
Foi uma linda homenagem aos avós paternos. Agora precisa ter outro pra colocar o nome de Francisco.
Du: Que isso pai, a fábrica tá fechada.
Felipe: Ata, homenagem aos pais do pela saco. Eita namorado idiota você foi arrumar hein Du? Tu merecia coisa melhor. Tio Francisco o Erick tá no quarto?
Francisco: Tá sim, acho que ainda dorme, vai lá meu filho, e vê se coloca um pouco de juízo na cabeça daquele seu amigo.
Felipe caminha em direção ao quarto, quando de repente, para, olha para Eduarda e diz:
Se quiser reabrir a fábrica é só me chamar, teria o maior prazer de dar um netinho para seu pai para chamarmos de Francisco. – Felipe da uma piscadinha, e sai da sala.
Du fica vermelha de raiva e vergonha, mas não diz nada. Francisco também acha melhor não tocar no assunto.
Alfredinho já estava manhoso, e era hora de amamentar os gêmeos.
Du: Eu preciso dar de mama pra eles.
Francisco: Quer ir lá para seu quarto?
Du: Meu quarto?
Francisco: Sim filha, seu quarto, ele está do jeito que você deixou. Vai lá, assim você amamenta eles tranquila.
Du se levanta do sofá, e Francisco a ajuda a levar os gêmeos para o quarto.
Ele a deixa com os filhos, e sai encostando a porta.
Du amamenta primeiro Alfredinho que estava mais desesperado, enquanto Martinha estava no carrinho.
Du olhava para cada detalhe daquele quarto, e em sua mente enchia de lembranças.
Algumas lembranças tristes, angustiantes, e outras muito boas.
Ela sorriu, ao se lembrar, de quando chegava em casa das baladas e se jogava na cama pensando em João Lucas, olhou seu mural de fotos na parede, e perdeu a conta de quantas fotos dos dois tinha ali, junto com outras de suas bandas preferidas.
Alfredinho já dormia em seus braços, ela então com cuidado colocou ele no carrinho e pegou Martinha.
Du: Agora sou eu mamãe, eu tou com fominha.
Edna que estava passando, olha pela porta entre aberta e vê a filha amamentando a neta.
Edna sabia que tinha errado muito com aquela menina, que tinha transformado a vida de uma criança inocente em um inferno. Mas foi maior que ela, ela não conseguiu superar a traição, e descontou na pobre criança. Naquele momento Edna estava arrependida de tudo, mas ela era muito orgulhosa para reconhecer isso e pedir desculpas para Du.
Então em um impulso, ela entra no quarto, surpreendendo Du, que estava entretida amamentando e conversando com Martinha.
Du a olha assustada, e Edna se aproxima da cama, pegando uma fraldinha que estava em cima da cama e entregando na mão de Du, que pega desconfiada.
Du tenta falar alguma coisa, mas palavras não saem da sua boca, Edna observa Martinha com um sorriso e finalmente fala:
Ela se parece com você, quando era criança.
Du não diz nada.
Edna continua, agora sem o sorrido no rosto, um pouco seca:
Você precisa de ajuda com eles?
Du: Não, valeu.
Edna: Se precisar é só chamar.
Du: Ok, mas eu não preciso, sei cuidar muito bem dos meus filhos.
Edna abaixa a cabeça e sai do quarto.
Nesse momento Felipe e Erick, estavam passando pelo corredor.
Felipe olha para o quarto e se depara com a cena e fala:
UOOOW.
Edna imediatamente fecha a porta e alerta:
Não se aproximem desse quarto, tão me ouvindo? – E vai para cozinha.
Felipe continua olhando para a porta do quarto, que agora estava fechada.
Erick: Ouu, é minha irmã, respeito viu?
Felipe: Mas eu não falei nada.
Erick: Mas pensou, e essa sua cara te entrega. Minha irmã sempre foi território proibido, ainda mais agora que ela tá casada.
Felipe: Que isso brother.
Erick: Tá avisado. Agora vamo pra cozinha bater um rango, mo fome.
Na mansão dos Medeiros. Silviano estava aflito, as horas tinham se passado e nada de Eduarda aparecer, até Zezé já tinha ido embora.
Marta foi a primeira a chegar, e estranhando o silêncio que estava a casa, perguntou.
Maria Marta: Silviano, que silêncio é esse? Martinha e Alfredinho está dormindo?
Silviano: Eles, eles ainda não chegaram Senhora.
Maria Marta: Como não? Onde eles foram?
Silviano: Senhorita Eduarda saiu mais cedo com eles, e não me disse para onde iria. Mas a babá me informou que eles foram para a casa do avó.
Maria Marta: O que? Eduarda saiu com meus netos, não levou a babá, e não chegou até agora?
Silviano: Isso mesmo Senhora.
Maria Marta: Mas essa menina não tem juízo, esses dois não tem juízo. Acho que os gêmeos são mais responsáveis que eles. Mas, me diga Silviano, o João Lucas está sabendo disso?
Silviano: Acredito que não Senhora.
Maria Marta: E porque você não ligou para contar hein?
Silviano: Porque Senhorita Eduarda mandou eu ficar quieto, e ainda me chamou de Mordomo Fofoqueiro?
Maria Marta: O que? Quem paga o seu salário, eu ou ela hein? Pega esse telefone e liga para o João Lucas para contar o que a irresponsável da mulher dele fez.
Silviano faz o que Marta pediu, mas João Lucas estava em uma reunião e não podia ser interrompido.
Maria Marta ficou furiosa com o fato de Eduarda ter saído com os gêmeos.
Depois que Alfredinho dormiu, ela o colocou no carrinho e continuou perdida em lembranças naquele quarto, até que Francisco entra.
Francisco: Tá tudo bem por aqui?
Du: Tá sim pai, eles dormiram.
Francisco: Dois anjinhos. Mas, vamos jantar?
Du se surpreendeu, pegou o celular e viu que já estava tarde.
Du: Caraca pai, nem vi a hora passar, preciso ir pra casa, me ajuda a colocar os gêmeos no carro.
Francisco: Você vai jantar com a gente Eduarda, sua mãe fez aquela lasanha que tu gosta.
Du: Mãe? Corta essa vai pai, ela não é...
Francisco interrompe: Ela é e sempre vai ser sua mãe Eduarda.
Du: Aff.
Francisco: Aff nada, vamo aproveitar que esses anjinhos estão dormindo, e vamos assim você janta tranquila.
Du: Ta bom pai, vai indo que eu já vou.
Du não sabia se estava pronta para sentar na mesma mesa de Edna, mas ela queria ficar mais um tempo com o pai, tomou coragem e saiu do quarto e deu de cara com Felipe, que aparentemente a esperava ali na porta.
Du: Da licença.
Felipe: Espera Du vamos conversar.
Du: Não tou afim de conversar agora Feh –
Du sai andando, mas Felipe a segura pelo braço, e em um movimento rápido a encosta na parede, colando o seu corpo no dela.
Felipe: Eu quero falar com você, me escuta.
Não dá tempo de Du raciocinar, quando tinha dado conta Felipe estava colado nela,
ela sentia a respiração dele cada vez mais próxima a sua, tentou se soltar, mas em vão.
Du: Me solta, você pirou é? Eu não tenho nada pra falar contigo.
Felipe aproximou mais ainda seu rosto do dela.
Felipe: Não importa que você tá casada, quero que saiba que eu ainda te quero, como sempre te quis, se um dia se encher dessa sua vidinha....
Du: Me solta, Eu vou gritar.
Felipe: Eu vou tá aqui te esperando.
Felipe aproximou seu rosto do de Du, e ela estava pronta para tentar dar um chute bem no meio das pernas dele, para tentar se livrar daquela situação. Eis que eles escutam o barulho de uma porta se abrindo, e a voz de Erick: Tô pronto.
Felipe solta Eduarda, e se afasta e vai em direção a Erick.
Erick passa por Du, que ainda estava tentando processar em sua mente o que tinha acontecido, e Felipe o acompanha. Os dois se despedem de Edna e Francisco e saem.
Assim que escuta a porta bater, Eduarda respira fundo e vai em direção a cozinha.
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