Simplesmente Acontece

33 Capítulo 6 - Escada


Quando o beijo acabou e os olhos se encararam, João Lucas viu uma Eduarda frágil, com medo, olhar distante, aquela segurança que sentiu a segundos atrás com o beijo tinha sumido.
Ele pegou nas mãos dela, e estavam frias e tremulas.
João Lucas: Du, me perdoa. Eu, eu, eu não queria que você ficasse assim.
Du: Tá, tudo bem Leki, eu que te peço perdão, amanhã vou pedir desculpas pra Isis, blz?
João Lucas: Não precisa, se você não se sente bem falando com ela, eu vou mandar a real, e falar pra ela não ficar perto dos nossos filhos.

Du: Isso é bobagem, eu vou falar com ela, não esquenta Leki.
João Lucas acaricia de leve o rosto dela, que sorri meia sem jeito, ele se aproxima e tenta beija-la, ela retribui o beijo, mas termina rápido.
Du ainda sentada na cama, coloca as mãos sobre a cabeça e parece distante, João Lucas fica preocupado, ele não entendia aquela reação.
João Lucas: O que tá pegando Leki, por que você ficou assim de repente?
Du: Nada.
João Lucas: Jura?
Du: Juro. Eu vou lá ver os Lekinhos.
Du se levanta e sai do quarto.
Perdida em pensamentos, ela encosta na parede e derrama mais algumas lágrimas.
Agora ela sabia que JL sentia, sabia que ele a culpava por ela tentar matar os filhos,
ela também se culpava, mesmo ela não sabendo o que tinha acontecido para chegar ao ponto de cair da escada.

Ela começa a caminhar em direção a escada, secando suas lágrimas, perdida em pensamentos e sentimentos confusos.
Ela amava o João Lucas, amava seus filhos e amava aquela sua nova vida, se arrependia do fundo da alma por um dia ter pensando em não ter os filhos.
Quando ela parou no topo da escada, fechou os olhos, da mesma maneira que fez quando caiu, tentando se lembrar do que havia acontecido naquele dia.

João Lucas estava sentado na cama, ele se arrependia amargamente por cada palavra que ele tinha dito a Du, queria morrer ao lembrar daquele olhar triste, um olhar ao qual, ele nunca tinha visto antes.
Ele era um burro, um imbecil, e ela era e sempre foi a mulher da vida dele.
E ele já tinha a feito sofrer tantas vezes, ‘será que eu mereço esse amor e essa entrega que ela tem por mim?’ se questionou.
Seus olhos encheram de lágrimas, e seu coração ficou apertado, de repente sentiu um frio imenso que fez todo o seu corpo tremer, olhou as janelas e estavam fechadas, então na sua cabeça veio o som dos passos de Du, que foram muitos, mais do que era necessário para chegar ao quarto dos bebês.
“Onde estava Eduarda? Porque ela estava demorando tanto?”
Ele então se levanta rapidamente, saindo correndo em direção a porta, ao corredor, e de longe enxerga o seu Pontinho Ruivo, parado imóvel no topo daquela escada.
Em uma fração de segundo se lembrou da agonia e do medo que sentiu quando pensou que podia perder Eduarda e seu filho, ele não podia perdê-la, ele precisava dela para viver.
Imediatamente foi em direção a ela, pedindo a Deus mentalmente para que desse tempo de impedir uma loucura.

Eduarda sentiu alguém lhe puxando pelo braço, e quando abriu os olhos estava no lugar mais seguro do mundo para ela, envolvida nos braços dele com a cabeça em seu peito, ele a apertava tanto, que ela sentia dificuldades para respirar.
Seus olhos enfim se encontraram, e ela pode ver a agonia naquele olhar, lágrimas já estavam escorrendo pelo seu rosto.
Du: Lucas.
João Lucas: Du, o que tu ia fazer?
Du: Você, você tá me machucando.
Ele então percebe que estava a apertando demais, e tira os braços em sua volta, ela continua ali, abraçada com ela.
Du: Pode continuar me abraçando, mas não tão forte, você só estava me deixando sem ar.
João Lucas: Desculpa, quando eu vi você parada aí, eu pensei, eu pensei...
Du: NÃO!
João Lucas: Tem certeza?
Du: Uhum, eu só estava tentando lembrar do que aconteceu naquele dia.
João Lucas: Vamos esquecer aquele dia Du, pelo amor de Deus.
Du: Mas você não esqueceu, você me culpa.
João Lucas: Eu esqueci sim, eu fui um imbecil contigo mais uma vez, eu disse coisas que não devia.
Du: Coisas que passam pela sua cabeça e pelo seu coração.
João Lucas: Não Du, não passam. .

João Lucas e Du caminham de volta em direção ao quarto.
Du: Te conheço, tenho certeza que passa JL.
João Lucas: “JL” quanto tempo você não me chama assim. Du, quantas vezes eu vou ter que repetir hein? Para de ser tão cabeça dura. Vamos esquecer isso por favor.
Du: Não é tão fácil esquecer isso, ainda mais sabendo que você lembra.
João Lucas: Shiiiiu – colocando o dedo em sua boca.
Eles entram no quarto, João Lucas fecha a porta, depois encara Du, a pegando pelo braço e puxando para si, não tirando os olhos dos do dela.
João Lucas: É muito fácil esquecer isso, e eu vou te ajudar.
Du sorri.
Du: Vai? Como?
Ele dá um beijo no canto da sua boca, depois desce até seu pescoço dando um leve beijo molhado, depois a encara novamente.
João Lucas: Assim oh.
Ele morde de leve seu lábio inferior.
João Lucas: Assim oh.
Ele enfim a beija, deixando a sem ar.
Quando os lábios se separam, os dois estão com a respiração ofegante, de testas coladas, João Lucas diz:
EU TE AMO Eduarda, não consigo imaginar minha vida sem você, tá me ouvindo?

Eduarda apenas sorri e seu coração pula de alegria, os dois não eram muito de falar “eu te amo” e de fazer grandes declarações, muitas vezes ela tinha certeza que a amizade dos dois estava acima de tudo, inclusive do casamento, mas era assim que tinha que ser, afinal não se podia manter uma relação sem amizade e respeito.
Por isso nas raras vezes que ouvia essas palavras da boca dele, seu coração palpitava, ou melhor, saltitava de alegria, suas pernas ficavam bambas e ela se sentia uma adolescente de 15 anos com seu príncipe encantado.
Quando Eduarda voltou a si, ela já estava sendo jogada por JL na cama,
que segundos depois estava em cima dela, tirando suas próprias roupas e ajudando a tirar as delas.
Du: Espera.
João Lucas a encara curioso, esperando atento para ouvir o que ela tinha a dizer.
Ela passa a mão de leve em seu rosto, olhando bem no fundo dos seus olhos e diz:
EU TE AMO Leki, te amo muito!
Ele sorri, e a beija.

O quarto em completo silêncio, apenas a respiração dos dois que ainda estavam acordados, um perdido no olhar do outro, sentindo aquela paz que só encontravam quando estava assim.
Eles não precisavam de grandes declarações de amor, ou de palavras bonitas, precisavam apenas estar um ao lado do outro.
Du decide quebrar o silêncio:
Milagre, os gêmeos ainda não acordaram.
João Lucas: É porque eu tive uma conversa com eles, falei que hoje a mamãe, seria só minha. Eles já sabem me obedecer viu.
Du: Seu bobo.
João Lucas: Sou mesmo, bobo por vocês – ele tira uma mecha de cabelo que estava quase no rosto dela, colocando atrás da orelha, depois acaricia de leve seu rosto.
Du sorri, e encosta a cabeça em seu peito.
Du: Amanhã eu vou falar com a Isis, pedir desculpas, eu vou tentar me controlar, eu juro leki.
João Lucas dá um beijo de leve em sua cabeça e fala bem baixinho:
Confesso que eu fico amarradão quando tu tem ciúmes do gostosão aqui.
Du fala bocejando : Convencido.
João Lucas: Marrenta.
Du: Tou com sono.
João Lucas: Descansa então meu amor.
Du olha para João Lucas e pergunta sonolenta:
Tu não vai dormir não? Amanhã tu acorda cedo.
João Lucas: Vou esperar você dormir.
Ele sorri para ela, que sorri de volta, se aconchega em seu abraço e pega no sono.
João Lucas fica um tempo observando ela dormir.
– Como era linda, marrenta, perfeita, ele amava cada detalhe daquela mulher, e jamais poderia imaginar sua vida se não fosse ao lado dela.

JL vai bem cedo para a Império, quando Du acorda ele já tinha saído.
Ela vai para o quarto dos gêmeos, e fica boa parte da manhã ali, nem si quer desce para tomar café.
A cada dia que passa Alfredinho e Martinha estão mais espertos, apesar de todo o trabalho, Du amava mais que tudo na sua vida aquelas duas coisinhas mais fofas.
Enquanto as crianças dormiam, ela decide ir procurar Isis.
Como já sabia que o comendador tinha ido para a Império, resolve bater na porta do quarto dele.
Isis: Entra.
Du: Oi.
Isis: Tudo bem Du? – Pergunta desconfiada.
Du: Tudo, eu queria falar contigo, posso?
Isis: Claro.
Du: Papo reto Isis, eu nunca gostei de você, porque...ehh....
Isis: Pq o João Lucas já deu em cima de mim. Mas Du, eu amo o pai dele, e nunca eu daria bola pra ele, ou para qualquer homem nessa vida.
Du: Eu sei que tu é amarradona no Comendador, mas eu sempre fui confidente do Lucas, e ele era louco por ti.
Isis: Mas nunca aconteceu nada entre a gente.
Du: Eu sei, eu sei. E é por isso que eu não fui muito legal com você. Me desculpa.
Isis: Tudo bem Du, eu até te entendo. Mas fica tranquila em relação a isso. Você é a mulher da vida do Lucas, a mãe dos filhos dele, vocês são Almas Gêmeas.
Du: Éh, eu sou uma boba, é insegurança sei lá. E o Lucas me deu as Alminhas Gêmeas mais lindas desse mundo para eu cuidar, ele é meu marido, e eu confio nele. Não sei o que deu em mim.

Isis: Eu sei, é normal sentirmos isso, você não acha que eu também não tenho vontade de voar no pescoço da Marta? Mas a minha situação é complicada.
Du: Poe complicada nisso.
Isis: Obrigada por você ter vindo aqui, eu sabia que não ia ser bem recebida nessa casa, mas ficando pelo menos com você já me sinto melhor.
Du: Que isso – Du vai saindo do quarto, quando Ísis a chama:
Du.
Du: Oi?
Isis: Será que eu posso passar no quarto dos gêmeos depois? Para brincar um pouco com eles?
Du: Claro, passa lá quando quiser.
Du sorri e sai do quarto.
De certa forma estava se sentindo melhor por ter tido essa conversa com Isis.
E naquele momento desejava que apagasse da sua memória todas as conversar que teve com JL sobre Isis, para poder seguir em frente.